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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

calafrios

A empatia é uma característica de que falamos relativamente pouco, se formos considerar a sua importância socio-emocional.
Para os navegantes, empatia tem por origem etimológica um significado próximo a "estar dentro da emoção" "junto com a emoção"; já, psicologicamente é a capacidade natural que temos de identificar o que outra pessoa está pensando ou sentindo e responder com emoção apropriada.
Mas, e na prática, ela afeta nossa vida diária? E como, meus caros!
Sempre que uma menina reclama dizendo "Ai, ele não é sensível..." quando quer dizer que queria que o respectivo fosse mais compreensivo quanto à sua TPM ou à sua chapinha que se desfez na chuva, na verdade ela não gostaria que ele fosse mais 'sensível' eu acho, porque senão um cutucão e ele diria que está com hemorragia e um puxão de cabelo e perdeu o escalpo (apesar de que a maioria dos homens é meio chorão assim). Na verdade o que a nossa cara tola quer dizer é "Ah, seus níveis de empatia são extremamente baixos...", mas, como vivemos no mundo real, todo ignoram isso.
Um exemplo onde a empatia demonstra ainda mais a sua importância ainda é em sua ausência - caracterizando pessoas más, cruéis e às vezes até psicopatas.
A psicopatia se caracteriza precisamente pela ausência de empatia, devido ao pequeno fato que psicopatas são incapazes de sentir a dor física ou emocional alheia, e por isso não lhe importa se provoca essa dor ou não - não sentem remorso absolutamente nenhum.
Há ainda os indivíduos que temporariamente bloqueiam qualquer tipo de empatia ou freio social, que acabam sendo indivíduos violentos, mas que depois são capazes de sentir remorso pelas ações. No entanto, não são só  eles que bloqueiam a empatia - cansaço e stress (físico e psicológico) podem bloquear a nossa empatia, tornando-nos por alguns instantes em algum grau levíssimo psicopatas (calma, não é pra exagerar, só pra ilustrar!), e daí saem os insultos e acidez das palavras que acompanham o cansaço ao final de um dia estressante de provas, no trabalho, etc.
Também há os momentos em que a preocupação própria sobrepõe nossa preocupação alheia; por exemplo, se sua esposa está no banco de trás tendo o seu filho, você não vai se preocupar em parar o carro para ajudar aquele idoso a atravessar a rua (ou eu espero que não, pelo menos!).
Outro fato curioso da empatia: além de toda a rede neural responsável por ela (envolvendo regiões próximas do globo ocular, região temporal, entre outras 6 regiões do cérebro que cooperam para essa capacidade), há ainda o hormônio da empatia - a ocitocina (ou oxitocina), e curiosamente é um hormônio predominantemente feminino que é liberado estimulando a lactação e instiga os instintos maternos e preocupação com o bebê (inclusive sua liberação é estimulada ao ver, ouvir ou cheirar o bebê). Então aquela história do amor de mãe, que elas são mais solidárias, preocupadas e amáveis, não só com os seus filhos mas com todos? Cientificamente explicado, meu bem.
Isso explica precisamente porque mulheres tendem ter um Quociente de Empatia mais alto (por volta de 47, o máximo sendo 80) enquanto que os homens um QE ligeiramente mais baixo, de 42. Um QE normal é entre 33 e 52 pontos, e pessoas com síndrome de Asperger ou autismo é de aproximadamente 20, enquanto de um psicopata hardcore é nulo.
O mais assustador? Existem milhões de psicopatas vivendo entre nós que nunca vão fazer alguma atrocidade moral do tipo torturar ou cometer homicídio, mas simplesmente são insensíveis aos outros e não se importam em ferí-los, o seu único objetivo é se dar bem na vida - acabam sendo rotulados como malas, canalhas, egoístas etc. Daí você começa a pensar, e o próprio sistema capitalista em grande parte estimula esse tipo de comportamento... e você pára e pensa... meu Deus, aonde esse mundo foi parar?
Seu vizinho, amigos, namorado, marido, esposa, colega de trabalho, professor - vai ver, até mesmo seus pais. São todos potenciais psicopatas.
Ugh, esse pensamento dá calafrios!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Womb + man

Um dia desses fiquei estonteada ao ler no facebook de uma menina "Se tivesse dito que queria dá pra alguém, teria uma fila aqui, mas como eu falei que quero sair pra uma balada ninguém quer ir comigo! Vou te contar viu!".
Pois é, meu queixo abriu uma cratera no chão.

Fiquei pensando... Será que antes dos anos 60 uma mulher diria isso? Será que seria aceitável ou até mesmo considerado normal esse tipo de afirmação como acontece hoje?
Ouço as histórias da minha vó, que só foi aprender que bebês não vinham do repolho aos 16 anos quando uma tia teve um bebê na casa dela, e sinto que falta um pouco disso nos dias de hoje, ainda que nunca tenha conhecido outra geração. A inocência se esvaireceu no momento em que mulheres decidiram ser tão iguais aos homens que acataram características, muitas vezes, despresíveis até neles.
Na história antiga, a teórica 'barbárie' a mulher era melhor vista do que hoje: era o ser que dava origem aos decendentes, tratada com reverência e respeito por sua incrível capacidade de geração dos decendentes. Até eles sabiam tratar com um mínimo de respeito. Diz-se até que a origem da palavra "Woman" em inglês provém da união dos termos "Womb" (útero) e "Man" (homem), tal era a importância dada a essa característica. Não estou dizendo que a mulher deva ser vista como uma fábrica de crianças, isso seria o oposto do intuito deste post. Leia adiante e talvez eu me faça compreender.
A imagem da mulher atual é de um objeto: nas propagandas vemos isso claramente, em que ela se apresenta ora como objeto sexual (leia-se aqui propagandas de cerveja, carros, bebidas alcoólicas em geral) ora como a 'babá' - aquele ser que cuida e cria os filhos, lava as roupas, cuida da casa (leia-se propagandas de sabonetes, pasta de dente, sabão em pó etc). É isso que as crianças aprendem como sendo mulher. É isso que as meninas crescem querendo virar, é isso que os meninos pensam que terão no futuro. Objetos. Serviçais.
As meninas, a uma idade irrisória querem se vestir de forma 'sexy', com saltos altos e maquiagem, porque dada a escolha da mulher bonita e teoricamente poderosa que manipula os homens com seu charme e beleza física ou ser a mãe de família (que em geral nas novelas se dá mal e é traída), ela escolhe a primeira. Os brinquedos mostram isso bastante - não brincam mais com bonecas que representariam filhos, mas as bonecas tonaram-se projeções daquilo que querem ser (aka.: barbie).
Daí essas meninas crescem com a mesma mentalidade e não conhecem uma alternativa de pureza, castidade, inocência e a beleza das mulheres de antigamente. A sociedade torna-se cada vez mais deturpada e isso contagia progressivamente, espalha-se com um R-0 muito maior que muitas pandemias.

Uma das metáforas que mais ou menos apropriadas para comparar as mulheres é compará-las com maçãs em uma árvore (não gosto da idéia de comparar pessoas a comida, mas aqui está a explicação) - algumas estão nos galhos mais baixos, fáceis de serem colhidas, mas como são as de maior acessibilidade as disponíveis são podres. Já, para o aventureiro que decidir tentar pegar uma maçã respeitável no topo da árvore... boa sorte escalando essa árvore, porque aquelas maçãs boas tornam-se cada vez mais escassas.

*  *  *  *  *
A seguir está um trecho do refrão da música que motivou a metáfora das maçãs!

"Like an apple on a tree
Hiding out behind the leaves
I was difficult to reach
(...)
Like a shell upon the beach
Just another pretty piece
I was difficulto to see"

[You picked me - afinefrenzy]

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Hand.in.Hand


Um dia desses na faculdade, não sei por que cargas d'água começamos a falar a respeito de namoro, e percebi o quanto minhas opiniões diferem da maioria massante da sociedade que me cerca.
Houve um comentário em particular que me deixou muito pensativa, mas como minha opinião diferia demasiadamente da opinião daqueles comigo, permaneci calada e permiti os devaneios de uma mente indignada.
O comentário em questão foi "Namoro?? É no mínimo beijar! Segurar mão?! Isso é coisa de criança de prézinho, que ridículo!".
Ouvi. Ponderei. Me segurei para não fazer um discurso que seria desprezado por todos aqueles presentes.

