Algumas semanas atras postei sobre a forma como Deus acaba tendo que agir de maneira quase que repetitiva pra me passar um recado. O mesmo recado, de novo e de novo, de varias maneiras. Essa semana... nao foi diferente.
Em uma especie de 'preparacao' para o Natal, o advento, lemos essa semana sobre quando Gabriel anuncia a Maria que ela vai engravidar de Jesus. A reacao dela primeiro e' de medo (logico), a reacao secundaria e' de inadequacao para a tarefa e no final ela so' diz pra vontade de Deus ser feita. Medo, inadequacao, obediencia. Uma sequencia que foi fundamental, ate certo ponto, pra um evento historico gigantesco.
Essa tambem e' a sequencia que todas as exposicoes biblicas que vejo, leituras biblicas... todas de uma maneira ou de outra falam disso.
Primeiro, eu nao senti medo - so' ignorei. Mas quando o evento se repetiu, a inadequacao foi imediata. 'Nao, isso nao pode ser pra mim, Deus. Voce deve estar me confundindo com outra pessoa muito mais apropriada pra fazer... o que quer que voce queira.'
E eu ainda nao entendo o que ele espera de mim. Eu nao entendo pra que ele espera obediencia submissa, mas eu acho que estou no final da fase de inadequacao e dizendo... ok Deus. Nao entendo como. Ou porque. Ou pra que... mas. Estou aqui.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Give it up, let go.
Às vezes vem uma saudade que surge meio do nada. É uma saudade peculiar, não de um lugar necessariamente. Nem das pessoas, porque as pessoas não são mais as mesmas. Mas... saudades de momentos. Saudades do sentimento que aquela situação lhe passava então.
Não que eu quisesse voltar no tempo, não iria querer voltar porque estou perfeitamente feliz no presente, não mudaria uma vírgula ou ponto da história que estou vivendo, mas de vez em quando eu tenho vontade de viajar, passar férias no passado. Uma, duas semanas. Só pra relembrar.
Mas acho que se eu revisse tudo aquilo, veria como muitas das coisas que faziam sentido então na minha cabeça não faziam sentido algum de verdade. Ficaria revoltada comigo mesma, e veria detalhes que não percebi antes. Não faria muito sentido. Prefiro guardar as memórias, cada uma na sua prateleira e com seu rótulo. Foram boas na época. E só.
Mas acho que se eu revisse tudo aquilo, veria como muitas das coisas que faziam sentido então na minha cabeça não faziam sentido algum de verdade. Ficaria revoltada comigo mesma, e veria detalhes que não percebi antes. Não faria muito sentido. Prefiro guardar as memórias, cada uma na sua prateleira e com seu rótulo. Foram boas na época. E só.
Até certo ponto, é confortante saber que não mudaria nada no que me aconteceu ou nas minhas reações a tudo o que me cercava, entretanto... não adianta de muita coisa olhar pra trás. Só o que você vê é a poeira que os seus passos anteriores levantaram.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Já tentei calcular o meu valor...
A lição da vez foi
um tema abordado na igreja a respeito das bases de valor que temos.
Começamos aprendendo desde cedo que o nosso valor está estabelecido
na nossa capacidade de fazer alguma coisa ou capacidade intelectual,
na aparência física e no status. Crianças se veem assim, nós nos
vemos assim. Enquanto tivermos ao menos uma dessas características,
achamos que valemos alguma coisa. Posso não ser bonito, mas se for
inteligente tenho alguma coisa... Posso não ser inteligente mas sou
super talentoso em outra área. Posso não ser nada especial, mas
enquanto tiver coisas que denotam algum tipo de poder, tudo bem. Não,
não está tudo bem.
Porque a beleza vai
definhar com os anos, a inteligência... nunca parece ser suficiente.
O que você tem, não dura muito. E não só o que você tem no
sentido material, mas todas essas coisas citadas são coisas que você
tem: beleza, inteligencia, dinheiro, status. E o que você tem
começa a definir o que você é, e tudo acaba em um
pensamento viciado em valores totalmente errados.
Grande parte do tempo
vivemos a base disso, contudo fazemos isso como compensação da
instabilidade das nossas bases internas – aquilo que somos – que
são nosso sentimento de valor, amor e aceitação. Quando temos
essas bases frágeis, buscamos mecanismos de aceitação alternativos
– se não nos sentimos 'bons o suficiente' pela própria natureza,
tentamos pelo esforço.
Esses problemas
decorrem normalmente de uma má criação e disciplina, são
conceitos estabelecidos nos primeiros anos de vida e se sua infância
inteira você nunca era bom o suficiente, era sempre burro ou
atrapalhado ou inconveniente, você vai passar a sua vida inteira
acreditando nessas coisas. Será? Errado!
É claro que esse
seria o cenário mais conveniente: “coitado de mim, fui criado de
maneira inadequada, meus pais não souberam mostrar amor e aceitação,
então não sirvo pra esse mundo.” Mas tanto quanto é conveniente,
também é equivocado e infantil esse pensamento viciado em conquista
de amor ou de respeito a partir de bases externas.
O nosso valor não
está no que temos, mas no que somos. Como diz C.S.Lewis: Nós não
somos um corpo. Nós temos um corpo, nós somos uma alma.
Não, não somos
perfeitos. Sempre há alguém mais inteligente, com mais status e
mais bonito que a gente, então tentar ranquear nosso valor nisso de
fato só vai nos deixar em um estado psicológico pior que o
previamente estabelecido – de fato, se nos basearmos nisso, nunca
seremos bons o suficiente.
Mas... mesmo assim,
Deus estabeleceu nosso valor, uns dois mil anos atrás quando disse
que a nossa vida tinha valor suficiente para que outra pessoa
morresse pra que tivéssemos um relacionamento com Deus. E não foi
qualquer pessoa, foi a pessoa, a única pessoa que não mereceria
morrer, muito menos de forma tão brutal e humilhante.
A auto-estima baixa
simplesmente deixa de fazer sentido quando alguém acredita em você,
não é mesmo? Às vezes só o que precisamos é que alguém acredite
em nós pra sairmos desse pensamento viciado de insuficiência e
sentimento de não pertencer, quanto mais significa que quem criou
tudo diga que você vale à pena – que investiu a vida do
próprio filho na sua liberdade pra você largar todas essas ideias e
começar a trabalhar pra mostrar pra outras pessoas o valor que elas
tem também.
E por mais que mudar
esses conceitos, essa conformação (que se mostra mais uma
deformação) que temos, em sintonia com o coração de Deus através
do relacionamento com ele, ele trabalha nos reformando pra nos deixar
melhores. Ele reforma de dentro pra fora – porque o seu lado de
dentro reflete no lado de fora. E, antes que você perceba, aquilo
que parecia horrível, você parecia insuficiente... Deus vai
trabalhando em você aos poucos, você fica mais feliz, isso se
reflete no seu físico. E mesmo se você não conseguir acertar tudo,
Deus ainda vai te amar. Você se torna uma pessoa mais agradável
para si e para o restante do mundo porque você está se tornando uma
nova criatura: não uma criatura daqui, terrena. Uma criatura do
Reino, uma criatura conforme o coração de Deus – conforme o plano
inicial que ele tinha pra você antes de todos aqueles traumas e
revoltas que aconteceram ao longo dos anos.
Então o próximo dia
em que você não quiser sair da cama porque não faz diferença no
mundo ou porque não é bom o suficiente, pense no seu valor
traduzido na cruz e me diz... você realmente ainda acha que a vida
de Jesus não valia nada?
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Unsustainable
Hoje estava aproveitando as férias pintando enquanto ouvia algumas pregações do Paul Washer enquanto estava aqui no Brasil. Ouvi uma série a respeito de namoro, e, apesar de não concordar com bastante coisa que ele diz (opiniões extremistas e que só poderiam ser aplicadas em situações utópicas), houve coisas que me fizeram pensar bastante.
Uma das frases que mais me fez pensar foi "We are raping our children's minds" (Estamos estuprando as mentes de nossas crianças). É uma frase muito forte, mas é a realidade.
Fazia muito tempo que não assistia televisão, e hoje, procurando algo pra assistir percebi quão forte é isso na nossa cultura. A maioria dos programas tinham de forma explícita ou não referências sexuais aos quais crianças não deveriam ser expostas. Claro, tinha idades indicativas - 10, 12 anos no máximo. Enquanto que um excelente documentário da segunda guerra mundial no Nat geo era indicação 14 anos.
Então as crianças estão preparadas para sexo mas não para a morte? Para a crueldade dos seres humanos que os cercam? Para o mundo real?
Parece que desde cedo a sociedade introduz as crianças a muitas coisas do mundo adulto - quiçá, poderíamos colocar como os 'privilégios' do mundo adulto sem a responsabilidade do mundo adulto; e chamam essa fase intermediária de adolescência. Isso é, você tem a licença para se comportar como uma criança, ser irresponsável como uma criança e viver em uma bolha ideal de conforto com uma criança mas com elementos da vida adulta que necessariamente envolvem responsabilidade.
O resultado dessa loucura? Adolescentes de 30, 40 anos que dependem dos pais, têm relacionamentos instáveis e a curto prazo, que desconhecem o mundo real. Crianças se chamando de adolescentes, crianças que não sabem lidar emocionalmente com relacionamentos e não entendem a profundidade desses. Uma sociedade totalmente desajustada por ser formada de famílias desajustadas - mães solteiras, pais que fogem da responsabilidade, crianças querendo apressar seu amadurecimento e os pais dessa geração que estão colhendo os frutos da criação pela mídia, que lhes parecia tão mais fácil e conveniente antes. Uma sociedade com um excesso de pessoas irresponsáveis, 50% das pessoas ainda no estado psicológico da adolescência. Uma sociedade de caos, despreparada em uma cultura de morte autodestrutiva. Uma geração inteira emocionalmente e psicologicamente desequilibrada, uma geração insustentável.
Uma das frases que mais me fez pensar foi "We are raping our children's minds" (Estamos estuprando as mentes de nossas crianças). É uma frase muito forte, mas é a realidade.
Fazia muito tempo que não assistia televisão, e hoje, procurando algo pra assistir percebi quão forte é isso na nossa cultura. A maioria dos programas tinham de forma explícita ou não referências sexuais aos quais crianças não deveriam ser expostas. Claro, tinha idades indicativas - 10, 12 anos no máximo. Enquanto que um excelente documentário da segunda guerra mundial no Nat geo era indicação 14 anos.
Então as crianças estão preparadas para sexo mas não para a morte? Para a crueldade dos seres humanos que os cercam? Para o mundo real?
Parece que desde cedo a sociedade introduz as crianças a muitas coisas do mundo adulto - quiçá, poderíamos colocar como os 'privilégios' do mundo adulto sem a responsabilidade do mundo adulto; e chamam essa fase intermediária de adolescência. Isso é, você tem a licença para se comportar como uma criança, ser irresponsável como uma criança e viver em uma bolha ideal de conforto com uma criança mas com elementos da vida adulta que necessariamente envolvem responsabilidade.
O resultado dessa loucura? Adolescentes de 30, 40 anos que dependem dos pais, têm relacionamentos instáveis e a curto prazo, que desconhecem o mundo real. Crianças se chamando de adolescentes, crianças que não sabem lidar emocionalmente com relacionamentos e não entendem a profundidade desses. Uma sociedade totalmente desajustada por ser formada de famílias desajustadas - mães solteiras, pais que fogem da responsabilidade, crianças querendo apressar seu amadurecimento e os pais dessa geração que estão colhendo os frutos da criação pela mídia, que lhes parecia tão mais fácil e conveniente antes. Uma sociedade com um excesso de pessoas irresponsáveis, 50% das pessoas ainda no estado psicológico da adolescência. Uma sociedade de caos, despreparada em uma cultura de morte autodestrutiva. Uma geração inteira emocionalmente e psicologicamente desequilibrada, uma geração insustentável.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Keep calm, trust God and stop the mimimi
Fazia muito tempo que não abria aqui, apenas hoje me deparei com o fato que ultrapassamos as 10.200 visualizações de página do blog. Tá, sei que muitos tem milhões e milhões de visitas mas, 10.200 vezes alguém no mundo vir parar no meu humilde link - pessoas que me conhecem ou não, que falam minha língua ou não, vir aqui por algum motivo é interessante.
Peço perdão pela ausência, sinto muita falta de escrever mas realmente o tempo está curto.
Esse final de semana, acabamos de sediar um evento da ABU, o Conselho Regional e recebemos aqui em nossa cidade mais de 190 pessoas e... bem, alimentar, hidratar, dar cama e abrigo pra tudo isso de gente em uma escola dá um bocado de trabalho.
Mas mesmo com o estresse, o pouco sono, o muito estudo e as crises ao sucumbir à pressão, tudo tem sido muito bom.
Às vezes eu sinto falta de algumas coisas de antes, tenho pensamentos meio nostálgicos de episódios isolados em minha memória, mas não são nada mais que isso - episódios isolados. É como espontaneamente em uma aula de equações diferenciais você ter saudades de quando você estava aprendendo a somar, resolver equações simples, talvez até uma função. Não faria sentido aprender tudo aquilo de novo, mas hoje seria mais fácil que foi então.
Então, pensamentos isolados de lado, apesar de não estar sendo fácil, tenho aprendido realmente muito.
Eu acho engraçada a comunicação de Deus comigo, tem gente que ouve uma pregação e diz "é o que Deus quer me falar!", mas ele faz diferente comigo. Eu ouço uma vez, ok. Ouvi. Mais uma vez: Hum... interessante. Terceira vez: Ok, Deus, pode falar.
Acho que ele entende que eu não funciono com uma breve afirmação só da mesma forma que um experimento não tem validade se ele não for repetido e der o mesmo resultado. Bem, ele que me fez, ele deve entender melhor do que ninguém.
Há duas coisas que tenho ouvido e lido muito e, como eu sei que a probabilidade de isso acontecer tantas vezes é essencialmente nula, parece que Deus realmente está batendo nessas teclas comigo até eu entender, e inclusive me dando situações em que eu preciso aprender com essas coisas.
Primeiro: Fé de uma criança. Simples assim. É um texto que tantas pessoas conhecem, de quando Jesus diz que devemos receber o reino dos céus como os pequeninos... e eu ainda assim não tenho feito isso.
Segundo: Não colocar as coisas daqui acima das coisas de Deus. É claro que não vou vender minhas coisas e sair mendigando na rua pra só me dedicar às coisas de Deus, precisamos sobreviver! Mas no final do dia, o que conta não é se você tem infinitos dígitos na sua conta bancária ou se você tem um corpo dentro dos padrões estabelecidos pela sociedade - o que conta é o que você fez com tudo isso que você tinha.