O dar as mãos é algo que, hoje, não é particularmente valorizado, assim como muitas coisas profundas e complexas de relacionamentos foram banalizadas e a atração psicológico-intelectual foi banida para dar lugar à atração física. Vejo muitas vezes casais andando e um deles segura a mão do outro com tanta vontade que parece que têm medo de perder o outro, e a atitude muitas vezes não é recíproca. É só uma mão.
Acontece que dar as mãos é um ato muitíssimo mais relevante no que se refere ao relacionamento do que as pessoas têm valorizado.
Primeiramente, o ato de dar as mãos não é só coisa de namorados apaixonados - é coisa de criança com os pais ou aqueles que ela ama e crê que possam protegê-la, é coisa de todas as idades, de irmãos, de familiares, de amigos... coisa de quem a gente ama.
Segurar a mão de alguém é dizer que você estará lá para segurar ela quando cair, e que, se necessário, você cairá junto com ela para auxiliá-la de alguma forma. É uma demonstração primária de companheirismo, além de uma demonstração de confiança e segurança. Os pequenos confiam em nós para segurarmos eles no caso de tropeçarem ou caírem.
Os pequenos também querem mostrar pra gente o mundo todo - "Vem ver o que descobri!"; as pessoas grandes também não diferem em nada nesse aspecto e querem nos levar para ver o seu mundo, assim como estão dispostos a conhecer o nosso mundo. É uma marca de cumplicidade de ambas as partes, a presença do outro é algo agradável e que você quer aproveitar cada instante.
Dar as mãos também é sincronia. Tente andar de mãos dadas com alguém por bastante tempo e andar a uma velocidade diferente. Em outro ritmo. É dificílimo! Os passos acabam se sincronizando e, as pessoas, se adaptando umas às outras; isso também é perceptível no organismo fisiológico - ao abraçarmos alguém, por exemplo, a freqüência cardíaca de ambos tende a se sincronizar, o restante das funções biológicas também. Suspeito que segurar as mãos tenha um impacto semelhante no nosso corpo.
Também se dão as mãos em momentos em que dois indivíduos ou grupo destes queira se manter unido em situações que podem separá-los, como em uma multidão ou no escuro, por exemplo. É uma forma de se buscar certeza de que não estará sozinho.
É uma demonstração de afeto, tão difícil de compreender racionalmente quanto um beijo ou abraço, ativam nossa sensação de bem-estar (bem, dependendo da pessoa, é claro), e apesar de incompreensível, a maioria dos humanos tenho certeza de que diriam que pode ser agradabilíssimo.
Portanto, apesar de parecer algo simples e até mesmo bobo, é um pequeno ato que fala muito a respeito de como nos relacionamos, e são pequenos fatores que se amontoam e constituem o real valor que damos às pessoas e às 'banalidades' da convivência com elas. Desculpem-me os céticos, os 'velhos demais para essas coisas', os que cresceram e não precisam disso, os que 'conhecem o mundo real'. Dar as mãos não é coisa só de prézinho. E se for... realmente está na hora de aprendermos mais com os pequeninos.


"Dar a mão a alguém foi o que eu sempre esperei da alegria."
C.S.Lewis

*  *  *  *  *

Two Hands - jarsofclay

I've been living out of sanity
Eu estive vivendo às custas da sanidade
I've been splitting hairs and blurring lines
Eu ando dividindo cabelos e embassando as linhas
I am a house that is divided
Eu sou uma casa que é dividida
In my heart and in my mind
Em meu coração e em minha mente


I use one hand to pull closer
Eu uso uma mão pra te trazer pra perto
The other to push you away
A outra pra te afastar
If I had two hands doing the same thing
Se eu tivesse duas mãos fazendo a mesma coisa
Lifted high, lifted high
Erguidas ao alto, erguidas ao alto


I have a broken disposition
Eu tenho uma disposição falha
I'm a liar who thirsts for the truth
Eu sou um mentiroso que anseia pela verdade
And while I ache for faith to hold me
E enquanto eu anseio para que a fé me segure
I need to feel the scars and see the proof
Eu preciso sentir as cicatrizes e ver a prova


And if we just keep digging we can reach the foundation
Se só continuarmos cavando poderemos alcançar a fundação
Of our souls
de nossas almas
And if we just keep cutting all the chains from our hearts
E se só ficarmos cortando todas as correntes de nossos corações
We'll lose control
Perderemos o controle


And it feels like giving in
E parece que vai ceder
It feels like starting over
E parece que vai recomeçar
It feels like waking up, and you know it's coming
E parece que vai acordar, e você sabe que está vindo
It feels like a brand new day
E parece ser um dia novo
Open your eyes
Abra seus olhos


domingo, 2 de outubro de 2011

Os pequeninos

Fui à igreja hoje e fui surpreendida por um gesto muitíssimo simples, mas absolutamente grandioso para mim. Uma menina com provavelmente seus 6 ou 7 anos veio, ficou em pé na minha frente, olhou pra mim e me deu um abraço (ou melhor, abrçou minha barriga porque eu estava em pé), eu automaticamente abracei-a como faço com os pequeninos do acampamento.
Quando voltei para a minha cadeira, só falei pra minha mãe: "Que saudade das minhas crianças!"
Acho bastante peculiar minha trajetória até onde estou quanto aos pequenos: quanto há cerca de 4 anos comecei a trabalhar no acampamento do Maurão, eu fazia questão de ressaltar o fato que só gostava de crianças de um jeito, bem passado e com uma porção de batata frita. Mas, para trabalhar com os adolescentes precisaria trabalhar com as crianças. Eu fui. Cética, mas fui.
A primeira vez, elementarmente foi muitíssimo difícil, minha adaptação a elas e elas a mim foi um tanto truncada; me lembro até hoje quando uma menina estava no banho e chamou "Tia!" E eu disse: "Que foi?" a garota apenas respondeu "Não! Eu quero a tia Salsinha!" Foi um golpe brutal para quem mal começara a lidar com crianças.
Com o tempo, comecei a entender a cabecinha adorável delas e elas começaram a entender como eu funciono... e cada vez que preciso chegar tarde na semana de crianças, é um fato absolutamente deplorável de minhas férias.
Em julho deste ano, foi uma dessas vezes que precisei chegar tarde, e devo dizer que foi fantástico ter algumas meninas pedindo pra eu ficar no quarto delas, foi maravilhoso reencontrar os pequeninos, mas uma experiência em particular me deixou algum lugar entre estonteada e encantada. Foi ficar no quarto da Larissa, a macarrãozinho.
Quando cheguei, arrumei minha cama e sentei-me nela e só vi esta pequena figura loira descendo da beliche "Eu vou ler o texto com a tia Mel hoje!", aconchegou-se no meu colo e me abraçou pelo pescoço e disse "Que saudades de você tia... Você nunca mais vai lá em casa." "Ah Lari, você sabe como é, a gente começa a crescer, começa a ficar sem tempo... E esse semestre seu irmão até me chamou pro aniversário dele, e eu queria muito ir, mas o meu pé tava bem mal ainda..." "Entendi. Sabe. Quando eu crescer, quero ser que nem você e o meu irmão. Eu quero ser tia também." "Então você já tá começando bem, é só continuar sendo uma acampante exemplar, bem obediente e boazinha... daí quando você crescer, já fica mais fácil!"
Fizemos a leitura do texto, conversamos um pouco, e as meninas novas me bombardearam de perguntas como é de costume: "Tia, quantos anos você tem?" (até me deram 27 anos e pensaram que tinha filhos!) "Tia Mel, o que você tá estudando?" "Tia, você tem namorado?", aquelas coisas de criança.
De alguma forma ou outra, o assunto namoro e amor acabou se prolongando (sendo as meninas meninas, é elementar que esse tipo de assunto surja entre as mais velhas) e a Larissa virou pra mim e disse "Tia, eu nunca sei. Qual a diferença entre paixão e amor?"
Parei por um breve momento, e a inocência me cativou. Fiquei perplexa pensando, todos nós já fomos assim. Coisas que hoje parecem óbvias, nós não compreendíamos (ok, neste contexto talvez não fosse tão óbvio). Ela estava tentando compreender um mundo todo que ainda lhe é estranho.
Lembrei de uma frase da professora Mércia "paixão é estado, amor é essência", mas supus que isto lhe soaria ainda mais confuso. Tentei conversar com ela, explicar "Ahh.. Sei lá, eu acho que paixão é quando você fica quase obcecado por alguém, sabe? Não tem controle sobre si próprio, pensa que a pessoa é perfeita e que nunca vai viver um segundo sem ela, mas isso tudo dura muito pouco tempo, você descobre que suas idéias tavam erradas e você estava mentindo pra si o tempo todo. Já, acho que amor é algo mais racional, sabe, que nem a gente tem com nossos pais ou irmãos... A gente pode até brigar com a pessoa, se chatear com ela, a gente sabe que ela não é perfeita... mas mesmo assim quer estar junto, porque sabe que isso faz você uma pessoa melhor." "Ahhh... Entendi." Uma vez que minha plena consciência não-filosófica retornou a mim, só disse "Bem, a tia Mel não tem namorado nem nada assim pra saber muito dessas coisas, talvez seja melhor perguntar pra outra tia, ela já é até casada, acho que vai saber melhor que eu!".
Ponderei a respeito da tremenda confiança que as crianças têm, elas confiam em você que você vai segurá-las quando elas caírem, elas dizem a verdade sem as bobagens de convenções sociais, são curiosas quanto ao mundo, e inocentes quanto à sua realidade. Se nós todos fossemos mais inocentes e nos aproveitássemos menos das pessoas, fôssemos mais sinceros e menos hipócritas, se soubéssemos viver sem necessariamente compreender tudo nos mínimos detalhes... talvez o mundo não seria um lugar tão hostil.

Enquanto nossa vida nos bombardeia com motivos para não termos esperança na humanidade, são pequenos momentos como esse que me fazem pensar que... talvez a raça humana não esteja de todo perdida.
Talvez está na hora de sabermos que não somos donos da verdade e aprendermos um pouco com os pequeninos.

*  *  *  *  *

"Be careful little feet where you go,
For it's the little feet behind you that are sure to follow"
[Casting Crowns - Slow Fade]

sábado, 10 de setembro de 2011

The book is in your heart.

Hoje estou aqui em casa estudando fisiologia, aprendendo muito e me divertindo mais ainda. Mostrei para a minha vó o meu livro de Anatomia, Anatomia humana de Van de Graaf, e ela olhou e abriu um sorrisão e disse "Eu... gostaria de dar uma olhada nisso depois!" "Claro, quando quiser está aqui" "É que... é tão diferente dos da minha época!"
Esse pequeno evento foi o suficiente para minhas sinapses começarem a matutar metáforas e alegorias.

Quem me conhece por mais de 15 minutos, sabe a minha paixão pelos livros - tanto em lê-los (por mais que esteja demorando um bocado mais para tal pela falta de tempo), como em tê-los, manuseá-los. Meu sonho é ter uma biblioteca repleta de ficção, não-ficção, livros didáticos, livros que comprei, ganhei ou, até quem sabe, que eu escrevi. E começei a ponderar a respeito dos livros. E a respeito das pessoas.
Por mais estranho que pareça, livros e pessoas têm muitas coisas em comum uns com os outros. Não acredita? Comecemos pelo começo então. A capa.
Não adianta quantos ditados nós façamos, nós sempre julgamos um livro pela capa. Nós sempre julgamos as pessoas pela sua aparência, mesmo que no subconsciente. Nós julgamos se aquela pessoa apresenta compatibilidades conosco, se poderá ser um concorrente no círculo social, se a pessoa dá importância ou não à aparência... tudo isso nós consideramos de alguma forma, e fazemos o mesmo com os livros. Pode ver, há tipos específicos de capas que quando vemos nas lojas, pegamos o livro para ler atrás, ver de que se trata - e assim conhecemos as pessoas que nos parecem interessantes de alguma forma.
Alguns livros... nos intimidam pela sua espessura, pelo seu enorme conteúdo, assim como algumas pessoas nos afugentam com uma aparência similar e poucas pessoas se aproximam. Ás vezes são livros finos que supomos que não apresentam um conteúdo muito vasto. Mas não é porque o livro tem 1200 páginas que faz dele um bom livro, ou porque outro tem 90 seja menos construtivo ou interessante. As pessoas também nos enganam assim.

A linguagem do livro também fala muito a respeito dele... pode ter uma linguagem rebuscada e adornada que poucos sabem apreciar, como pode ser uma linguagem simples, concisa, que todo tipo de pessoa se interessa e é atraído pelo livro. Assim, a linguagem das pessoas é o seu cartão de visitas.
Se o resumo ou os comentários a respeito do livro nos agradarem, o levamos para casa. Se os assuntos e conteúdo das pessoas nos agraderem... bem, não levamos para casa fisicamente, mas podemos levar na nossa cabeça, em nossas memórias, e queremos conhecer o resto da pessoa.
As primeiras páginas de um livro (mais ou menos 15 páginas) são as de apresentação, contextualização e em geral são as páginas mais bem escritas para captar a atenção do leitor - e se for ver, conhecer as pessoas no começo é bonito, legal, e a pessoa se apresenta de forma platônica, caso esteja dentro adquilo que procuramos em um indivíduo. Sem contar aquele fabuloso cheiro de livro novo que deixa qualquer um mais feliz.
Se o livro for compatível conosco, continuamos a lê-lo. Senão, fica empoeirado ou vai para um sebo. Se a pessoa for compatível conosco, continuamos a conhecê-la. Senão, a ignoramos e não damos atenção ao relacionamento.
Então há o trecho do livro de desenvolvimento da história... muitas vezes pode ser entediante, e desistimos (lá pela centésima página), mas se até mesmo nisso ele capta nossa atenção, o restante passa rapidamente; assim ocorre com as pessoas também, há um ponto monótono do relacionamento, pode até haver um anticlimax, algo que nos desanime. Se superar isso, será muito mais fácil seguir adiante depois.
Bem, passando por isso estamos no clímax literário e pessoal - passadas todas as coisas ruins, o ápice da história ou do relacionamento chega e tudo depende de como lidamos com isso para sabermos se a história terá um final feliz ou não, se o relacionamento terá um final feliz ou não.
Terminamos o livro. Podemos esquecer dele e seguir adiante para outro e nunca mais tocá-lo. Ou pode ser aquele livro que você lê, relê, deslê e trilê... e não consegue se desencantar. A pessoa não cessa de te surpreender, por mais que você pense que já a conheça, sempre há um conteúdo a mais, um conteúdo profundo, um mínimo detalhe.
E mesmo se aquele livro ficar velho, enrugado, cair chá, leite ou vinho em suas páginas, se ficar amarelado, amassado ou rabiscado... o valor será o mesmo - quiçá até maior!

E você? Que livro é?
*  *  *  *  *

"Well you might be a bit confused
Bem talvez você esteja um pouco confusa
And you might be a little bit bruised
E você talvez esteja um pouco ferido
But baby how we spoon like no one else
Mas amor, ficamos juntos como ninguém mais
So I will help you read those books
Então eu vou te ajudar a ler seus livros
If you will soothe my worried looks
Se você aliviar minhas expressões de preocupação
And we will put the lonesome on the shelf"
E nós colocaremos a solidão na prateleira


terça-feira, 21 de junho de 2011

beijinho beijinho, tchau tchau.