Então, vamos lá, hoje vou falar apenas a respeito do primeiro item. A Fé. A fé a respeito da qual Deus tem falado comigo talvez até fosse melhor traduzida como 'confiança' do que fé. Sempre dizemos que Deus tem o futuro nas mãos dele, ele que decide o que é melhor pra nós, bla bla blá whiskas saché. Mas esse é o problema, nós dizemos, não vivemos.
É incrível o nível de incerteza que minha vida tem tido nos últimos anos, são muitas coisas relativamente pequenas que definem muitas coisas e isso acaba criando um mal estar pra mim, eu me sinto inteiramente fora do controle e isso não é bom.
Eu sou daquela autossuficiente que quando faz trabalho em grupo, faz sozinha porque não confia no trabalho dos outros. Eu sou daquela que se algo tem que ser feito, prefiro eu fazer do que talvez dar errado na mão de outra pessoa. Mas isso não é um atitude cristã, porque isso não só me afeta no sentido horizontal (eu - pessoas) mas também no aspecto vertical (eu - Deus). "Deus, eu acho que você não está entendendo bem a situação..." "Deus, tem certeza? EU acho que..."
Mas... olhando pra trás, quantas coisas eu queria tanto e tanto e não as tive, fiquei muito chateada... e então descobri que Deus tinha algo melhor para mim. Portanto, o meu comportamento atual, é completamente irracional, já que já passei por esse tipo de coisa.
Alguns exemplos: Arquitetura. Já foi um sonho. Cheguei perto... Mas não passei. Fiquei brava, chateada. 90 pessoas! Céus, por 90 pessoas não entrei na usp no terceiro ano do colegial! Fiquei exaltada. Então, Medicina se mostrou e me encantou, e mudou o meu sonho. E Deus sempre me falando pra seguir em frente, pra ter paz e... e... eu não passei de novo? Como assim Deus? Qual a brincadeira?
Então, acabei vindo fazer engenharia - quando a matéria que sempre tive mais dificuldade era matemática. A família que diz que tenho um jeito 'engenheiro de pensar', mas nunca tive as notas de um engenheiro. E foi o ponto de 'Po Deus, ta de sacanagem!' Cheguei ao ponto de dizer que não viria a não ser que passasse em um dos primeiros lugares, terceiro ou nono. E eu passei em nono.
Não havia mais forma de negar que aquelas orações todas que estava fazendo e pensava que iam pra lugar nenhum iam pra Ele. Eu vim.
E tive problemas aqui, apanho muito pra passar... e surge um novo sonho - estudar fora. E isso me foi tirado também. Cheguei ao ponto de 'Não quero mais sonhar se for pra apenas me frustrar!'. E assim descobri que os sonhos de Deus eram bem diferentes. Comecei a me envolver com a ABU, comecei a trabalhar com e para eles, e... puxa. Não ter eles na minha vida seria meio inconcebível. E para tentar o ciência sem fronteiras, precisei tirar um diploma de inglês, o IELTS. Nisso descobri que um amigo meu da ABU também o faria. Comecei a trazer material pra ele estudar e começamos a conversar pra ele praticar. E, bom, a conversa foi bem. Muito bem. Tão bem, que hoje estamos namorando. Na época em que eu deveria estar partindo para o Canadá, começamos a namorar. E saiu um edital para o Reino Unido logo depois.
Eu olho pra tudo isso e fico feliz porque vejo o cuidado de Deus. Nada parecia dar certo, e talvez não deu mesmo. Mas descobri que o melhor lugar pra estar não é na usp ou na unifesp, em são paulo ou em são josé. O melhor lugar pra estar é dentro da vontade de Deus.
E agora, com o CR, não pude estudar pra uma prova importante que se eu não passar, não poderei ir ao reino unido no ano que vem; estudei muito antes, mas ainda assim não fui bem nas primeiras provas. E eu comecei (é lógico) a ter outra crise. Mas parei pra pensar, e puxa, eu pude fazer trabalho de formiguinha pra ajudar em um movimento estudantil pra alcançar vidas, ajudar pessoas, pra mais almas conhecerem esse Deus que tem sido tão incrível na minha vida, e eu estou aqui achando que esse mesmo Deus não liga ou sabe o que está acontecendo? Isso não é lógico. Isso é irracional. Céus, isso é estúpido.
Eu peguei todas as minhas preocupações sobre como será o próximo ano e falei, "Deus, cuida pra mim." e foi a melhor coisa que poderia ter feito. Nunca fui tão tranquila pra uma prova com tamanha importância. Todo o medo que tem me governado nos últimos anos, eu entreguei. Estou bem, estou feliz e estou com a consciencia limpa. Fiz o melhor que pude e... se Deus já fez tantas coisas inesperadas, quem sabe qual a próxima que ele vai fazer comigo?
Peço perdão pela ausência, sinto muita falta de escrever mas realmente o tempo está curto.
Esse final de semana, acabamos de sediar um evento da ABU, o Conselho Regional e recebemos aqui em nossa cidade mais de 190 pessoas e... bem, alimentar, hidratar, dar cama e abrigo pra tudo isso de gente em uma escola dá um bocado de trabalho.
Mas mesmo com o estresse, o pouco sono, o muito estudo e as crises ao sucumbir à pressão, tudo tem sido muito bom.
Às vezes eu sinto falta de algumas coisas de antes, tenho pensamentos meio nostálgicos de episódios isolados em minha memória, mas não são nada mais que isso - episódios isolados. É como espontaneamente em uma aula de equações diferenciais você ter saudades de quando você estava aprendendo a somar, resolver equações simples, talvez até uma função. Não faria sentido aprender tudo aquilo de novo, mas hoje seria mais fácil que foi então.
Então, pensamentos isolados de lado, apesar de não estar sendo fácil, tenho aprendido realmente muito.
Eu acho engraçada a comunicação de Deus comigo, tem gente que ouve uma pregação e diz "é o que Deus quer me falar!", mas ele faz diferente comigo. Eu ouço uma vez, ok. Ouvi. Mais uma vez: Hum... interessante. Terceira vez: Ok, Deus, pode falar.
Acho que ele entende que eu não funciono com uma breve afirmação só da mesma forma que um experimento não tem validade se ele não for repetido e der o mesmo resultado. Bem, ele que me fez, ele deve entender melhor do que ninguém.
Há duas coisas que tenho ouvido e lido muito e, como eu sei que a probabilidade de isso acontecer tantas vezes é essencialmente nula, parece que Deus realmente está batendo nessas teclas comigo até eu entender, e inclusive me dando situações em que eu preciso aprender com essas coisas.
Primeiro: Fé de uma criança. Simples assim. É um texto que tantas pessoas conhecem, de quando Jesus diz que devemos receber o reino dos céus como os pequeninos... e eu ainda assim não tenho feito isso.
Segundo: Não colocar as coisas daqui acima das coisas de Deus. É claro que não vou vender minhas coisas e sair mendigando na rua pra só me dedicar às coisas de Deus, precisamos sobreviver! Mas no final do dia, o que conta não é se você tem infinitos dígitos na sua conta bancária ou se você tem um corpo dentro dos padrões estabelecidos pela sociedade - o que conta é o que você fez com tudo isso que você tinha.
Então, vamos lá, hoje vou falar apenas a respeito do primeiro item. A Fé. A fé a respeito da qual Deus tem falado comigo talvez até fosse melhor traduzida como 'confiança' do que fé. Sempre dizemos que Deus tem o futuro nas mãos dele, ele que decide o que é melhor pra nós, bla bla blá whiskas saché. Mas esse é o problema, nós dizemos, não vivemos.
É incrível o nível de incerteza que minha vida tem tido nos últimos anos, são muitas coisas relativamente pequenas que definem muitas coisas e isso acaba criando um mal estar pra mim, eu me sinto inteiramente fora do controle e isso não é bom.
Eu sou daquela autossuficiente que quando faz trabalho em grupo, faz sozinha porque não confia no trabalho dos outros. Eu sou daquela que se algo tem que ser feito, prefiro eu fazer do que talvez dar errado na mão de outra pessoa. Mas isso não é um atitude cristã, porque isso não só me afeta no sentido horizontal (eu - pessoas) mas também no aspecto vertical (eu - Deus). "Deus, eu acho que você não está entendendo bem a situação..." "Deus, tem certeza? EU acho que..."
Mas... olhando pra trás, quantas coisas eu queria tanto e tanto e não as tive, fiquei muito chateada... e então descobri que Deus tinha algo melhor para mim. Portanto, o meu comportamento atual, é completamente irracional, já que já passei por esse tipo de coisa.
Alguns exemplos: Arquitetura. Já foi um sonho. Cheguei perto... Mas não passei. Fiquei brava, chateada. 90 pessoas! Céus, por 90 pessoas não entrei na usp no terceiro ano do colegial! Fiquei exaltada. Então, Medicina se mostrou e me encantou, e mudou o meu sonho. E Deus sempre me falando pra seguir em frente, pra ter paz e... e... eu não passei de novo? Como assim Deus? Qual a brincadeira?
Então, acabei vindo fazer engenharia - quando a matéria que sempre tive mais dificuldade era matemática. A família que diz que tenho um jeito 'engenheiro de pensar', mas nunca tive as notas de um engenheiro. E foi o ponto de 'Po Deus, ta de sacanagem!' Cheguei ao ponto de dizer que não viria a não ser que passasse em um dos primeiros lugares, terceiro ou nono. E eu passei em nono.
Não havia mais forma de negar que aquelas orações todas que estava fazendo e pensava que iam pra lugar nenhum iam pra Ele. Eu vim.
E tive problemas aqui, apanho muito pra passar... e surge um novo sonho - estudar fora. E isso me foi tirado também. Cheguei ao ponto de 'Não quero mais sonhar se for pra apenas me frustrar!'. E assim descobri que os sonhos de Deus eram bem diferentes. Comecei a me envolver com a ABU, comecei a trabalhar com e para eles, e... puxa. Não ter eles na minha vida seria meio inconcebível. E para tentar o ciência sem fronteiras, precisei tirar um diploma de inglês, o IELTS. Nisso descobri que um amigo meu da ABU também o faria. Comecei a trazer material pra ele estudar e começamos a conversar pra ele praticar. E, bom, a conversa foi bem. Muito bem. Tão bem, que hoje estamos namorando. Na época em que eu deveria estar partindo para o Canadá, começamos a namorar. E saiu um edital para o Reino Unido logo depois.
Eu olho pra tudo isso e fico feliz porque vejo o cuidado de Deus. Nada parecia dar certo, e talvez não deu mesmo. Mas descobri que o melhor lugar pra estar não é na usp ou na unifesp, em são paulo ou em são josé. O melhor lugar pra estar é dentro da vontade de Deus.
E agora, com o CR, não pude estudar pra uma prova importante que se eu não passar, não poderei ir ao reino unido no ano que vem; estudei muito antes, mas ainda assim não fui bem nas primeiras provas. E eu comecei (é lógico) a ter outra crise. Mas parei pra pensar, e puxa, eu pude fazer trabalho de formiguinha pra ajudar em um movimento estudantil pra alcançar vidas, ajudar pessoas, pra mais almas conhecerem esse Deus que tem sido tão incrível na minha vida, e eu estou aqui achando que esse mesmo Deus não liga ou sabe o que está acontecendo? Isso não é lógico. Isso é irracional. Céus, isso é estúpido.
Eu peguei todas as minhas preocupações sobre como será o próximo ano e falei, "Deus, cuida pra mim." e foi a melhor coisa que poderia ter feito. Nunca fui tão tranquila pra uma prova com tamanha importância. Todo o medo que tem me governado nos últimos anos, eu entreguei. Estou bem, estou feliz e estou com a consciencia limpa. Fiz o melhor que pude e... se Deus já fez tantas coisas inesperadas, quem sabe qual a próxima que ele vai fazer comigo?
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
It is a noble feeling, but it is still a feeling
Ontem, após meu fiasco em Cálculo 3, decidi ler um pouco mais de Cristianismo Puro e Simples porque C.S.Lewis sempre tem algo bom a ensinar de maneira simples para um cérebro cansado.
Li uns 4 capítulos, porém os que mais me chamaram atenção foram os relacionados a relacionamentos. Teve um trecho em particular que gostei bastante porque me lembrou muito algo que eu mesma escrevi há algum tempo aqui, então trago para os caros leitores de forma muito mais eloquente, o que eu havia tentado passar aquele dia.
"What we call 'being in love' is a glorious state, and, in several ways, good for us. It helps to make us generous and courageous, it opens our eyes not only to the beauty of the beloved but to all beauty, and it subordinates (especially at first) our merely animal sexuality; in that sense, love is the great conqueror of lust. No one in his senses would deny that being in love is far better than either common sensuality ir cikd sekf-centredness. But, as I said before, 'the most dangerous thing you can do is to take any one impulse of our own nature and set it up as the thing you ought to follor at all costs'. Being in love is a good thing, but it is not the best thing. There sre many things below it, but there are also things above it. You cannot make it the basis of a whole life. It is a noble feeling, but it is still a feeling.Now no feeling can be relied on to last in its full intensity, or even to last at all. Knowledge can last, principles can last, habits can last; but feelings come and go. And in fact, whatever people say, the state called 'being in love'usually does not last. (...)
But, of course, ceasing to be 'in love'need not mean ceasing to love. Love in this second sense - love as a distinct from being in love' - is not merely a feeling. It is a deep unity maintained by the will and deliberately strengthened by habit; reinforced by (in christian marriages) the grace which both partners ask, and receive, from God. They can have this love for each other even at those moments when they do not like each other; as you love yourself even when you do not like yourself.(...) 'Being in love' first moved them to promise difelity: this quieter love enables them to keep the promise. It is on this love that the enfine of marriages run: being in love was the explosion that started it."
Li uns 4 capítulos, porém os que mais me chamaram atenção foram os relacionados a relacionamentos. Teve um trecho em particular que gostei bastante porque me lembrou muito algo que eu mesma escrevi há algum tempo aqui, então trago para os caros leitores de forma muito mais eloquente, o que eu havia tentado passar aquele dia.
"What we call 'being in love' is a glorious state, and, in several ways, good for us. It helps to make us generous and courageous, it opens our eyes not only to the beauty of the beloved but to all beauty, and it subordinates (especially at first) our merely animal sexuality; in that sense, love is the great conqueror of lust. No one in his senses would deny that being in love is far better than either common sensuality ir cikd sekf-centredness. But, as I said before, 'the most dangerous thing you can do is to take any one impulse of our own nature and set it up as the thing you ought to follor at all costs'. Being in love is a good thing, but it is not the best thing. There sre many things below it, but there are also things above it. You cannot make it the basis of a whole life. It is a noble feeling, but it is still a feeling.Now no feeling can be relied on to last in its full intensity, or even to last at all. Knowledge can last, principles can last, habits can last; but feelings come and go. And in fact, whatever people say, the state called 'being in love'usually does not last. (...)