Como vocês sabem muito bem, há certas convenções sociais que me incomodam profundamente.
Todo mundo diz que brasileiro é um povo caloroso, emotivo, blá bá bá whiskas saché. Eu digo que isso é uma droga.
Na verdade é um lance mais latino, essa coisa de expressar as emoções demais, gritar, chorar, beijar. Beijar. Ah, céus.
Cada país tem uma forma de cumprimento. Indianos têm o Namasté, japoneses só abaixam a cabeça, outros usam aperto de mão, até os Maçons tem um aperto de mão só deles. Mas, entretanto, contudo, todavia, isso não basta na nossa cultura. Mulheres tem que cumprimentar com um beijinho na bochecha, tanto homens como mulheres. Homens, só o fazem com mulheres.
Em certas regiões do Brasil, com 1, outras com 2 e outras com 3. (nota mental: nunca ir para o rio de janeiro)
Ah, me desculpem, que coisa mais anti-higiênica e desnecessária. Tenha dó. Não precisamos de contato físico para mostrarmos pra outra pessoa que sabemos que ela está lá, temos todos os outros 4 sentidos pra isso. Eu não leio as pessoas em Braille. Aliás, eu não leio, nem entendo, nem nunca entenderei as pessoas.
O mais legal é quando você cumprimenta as pessoas à distância. As carinhas de confusão, especialmente os que desconhecem a minha regra de minimo de 1 m de distancia para desconhecidos (eu sei, o metrô acaba com essa regra).
Pelo menos eu tenho carinha de estrangeira e se não me conhecem eu posso dizer "É que no meu país é diferente...". É sim, no país das maravilhas.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Beautiful mind

É bem comum quando conheço pessoas novas, eu assustá-las com meus gostos peculiares em algumas coisas. Já me acostumei com isso.
Mas um dia desses me disseram "mas você realmente adora a morte", e achei isso um tanto incômodo. Porque fiquei pensando, realmente é um assunto que gosto de discutir, e uma das coisas que mais queria na medicina eram as aulas práticas de anatomia, mas me pus a pensar a respeito dessa afirmação. Será mesmo que sou uma aberração social a esse ponto?
Lembrei da primeira vez em que vi um cadáver humano, foi um episódio relativamente recente. Não dormi por três dias. Foi naquela tal aula de anatomia que assisti, eu gostei muito de aprender a parte fisiologica, ver como funciona o organismo de todo mundo, mas me incomodou muito a personificação - ou falta dela. Era um indigente, alguém sem nome, só com um número. Era filho de alguém, talvez irmão, primo, tio, pai de alguém... mas ninguém sabia que ele estava morto em uma mesa de dissecação de um laboratório. Isso me incomodou muito. E se eu fosse aquela pessoa que ninguém sentiu falta?
Depois pensei na exposição Corpos, na oca do Ibirapuera. Gostei? Muito! Mas um país (China), simplesmente não ter mais onde colocar tanta gente deixar um eurpoeu sair cutucando e injetando silicone nas pessoas... foi bem estranho.
Mas daí eu pensei. Eu ainda gostei. Por que raios eu gostei? Não, eu não queria ver aquelas pessoas morrendo, muito menos ser responsável pela morte delas, pela perda de um paciente (tanto que foi isso uma das coisas que me afugentou da medicina). A questão é que para ajudar e entender os vivos... muitas vezes precisamos dos mortos. Por mais que eles não possam falar, eles dizem muitas coisas. Ou melhor, o que uma vez permitiu a eles andar, falar, comer e dormir, o corpo que fica é o corpo que fala e nos ensina.
A outra coisa, é que eu acho o organismo humano a máquina mais perfeita que já existiu. O código genético de uma (uminha) célula sua, contém mais informações do que toda a infromação no mundo hoje reunida. Uma célula, o mundo. Grande diferença.
Enquanto todo mundo se surpreende com computadores com alguns kb ou gb recebendo informaçoes, em 1 mm³ da sua boca, cada raíz dos seus dentes contem milhoes e milhoes de vezes isso. O coração é a unica bomba que pode funcionar ininterruptamente por 70, 80, 90 anos. São tantos, tantos os mínimos detalhes que tornariam a vida inviável, que é absurdo ver que existem tantas pessoas vivas no mundo.
São tantos os problemas que podem acontecer no desenvolvimento de um feto, que de 6 fecundações, apenas 1 é de fato uma criança - mas ainda assim, poderia ser muito mais que isso.
Da mesma forma que as pessoas admiram obras do Picasso, Monet, Van Gogh, eu admiro todo o exato funcionamento da obra mais perfeita e funcional que existiu. Nós.

Deus é engenheiro e artista. Quem mais consegue produzir oque ele produziu?

* * * * *

Your Beautiful Mind ~kevinmax

The question is
A pergunta é
Where did this begin
onde isso começou
Who authored and who finished it?
de quem é a autoria e quem terminou?
Such a beautiful world
Um mundo tão lindo
But such a twisted plan
Mas um plano tão deturpado
For it to end before we really lived in it
Para ele terminar antes de de fato viver nele

Oh tell me why is this happening?
Oh, diga-me porque isso está acontecendo?
Oh tell me why should i believe in anything?
Oh diga-me porque devo acreditar em alguma coisa?

And I find Your beautiful mind in everything
E eu acho sua linda mente em tudo
But everything can't make me believe
Mas tudo não me faz acreditar
And I find Your beautiful eyes see everything
E eu vejo seus lindos olhos vêem tudo
So show me something beautiful please
Então mostre-me algo lindo por favor

Corporations rise
Corporações surgem
As the working man will fall
Ao passo que o trabalhador cairá
We bit the apple
Nós mordemos a maçã
Now the apple is eating us
E agora a maçã nos está comendo
We want our 15 minutes
Nós queremos nossos 15 minutos
And then we want it all
E daí queremos tudo
And watch our own image bleeding us
E assistimos nossa própria imagem nos sangrando

I feel so cold, and I'm growing old
Eu sinto tanto frio, e estou envelhecendo
So come on now just finish it
Então venha agora, acabe com isso

Oh tell me what's the purpose of love anyway?
Oh diga-me, qual o objetivo em amor de qualquer jeito?
She looks the best when she just walks away
Ela está mais bonita quando ela se afasta

And I find your beautiful hands make everything
E eu descobri que suas mãos lindas fazem tudo
And everything is all i need
E tudo é só o que eu preciso
And I find your beautiful eyes see everything
E eu vejo que seus olhos lindos vêem tudo
So show me something beautiful please
Então mostre-me algo lindo, por favor

Oh I cannot figure it (please show me, Lord)
Oh eu não consigo entender (por favor mostre-me, Senhor)
I cannot get into it
Eu não consigo entrar nisso
Is there a code that i can't crack?
Tem algum código que não consigo decifrar
My life is slipping right off the tracks
Minha vida está escorregando dos trilhos
Don't even know if i want it back
Não sei nem se a quero de volta
So take it away from me

Então tome-a de mim

sexta-feira, 29 de abril de 2011

The pick of the peck?

Algo que é bastante confortante no mundo, é que ele funciona de acordo com certas regras. Se voce coloca acucar no seu café, ele vai ficar doce; todos os dias o sol nasce e se poe, mesmo se voce nao pode ve-lo; se voce solta um objeto inanimado, ele vai cair com uma aceleracao de aproximadamente 9,8 m/s2.
O motivo pra tudo isso é bastante simples e newtoniano: causa e consequencia.
As pessoas nao tem grande dificuldade em aceitar isso (apesar de as vezes nao aceitarem as consequencias de seus erros), mas ao menos no aspecto fisico da coisa, sabemos o que esperar.
Todas as coisas que sao uma causa sao tambem uma consequencia. A gravidade é a causa da queda de um objeto, mas ela é consequencia da massa e densidade do nosso planeta e da gravitacao entre todos os corpos, enfim, é uma longa lista que nao convem.
Mas o que eu tenho grande dificuldade em entender é porque as pessoas acham que o universo é apenas uma causa pra eventos astronomicos e fisicos, mas nao é consequencia de nada - seria o mesmo que um acidente que aconteceu sem motivo, é como um quebra-cabeca sem solucao no final.
Se tudo funciona de um jeito, porque o universo seria diferente? Se tudo funciona em um certo ritmo, porque algo tao complexo e vasto nao teria causa ou motivo nenhum?
So porque as pessoas nao conseguem aceitar que os seres humanos nao sao a cerejinha no topo do sorvete biologico, nem a casquinha do cream brulle da ciencia. Esquecam seus egos e lembrem dos fatos!

"The aim of science is not to open the door to everlasting wisdom but to set a limit on everlasting error." Bertolt Brecht

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pontos de luz

Fiz hoje (por pouco) a prova da unifesp, Portugues, inglês e redação. Foi relativamente tranquilo, uma vez dentro do prédio.
Corri tanto, mas tanto que acho que corri mais do que teria corrido pela minha vida pra chegar em tempo hehehe. Foi uma belíssima maratona, só preciso (muito) dormir, meu corpo está pedindo... e pra amanha tenho que estar 100% porque será definitivamente teeeeenso!

Mas foi bacana... fiquei surpresa. Quando eu e mais uns estudantes loucos corremos na rua, trombamos em outros pedestres e é aquela coisa de pedir desculpas, e continuar na corrida mas ao invés de recebermos xingamentos, recebemos incentivos do tipo "coooorre que você consegue!" "ainda não fechou o portão, vaaaaai"
Quando ouvi os gritos de "VAI FECHAR O PORTÃO, COOOOOORRE!" foi bacana porque os prórios fiscais fizeram o que podiam pra nos ajudar a achar a sala em tempo, etc. Algo surpreendente, algo bom, uma boa sensação.
Depois, vi a fiscal vindo com uma paciência inacreditável ajudar uma moça com síndrome de Down, ajudá-la a vestir o casaco, explicar o que deveria fazer, ajudá-la andando porque ela não conseguia... Foi muito bom de ver.
Depois, voltando, vi uma moça ajudando um senhor cego a subir as escadas do metrô, inteiramente espontaneamente.
Solidariedade de vestibular? Compaixão de final de ano?
Chame do que quiser... eu chamo de pequenos sinais do Reino =)

* * * * *
Waiting on the World to Change ~johnmayer

Me and all my friends
eu e todos os meus amigos
We're all misunderstood
nós somos todos mal compreendidos
They say we stand for nothing
eles dizem que não defendemos nada
And there's no way we ever could
e não tem como fazermos isso

Now we see everything that's going wrong
agora vemos tudo o que está acontecendo
With the world and those who lead it
com o mundo e os que o lideram
We just feel like we don't have the means
só sentimos que não temos os meios
To rise above and beat it
de erguermo-nos acima disso e vencer

So we keep waiting
então ficamos esperando
Waiting on the world to change
esperando pro mundo mudar

It's hard to beat the system
é difícil vencer o sistema
When we're standing at a distance
quando estamos observando à distancia
So we keep waiting
então ficamos esperando
Waiting on the world to change
esperando pelo mundo mudar

Now, if we had the power
agora, se tivéssemos o poder
To bring our neighbors home from war
para trazer de volta nossos vizinhos da guerra
They would have never missed a Christmas
eles nunca teriam perdido um natal
No more ribbons on their door
sem mais fitas em suas portas
And when you trust your television
e quando você confiasse na televisão
What you get is what you got
o que você ganhasse seria o que você tivesse
Cause when they own the information, oh
porque quando eles são donos da informação
They can bend it all they want
eles podem distorcê-la o quanto querem

It's not that we don't care,
Não é que não ligamos
We just know that the fight ain't fair
só sabemos que a briga não é justa
So we keep on waiting
então ficamos esperando
Waiting on the world to change
esperando pelo mundo mudar

One day our generation
Um dia nossa geração
Is gonna rule the population
Dominará a população

So we keep on waiting
Então ficamos esperando
waiting on the world to change
Esperando pelo mundo mudar

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

300 picaretas

Tem coisas que a gente simplesmente não entende porque acontece, mas acontecem. Que droga.

* * * * *

Hoje tivemos sétima aula com o Daily sobre a produção cultural das décadas de 60/70/80, a maior parte foi sobre as músicas em protesto à ditadura, e teve uma em particular que achei fantástica a letra.
Apesar de exaltar o nosso atual molusco presidente, gostei bastante do restante da letra, então decidi postá-la aqui. A parte triste? três décadas se passaram, e a letra ainda se aplica à realidade política brasileira...

Luiz Inácio (300 picaretas) ~osparalamasdosucesso

Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou
São trezentos picaretas com anel de doutor


Eles ficaram ofendidos com a afirmação
Que reflete na verdade o sentimento da nação
É lobby, é conchavo, é propina e jeton
Variações do mesmo tema sem sair do tom
Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei
Aonde se vive mais ou menos como na Disneylândia
Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída

Pra fazer justiça uma vez na vida
Eu me vali deste discurso panfletário
Mas a minha burrice faz aniversário
Ao permitir que num país como o Brasil
Ainda se obrigue a votar por qualquer trocado
Por um par se sapatos, um saco de farinha
A nossa imensa massa de iletrados
Parabéns, coronéis, vocês venceram outra vez
O congresso continua a serviço de vocês
Papai, quando eu crescer, eu quero ser anão
Pra roubar, renunciar, voltar na próxima eleição
Se eu fosse dizer nomes, a canção era pequena
João Alves, Genebaldo, Humberto Lucena
De exemplo em exemplo aprendemos a lição
Ladrão que ajuda ladrão ainda recebe concessão
De rádio FM e de televisão

terça-feira, 26 de outubro de 2010

You'll be famous cause you're dead

Fiquei meio bem preocupada hoje... ligando o computador apareceu uma tela verde estranha, e quando acabou de ligar sumiram todos os meus arquivos g-g
Os conhecedores de tecnologia de plantão saberiam me dizer o que houve e se (e como) posso recuperar meus arquivos?

* * * * *

Tenho me divertido bastante ouvindo Michael Bublé, ele tem algumas letras muito legais (desde Moondance a Save the last dance for me a Haven't met you yet), mas me surpreendi ao ver a música mais recente dele sobre o estilo hollywoodiano de viver, e fiquei surpreendida muito positivamente. Aqui está a letra pra vocês.
Vale à pena ver o clipe também, sátiras fantásticas dele vestido de Justin Bieber, James Dean, etc...
enjoy!



Hollywood ~michaelbublé

Could you be a teenage idol?
você poderia ser um ídolo adolescente?
Could you be a movie star? você poderia ser uma estrela do cinema?
When l turn on my tv
quando ligo minha tv
Will you smile and wave at me
você sorrirá e acenará pra mim
telling Oprah who you are?
falando para a Oprah quem você é?
So you want to be a rock star
então você quer ser um rock star
With blue eyed bunny's in your bed
com coelhinhas de olhos azuis na sua cama
Well remember when you're rich
bem, lembre-se quando estiver rico
that you sold yourself for this,
que você se vendeu para isso
you'll be famous because you're dead
e estará famoso porque estará morto


So don't go higher for desire
então não voe mais alto pelo desejo
Put it in your head
coloque na cabeça
Baby Hollywood is dead you can find it in yourself.
baby, Hollywood está morta, você pode encontrar em si mesmo

I don't want to take you dancing
eu não quero te levar pra dançar
When you're dancing with the world
quando você está dançando com o mundo
Well you can flash your caviar
bem, você pode exibir seu caviar
and your million dollar car
e seu carro de um milhão de dolares
I don't need that kind of girl
eu não preciso desse tipo de garota
but you could be that next sensation
mas você poderia ser a próxima sensação
or will you set the latest style
ou você ditará a próxima moda
You don't need a catchy song
você não precisa de uma música chiclete
Cuz the kids will sing along
porque as crianças cantarão junto
When you shoot it with a smile
quando você der o seu sorriso

So don't fly higher for your fire
então não voe mais alto por seu fogo
Put it in your head
ponha na sua cabeça
Baby Hollywood is dead you can find it in yourself.
baby, Hollywood está morta, você pode encontrar em si mesmo
Keep it on your head Hollywood is dead.
mantenha na sua cabeça, Hollywood está morta

Well you can do the mighty tango
bem, você pode fazer seu poderoso tango
You can start your little thing
você pode começar seu lance
You can swing from vine to vine
você pode se pendurar de galho em galho
While the kiddies wait in line
enquanto criancinhas esperam na fila
With the money in their hands
com o dinheiro nas suas mãos
But if you get to California
mas se você chegar à California
Save a piece of gold for me
guarde o pedaço de ouro para mim
If it's the only thing you save
se for a única coisa que você guardar