But, of course, ceasing to be 'in love'need not mean ceasing to love. Love in this second sense - love as a distinct from being in love' - is not merely a feeling. It is a deep unity maintained by the will and deliberately strengthened by habit; reinforced by (in christian marriages) the grace which both partners ask, and receive, from God. They can have this love for each other even at those moments when they do not like each other; as you love yourself even when you do not like yourself.(...) 'Being in love' first moved them to promise difelity: this quieter love enables them to keep the promise. It is on this love that the enfine of marriages run: being in love was the explosion that started it."
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
The good, the bad and the ugly
Minha orientadora vive me falando que sentimentos bonitos não levam a nada. Que são os sentimentos feios que nem frustração, raiva, ódio que nos estimulam o suficiente pra mudar o nosso estado pra melhor. Primeiro, eu comecei a pensar em todas as vezes que esses sentimentos classificados como feios me fizeram mudar minha situação - provas que estudei e passei, conquistas... Comecei a pensar que talvez fosse de fato assim.
Mas daí percebi que são os sentimentos bonitos que subsistem as coisas boas. Às vezes é necessária uma frustração ou outra pra nos estimular a mudar a situação, mas dificilmente essas coisas duram ou são abrangentes - são coisas intensas, momentâneas e isoladas. O sentimentos bonitos - amor, alegria, paciência, humildade - são os que nos fazem querer mudar pra melhor e continuar assim, melhores.
São sentimentos que perduram e que nos fazem querer sermos pessoas melhores em todos os aspectos, de forma mais harmoniosa, ponderada e generalizada. Quando você quer felicidade, você vai atrás daquilo que precisa pra isso, mas a coexistência disso com amor te faz fazer isso de maneira correta e que não faça mal àqueles que te cercam - o que te fará ter paciência com eles, mesmo que você ainda esteja naquela busca inicial de felicidade. Daí você fica mais humilde, e tem domínio próprio e... e... eu percebi que as coisas bonitas que eu listava já estavam listadas como o Fruto do Espírito, em Gálatas.
E, diferentemente do pensamento geral, de fato é no singular que é descrito - o - fruto do Espírito, não - os. E eu percebi que cada um desses sentimentos bonitos se completa formando no final algo delicioso para quem produz e para quem está por perto - ele precisa de todas essas coisas funcionando juntas pra ser ele, e a partir disso conseguimos muito mais do que com aqueles sentimentos feios e humanos.
Posso não ter um pós-doc, mas ainda prefiro a minha teoria.
Mas daí percebi que são os sentimentos bonitos que subsistem as coisas boas. Às vezes é necessária uma frustração ou outra pra nos estimular a mudar a situação, mas dificilmente essas coisas duram ou são abrangentes - são coisas intensas, momentâneas e isoladas. O sentimentos bonitos - amor, alegria, paciência, humildade - são os que nos fazem querer mudar pra melhor e continuar assim, melhores.
São sentimentos que perduram e que nos fazem querer sermos pessoas melhores em todos os aspectos, de forma mais harmoniosa, ponderada e generalizada. Quando você quer felicidade, você vai atrás daquilo que precisa pra isso, mas a coexistência disso com amor te faz fazer isso de maneira correta e que não faça mal àqueles que te cercam - o que te fará ter paciência com eles, mesmo que você ainda esteja naquela busca inicial de felicidade. Daí você fica mais humilde, e tem domínio próprio e... e... eu percebi que as coisas bonitas que eu listava já estavam listadas como o Fruto do Espírito, em Gálatas.
E, diferentemente do pensamento geral, de fato é no singular que é descrito - o - fruto do Espírito, não - os. E eu percebi que cada um desses sentimentos bonitos se completa formando no final algo delicioso para quem produz e para quem está por perto - ele precisa de todas essas coisas funcionando juntas pra ser ele, e a partir disso conseguimos muito mais do que com aqueles sentimentos feios e humanos.
Posso não ter um pós-doc, mas ainda prefiro a minha teoria.
sábado, 22 de setembro de 2012
Teorias de tempo
Tenho uma teoria de que o tempo é um cara muito maldoso ou muito traumatizado. Vai ver ele sofreu alguma desilusão familiar por sempre esquecerem que ele é a quarta dimensão e só consideram as três dimensões do espaço.
Porque só assim consigo ter base para a teoria de que quando nós estamos felizes, naqueles momentos 'eupoderiamorrerdefelicidadeagora', ele vai embora mais rápido - como se estivesse fugindo da gente. E daí, quando estamos cansados, sobrecarregados, desanimados... ele passa em uma lentidão incrível.
Tempo, por que você gosta de ser tão cruel?
Porque só assim consigo ter base para a teoria de que quando nós estamos felizes, naqueles momentos 'eupoderiamorrerdefelicidadeagora', ele vai embora mais rápido - como se estivesse fugindo da gente. E daí, quando estamos cansados, sobrecarregados, desanimados... ele passa em uma lentidão incrível.
Tempo, por que você gosta de ser tão cruel?
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Sobre gregos e troianos
Esse final de semana assisti pela primeira vez o filme 'Troia', aquela superprodução hollywoodiana com Brad Pitt e Orlando Bloom. Sei que a história foi mudada (a característica 'superprodução hollywoodiana' já implica nisso), mas no geral achei um filme bastante interessante pelo aspecto cultural da época.
Há diversas características da sociedade da época retratadas de forma bastante convincente no filme e que me fizeram pensar bastante.
Mais do que o aspecto religioso, ou de relacionamentos interpessoais (até porque isso provavelmente foi uma das coisas menos fiéis, já que 1. os espartanos em sua grande maioria eram homossexuais e só casavam pra ter filhos, casando com meninas com metade da idade deles 2. os casamentos dificilmente eram por amor, sentimentos ou coisas fofinhas - queriam filhos e pontoacabou), o aspecto da guerra me fez pensar bastante na nossa humanidade.
Via algumas cenas de batalha e ficava pensando nos séculos e séculos de guerras que assolam a humanidade, tudo por causa de glória, poder, egos. Pessoas morrendo, esposas se despedindo dos seus maridos e filhos com idade suficiente para serem guerreiros - ou assistindo eles batalharem à morte - dentro de sociedades machistas (salvo a espartana) sem saber o que seria delas.
Daí isso levou meus pensamentos às cruzadas, promovidas pela própria igreja. Lembrei da cruzada das crianças - em que o exército era todo de crianças porque acharam que Deus os ajudaria se fossem pessoas de coração puro batalhando.
Daí a partir desse pensamento de Deus, eu comecei a pensar no contexto dos israelitas no antigo testamento - era esse contexto de guerra que eles viviam, foram levados cativos diversas vezes, batalharam contra povos de incrível crueldade que quando dominavam uma cidade cortavam as mãos e pés dos homens aptos a batalhar e jogavam seus troncos no meio da cidade, de forma que não poderiam se salvar e morreriam diante de todos de hemorragia. Ou que cortavam as cabeças dos opositores e colocavam em pedaços de madeira ao redor da cidade. Ou abriam as barrigas das grávidas. Devo dizer que se reclamamos hoje da sociedade, eu não sei se gostaria de viver com medo do meu marido ou filho ir à guerra e morrer sem braços e pernas ou decaptado.
Mas de certa forma ainda havia um fairplay nas batalhas da antiguidade, um determinado código de conduta pra determinadas culturas que acho que pareciam mais razoáveis do que a incrível crutalidade, falta de ética e respeito que é tão comum hoje em dia. E pensando novalmente nos israelitas, eu percebi que eles eram um povo à parte - enquanto que a maioria dos outros povos lutava pela glória, honra, poder, pelo próprio ego, e recorriam aos deuses pra ter ajuda, os israelitas lutavam por Deus. E mesmo tendo sido levados cativos tantas vezes e indo à guerra tantas vezes (até hoje, inclusive), ainda assim são super bem sucedidos. Incrível.
Em nome de quem temos lutado as nossas batalhas? Será que a gente não só chama o nome de Deus como os gregos chamavam seus deuses, como os troianos chamavam Apolo?
Há diversas características da sociedade da época retratadas de forma bastante convincente no filme e que me fizeram pensar bastante.
Mais do que o aspecto religioso, ou de relacionamentos interpessoais (até porque isso provavelmente foi uma das coisas menos fiéis, já que 1. os espartanos em sua grande maioria eram homossexuais e só casavam pra ter filhos, casando com meninas com metade da idade deles 2. os casamentos dificilmente eram por amor, sentimentos ou coisas fofinhas - queriam filhos e pontoacabou), o aspecto da guerra me fez pensar bastante na nossa humanidade.
Via algumas cenas de batalha e ficava pensando nos séculos e séculos de guerras que assolam a humanidade, tudo por causa de glória, poder, egos. Pessoas morrendo, esposas se despedindo dos seus maridos e filhos com idade suficiente para serem guerreiros - ou assistindo eles batalharem à morte - dentro de sociedades machistas (salvo a espartana) sem saber o que seria delas.
Daí isso levou meus pensamentos às cruzadas, promovidas pela própria igreja. Lembrei da cruzada das crianças - em que o exército era todo de crianças porque acharam que Deus os ajudaria se fossem pessoas de coração puro batalhando.
Daí a partir desse pensamento de Deus, eu comecei a pensar no contexto dos israelitas no antigo testamento - era esse contexto de guerra que eles viviam, foram levados cativos diversas vezes, batalharam contra povos de incrível crueldade que quando dominavam uma cidade cortavam as mãos e pés dos homens aptos a batalhar e jogavam seus troncos no meio da cidade, de forma que não poderiam se salvar e morreriam diante de todos de hemorragia. Ou que cortavam as cabeças dos opositores e colocavam em pedaços de madeira ao redor da cidade. Ou abriam as barrigas das grávidas. Devo dizer que se reclamamos hoje da sociedade, eu não sei se gostaria de viver com medo do meu marido ou filho ir à guerra e morrer sem braços e pernas ou decaptado.
Mas de certa forma ainda havia um fairplay nas batalhas da antiguidade, um determinado código de conduta pra determinadas culturas que acho que pareciam mais razoáveis do que a incrível crutalidade, falta de ética e respeito que é tão comum hoje em dia. E pensando novalmente nos israelitas, eu percebi que eles eram um povo à parte - enquanto que a maioria dos outros povos lutava pela glória, honra, poder, pelo próprio ego, e recorriam aos deuses pra ter ajuda, os israelitas lutavam por Deus. E mesmo tendo sido levados cativos tantas vezes e indo à guerra tantas vezes (até hoje, inclusive), ainda assim são super bem sucedidos. Incrível.
Em nome de quem temos lutado as nossas batalhas? Será que a gente não só chama o nome de Deus como os gregos chamavam seus deuses, como os troianos chamavam Apolo?
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Equacionando.
Ontem fui ajudar a aplicar o vestibulinho do CasD. Precisavam de ajuda, entao fui meio de feliz - sem saber exatamente o que deveria fazer, mas fui. Foi interessante, ver os alunos tremendo, uns meio receosos, outros meio querendo te desafiar... Mas foi tudo bem tranquilo. Um tom baixo, educado e firme bastava.
Tive 4 horas pra observar eles e refletir, fiquei pensando na minha epoca de vestibulanda e eu comecei a pensar muito a respeito de muitas coisas.
Cheguei a conclusao que relacionamentos e estudos talvez tenham mais a ver um com o outro do que aparentam.
O vestibular, por exemplo, e' invejado por uns universitarios. "Foi a ultima prova facil que fiz na minha vida!" Mas, dada a escolha, raros seriam os que de fato voltariam aquilo. A dificuldade da vida universitaria, noites varadas, notas bizarras e professores doidos nao tira o valor daquilo, de estar vivendo (e estudando) aquilo que voce um dia escolheu - a nao ser que tenha feito uma ma' escolha.
Da mesma forma, muitos falam bem da paixao inicial dos casais, do primeiro amor, que essa e' a melhor parte... mas viver isso de novo e de novo seria como viver um eterno vestibular - cansativo, emocionalmente insustentavel. O relacionamento duradouro (o casamento, por exemplo) tambem tem suas dificuldades, mas, contanto que voce tenha feito a escolha certa, provavelmente nao trocaria isso pelas novidades da incerteza e paixao.
Ficar procurando um novo amor toda hora e' como ficar resolvendo equacoes de primeiro grau repetidamente; e' necessario passar adiante pra proxima licao, equacoes de segundo grau, derivadas, limites e integrais - pra voce poder tirar o maximo de proveito daquilo que voce tem drenando todas as informacoes possiveis.
Mas dai, e' so' uma impressao de quem ainda nao viveu o suficiente pra falar se e' assim mesmo. Fale comigo em alguns anos e falo se acertei ou nao, ou se so' era o calor da sala de aula que comecou a desnaturar minhas enzimas e proteinas e afetou minhas funcoes cognitivas.
sábado, 8 de setembro de 2012
Bucket list.
Às vezes precisamos de um reboot, mudar o nosso modo de funcionamento. Normalmente isso se dá após um período de transição - por exemplo, espiritualmente, às vezes precisamos de um acampamento pra parar focar naquilo e recuperar as forças, ou um feriado pra dar um reboot de trabalho e estudos pra reestabelecer o foco nos objetivos quando voltamos. Similarmente, às vezes precisamos nos desligar do mundo com as pessoas certas pra nos fazer reavaliar tudo - e daí você percebe que todas aquelas coisas que parecem sugar seu tempo e que você tem prioridade não passam de pequenas distrações que atrapalham brutalmente a vida.
Deus, trabalho duro (seja trabalhando mesmo ou estudando) e pessoas que você ama te dando total apoio - isso é só o que precisamos. O resto a gente dá um jeito.
Deus, trabalho duro (seja trabalhando mesmo ou estudando) e pessoas que você ama te dando total apoio - isso é só o que precisamos. O resto a gente dá um jeito.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Sugou infinito!
Acabou a greve, mas os experimentos estão a mil no laboratório, sem contar ABU, vida pessoal e propostas de participar do CA do bct.
"V, is this the anarchy you have been talking about?"
"No, Evey. This is chaos."
"V, is this the anarchy you have been talking about?"
"No, Evey. This is chaos."
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
life in technicolor
Essa semana o laboratório está bem menos corrido (já que nada parece dar muito certo), e fechei a única matéria que não está em total paralisação, então acho que isso tem me dado um pouco mais de tempo - tempo pra sair, tomar um suco de maracujá e morango com os meninos, ler um livro, organizar minha casinha... e a organização sempre rende umas reflexões bacanas. Mas, como diria a Lina, às vezes meu cérebro faz umas sinapses muito erradas.