Then I'll bet you'll never wave
então aposto que você nunca vai acenar
when I watch you on tv.
quando te ver na TV

Keep on loving what is true
continue amando o que é verdadeiro
and the world will come to you,
e o mundo se chegará a você
you can find it in yourself
você pode achar em si mesmo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Scientia.Religionem.Deus

É incrível como gostamos de categorizar e generalizar as coisas. Parece uma organização de fatos obsessiva-compulsiva, vemos algo e já rotulamos e guardamos na gavetinha de coisas similares. Gavetinha de coisas boas: dinheiro, tecnologia, evolução, ecologia. Gavetinha de coisas ruins: morte, rudimentaridade, simplicidade.
O problema é que o mundo é muito mais complexo do que rótulos e gavetas, o mundo tem muitos mais fatores influentes. Nada é 'sim, sim', 'não, não'; a própria Bíblia mostra isso no "tudo nos é lícito mas nem tudo convém". Há coisas que são boas em certos momentos, mas em outros simplesmente...não.
Duas coisas que vivem em conflito por causa desses rótulos todos são a Ciência e a Religião.
As pessoas insistem em colocá-las em gavetas opostas, não aceitam que há coexistência da ciência e da religião, de mãos dadas podem fazer muito mais sentido do que cada uma por si só.
Como o bem e o mal, a escuridão e a luz, as pessoas definem assim a ciência e a religião, seriam conflitantes e opostos quando isso não é verdade, é ignorância fingir que um desses não exista.

De acordo com nossa amissíssima Wikipedia, Ciência (do latim scientia, conhecimento) é o que constrói e organiza o conhecimento na forma de explicações experimentáveis e previsões sobre o mundo natural. Uma segunda definição bastante interessante é a de Aristóteles para quem o conhecimento científico é um corpo de conhecimento que pode ser explicado lógica e convincentemente.
Ora essa, nada dessa explicação grita ateísmo ou humanismo, seria a crença nos fatos e nos fatos apenas - explicando o o que e o como, não há barreiras impostas quanto ao por quê.
A Religião também está aqui descrita como sendo a crença e adoração de um deus ou deuses, ou um conjunto de crenças quanto à origem e finalidade do universo.
Não vi nada sobre religião banalizar lógica e racionalidade. Interessante.

Sendo a minha visão religiosa predominantemente cristã/protestante, lendo aqui a wikipédia surgiu o ponto de que nem todas as religiões convivem pacificamente com a ciência, notei como acertei em colocar o necessariamente ali em cima de que ciência e religião não estão necessariamente em conflito. Tive um princípio de generalização (estou começando a me contradizer, melhor acabar logo de escrever!), portanto volto atrás e refraseio meu objetivo em escrever tudo isso: Deus e religião podem, sim, coexistir.

Nada impede o mundo de funcionar de uma forma que faça sentido na nossa lógica e razão humana, nada impede que o Deus que criou o universo tenha criado nossas mentes para funcionar no mesmo sistema, de uma forma compreensível para nós com regras e leis físicas que nos permitem compreender e prever certos acontecimentos naturais.
Nada impede Deus de ter criado a ciência.

Claro que tudo isso que falei até agora foram palavras e teorias minhas, então que tal ouvirmos o que alguns grandes mestres da ciência e religião disseram sobre essa discussão?

Galileu Galilei
Galileu tem como uma frase de sua autoria "vejo a natureza como um livro cujo autor é Deus da mesma forma que as Escrituras têm Deus como seu autor", frase que demonstra bem a união que ele via entre ambas.
Um outro episódio que ouvi no colégio sobre Galileu (e realmente espero que seja verdade) que achei fantástico, foi que ele estava discutindo com um amigo cientista sobre a vida, o universo e tudo mais. O amigo fez questão de mostrar seu ponto de vista ateu do mundo, disse que era tolice Galileu acreditar que havia um deus que criou tudo, que tudo poderia ser explicado apenas pela ciência.
Alguns dias depois, esse amigo de Galileu chegou à casa dele e viu um pequeno modelo do Sistema Solar, belíssimo e detalhado (ou melhor, um modelo daquilo que se conhecia do sistema solar). Perguntou "Você fez isso?" "Não", respondeu Galileu. "Quem então fez?" "Ninguém!" "Alguém deve ter feito, não pode ter surgido do nada" "ninguém fez" "Pare de mentir para mim!" "Ora, se você não tem dificuldade em acreditar que o universo real surgiu do nada, porque deveria ter dificuldade em acreditar que um modelo simples assim seria fruto do acaso?".
O resultado? Bom, o tal amigo deixou suas crenças e argumentações atéias. Ah, a lógica!
A ironia? Galileu foi para a fogueira, condenado pela Santa Inquisição. Deus e religião são coisas definitivamente diferentes!

Stephen Hawking
O cosmologista e autor Stephen Hawking foi convidado para em 2008 ir ao Vaticano falar sobre evolução.
30 anos antes, ele havia ido e falado que não haveria início definido para o Universo, o que tiraria toda a possibilidade de existência de Deus. Até brincou dizendo que esperava que o papa não soubesse disso, ou ele teria o mesmo fim de Galileu.
O fim foi outro, felizmente! O mundo não perdeu mais um grande cientista. Mesmo tetraplégico, nosso querido gênio foi convidado ao Vaticano e o papa Benedicto XVI confrontou Hawkings e perguntou-lhe "Você acredita em Deus?" "Há duas explicações para a origem do universo. Uma é que não há origem, ele sempre existiu, e portanto não haveria um Criador, pois não se pode criar algo que sempre existiu. A outra é que o Universo teve sim um começo, como pode ser visto pela teoria do Big Bang e que exigiria um motivo para aquele Ovo Cósmico existir e ter explodido. Portanto, creio ser inteiramente plausível se chamar esse Criador de Deus, sim" e assim, ciência e religião deram as mãos.

Igreja Católica
Até que o velhinho papa Benedicto XVI usa a cabeça, ora essa. Uniu ciência e religião e se declara um "teísta evolucionista", vendo a evolução como parte do plano divino da Criação.
Depois de séculos de conflito da igreja para com a razão e a ciência, parece existir paz. Claro que depois de muitos grandes pensadores terem se perdido 'acidentalmente' como 'efeito colateral' desse conflito bobo e sem objetivo, mas a verdade é que há paz. Finalmente.
O Cardenal Paul Poupard, predecessor de Monsignor Ravasi como chefe do Pontíficie Conselho da Cultura disse que Gênesis e a teoria evolutiva de Darwin são "perfeitamente compatíveis" caso a leitura da Bíblia fosse feita "corretamente" (um tanto estranho falar em leitura certa e errada, lá vai a igreja Católica definindo como se lê...). A verdadeira mensagem do Genesis teria sido a de que "o Universo não fez a si mesmo e teve um criador", de acordo com ele.

Stephen Jay Gould
Conhecido como o melhor biólogo evolucionista dos Estados Unidos não tinha crença religiosa, mas vale à pena ver suas afirmações quanto à ciência e religião:
Declaro a todos os meus colegas, pela milionésima vez (desde os debates informais da universidade até os tratados eruditos): a ciência simplesmente não tem como (por métodos legítimos) deliberar sobre a possível supervisão de Deus na natureza. Não afirmamos nem negamos; apenas não podemos comentar sobre isso como cientistas.

Sir Peter Medawar
Ganhador do Prêmio Nobel de Medicina pela descoberta da tolerância imunológica adquirida, ele deliberou sobre os claros limites da ciência e dos cientistas de forma interessantíssima:
O caminho mais rápido para um cientista atrair descrédito sobre si mesmo e sua profissão é declarar categoricamente - em especial quando não há a mínimo necessidade dessa declaração - que a ciência sabe, ou logo saberá, a resposta de todas as questões que valem a pena serem levantadas, e que aquelas que não admitem resposta científica são de certa forma "pseudo-questões", que apenas simplórios perguntam e ingênuos se dizem capazes de responder.

Os fatos despidos de opiniões pessoais são que a ciência, por mais fantástica (e confortável) que seja, tem sim os seus limites; a decisão cabe a cada um compreender além desses limites através de Deus ou da religião, não buscar além dos limites ou viver na eterna busca pelos fatos e explicações. O poder de escolha ao mesmo tempo que é confortante é amedrontador, porque não mais há um caminho a ser seguido quando o assunto vai além dos fatos, e você deve escolher aquele que faça mais sentido a você como indivíduo, você começa a escolher a sua verdade.
Poderia gastar horas explicando minhas teorias, mas as minhas verdades não são necessariamente as suas verdades, e seria simplesmente um ponto de vista próprio.
Mas pelo menos agora está claro... a ciência, a religião e Deus podem viver harmoniosamente, basta você encontrar a sinfonia que soe melhor aos seus ouvidos.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Self-destruction mode

O homem sempre sentiu a necessidade de se sentir superior, superior a outros seres, a outros homens. É algo fossilizado ao pensamento comum do ser humano. Sou o melhor, o mais forte, o mais inteligente.
Devido a isso, o ser humano sentiu a necessidade de classificar os tipos de sociedade, muito comumente classificadas em estado de Selvageria (economia de coleta, nomadismo, organização clânica ou tribal, desconhecimento dos metais) , Barbárie (produção de alimentos através da agricultura e pastoreio, sedentarização total ou parcial, crescimento demográfico e uso dos metais) e Civilização (vida urbana, Estato estruturado, religião institucionalizada, sociedade complexa, utilização da escrita). Toda essa divisão mostra como cremos que há uma evolução social, assim como Darwin afirmou haver a evolução das espécies. Será?
É claro que há muito que se nos pormos a pensar, lembramos dos direitos humanos que estabelecem há 200 anos igualdade entre os indivíduos (ao menos na teoria), concedem a liberdade, direito à vida e à felicidade. Sim, um grande passo social.
Em consequência disso, lembramo-nos da abolição da escravidão, todos têm a oportunidade de ser alguém na vida (contanto que suas oportunidades de educação, seu físico e sua capacidade intelectual sejam propensos a isso).
Ah sim, métodos de tortura (novamente, na teoria) inutilizados. Não existe a inquisição, a brutalidade dos eventos romanos com gladiadores e cristãos servindo de alimento às feras - feras estas tanto quadrúpedes como os terríveis seres bípedes da mesma espécie dos indivíduos.
Felizmente, a violência e a desigualdade parecem estar sendo reduzidas, ou ao menos tiradas de evidência. Há algum tipo de respeito à vida.
Mas, se colocarmos em questão a evolução da moral, notamos que a tal evolução é ainda restringida a determinados aspectos da sociedade, e a moralidade não é um desses aspectos.
Que raio de sociedade é essa em que você precisa pintar o banco do metrô de outra cor para que uma mulher grávida ou um idoso tenha um lugar para sentar? Em que deve haver uma lei que pregue o respeito a esses indivíduos? Sociedade esta em que o governo precisa ensinar aos pais como educar os filhos sem espancá-los, ou em que o governo precise te multar caso você não preze pela segurança da criança pela qual é responsável ao não usar um cadeirão no carro?
Que tipo de agrupamento social é esse em que valores como Fidelidade, Honestidade, Honra, Respeito, Amor acabam por ser paradoxais ao deixarem de ter valor? Uma sociedade em que a moralidade e a decência são excessões?
Que tipos de pessoas criamos aos ensinar a todos que devem cuidar de si, mesmo que isso custe puxar o tapete de outro, pisar em cima de quem precisar?
Uma sociedade egocêntrica, uma sociedade de pessoas tão apaixonadas por si mesmas que não enxergam o principal de sermos uma espécie que vive em grupo: cada um fazer a sua parte de forma a trazer sucesso econômico, moral e interpessoal a todos.
Uma sociedade que como Narciso amará a si mesma tanto que será a causa da própria destruição.

* * * * *

We are not blind, we know the truth,
nós não somos cegos, sabemos a verdade,
still we won't stand, still we don't choose
mas ainda não ficamos em pé, ainda não escolhemos
we'd rather stay, so comfortable,
nós preferimos ficar, tão confortáveis,
stuck in our world, that's under control
presos no nosso mundo, todo sob controle

We may not pull the trigger but
nós podemos não puxar o gatilho
we stand by and watch, then pretend not to see
mas ficamos por perto assistindo, daí fingimos não ver
silence is worse than evil done
o silêncio é pior q o mal feito
what in the world have we become
o que no mundo nos tornamos

Can't you see?
você não vê?

That this is a war, so pick your side
que isso é uma guerra, então escolha seu lado
It`s time to move not time to hide
está na hora de marchar, não hora de esconder
Don't let lies make up your mind
não permita que mentiras te convençam
cause can't you see, we`re running out of time
porque você não vê que estamos perdendo tempo

tomorrow will come, and one day we'll see,
amanhã virá, e um dia veremos
the choices we made, made history.
que as escolhas que fizemos, fizeram história
Before it's too late, find where you stand,
antes que seja tarde, ache onde você está,
so let's use our voice, while we still can
então usemos nossas vozes, enquanto ainda podemos

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

see enough to know we're blind

Amanhã vou a um casamento, de uma prima minha. Engraçado, minha irmã puxou a fila: todo mundo casando na família.
Em geral, não sou muito fã de casamentos em si. É claro que é interessante observar e analizar as pessoas, interações sociais em uma convenção social, mas me soa tudo meio vazio, meio elitista.
Os casamentos tornaram-se uma forma de ostentação de poder aquisitivo, perderam o verdadeiro objetivo dele que era a união de duas pessoas que se amam.
Até há quem diga "Ah, mas querem tornar o dia marcante". Céus, se você está se unindo com a pessoa que ama, pra quê caviar, champagne, luzes e música pra tornar o dia marcante? Ele já o será por si só!
Os dias da minha vida que posso olhar pra trás e dizer que realmente valeram à pena não foram os dias em festas de 15 anos, ou os dias em que fui a restaurantes sofisticados, ou coisas do tipo. Foram os dias em que passei sentada, conversando com meus amigos, foram os dias no acampamento pertinho de Deus, foram os dias brincando e conversando com a família. Por que com um casamento seria diferente de alguma forma? Por que sentimos a necessidade de mostrar tudo o que podemos colocar em uma noite para todos os nossos conhecidos e familiares? É fútil, superficial e ridículo.
Mas se formos pensar na superficialidade do mundo, começa até a fazer sentido. Considerando que o objetivo principal do casamento originalmente em sua instituição foi perdido, e portanto as pessoas casam mais porque é considerado fundamental à uma existência feliz e normal, até faz sentido que tentem fazer essas festanças - tentam preencher o espaço dedicado ao amor (amor este, no caso, inexistente) com essas coisas materiais, mundanas. Tentam compensar a falta de compreensão, respeito, amizade com coisas que promovem uma alegria momentânea, liberam umas endorfinas e tá tudo certo.
Até parece uma convenção meio arcaica para o modo de vida atual. Meio utópica. Muitos dos significados originais do casamento se perderam, a tradição perdeu sentido. Apenas continuam lá por estar fossilizada na cultura. Casar de branco e usar o véu como símbolo de castidade e pureza (algo raro hoje em dia), os votos de fidelidade, casar na igreja quando a maioria das pessoas que casam na igreja não dão a mínima à religião, o homem ficar com a mão direita livre (com a mulher do seu lado esquerdo) para poder defendê-la em qualquer situação de ataque, só continua assim porque é o convencional, o tradicional, o esperado.
Se eles ligam para algo disso? Se algo disso realmente tem valor? Dificilmente... Fazem o que é esperado, não o que é pensado; vivemos em um mundo que nem conhecemos, como sequer refletiremos sobre o desconhecido para fazer decisões? Daí só fazemos o que o mundo pede...Só pra sociedade não se escandalizar com a excessão, só para as pessoas nos aceitarem como "mais um", nos inserirmos em circunstâncias sociais dentro da normalidade, dentro do esperado.
Já passou da hora de desistirmos de assistir as sombras na parede e ir atrás do mundo de verdade, sairmos da caverna e viver o mundo de verdade. Precisamos enxergar o suficiente para entendermos quão cegados estamos pelo mundo, pela superficialidade e pela sociedade. O problema é que é mais confortável ser mais um cego do que ser a excessão. É mais fácil viver no cabresto e com a viseira que a sociedade nos impõe, que correr o risco de ser diferente.