De vez em quando, na organização, ou em conversas durante o pão com mortadela, o passado me bateu no consciente. Eventos, características que passaram, outras ficaram, pessoas que passaram, poucas que ficaram. Tudo me fez perceber como estou em uma etapa da minha vida completamente diferente das outras. Se fôssemos comparar a paleta de cores da minha mente de cada período, a dos últimos... talvez cinco meses seja a que mais se destaca do degradê clichê que estava até então.
E é peculiar, porque, assim como um bêbado só sabe que estava bêbado quando fica sóbrio, ou como quando só tomamos consciência do fato de que dormimos quando estamos em estado de plena consciência, essa é a sensação que tenho olhando pra trás. Agora que tudo fez sentido.
Não é como se eu olhasse com raiva do que era, remorso, ou saudosismo, simplesmente é 'ok, você já fez parte de mim. Virou o que tinha de virar, então tá bom!', sem cerimônias. Se eu pudesse mudar coisa ou outra? Talvez seria válido. Mas não dá, e também não dá pra entender o que eu era - quanto mais o que eu sou, mas não preciso.
Lendo C.S.Lewis, ele usa uma figura que gostei bastante (pra outra conclusão, logicamente) que... desde sempre o homem se alimenta, precisa comer pra sobreviver. Contudo, recentemente descobrimos tudo o que a alimentação envolve - dados sobre calorias, gordura, vitaminas... E podemos usar isso pra planejar nossa alimentação, ou podemos comer de forma que nos sintamos bem, que nosso corpo aceite bem, sem saber direito o que tem dentro daquilo - porque sobreviver é mais importante que algumas calorias ou vitaminas a mais ou a menos.
Na vida, é igual. A gente pode tentar dissecar tudo na nossa vida pra pensar, e raciocinar, mas sobreviver é mais importante. Às vezes a gente tem que parar de pensar pra sobreviver e simplesmente viver à base daquilo que temos - estando vivos, felizes e bem, pensar pra quê?
"De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? O antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa...
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem"
terça-feira, 21 de agosto de 2012
fé e fungos.
Ser cientista demanda muita fé.
Digo isso por experiência própria, não por nada que já tenham me falado ou coisa assim. Especialmente na parte de pesquisa de biologia molecular e celular.
Você pega reagentes enviados por uma empresa e confia que eles são o que os rótulos dizem, e confia que os outros que você mandou fazer foram feitos dentro das suas especificações. Daí você pega um protocolo acreditando que ele está certo e que ele vai funcionar e pega todos aqueles reagentes, suas células e começa o procedimento. Você lava, pipeta, coloca reagentes... muitas vezes reagentes de 10.000 dolares pra ampolas minúsculas, e sua mão treme na hora de pesar na balança analítica! E você não está vendo nada do que está acontecendo, você não vê nada mudar de cor ou ficar brilhante ou coisa assim, mas mesmo assim você continua fazendo o seu trabalho. às vezes, você nem consegue enxergar um precipitado de células - o que minha orientadora chama de sensação de esposa traída - mas você continua trabalhando pra aquilo dar certo. Você faz seu PCR, ou deixa incubando, enfim. E daí só depois de alguns dias você vai correr o gel de eletroforese ou ver no microscópio o que você fez pra descobrir se toda a sua confiança tinha fundamento.
Às vezes, a vida também é assim. A gente não tem muita certeza do que está acontecendo ou se você está fazendo do jeito certo, e não vemos nenhuma mudança nas circunstâncias, mas mesmo assim a gente tem que estudar, analisar, e trabalhar em direção ao melhor resultado. Às vezes, não aparecem bandas de eletroforese ou a sua microscopia de fluorescência não tem absolutamente nada fluorescente.
Mas ah, aquele momento em que você liga a luz UV e vê suas células se iluminando como uma árvore de natal... faz todo o trabalho valer à pena.
Quem sabe um dia a gente não vai ver a nossa vida se iluminando que nem decoração de natal e ter a certeza 'alguma coisa eu fiz certo!'?
Digo isso por experiência própria, não por nada que já tenham me falado ou coisa assim. Especialmente na parte de pesquisa de biologia molecular e celular.
Você pega reagentes enviados por uma empresa e confia que eles são o que os rótulos dizem, e confia que os outros que você mandou fazer foram feitos dentro das suas especificações. Daí você pega um protocolo acreditando que ele está certo e que ele vai funcionar e pega todos aqueles reagentes, suas células e começa o procedimento. Você lava, pipeta, coloca reagentes... muitas vezes reagentes de 10.000 dolares pra ampolas minúsculas, e sua mão treme na hora de pesar na balança analítica! E você não está vendo nada do que está acontecendo, você não vê nada mudar de cor ou ficar brilhante ou coisa assim, mas mesmo assim você continua fazendo o seu trabalho. às vezes, você nem consegue enxergar um precipitado de células - o que minha orientadora chama de sensação de esposa traída - mas você continua trabalhando pra aquilo dar certo. Você faz seu PCR, ou deixa incubando, enfim. E daí só depois de alguns dias você vai correr o gel de eletroforese ou ver no microscópio o que você fez pra descobrir se toda a sua confiança tinha fundamento.
Às vezes, a vida também é assim. A gente não tem muita certeza do que está acontecendo ou se você está fazendo do jeito certo, e não vemos nenhuma mudança nas circunstâncias, mas mesmo assim a gente tem que estudar, analisar, e trabalhar em direção ao melhor resultado. Às vezes, não aparecem bandas de eletroforese ou a sua microscopia de fluorescência não tem absolutamente nada fluorescente.
Mas ah, aquele momento em que você liga a luz UV e vê suas células se iluminando como uma árvore de natal... faz todo o trabalho valer à pena.
Quem sabe um dia a gente não vai ver a nossa vida se iluminando que nem decoração de natal e ter a certeza 'alguma coisa eu fiz certo!'?
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
nós não estamos imunes.
Essa semana na ABU terminamos uma série de estudos em cima do livro de Oseias (sem acento, novo acordo ortográfico). Eu provavelmente já tinha lido, mas sem entender absolutamente nada - e sem entender, é um livro meio esquisito de se ler mesmo. Mas... esses estudos não só me fizeram entender o livro melhor, como me fizeram pensar muito. Particularmente o capítulo 6.
"Venham, vamos voltar para o Eterno. Ele nos feriu, mas ele irá nos curar. Ele nos bateu com força, mas nos erguerá novamente. Em alguns dias estaremos melhores. Ao terceiro dia ele terá nos feito novos em folha, vivos e de pé, prontos para encará-lo. Estamos prontos pra estudar o Eterno, ansiosos pelo conhecimento de Deus. Tão certo como a aurora, assim é a sua chegada diária. Ele vem como a chuva, como uma chuva refrescante de primavera no solo."
"O que devo fazer com você, Efraim? O que devo tirar de você, Judá? Suas declarações de amor não duram mais que o orvalho da manhã. É por isso que uso os profetas pra chamar sua atenção, por que minhas palavras chegam a você rapidamente: para te acordar ao meu julgamento, forte como a luz. Estou atrás de um amor que dure, não mais de religião. Eu quero que conheçam a Deus, não mais suas reuniões de oração. Você quebrou a aliança - exatamente como Adão! Você quebrou sua fé comigo - vermes ingratos!"
Contexto: O livro foi escrito para os reinos do norte, mais especificamente, que viviam uma sociedade bastante imoral, pecaminosa de forma geral. No início do livro, Deus ordena que o profeta Oseias se case com Gober, uma prostituta, de forma a exemplificar a relação entre Deus e Israel - principalmente no aspecto de traição.
Nesse texto, temos o primeiro parágrafo como sendo o pedido de desculpas de Israel depois de todas as acusações dos capítulos anteriores. Parecem até palavras muito bonitas, conhecimento de Deus, arrependimento, cura... Mas o próximo parágrafo, a resposta de Deus, que surpreende mais ainda. As palavras de Israel podem estar certas, mas a resposta do Eterno deixa claro que não expressavam a verdade. O coração não havia mudado, 'suas declarações não duram mais que o orvalho da manhã'. Isso é forte, isso é realmente muito forte.
Porque isso me faz pensar em quantas palavras de amor e promessas vazias eu já não fiz a Deus. Mudanças que nunca ocorreram, pedidos da boca pra fora, promessas vazias e sem sentido se analizássemos todo o contexto interno. Quantas coisas em um acampamento ou um culto pensamos que precisamos mudar e vamos mudar e... voltamos ao 'mundo real' sendo o mesmo ser imoral.
Nada, absolutamente nada faz sentido de tudo isso.
Por mais que a gente pense 'Não, mas eu sou diferente, não sou como Israel. Não beijo bezerros de ouro ou sacrifico bebês vivos para ídolos mortos.' Tem certeza?
Será que não é só mais uma das nossas queridas mentiras para nós mesmos?
"Esses são todos avisos - perigo! - nos nossos livros de história, escritos para não repetirmos os erros dele. Nossas posições na história são paralelas - eles no começo, e nós no final - e não somos tão capazes de errar quanto eles. Não sejam tão ingênuos e autoconfiantes. Vocês não estão imunes. Vocês podem dar de cara no chão com tanta facilidade quanto qualquer outro. Esqueça a autoconfiança; é inútil. Cultive a confiança em Deus."
I Coríntios 10:11 e 12 [MSG]
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
cansei de me cansar
Sempre tem uma peça de roupa pra lavar, outra pra passar e aquela pra guardar. Sempre tem aquela matéria que falta estudar. Aquele trabalho que você ainda não digitou. Aquele estudo que você sabe que vai ter que dar mas não terminou de preparar ainda.
Sempre tem um copo na pia, um prato no escorredor. Sempre tem o pó de borracha na mesa que você limpa, e daí apaga, e daí limpa de novo. Sempre tem aquele grampo que você tirou e esqueceu de guardar e ficou do lado da cama.
Sempre tem aquele experimento que faltou você repetir pra estabelecer um padrão, pra corrigir aquele resultado, pra você verificar em outras circunstâncias.
Sempre tem aquele livro que você não terminou de ler, ou aquele desenho que você nunca fez a arte final. Sempre tem alguém que diz que você está sumido, e você tem que ir visitar. Sempre tem alguém que faltou você contentar.
Sempre tem alguém pra dizer que tudo o que você faz não é o suficiente, sempre tem aquela parte de você que diz 'poderia ter feito melhor'. Sempre. Sempre. Sempre tem alguma coisa.
Às vezes eu queria poder esquecer tudo isso, me enrolar debaixo das cobertas com uma bebida quente e assistir alguma coisa, ler um livro, ou só ficar olhando pro teto. Talvez com um cafuné... apesar de cafuné ser covardia.
Cafuné sempre funciona.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Um jardim novo se levantará
Hoje levantar da cama foi bastante difícil, estava meio desanimada. Mas daí eu parei pra pensar: eu não quero levantar porque vou pro lab fazer pesquisa que um dia pode vir a ajudar e curar algumas centenas de pessoas com doenças cabulosas. Eu não quero levantar porque eu tenho uma cama quentinha e macia, cheia de cobertores e tenho mais outros dentro do armário. Eu não quero levantar porque... porque...
...foi daí que minha consciência começou a despertar também...
Tem gente que levanta da cama mesmo não tendo cama, porque a calçada está fria demais por baixo do papelão. Tem gente que levanta mesmo sabendo que vai se cansar, que suas costas vão doer de carregar tijolos e vão estilhaçar a cartilagem entre as vértebras usando britadeiras. Tem gente que levanta mesmo sabendo que em alguns dias talvez não consiga mais levantar. Tem gente que levanta sabendo que talvez não tenha arroz, feijão no armário ou até água na pia. Tem gente que levanta sabendo que se não for catar quilos e quilos de papelão, os filhos vão dormir com fome. Se conseguirem dormir.
Enquanto isso, também tem gente que não quer levantar porque por mais que tenha tudo o que o dinheiro pode comprar - inclusive antidepressivos - mesmo isso não basta pra contentá-los. Tem gente que não quer levantar porque... áh, alguns milhões a mais ou a menos, tanto faz. Tem gente que não quer levantar porque não tem nada melhor pra fazer.
Mas algo que tudo isso me fez perceber... é que sempre, sempre tem gente disposta a levantar pra explorar os outros em favor de si mesmo. Ah, isso nunca falta.
Foi daí que eu também levantei. Se há quem levante pra fazer o mal, quero ser quem vai fazer o bem.
* * * * *
Se aliança dissipar..
e sentença for só desamor!
a tormenta aumentará!
Quando uma comunidade viva!
Insurrece o valor da Paz,
endurecendo ternamente!
(...)
...foi daí que minha consciência começou a despertar também...
Tem gente que levanta da cama mesmo não tendo cama, porque a calçada está fria demais por baixo do papelão. Tem gente que levanta mesmo sabendo que vai se cansar, que suas costas vão doer de carregar tijolos e vão estilhaçar a cartilagem entre as vértebras usando britadeiras. Tem gente que levanta mesmo sabendo que em alguns dias talvez não consiga mais levantar. Tem gente que levanta sabendo que talvez não tenha arroz, feijão no armário ou até água na pia. Tem gente que levanta sabendo que se não for catar quilos e quilos de papelão, os filhos vão dormir com fome. Se conseguirem dormir.
Enquanto isso, também tem gente que não quer levantar porque por mais que tenha tudo o que o dinheiro pode comprar - inclusive antidepressivos - mesmo isso não basta pra contentá-los. Tem gente que não quer levantar porque... áh, alguns milhões a mais ou a menos, tanto faz. Tem gente que não quer levantar porque não tem nada melhor pra fazer.
Mas algo que tudo isso me fez perceber... é que sempre, sempre tem gente disposta a levantar pra explorar os outros em favor de si mesmo. Ah, isso nunca falta.
Foi daí que eu também levantei. Se há quem levante pra fazer o mal, quero ser quem vai fazer o bem.
* * * * *
Se aliança dissipar..
e sentença for só desamor!
a tormenta aumentará!
Quando uma comunidade viva!
Insurrece o valor da Paz,
endurecendo ternamente!
(...)
Cravos e Tulipas bombardeiam,
um jardim novo se levantará.
O Jasmim urge do solo sem medo.
O sol reclama no Oriente.
Brada a lua que ilumina.
Rebelando orações e mentes.
Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?
um jardim novo se levantará.
O Jasmim urge do solo sem medo.
O sol reclama no Oriente.
Brada a lua que ilumina.
Rebelando orações e mentes.
Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
se junta tudo numa coisa só
Sei bem que esse é um assunto recorrente no blog, mas às vezes os pensamentos são cíclicos - assim como os acontecimentos. É incrível como um período de total confusão mental e o que às vezes parece perdição pode mudar de uma maneira absurdamente rápida, ou o que parece rápido. Nossa própria percepção de tempo é muito relativa.