Ilusão, é tudo ilusão.

* * * * *

Headphones ~jarsofclay

I don't have to hear it, if I don't want to
Eu não quero ter que escutar, se eu não quero
I can drown this out, pull the curtains down on you
Eu posso afogar isso, fechar as cortinas em você
It's a heavy world, it's too much for me to care
É um mundo pesado, é demais para eu ligar
If I close my eyes, it's not there
Se eu fechar meus ouvidos, não está lá

With my headphones on, with my headphones on
Com meus fones de ouvido, com meus fones de ouvido

We watch television...but the sound is something else
Nós assistimos televisão... mas o som é de outra coisa
Just a song played against the drama, so the hurt is never felt
Só uma música tocada contra o drama, para a dor não ser sentida
I take in the war-fires, and I'm chilled by the current events
Eu sou atingido pelo fogo de guerra, e estremeço com os acontecimentos atuais
It's so hopeless, but there's a pop song in my
É tão desesperançoso, mas há uma música pop nos meus

Headphones on, in my headphones on
Fones de ouvido, nos meus fones de ouvido

At the tube stop, you sit down across from me
Na estação de metrô, você senta na minha frente
(I can see you looking back at me)
(Eu te vejo me observando)
I think I know you
Eu acho que te conheço
By the sad eyes that I see
Pelos olhos tristes que eu vejo
I want to tell you (It's a heavy world)
Eu quero te falar (é um mundo pesado)
Everything will be okay
Tudo estará bem
You wouldn't hear it (I don't want to have to hear it)
Você não vai me escutar (Eu não quero ter que escutar isso)
So we go our separate ways...
Então vamos nos nossos caminhos separados...

With our headphones on, with our headphones on
Usando nossos fones de ouvido, usando nossos fones de ouvido
I don't wanna be the one who tries to figure it out
Eu não quero ser o que tenta entender isso tudo
I don't need another reason I should care about you
Eu não preciso de outro motivo para me importar com você
You don't want to know my story
Você não quer saber da minha história
You don't want to own my pain
Você não quer se apropriar de minha dor
Living in a heavy, heavy world
Vivendo em um mundo pesado, pesado
And there's a pop song in my head
E tem uma música pop na minha cabeça
I don't want to have to hear it
Eu não quero ter que escutar

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Instincts

Hoje fui à exposição Corpos na Oca do Ibirapuera!
Adorei; absolutamente fascinante mas não sei o que mais gostei: dos mortos ou dos vivos.
Me diverti muito com a aula de biologia vendo especialmente os ossos e tudo o mais, mas achei hilário ouvir as outras pessoas comentando, assistindo, reagindo.
Na época do Renascimento, tinha uns doidos que abriam os cadáveres nas ruas e praças públicas pra que o povo saísse da ignorância quando se tratava de seus próprios corpos, há até uma pintura que retrata isso (procurei, mas não encontrei), e vemos as diferentes reações das pessoas aos cadáveres. Uma meia dúzia de doidos fascinados e outros com nojo, passando mal, saindo de perto. A exposição não foi diferente.
Mas mais engraçado que isso, vi aquela coisa de que tenho discutido essas semanas - o ego.
Havia diversos casais de namorados e os homens tentando impressionar as namoradas:
"Essas formações nos ossos se formam por causa disso disso e daquilo..." "Essa pélvis deve ser masculina" eram alguns dos comentários que ouvi (sim, a pélvis era masculina, pelo menos ele acertou). Mas o fato de tentar ensinar para os outros não achei engraçado, mas a forma como era feito que era hilária.
Eles estufavam os peitos e falavam como se fossem donos da verdade, enquanto as meninas reagiam com comentários de surpresa e suspiros como "oh, como ele é inteligente", mas ai delas se tentassem fazer algum comentário, eles fingiam que eles que estavam certos e ignoravam seus comentários, uma coisa pateticamente machista.
Parecia uma coisa tão primitiva, os machos tentando provar às fêmeas que eram os mais aptos para contribuir geneticamente com sua descendência por causa de sua superioridade, intelectual no caso, e tentando mostrar que eles eram superiores a elas mesmas e que sem eles as fêmeas não teriam um futuro promissor.
Quando paramos pra pensar na verdade, quando se trata de amor, romance, a escolha de um parceiro, podemos notar traços tão instintivos acima dos racionais em nós mesmos. Quando conhecemos uma pessoa do sexo oposto nosso subconsciente está processando se este seria um bom potencial pai ou mãe para a sua decendência do ponto de vista intelectual, físico, se haveria variabilidade genética, avaliamos os ferormônios da pessoa, tudo isso sem nem sabermos.
Foi feito um teste se não me engano pelo Discovery Chanel, em que deram a uma menina três camisas usadas com suor e ferormônios para cheirar - uma de seu pai, uma de seu irmão, uma de um desconhecido. Não lhe falaram a quem pertenciam, simplesmente pediram que escolhesse a que mais lhe agradasse. Ela automaticamente escolheu a do desconhecido, aumentando a variabilidade genética da espécie. Pois é. Aliás, o cheiro de uma pessoa é o sentido mais instintivo nos seres humanos, pelo que me foi ensinado (já estou imaginando todos os encalhados se afogando em perfume próxima vez que forem sair com alguém 'interessante'.
Aliás, o que faz de alguém interessante? Mulheres ainda procuram homens com traços masculinos (presentes em sua maioria por causa da testosterona) como uma angulação quadrada na mandíbula, ossos das sobrancelhas mais protuberantes, voz mais grossa, ombros mais largos. Homens ainda procuram mulheres com características femininas relacionadas à fertilidade (presentes devido às taxas mais altas de estrógeno) como quando há gordura depositada nas coxas e quadris ao invés de abdômen, seios maiores, pele e cabelo mais brilhantes. (É elementar que assim como em sociedades há os indivíduos dispostos a quebrar os tabus mais básicos, há também os indivíduos que tenham uma preferência diferente da acima descrita, mas não nos apeguemos às exceções)
Por mais que sejamos animais racionais, pensamos, somos criativos, produzimos, ainda temos traços instintivos, por mais bizarro que isso soe. Há fatos na nossa sociedade que ainda nos surpreendem pela semelhança com fatos da antiguidade ou de outras espécies, mas quando não tem como reclamar de algo automático do nosso subconsciente, só o que podemos fazer é rir e saber dizer não aos instintos quando necessário.

* * * * *
The Scientist ~coldplay

Come up to meet you, tell you I'm sorry.
Venho te encontrar, te dizer desculpas
You don't know how lovely you are
Você não sabe quão linda você é
I had to find you, tell you I need you
Eu tive que te encontrar, te dizer que preciso de você
And tell you I set you apart
E te dizer que te separo do resto
Tell me your secrets, and ask me your questions
Conte-me seus segredos, e me faça suas perguntas
Oh let's go back to the start
Oh, vamos voltar ao começo
Running in circles, coming up tails
Correndo em circulos, conseguindo coroas
Heads on a silence apart
Caras em um silêncio à parte

Nobody said it was easy
Ninguém disse que era fácil
It's such a shame for us to part
É tão triste que tenhamos que nos separar
Nobody said it was easy
Ninguém disse que era fácil
No one ever said it would be this hard
Ninguém nunca disse que seria difícil assim
Oh take me back to the start
Ah, leve-me de volta ao começo

I was just guessing at numbers and figures
Eu estava apenas adivinhando números e imagens
Pulling the puzzles apart.
Desmanchando quebra-cabeças
Questions of science, science and progress
Perguntas de ciência, ciência e progresso
Don't speak as loud as my heart.
Não falam tão alto quanto meu coração
So tell me you love me, come back and haunt me,
Então me diga que me ama, volte e me assombre
Oh, when I rush to the start
Oh, quando eu corro para o começo
Running in circles, chasing in tails
Correndo em círculos e perseguindo o próprio rabo
coming back as we are.
Voltando aonde começamos