Parece ser algo meio geral - sempre tem alguém com problemas em casa, ou familiares doentes, ou algo errado. 'É, aquela época tava difícil.' Perdi a conta de quantas pessoas já ouvi dizer isso. Parece que tá tudo dando errado, você quer fugir do mundo, dos seus problemas, e às vezes até de você mesmo, caos, caos caos em toda a parte. Daí, no meio da correria frenética na tentativa de sobrevivência você percebe quão desnecessária é a correria frenética. Correr pode significar tropeçar, cair, se machucar. Você percebe que é hora de parar, sentar e usar aquilo que você tem: parar pra escutar e pra sentir, já que você não consegue enxergar.
É nessas horas que damos valor ao silêncio, às vezes ele traduz toda a calma que você precisa. Daí do silêncio você ouve algo baixo e indistinto. Algo que vai ficando cada vez mais alto, cada vez mais inconfundível. Algo que diz que tudo vai ficar bem. Uns dizem que é o otimismo, ou a 'força interna de cada um de nós' ou até o instinto de sobrevivência, mas algo me diz que é Deus. Vamos, mais uma vez. Hora de levantar. Você parou como deveria, hora de continuar sua caminhada. O silêncio e a pausa que foram tão fundamentais, precisam ser deixados. Aprendemos o que pudemos, agora precisamos seguir. Daí, uma luz fraca e distante surge. E daí outra aqui, e outra lá.
E você vai percebendo que vai recebendo peças - acontecimentos, pessoas, coisas, sentimentos. Parecem meio desconexos de início, mas é algo. Com as luzes, com as pessoas, de repente tudo começa a cooperar para uma mesma conclusão. Uma coisa remete a outra, uma pessoa remete a algo e daí é que tudo se junta numa coisa só. Numa coisa incrível, que faz sentido. Algo que te muda e molda seu caráter, te faz quem você é. E você para e pensa: 'Aah... Agora tudo faz sentido!'
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Divorce of myself.
Passei os últimos minutos lendo parte do livro Face a face com o luto (A grief observed, C.S. Lewis), livro que trata do luto do autor quando perdeu sua esposa, Joy. O livro me fez pensar bastante. Segue um trecho:
"H. representava algo fantástico para mim; uma alma simples e direta, luminosa e precisa como uma espada de dois gumes. É claro que ela não era nenhuma santa. Ela era uma mulher pecadora, casada com um homem pecador; éramos dois pacientes em tratamento com o médico divino, ainda não curados. Sei muito bem que não há apenas lágrimas para secar, mas também máculas para ser expurgadas. E com isso, a espada ficará até mais afiada."
A metáfora da espada não fez particularmente muito sentido pra mim, até que finalmente liguei a um trecho anterior a esse:
"Enquanto a pessoa amada está viva, ela nos 'arranca para fora de nós mesmos'. O que entra em cena depois disso é o espetáculo trágico de uma coreogragia que nos convida a aprender a continuar 'arrancados de dentro de nós mesmos', apesar da presença corpórea da pessoa amada ter sido arrancada de nós. Só assim podemos continuar a amar sem recair no erro de passar a amar o nosso passado, ou então, a nossa memória, ou o nosso sofrimento, ou o alívio do sofrimento, ou, quem sabe, até o nosso próprio amor."
Finalmente, começou a fazer sentido - para sermos tirados de nós mesmos, algo precisaria perfurar o eu exterior que deve ser removido, algo precisa danificar o inútil antes de abrir caminho para aquele 'nós' que precisa sair para entrar em contato com o mundo. Creio que a melhor definição fosse aquela do exoesqueleto dos insetos: para crescer, precisamos perder o exoesqueleto de tudo aquilo que nos protege contra o mundo. Precisamos de algo afiado suficiente que perfure isso para nos libertar para o crescimento - ainda seremos nós, mas seremos 'nós' melhores. Seremos nós livres de nós mesmos.
E as pessoas são essas espadas, que podem nos tirar de nós mesmos. Mas, se você colocar uma espada ao lado de uma coisa, ela não cortará nada. Ela tem que estar nas mãos de alguém pra surtir seu efeito.
"'Ela está nas mãos de Deus.' Essa idéia renova minhas energias quando penso nela como uma espada."
Quem melhor para munir e desembainhar essa espada do que aquele que criou aquilo que vai perfurar? Fico pensando, será que as pessoas que temos deixado se aproximar - a ponto de nos perfurar para nos tirar de nós mesmos - são pessoas que estão nas mãos de Deus? Que estão nas mãos da única pessoa que sabe separar o velho do novo sem nos machucar irreversivelmente?
sexta-feira, 29 de junho de 2012
bits and pieces
Encontrei algumas coisas soltas que escrevi, algumas que nem publiquei e decidi divulgá-las aqui. Enjoy!
"Te penso e te despeço
Despedaço peças que não cabem na dispensa.
Então eu te despenso sem que você espere,
e me despeço.
Me desprendo e me apresso
antes que me desespere. "
"Passamos, às vezes, nossa vida inteira em uma louca busca frenética por algo que nem sabemos o que é, só sabemos que é algo que nos completa.
Por causa disso, o coração não pode ser partido se nunca foi, na realidade, completo pra começo de história. Mas, às vezes ainda choramos de frustração porque tivemos a breve ilusão de que havíamos encontrado aquilo, e então descobrimos que aquela peça valiosa e brilhante que temos em mãos simplesmente não se encaixa com a parte que já temos. "
"Tudo em um estranhíssimo momento
Em um súbito turbilhão confuso
De um breve sentimento recluso...
E encantou-se assim meu pensamento
A instigância deste encantamento
Reclinava em ser friamente escuso
Cordialmente rude, tolo, iluso
Um inquieto pensar de tormento
Este singular momento brilhante
Eventualmente encontrou seu fim
Mas antes que sua mente o engane
Pensando que segui caminho errante
E uma tal finitude emane,
Isso foi, de fato, um estopim"
"Te penso e te despeço
Despedaço peças que não cabem na dispensa.
Então eu te despenso sem que você espere,
e me despeço.
Me desprendo e me apresso
antes que me desespere. "
"Passamos, às vezes, nossa vida inteira em uma louca busca frenética por algo que nem sabemos o que é, só sabemos que é algo que nos completa.
Por causa disso, o coração não pode ser partido se nunca foi, na realidade, completo pra começo de história. Mas, às vezes ainda choramos de frustração porque tivemos a breve ilusão de que havíamos encontrado aquilo, e então descobrimos que aquela peça valiosa e brilhante que temos em mãos simplesmente não se encaixa com a parte que já temos. "
"Tudo em um estranhíssimo momento
Em um súbito turbilhão confuso
De um breve sentimento recluso...
E encantou-se assim meu pensamento
A instigância deste encantamento
Reclinava em ser friamente escuso
Cordialmente rude, tolo, iluso
Um inquieto pensar de tormento
Este singular momento brilhante
Eventualmente encontrou seu fim
Mas antes que sua mente o engane
Pensando que segui caminho errante
E uma tal finitude emane,
Isso foi, de fato, um estopim"
terça-feira, 26 de junho de 2012
one.by.one
Esses dias estava ouvindo a música Mushaboom da cantora Leslie Feist e atentando para a letra. Ela fala sobre um casal de newlyweds e ela, no caso, confunde as coisas do futuro e as de agora, então por exemplo ela diz "taking the kids out of their coats but, wait, the babies haven't been born" (tirando os casacos das crianças mas, espera, os bebês ainda não nasceram) "Unpacking the bags and setting up, planting lilacs and buttercups but in the meantime we've got it hard, second-floor living without a yard" (Desfazendo as malas e arrumando as coisas, plantando lírios e copos-de-leite mas por enquanto está difícil, vivendo no segundo andar sem um jardim).
Achei engraçado isso, pelo fato de às vezes começarmos a confundir o novo com o futuro, passarmos tanto tempo idealizando uma coisa que começamos a de fato acreditar naquilo, é engraçado de se pensar. Mas a parte mais legal foi a seguinte: "And we'll collect the moments one by one I guess that's how the future's done". Ao final de todos os sonhos, idealizações de como será o futuro, não adianta de muita coisa. As longas reflexões e hipóteses complexas pouco importam ante à realidade: A gente imagina um ensaio, mas no final é sempre o improviso. E sabe o melhor? O improviso sempre é mais legal, engraçado e inusitado.
Então vamos lá, coletando nossos grãos de felicidade, juntando nossos momentos em um enredo complexo e multifacetado.
* * * * *
Helping the kids out of their coats
But wait the babies haven't been born
Unpacking the bags and setting up
And planting lilacs and buttercups
But in the meantime I've got it hard
Second floor living without a yard
It may be years until the day
My dreams will match up with my pay
Old dirt road
Knee deep snow
Watching the fire as we grow old
I got a man to stick it out
And make a home from a rented house
And we'll collect the moments one by one
I guess that's how the future's done
How many acres how much light
Tucked in the woods and out of sight
Talk to the neighbors and tip my cap
On a little road barely on the map
Old dirt road
Knee deep snow
Watching the fire as we grow old
Old dirt road
Rambling rose
Watching the fire as we grow well I'm sold
segunda-feira, 25 de junho de 2012
a boneca e o palhaço
Certo dia uma boneca de pano chorava. O soldadinho de chumbo veio falar com ela "porque olhos tão lindos estão tão salinos?" perguntou com delicadeza. "Não sou feliz, e por isso nenhuma criança me quer - quem quer uma boneca triste pra brincar? Toda molhada e pesada... Então fico mais triste e choro mais!" O soldadinho ficou pensativo um instante. "Também não sirvo muito bem de soldado..." andou pela brinquedoteca, "sou tão atrapalhado que quando vou à batalha riem de mim em vez de me temerem... um homem de guerra desengonçado..." mas antes que terminasse a frase, caiu de cara na tampa de tinta guache aberta no chão. Levantou o rosto todo pintado, apenas os olhos de fora. "...assim."
Sentou-se no chão em silêncio. Foi então que a boneca começou a rir da situação, da expressão estampada no rosto do soldado. Isso deu-lhe uma idéia.
Com algum esforço abriu a tinta vermelha e pintou o próprio nariz e um sorriso exagerado na boca. Virou-se e a boneca ria. Veio com a tinta no dedo e pintou-lhe um sorriso também. Ela gargalhava, e a água das lágrimas que lhe pesava saía aos poucos com os risos, secou-se toda!
"Agora nenhuma criança vai te achar triste demais pra brincar!" e sentou-se ao seu lado. "Então, você não devia ser soldado, mas palhaço!" "O que me chamam não vai mudar, mas posso mudar o que sou de verdade!" disse com certo orgulho da própria frase "Além do mais, o que é o palhaço senão um homem todo pintado de piada?" "É você", disse ela com um sorriso.
"E você, quando for chorar, lembra que sempre tem alguém que pode pintar um sorriso em você, daí não precisa ser a boneca triste do jeito que te fizeram, pode ser quem você é de verdade!"
* * * * *
Folia no quarto ~oteatromagico
Se água nos olhos do palhaço molha
Menina dos olhos abandonada
Boneca de pano, de pena, chora quando
Água nos olhos da gente escorre
Corre beirando boca, ribeirão
Dorme junto ao coração
Faz do peito cachoeira
Leva, lavando, me deixando leve
Que a certeza não escorregue
Feito pedra de sabão
Bola, vidro, janela, bronca, tapa
Dias e dias sem televisão
Fecho porta pra não escutar briga
E, também, pra briga não escutar minha canção
Que faço distraindo a vida
Vou traindo minha sina
Distraindo decisão
Falo coisas que as vezes não faço
Sou boneca, sou palhaço, ponto de interrogação
Todo ser seria
Todo rio riria
Toda flor folia
Abajour pra escuridão
Toda brincadeira começa com alegria
Mas o sino do almoço troca o riso por feijão
Todo ser seria
Todo rio riria
Toda flor folia
Abajour pra escuridão
Quero mais careta no retrato
Quero mais folia no meu quarto
Quero mais careta no retrato
Quero mais folia no meu quarto
Sentou-se no chão em silêncio. Foi então que a boneca começou a rir da situação, da expressão estampada no rosto do soldado. Isso deu-lhe uma idéia.
Com algum esforço abriu a tinta vermelha e pintou o próprio nariz e um sorriso exagerado na boca. Virou-se e a boneca ria. Veio com a tinta no dedo e pintou-lhe um sorriso também. Ela gargalhava, e a água das lágrimas que lhe pesava saía aos poucos com os risos, secou-se toda!
"Agora nenhuma criança vai te achar triste demais pra brincar!" e sentou-se ao seu lado. "Então, você não devia ser soldado, mas palhaço!" "O que me chamam não vai mudar, mas posso mudar o que sou de verdade!" disse com certo orgulho da própria frase "Além do mais, o que é o palhaço senão um homem todo pintado de piada?" "É você", disse ela com um sorriso.
"E você, quando for chorar, lembra que sempre tem alguém que pode pintar um sorriso em você, daí não precisa ser a boneca triste do jeito que te fizeram, pode ser quem você é de verdade!"
* * * * *
Folia no quarto ~oteatromagico
Se água nos olhos do palhaço molha
Menina dos olhos abandonada
Boneca de pano, de pena, chora quando
Água nos olhos da gente escorre
Corre beirando boca, ribeirão
Dorme junto ao coração
Faz do peito cachoeira
Leva, lavando, me deixando leve
Que a certeza não escorregue
Feito pedra de sabão
Bola, vidro, janela, bronca, tapa
Dias e dias sem televisão
Fecho porta pra não escutar briga
E, também, pra briga não escutar minha canção
Que faço distraindo a vida
Vou traindo minha sina
Distraindo decisão
Falo coisas que as vezes não faço
Sou boneca, sou palhaço, ponto de interrogação
Todo ser seria
Todo rio riria
Toda flor folia
Abajour pra escuridão
Toda brincadeira começa com alegria
Mas o sino do almoço troca o riso por feijão
Todo ser seria
Todo rio riria
Toda flor folia
Abajour pra escuridão
Quero mais careta no retrato
Quero mais folia no meu quarto
Quero mais careta no retrato
Quero mais folia no meu quarto
sábado, 23 de junho de 2012
O que se encontra quando os olhos piscam
Às vezes a gente muda. As raízes do jeito que estão não servem mais pra nos nutrir - precisamos expandir, crescer, procurar no solo que nos cerca novas formas de nos mantermos. As raízes velhas não secam ou morrem, mas crescem e mudam a conformação. Não deixam de ser o que eram, viram versões melhores daquilo que antes rascunhavam ser.
Com o tempo vivemos em cheio nossos potenciais: tornamo-nos caricaturas, exageros do que um dia fomos. Às vezes aquilo que nos nutria, nos fazia querer crescer, ficam pra trás pra dar lugar a regiões frescas, novas e cheias de vida pra dar. Um esforço aqui e acolá, esticamos e encontramos o que precisamos.
Redescobrimos e redefinimos os valores que atribuímos a tudo, com mais sol nossas folhas ficam mais verdes, florimos, colorimos o mundo.
Mas nada disso adianta se você continuar vivendo naquele seu mesmo vasinho de 5 cm de diâmetro. Nada disso adianta se você continua no mundinho pequeno, não tem mais espaço. Às vezes a gente percebe que só o que precisamos para ser mais do que éramos é de um vaso maior. O sol, os nutrientes, a água, nada disso importa se não temos espaço pra crescer.
Acho que mudei de vaso e nem percebi.
"Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Hum... E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito."
[Sonho de uma flauta ~oteatromagico]
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Faz de conta
Era uma vez a escuridão, ela andava presa em si mesma, triste. Chateada com o que era, não via o que a cercava, apenas ouvia vozes indistintas e vagas. Ela estava em todos os lugares, mas ao mesmo tempo não participava, não sentia que a queriam.
Um dia, ouvindo uma conversa ouviu a montanha dizer “Psiu, você já ouviu a novidade?” “Não...” “Apareceu alguém novo aí, parece ser o que você anda procurando. É um novato, chamam ele de dia. Dizem que ele trouxe luz, e até vida – olha só pra mim, estou cheia de vida em mim agora! Plantas, animais, árvores.” O Rio ouviu a conversa e adicionou “É isso mesmo, também sinto algo diferente nadando em mim! Você precisa conhecê-lo!”
A noite ficou admirada “luz? Não sei o que é... mas parece interessante... acho que é disso que preciso!” foi então que ela decidiu que precisava mudar, vestiu-se de estrelas, vestiu-se com a lua e mudou seu nome para noite.
Sempre que o dia aparecia, ela vinha logo atrás, mas ele só conseguia voltar quando ela ia embora, e assim nasceram o crepúsculo e a alvorada, fruto de ambos para mantê-los unidos na distância temporal. Estavam, portanto, eles, por discrepância do destino, condenados a viver eternamente próximos mas igualmente separados.
terça-feira, 12 de junho de 2012
taming tongues
Dizem que poder sobre a palavra grande parte do tempo é traduzido como poder sobre as pessoas. De fato concordo com o incrível poder da palavra, apesar de também reconhecer quão falhas elas podem ser.
Se as palavras fossem assim tão específicas ao ouvir a palavra tristeza, a sentiríamos, ou o mesmo com alegria, amor, raiva. Porém, através da manipulação correta de um conjunto inteiro de palavras, podemos levar as pessoas a praticamente qualquer estado emocional que quisermos.
A exemplo disso estão livros que fazem as pessoas rirem, chorarem, ficarem bravas, tristes. O fato é, quanto maior o poder sobre a palavra, maior é o poder que você adquire - mas também junto com tudo isso vem grande (enorme, gigantesca!) responsabilidade.
Se as palavras fossem assim tão específicas ao ouvir a palavra tristeza, a sentiríamos, ou o mesmo com alegria, amor, raiva. Porém, através da manipulação correta de um conjunto inteiro de palavras, podemos levar as pessoas a praticamente qualquer estado emocional que quisermos.
A exemplo disso estão livros que fazem as pessoas rirem, chorarem, ficarem bravas, tristes. O fato é, quanto maior o poder sobre a palavra, maior é o poder que você adquire - mas também junto com tudo isso vem grande (enorme, gigantesca!) responsabilidade.
Portanto, se você tem algo bom a falar, fale. Se você tem uma crítica que vai produzir algo bom, fale. Mas se as suas palavras só vão produzir destruição, guarde-as bem. Muito bem.
* * * * *
On and On...he goes
Now look who's playin' the fool
Criticizing, telling lies, putting down
ain't you got nothin' better to do?If you can't say nothin' good, don't say nothin' at all
'Cause I know that there are times in life
When we just can't keep it to ourselves
but to want is not to make it rightWe've got to tame our tongue
If you can't say nothin' good, don't say nothin' at all
On and on...we go
playin the game that never ends
I think it's time that we all realize
a broken heart is hard to mendIf you can't say nothin' good don't say nothin' at all
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Silence of the lambs
Retornei ontem do congresso nacional da ABUB, retornei bastante feliz e animada com o movimento de evangelização universitária. Estudante alcançando estudante.
Quando fui à igreja ontem, a palavra foi sobre falar ou não do evangelho, usando a frase:
"Pregarei o evangelho e, se necessário, usarei palavras."
No caso a frase foi vista como negativa, porém eu a vejo como extremamente positiva. É, eu tenho essa tendência a ser do contra.
Motivos pelos quais a frase foi apontada como sendo negativa: a frase é, muitas vezes, utilizada como desculpa para as pessoas não evangelizarem, falar das suas crenças, fé, etc. De fato, isso ocorre. Segundo, foi usado como argumento que as pessoas não podem conhecer se nunca ouviram falar. Hum, não sei se posso concordar.
Compreendo 'palavras' como sendo aquela coisa meio forçada de você ficar pregando pras pessoas que elas vão pro inferno, sentar com a Bíblia e ficar insistentemente tentando mudar quem a pessoa é - mas o cristianismo é muito mais natural que isso. A conversão não é um momento, é um processo de crescimento, de compreensão do mundo e dos outros. Não é algo súbito, fácil e espontâneo, é algo que acontece a longo prazo e que exige muito esforço, fé e vontade.
Uma vez que esse processo se instala e começa a se desenvolver em nós, isso não vira só mais uma caixinha, uma categoria nova na nossa vida, antes, ela é a estante que contém e organiza todas as outras caixinhas - família, trabalho, estudos, amigos - e às vezes, as caixas que temos não se adequam a esse sistema de prateleiras e precisamos nos livrar delas. Então tudo se torna uma malha intrinsecamente construída em que não existe uma coisa sem a outra, o cristianismo se manifesta em todas as coisas, em tudo o que fazemos: nossos pensamentos, ações, e palavras mais cotidianas. Quando há crescimento, quando buscamos e estudamos, todo aquele esforço sobrenatural que as vezes pensamos ser o 'falar de Cristo' se torna algo naturalíssimo: aparece discretamente e a diferença se evidencia com grande facilidade.
Uma excelente frase que vi esses dias foi Spurgeon: "Eu não dou muito por sua religião a menos que possa ser vista . Os lampiões não falam; mas brilham." Uma lâmpada mostra a verdade: mostra a realidade como é sem esforço, faz parte de quem ela é. Nós não precisamo de longos discursos, frases ou sensacionalismos: se o cristianismo é de fato verdade, provar-se-á assim para toda pergunta que lançarmos a ele. Assim, deve fazer parte da nossa natureza mostrar a verdade, nas coisas cotidianas, nos gestos, em detalhes.
Nossa crença faz parte de nós e permeia tudo em nós e tudo o que sai de nós, então por mais que muitas vezes falaremos sobre coisas que remetem a ela, não precisamos fazer lavagem cerebral em ninguém ou ser um babaca chato gritando na praça e afastando as pessoas mais que atraindo: temos que fazer nossa parte, mas ter em mente, que a forma que fazemos isso pode construir ou destruir a imagem do cristianismo pra alguém.
Se falamos sem viver o cristianismo, nossas palavras não valem nada. Se o vivemos em todas as coisas - mesmo as mais simples - quaisquer palavras que emitirmos ganharão um valor muitíssimo maior.
* * * * *
Quando fui à igreja ontem, a palavra foi sobre falar ou não do evangelho, usando a frase:
"Pregarei o evangelho e, se necessário, usarei palavras."
No caso a frase foi vista como negativa, porém eu a vejo como extremamente positiva. É, eu tenho essa tendência a ser do contra.
Motivos pelos quais a frase foi apontada como sendo negativa: a frase é, muitas vezes, utilizada como desculpa para as pessoas não evangelizarem, falar das suas crenças, fé, etc. De fato, isso ocorre. Segundo, foi usado como argumento que as pessoas não podem conhecer se nunca ouviram falar. Hum, não sei se posso concordar.
Compreendo 'palavras' como sendo aquela coisa meio forçada de você ficar pregando pras pessoas que elas vão pro inferno, sentar com a Bíblia e ficar insistentemente tentando mudar quem a pessoa é - mas o cristianismo é muito mais natural que isso. A conversão não é um momento, é um processo de crescimento, de compreensão do mundo e dos outros. Não é algo súbito, fácil e espontâneo, é algo que acontece a longo prazo e que exige muito esforço, fé e vontade.
Uma vez que esse processo se instala e começa a se desenvolver em nós, isso não vira só mais uma caixinha, uma categoria nova na nossa vida, antes, ela é a estante que contém e organiza todas as outras caixinhas - família, trabalho, estudos, amigos - e às vezes, as caixas que temos não se adequam a esse sistema de prateleiras e precisamos nos livrar delas. Então tudo se torna uma malha intrinsecamente construída em que não existe uma coisa sem a outra, o cristianismo se manifesta em todas as coisas, em tudo o que fazemos: nossos pensamentos, ações, e palavras mais cotidianas. Quando há crescimento, quando buscamos e estudamos, todo aquele esforço sobrenatural que as vezes pensamos ser o 'falar de Cristo' se torna algo naturalíssimo: aparece discretamente e a diferença se evidencia com grande facilidade.
Uma excelente frase que vi esses dias foi Spurgeon: "Eu não dou muito por sua religião a menos que possa ser vista
Nossa crença faz parte de nós e permeia tudo em nós e tudo o que sai de nós, então por mais que muitas vezes falaremos sobre coisas que remetem a ela, não precisamos fazer lavagem cerebral em ninguém ou ser um babaca chato gritando na praça e afastando as pessoas mais que atraindo: temos que fazer nossa parte, mas ter em mente, que a forma que fazemos isso pode construir ou destruir a imagem do cristianismo pra alguém.
Se falamos sem viver o cristianismo, nossas palavras não valem nada. Se o vivemos em todas as coisas - mesmo as mais simples - quaisquer palavras que emitirmos ganharão um valor muitíssimo maior.
* * * * *
"You think your faith is where you sit on sunday morning
You've got a front row seat where you can be seen snoring
Throughout the week you live your life inside a bubble
You find your happiness avoiding people's thoughts
Your life revolves around yourself,
You don't treat others very well
You say your faith will get you by and that you won't be left behind
You might be right, but that's not good enough
If you don't have deeds you have nothing at all
If you don't have faith your deeds will fall
They can't be true without each other
You can't have one without the other"
Deeds - Sanctus Real
Deeds - Sanctus Real
terça-feira, 5 de junho de 2012
Roll with the punches
Minha comunicação via blog anda bastante defasada, em parte pela questão de tempo, pouca vontade/temas para escrever, mas nas últimas duas semanas estive impedida por motivos de força maior.
Talvez só quem tenha me visto (ou percebido minha ausência) que ficou sabendo, mas esses dias com toda a minha sorte fechei a porta do carro no dedo uns dias pra trás, e hoje foi meu primeiro dia sem analgésicos! A inflamação diminuiu, já estou com o movimento mais normal, mas isso custou pra ficar assim.
O que achei peculiar foi que na hora que bati e vi o enorme corte e meu dedo todo amassado, eu sabia. Sabia tudo o que estava acontecendo: queda de pressão arterial, acúmulo de linfócitos provocando inflamação e impedindo infecção, coagulação, e até pensei "Se fizer pressão mecânica o impulso de pressão chega antes do impulso da dor!", mas ainda assim doeu.
Foi terrivelmente frustrante, eu sabia.
Uns dias depois, percebi que a inflamação sempre piorava ao longo do dia e então lembrei: Elementar, minha cara burra! Cortisol é antiinflamatório e o pico é pela manhã!
Mas eu não podia dizer pras minhas glândulas suprarrenais: produzam cortisol! Não.
Isso me fez pensar muito nas coisas na vida que acontecem, a gente sabe que acontece, sabe porque acontecem mas ainda assim não podemos fazer nada, senão lidar com os eventos... Mas daí, chegamos a outra metáfora.
Conversando com meus amigos militares sobre eles terem que atirar e tudo o mais, falamos sobre o recuo da arma. Sempre pensei que o recuo fosse algo negativo, já que pode provocar inúmeros deslocamentos no ombro, cotovelo, ou pode até atingir o rosto do atirador dependendo da proximidade, acontece que dá pra usar isso que teoricamente seria negativo a seu favor: você usa essa energia transferida para preparar e dar o próximo tiro e assim sucessivamente.
Então, ainda que eu soubesse todos os efeitos negativos do evento, tive que aprovietar o recuo que a vida me apresentou e acumular energia descansando muito na última semana pro restante do semestre =)
Que venham os próximos recuos!
* * * * *
Roll with the punches ~lenka
That really hurt me
Like a fist to the face
I wasn't ready
To be knocked out of place
Suddenly everything I was sure of
Sinking below the depths of the surface
It's unexpected, it usually is
When you're rejected
Or you take a hit
Suddenly everything's thrown in a spin
No time to grow a thicker skin
What kind of situation am I in now?
When life tries to knock all the wind out of you
You've got to roll, roll, roll with the punches
If all life offers is black and blue
You've got to roll, roll, roll with the punches
Little weapons over the phone
They like to threaten the life that I know
They say get over here and get into the ring
But I'm not really much a fighter
My mechanisms of defense are down
My resistance is out on the town
I was alarmed by your attack
This isn't a boxing match
But I'll be damned if I ever let you win
terça-feira, 29 de maio de 2012
Home
Daí a gente percebe, de repente que eles estão longe, todos. Todos aqueles do passado. As pessoas que víamos todos os dias, que comíamos o 'lanchinho' em grupos, os que observávamos atenta e silenciosamente. Ou aqueles próximos, que nos conheciam mais que nós mesmos. Que parecem sombras nas nossas memórias - aconteceu mesmo tudo aquilo? Às vezes parece que eles só vivem nas nossas cabeças.
Os insubstituíveis foram substituídos, os insuportáveis não precisam mais ser suportados. Existo pra eles? Ou sou uma memória perdida dentre tantas outras? Tanto faz, não importa mais.
Cada um seguiu seu caminho, vivem em cheio seus potenciais. Figuras caricatas do que eram, exageros plenos de detalhes e nuances do passado.
Tudo mudou, nada mudou. São eles, ainda os mesmos grupos - menos eu. Mudei tanto ou eles é que mudaram? Crescemos, cada qual em sua direção. Dificilmente conseguiríamos levar adiante uma conversa por mais de 10 minutos. Peculiar, interessante.
Ruim? Duvido. Não teria a vida de outro jeito. Não posso querer que fique assim, porque é viva: dinâmica, oscilatória. Mas do jeito que tá, tá bom. Não mudaria nada. Outra coisa simplesmente não faria sentido. Precisei encontrar as pessoas erradas pra saber hoje que encontrei as certas, precisei peregrinar sem rumo para encontrar meu lar. E se precisar mudar de novo, tudo bem. Mas do jeito que tá, tá bom. Era isso que eu procurava. Essa era a assinatura secreta da minha alma.
Os insubstituíveis foram substituídos, os insuportáveis não precisam mais ser suportados. Existo pra eles? Ou sou uma memória perdida dentre tantas outras? Tanto faz, não importa mais.
Cada um seguiu seu caminho, vivem em cheio seus potenciais. Figuras caricatas do que eram, exageros plenos de detalhes e nuances do passado.
Tudo mudou, nada mudou. São eles, ainda os mesmos grupos - menos eu. Mudei tanto ou eles é que mudaram? Crescemos, cada qual em sua direção. Dificilmente conseguiríamos levar adiante uma conversa por mais de 10 minutos. Peculiar, interessante.
Ruim? Duvido. Não teria a vida de outro jeito. Não posso querer que fique assim, porque é viva: dinâmica, oscilatória. Mas do jeito que tá, tá bom. Não mudaria nada. Outra coisa simplesmente não faria sentido. Precisei encontrar as pessoas erradas pra saber hoje que encontrei as certas, precisei peregrinar sem rumo para encontrar meu lar. E se precisar mudar de novo, tudo bem. Mas do jeito que tá, tá bom. Era isso que eu procurava. Essa era a assinatura secreta da minha alma.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
in Christ alone
O controle Dele está em tudo, coisas boas ou ruins. Thank you for taking care of me, Daddy =)
In Christ alone my hope is found
He is my light, my strength, my song
This Cornerstone, this solid ground
Firm through the fiercest drought and storm
What heights of love, what depths of peace
When fears are stilled, when strivings cease
My Comforter, my All in All
Here in the love of Christ I stand
In Christ alone, who took on flesh
Fullness of God in helpless babe
This gift of love and righteousness
Scorned by the ones He came to save
'Til on that cross as Jesus died
The wrath of God was satisfied
For every sin on Him was laid
Here in the death of Christ I live
There in the ground His body lay
Light of the world by darkness slain
Then bursting forth in glorious Day
Up from the grave He rose again
And as He stands in victory
Sin's curse has lost its grip on me
For I am His and He is mine
Bought with the precious blood of Christ
No guilt in life, no fear in death
This is the power of Christ in me
From life's first cry to final breath
Jesus commands my destiny
No power of hell, no scheme of man
Can ever pluck me from His hand
'til He returns or calls me home
Here in the power of Christ I'll stand
In Christ alone my hope is found
He is my light, my strength, my song
This Cornerstone, this solid ground
Firm through the fiercest drought and storm
What heights of love, what depths of peace
When fears are stilled, when strivings cease
My Comforter, my All in All
Here in the love of Christ I stand
In Christ alone, who took on flesh
Fullness of God in helpless babe
This gift of love and righteousness
Scorned by the ones He came to save
'Til on that cross as Jesus died
The wrath of God was satisfied
For every sin on Him was laid
Here in the death of Christ I live
There in the ground His body lay
Light of the world by darkness slain
Then bursting forth in glorious Day
Up from the grave He rose again
And as He stands in victory
Sin's curse has lost its grip on me
For I am His and He is mine
Bought with the precious blood of Christ
No guilt in life, no fear in death
This is the power of Christ in me
From life's first cry to final breath
Jesus commands my destiny
No power of hell, no scheme of man
Can ever pluck me from His hand
'til He returns or calls me home
Here in the power of Christ I'll stand
segunda-feira, 21 de maio de 2012
trivial
Algumas amizades parecem simplesmente triviais, elementares, óbvias. É quando as conhecemos que temos aquele estalo de "Aaah... Então era isso que eu estava procurando...", por mais que grande parte do tempo não saibamos que estamos procurando alguma coisa. Parece que a partir do encontro dos nossos amigos, é como se um buraquinho que estivesse lá no canto mais escuro e rejeitado do nosso ser, se fechasse um pouco mais e começamos a enxergar nós mesmos sob uma nova ótica, a imagem de quem somos se torna um pouquinho mais completa.
É a partir desse momento em que começamos a entender frases de músicas do tipo "senti a sua falta minha vida inteira", mesmo quando não conhecíamos a pessoa antes.
Por mais que pareça papo de louco, vai lá ver se suas verdadeiras amizades não começaram naquela conversa, naquela pergunta, interesse ou assunto em comum em que você pensa: Onde você esteve a minha vida inteira?
É a partir desse momento em que começamos a entender frases de músicas do tipo "senti a sua falta minha vida inteira", mesmo quando não conhecíamos a pessoa antes.
Por mais que pareça papo de louco, vai lá ver se suas verdadeiras amizades não começaram naquela conversa, naquela pergunta, interesse ou assunto em comum em que você pensa: Onde você esteve a minha vida inteira?
domingo, 13 de maio de 2012
Ohana
Estando 'órfã' nas últimas semanas, muitas coisas tem passado pela minha cabeça já que não tenho visto minha família e estou também fisicamente bem longe de todos. Ocasionalmente converso com minha irmã ou troco umas palavras com minha prima, mas nada muito além disso... porém foi junto com isso que comecei a perceber que eu tinha família, aqui perto, e só não estava realmente olhando muito pra isso.
No filme Lilo e Stitch, uma frase dita é "Ohana quer dizer família, família quer dizer nunca mais abandonar ou esquecer", então os que não abandonam, os que não esquecem, os que ficam por perto mesmo que longe, são família também. Não são só os que dividem nossa genética, não depende de laços sanguíneos.
Fui adotada e acolhida por uma família alternativa, incrivelmente variada... mas ontem, sentada no sofá estranho do H8, conversando com meus queridos abuenses, percebi que estar em casa, estar no seu lar, não exige uma construção, ou qualquer tipo de objeto, móvel ou artigo material. Onde o seu coração está, aí é o seu lar.
No filme Lilo e Stitch, uma frase dita é "Ohana quer dizer família, família quer dizer nunca mais abandonar ou esquecer", então os que não abandonam, os que não esquecem, os que ficam por perto mesmo que longe, são família também. Não são só os que dividem nossa genética, não depende de laços sanguíneos.
Fui adotada e acolhida por uma família alternativa, incrivelmente variada... mas ontem, sentada no sofá estranho do H8, conversando com meus queridos abuenses, percebi que estar em casa, estar no seu lar, não exige uma construção, ou qualquer tipo de objeto, móvel ou artigo material. Onde o seu coração está, aí é o seu lar.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
fight/flight
Luta ou fuga: essas são as duas funções do sistema nervoso simpático. Em uma situação de perigo ele se ativa jorrando adrenalina na sua corrente sangüínea causando vaso constrição periférica e vasodilatação dos músculos estriados. A frequência cardíaca aumenta, e consequentemente respiratória também. Atenção, concentração. Nossa sobrevivência em grande parte depende desse sistema todo.
Atiçado, ele avalia as circunstâncias e decide se nós deveríamos ficar e lutar ou se é melhor correr. Uma série de aspectos estão envolvidos nessa decisão: desde moralidade, instintos, até sentimentos. Tudo influencia na decisão.
Acontece, que recentemente eu tinha tomado a decisão de fuga, sair daqui, desapegar, desencanar. Cair fora, zarpar. Todos os documentos possíveis foram entregues, todas as perguntas foram feitas, mas nem toda atenção e cuidado no mundo bastaram para que minha candidatura ao CsF fosse homologada, e fui surpreendida com a impossibilidade de fuga.
Tudo que ia deixar pra trás, ficará aqui. Do meu lado, me lembrando de sua existência. Uma sombrinha em cima de mim, um peso. Algo pra me lembrar: "ei, você ainda não lidou comigo. Não pode me ignorar pra sempre..."
Pois é. Escolhi fuga, mas no final estou vendo que restarei com a luta.
* * * * *
Atiçado, ele avalia as circunstâncias e decide se nós deveríamos ficar e lutar ou se é melhor correr. Uma série de aspectos estão envolvidos nessa decisão: desde moralidade, instintos, até sentimentos. Tudo influencia na decisão.
Acontece, que recentemente eu tinha tomado a decisão de fuga, sair daqui, desapegar, desencanar. Cair fora, zarpar. Todos os documentos possíveis foram entregues, todas as perguntas foram feitas, mas nem toda atenção e cuidado no mundo bastaram para que minha candidatura ao CsF fosse homologada, e fui surpreendida com a impossibilidade de fuga.
Tudo que ia deixar pra trás, ficará aqui. Do meu lado, me lembrando de sua existência. Uma sombrinha em cima de mim, um peso. Algo pra me lembrar: "ei, você ainda não lidou comigo. Não pode me ignorar pra sempre..."
Pois é. Escolhi fuga, mas no final estou vendo que restarei com a luta.
* * * * *
terça-feira, 8 de maio de 2012
more than words
Saying 'I Love you'
Is not the words I want to hear from you
It's not that I want you not to say
But if you only knew
How easy it would be to show me how you feel
More than words
Is all you have to do to make it real
Then you wouldn't have to say
That you love me 'cause I'd already know
What would you do if my heart was torn in two?
More than words to show you feel
That your love for me is real
What would you say if I took those words away?
Then you couldn't make things new
Just by saying 'I love you'
More than words
Now that I've tried to
Talk to you and make you understand
All you have to do is
Close your eyes and just reach out your hands
And touch me, hold me close
Don't ever let me go
More than words
Is all I ever needed you to show
Then you wouldn't have to say
That you love me 'cause I'd already know
What would you do if my heart was torn in two?
More than words to show you feel
That your love for me is real
What would you say if I took those words away?
Then you couldn't make things new
Just by saying 'I love you'
Is not the words I want to hear from you
It's not that I want you not to say
But if you only knew
How easy it would be to show me how you feel
More than words
Is all you have to do to make it real
Then you wouldn't have to say
That you love me 'cause I'd already know
What would you do if my heart was torn in two?
More than words to show you feel
That your love for me is real
What would you say if I took those words away?
Then you couldn't make things new
Just by saying 'I love you'
More than words
Now that I've tried to
Talk to you and make you understand
All you have to do is
Close your eyes and just reach out your hands
And touch me, hold me close
Don't ever let me go
More than words
Is all I ever needed you to show
Then you wouldn't have to say
That you love me 'cause I'd already know
What would you do if my heart was torn in two?
More than words to show you feel
That your love for me is real
What would you say if I took those words away?
Then you couldn't make things new
Just by saying 'I love you'
Apos o show de talentos no acampamento, alguns dos aparatos e instrumentos continuaram montados no palco, e um pessoal comecou a fazer um pos-show. Uma das garotas comecou a cantar essa musica, que fazia muito tempo que eu nao escutava. Cheguei em casa e fui ouvi-la novamente, e comecei a perceber quao incrivelmente pertinente e' essa letra - nao apenas no aspecto romantico, mas em todos os aspectos relacionais, desde familia, ate amigos e inclusive relacionamentos amorosos.
Ela aponta muito pras palavras bonitas, mas na verdade sem muito fundamento, que usamos - 'te amo, estou com saudades' dentre outras. Pode ser legal ouvir vez ou outra, mas o falar muito nao dizer nada acaba sendo desgastante, acaba que as acoes valorizam as palavras, mas as palavras sem acoes perdem significado. Entao, como e' dito nos versos "Saying 'I Love you'/Is not the words I want to hear from you/It's not that I want you not to say", nao e' que ninguem queira ouvir as palavras, mas querem ouvir quando e' a verdade e ha' fundamentos por tras disso - fundamentos que se manifestam de outras formas tambem.
No verso ' what would you do if my heart was torn in two' aponta o aspecto que quando uma pessoa realmente ama outra, ela se importa com seu bem estar e faria algo a respeito do estado supracitado, e atraves de coisinhas assim nem seriam necessarias as palavras.
domingo, 6 de maio de 2012
Aguarde... recalculando rota
Na sexta-feira passada tive que pegar um táxi, e elementarmente começou aquela conversa de convenções sociais sobre o clima e tudo o mais. O taxista disse "É, seria bom se a gente tivesse um botãozinho que apertava pra mudar o clima!" daí eu disse "Xi, mas a gente não ficaria satisfeito nunca..." "É verdade, daria muita briga, cada um ia querer de um jeito!" "Só ver as coisas sobre as quais a gente tem controle quanto rolo dá, imagina se tivéssemos controle sobre coisas grandes..." "É, olha a gente como briga por um controle remoto por exemplo. Deus sabe mesmo o que faz quando não nos dá controle".
Puxa, isso me fez pensar muito, muito mesmo. Reclamamos de não ter controle sobre a vida, mas qual é a alternativa? Ter controle sobre tudo. Que caos que seria o mundo! Poderia não haver tristeza, mas também haveria muitas discórdias, brigas, rancor, que mesmo a alegria sufocar-se-ia.
Não termos o controle foi justamente uma das grandes sacadas de Deus! Podemos escolher como lidar com a situação, mas não alterar direta e magicamente a situação, é genial quando vamos parar pra pensar.
O problema é que a gente se rebate e reclama, quer controle e se desespera... Na rotina, exigências e responsabilidades começa a se perder. E se perde mais, e mais, seguindo nossa intuição (ou pânico). Mas, às vezes, só o que a gente precisa é parar, pensar e recalcular a rota. Encarar o fato que não temos controle, que não podemos concertar tudo, resolver tudo. Ficar se mutilando emocionalmente não vai levar a absolutamente nada. Pára, pensa, recalcula e prossegue.
* * * * *
Puxa, isso me fez pensar muito, muito mesmo. Reclamamos de não ter controle sobre a vida, mas qual é a alternativa? Ter controle sobre tudo. Que caos que seria o mundo! Poderia não haver tristeza, mas também haveria muitas discórdias, brigas, rancor, que mesmo a alegria sufocar-se-ia.
Não termos o controle foi justamente uma das grandes sacadas de Deus! Podemos escolher como lidar com a situação, mas não alterar direta e magicamente a situação, é genial quando vamos parar pra pensar.
O problema é que a gente se rebate e reclama, quer controle e se desespera... Na rotina, exigências e responsabilidades começa a se perder. E se perde mais, e mais, seguindo nossa intuição (ou pânico). Mas, às vezes, só o que a gente precisa é parar, pensar e recalcular a rota. Encarar o fato que não temos controle, que não podemos concertar tudo, resolver tudo. Ficar se mutilando emocionalmente não vai levar a absolutamente nada. Pára, pensa, recalcula e prossegue.
* * * * *
terça-feira, 1 de maio de 2012
Rascunho
"A razão pela qual é tão difícil amar de novo uma vez que se teve o coração partido é que, quando amamos, empacotamos humildemente todo o nosso estoque de amor e enviamos para alguém na esperança que seja bem recebido pelo destinatário. Sem extravegâncias, embrulhos sofisticados ou laços de fita. Apenas enviamos na simplicidade do sentimento.
Às vezes ele o recebe e responde ao remetente, e há uma troca dos estoques, e assim segue durante o relacionamento. Mas, a partir do momento que um recebe o pacote e não responde aos embrulhos, o remetente perde tudo aquilo que tinha e só a partir de pequenos embrulhos, grande parte do tempo sem remetente, ao longo do tempo vai renovando o estoque de amor, até que esse seja suficiente para amar novamente e tentar postar a confiança e coração para outro - isto é, se conseguir entregar tudo o que tem superando o medo de perder tudo de novo."
Encontrei isso nas minhas anotações e devaneios antigos, decidi compartilhar com vocês.
domingo, 29 de abril de 2012
Sou um passarinho.
Então aqui estava eu pensando novamente, como sempre faço em demasia. Hoje na igreja foi dia de batismo, os que foram batizados foram contar suas respectivas experiências de vida que o levaram àquele momento e eu comecei a pensar, se fosse eu, o que eu diria? O que nos meus 20 anos de existência seria digno de nota? E eu pensei, pensei, e, ao contrário de muitos deles, uma das coisas mais marcantes da minha vida não foi um retiro, acampamento, pregação. Não foi uma pessoa em específico. Uma das coisas que mais me marcou - e ainda o faz - são os passarinhos, as simpatissíssimas rolinhas que vêm à minha varanda.
Estou aqui olhando pra varanda enquanto escrevo e conto mais de 20 passarinhos que não estão escondidos atrás das cortinas rendadas (e excepcionalmente britânicas). Eles não se espantam mais com a nossa presença, ficam contentes, sentados um ao lado do outro, cutucando as próprias penas, com estas estufadas da camada de ar para isolá-los do vento frio da selva de concreto.
Fico pensando no passarinho que invadiu aqui às duas da manhã, naquele primeiro que ficou no parapeito da minha janela me observando, também penso nos dois que ficaram presos aqui dentro o outro dia, e se espantaram quando fui tentar ajudá-los e ficaram voando contra o vidro.
Fico pensando que grande parte do tempo, ao invés de ser o passarinho que não se preocupa com o que vai acontecer amanhã, sou o passarinho que fica voando contra o vidro quando poderia muito bem estufar minhas penas, sentar, contente, aproveitar a vista, curtir enquanto espero pacientemente pra alguém abrir a porta.
Chega de dar com o bico no vidro.
* * * * *
So don't sit back and watch the days go by
Are you ever gonna live before you die?
And when things fall apart
The world has come undone
Leave it all behind
Leave the loneliness alone
You wait forever blind
So come on and leave the years
When you watched the days go by
Come on and leave the fears
That you were afraid to find
'Cause while you wait inside
The days go by
So all the memories fade
And the days go by
Forget the lonely yesterdays in mind
I know it's never gonna be the way you like
I know you don't wanna think about the endlessness you find
You wait forever blind
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Good day
Resultados do IELTS, sendo a nota máxima 9.0:
Speaking - 9.0
Reading - 8.0
Writing - 8.5
Listening - 9.0
Speaking - 9.0
Reading - 8.0
Writing - 8.5
Listening - 9.0
Resolvi diversas pendências, recebi esse resultado e assisti o filme Os Vingadores na estréia. Um bom dia, sobre o qual discorrerei futuramente, considerando que noite passada fui dormir às 4:00 e hoje estou zumbizando. Ficam aí uns trechos de minha mais recente leitura, Madame Bovary de Gustave Flaubert.
"Ficou até a noite perdido em um devaneio doloroso. Ela o amara, afinal."
"Havia uma esperança sem alvo, uma felicidade vaga; achava seu próprio rosto mais agradável ao pentear as costeletas diante do espelho."
"... mas a ousadia de seu desejo protestou contra a submissão de sua conduta, e, por uma espécie de hipocrisia ingênua, estimou que essa proibição de vê-la fosse como que o direito de amá-la."
"Talvez tivesse desejado confiar todas aquelas coisas com alguém. Mas como contar um mal-estar inacessível, que muda de aspecto como as nuvens, que redemoinha como o vento? Faltavam-lhe as palavras, a ocasião e a ousadia."
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Pessoas grandes
As pessoas grandes não passam de crianças teimosas e preocupadas com coisas que estão fora de seu controle.
amnesia and anestesia
Às vezes a mudança de rotina é a coisa mais próxima de amnésia que conhecemos, e o novo só o que conseguimos fazer passar por anestesia.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Don't understand
A gente às vezes fica que nem bobo, olhando pela janela, porque tem medo do que vai ver se olhar pra dentro de si.
* * * * *
* * * * *
I built another temple to a stranger
I gave away my heart to the rushing wind
I set my course to run right into danger
Sought the company of fools instead of friends
You know I've been unfaithful
Lovers and lies
While you're turning over tables with the rage of a jealous kind
I chose the gallows to the aisle
Thought that love would never find
Hanging ropes will never keep you
And your love of a jealous kind
Love of a jealous kind
Trying to jump away from rock that keeps on spreading
For solace in the shift of the sinking sand
I'd rather feel the pain all too familiar
Than to be broken by a lover I don't understand
'Cause I don't understand
I gave away my heart to the rushing wind
I set my course to run right into danger
Sought the company of fools instead of friends
You know I've been unfaithful
Lovers and lies
While you're turning over tables with the rage of a jealous kind
I chose the gallows to the aisle
Thought that love would never find
Hanging ropes will never keep you
And your love of a jealous kind
Love of a jealous kind
Trying to jump away from rock that keeps on spreading
For solace in the shift of the sinking sand
I'd rather feel the pain all too familiar
Than to be broken by a lover I don't understand
'Cause I don't understand
domingo, 22 de abril de 2012
Living on a prayer
"Ouve, ó Eterno, estou chamando com toda a minha força:
"Sê bondoso para comigo! Responde-me!"
Quando meu coração sussurra: "Busque a Deus",
todo o meu ser responde: "Agora mesmo".
Por isso, não te escondas de mim!
Tu sempre estiveste por perto para me ajudar:
não vires as costas para mim agora.
Não me deixes de fora, não me abandones:
tu sempre mantiveste a porta aberta.
Meu pai e minha mãe foram embora e me deixaram,
mas o Eterno me acolheu.
Diga-me qual estrada é a tua, ó Eterno;
conduz-me por uma rua bem iluminada;
mostra aos meus inimigos que ao meu lado estás."
Sl. 27:7-11 (MSG)
"Sê bondoso para comigo! Responde-me!"
Quando meu coração sussurra: "Busque a Deus",
todo o meu ser responde: "Agora mesmo".
Por isso, não te escondas de mim!
Tu sempre estiveste por perto para me ajudar:
não vires as costas para mim agora.
Não me deixes de fora, não me abandones:
tu sempre mantiveste a porta aberta.
Meu pai e minha mãe foram embora e me deixaram,
mas o Eterno me acolheu.
Diga-me qual estrada é a tua, ó Eterno;
conduz-me por uma rua bem iluminada;
mostra aos meus inimigos que ao meu lado estás."
Sl. 27:7-11 (MSG)
sábado, 21 de abril de 2012
assimila, dissimula, tumultua
Conforme estava falando com a minha orientadora, grande parte do tempo parar é a pior coisa que podemos fazer, porque parar dá ainda mais espaço pra pensar, pra assimilar os acontecimentos e eventos. Pensa, pensa, pensa, não para a cabeça presa no ócio.
Isso acaba desgastando desnecessariamente, é quase como se na correria do século XXI tivéssemos nos esquecido como é parar pra pensar, não pensar em uma tarefa ou problema intelectual, pensar por pensar. O pensar tornou-se cansativo ao mesmo tempo que o esforço físico muitas vezes significa descanso. Inverteram-se as coisas.
Uma vez assimulados os fatos, dissimulamos - nos ocupamos, os empurramos pra longe da cabeça, fugimos no trabalho intelectual ou braçal, negamos e brigamos.
Depois disso, tudo só se tumultua. Se não lidamos com as coisas, elas vão se acumulando, desorganizadas e bagunçadas, até o ponto em que não dá mais pra ver nada singularmente na cabeça, tudo vira uma massa única de caos.
A partir disso temos que escolher, guardar, rotular e desprezar para organizar... Ou deixar lá, acumulando.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Sobra tanta falta
Falta tanta coisa na minha janela como uma praia
Falta tanta coisa na memória como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência que me desespero
Sobram tantas meias verdades que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo
Sei lá se o que me deu foi dado
Sei lá se o que me deu já é meu
Sei lá se o que me deu foi dado ou se é seu
Vai saber se o que me deu, quem sabe
Vai saber, quem souber me salve
Vai saber o que me deu, quem sabe
Vai saber, quem souber me salve
Falta tanta coisa na memória como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência que me desespero
Sobram tantas meias verdades que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo
Sei lá se o que me deu foi dado
Sei lá se o que me deu já é meu
Sei lá se o que me deu foi dado ou se é seu
Vai saber se o que me deu, quem sabe
Vai saber, quem souber me salve
Vai saber o que me deu, quem sabe
Vai saber, quem souber me salve
quarta-feira, 18 de abril de 2012
knock, knock
Gosto de começar meu dia lendo enquanto tomo meu café da manhã, isso significa ou ler minha Bíblia ou ler minhas leituras diárias de C.S.Lewis.
Hoje, no caso, estava lendo um trecho de um livro do 'Jack', e achei ao mesmo tempo que cômico, muito interessante, me pôs a pensar:
"Por outro lado, [as Escrituras dizem]: "Batei e abrir-se-vos á". Mas em que medida "bater" significa espancar e esmurrar a porta feito um maníaco?"
- C.S.Lewis
Puxa vida, quantas vezes batemos, espancamos, esmurramos portas desnecessariamente... e comecei a pensar no texto Bíblico que contem essa afirmação: "Batei e abrir-se-vos á, buscareis e me achareis".
Quando batemos em uma porta, batemos como um sinal de dúvida e hesitação: se soubéssemos exatamente o que se passava do outro lado, nós não bateríamos na porta - entraríamos diretamente sem cerimônias no momento mais oportuno. Batemos para que uma voz nos deixe entrar, ou para nos dizer se há ou não alguém lá dentro e, se há, quem está lá.
Então quando Deus diz "Batei e abrir-se-vos á", não necessariamente significa que todas as coisas que você tentar na vida você obterá sucesso, todas as portas em que você bater se abrirão magicamente e todos os seus planos e sonhos sempre vão se realizar. Não, você bate na porta como uma tentativa. Deus pode abrí-la e, ao invés de você entrar em uma sala de estar, ficar no Hall de espera até que você esteja totalmente preparado pra ir à sala, ou então encaminhar-lhe diretamente à cozinha para ajudar no trabalho ou até mesmo apresentar-lhe um banquete muito além do chá com biscoitos que você esperava quando bateu inicialmente.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Quem, O que, Porque.
Vivemos em tempos tão terrivelmente solitários, que as pessoas parecem ter medo de estabelecer uma opinião, ou, às vezes, até de ter uma. Parece que as pessoas querem que todos as amem, e acham que a partir do momento em que uma opinião diverge, perderão seus 'amigos' ou qualquer bobagem assim.
O fato é que isso tudo acontece por causa dos relacionamentos superficiais facilmente afetados pelo intemperismo de uma discordância ou coisa do tipo, e isso está desencadeando toda uma geração morna e indecisa que não sabe bem o que é ou em que acreditam.
Aquilo em que acreditam, não sabem porque acreditam; aquilo que não tem opinião, é porque não sabem em que a maioria acredita. Mais gente com a 'minha' opinião, mais potenciais 'amigos'. Isso está construindo uma geração de camaleões, pessoas tão incapazes de acreditar - ou tão solitários -, que clamam acreditar como um meio de ser aceito nos grupos.
É quase como se a nossa sociedade estivesse em um momento em que tudo é tolerável, menos a intolerância - qualquer mentira tosca pode se passar por verdade, qualquer ilusão estúpida pode ser tratada como fato, simplesmente para nos mostrarmos mais tolerantes com tudo.
Acho que geralmente elas querem respeitar todas as opiniões, mas confundem isso com apoiar todas as opiniões, quando sabemos bem que há um abismo de diferença entre ambas as coisas. Posso muito bem respeitar um ladrão pelo fato dele ser um ser humano assim como eu e não violar seus direitos humanos sem em momento algum apoiar sua escolha em viver uma vida de crime.
Algo que explicita esses fatos bem é uma frase de Fernando Pessoa:
A fé, as opiniões, a crença, não são coisas que deveriam ser construídas baseadas no senso comum, mas na formação como indivíduo daquilo que você é. Tudo bem acreditar em outra coisa, tudo bem defender outra opinião. Com amor e respeito de todas as partes, tudo bem acreditar em outra coisa. Não há problema em concordar em discordar.
O fato é que isso tudo acontece por causa dos relacionamentos superficiais facilmente afetados pelo intemperismo de uma discordância ou coisa do tipo, e isso está desencadeando toda uma geração morna e indecisa que não sabe bem o que é ou em que acreditam.
Aquilo em que acreditam, não sabem porque acreditam; aquilo que não tem opinião, é porque não sabem em que a maioria acredita. Mais gente com a 'minha' opinião, mais potenciais 'amigos'. Isso está construindo uma geração de camaleões, pessoas tão incapazes de acreditar - ou tão solitários -, que clamam acreditar como um meio de ser aceito nos grupos.
É quase como se a nossa sociedade estivesse em um momento em que tudo é tolerável, menos a intolerância - qualquer mentira tosca pode se passar por verdade, qualquer ilusão estúpida pode ser tratada como fato, simplesmente para nos mostrarmos mais tolerantes com tudo.
Acho que geralmente elas querem respeitar todas as opiniões, mas confundem isso com apoiar todas as opiniões, quando sabemos bem que há um abismo de diferença entre ambas as coisas. Posso muito bem respeitar um ladrão pelo fato dele ser um ser humano assim como eu e não violar seus direitos humanos sem em momento algum apoiar sua escolha em viver uma vida de crime.
Algo que explicita esses fatos bem é uma frase de Fernando Pessoa:
"A geração atual não acredita em Deus pelo mesmo motivo que a de seus pais acreditava: sem saber o por quê."
A fé, as opiniões, a crença, não são coisas que deveriam ser construídas baseadas no senso comum, mas na formação como indivíduo daquilo que você é. Tudo bem acreditar em outra coisa, tudo bem defender outra opinião. Com amor e respeito de todas as partes, tudo bem acreditar em outra coisa. Não há problema em concordar em discordar.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Society
It's a mystery to me
we have a greed
with which we have agreed
You think you have to want
more than you need
until you have it all you won't be free
Society, you're a crazy breed
I hope you're not lonely without me
When you want more than you have
you think you need
and when you think more than you want
your thoughts begin to bleed
I think I need to find a bigger place
'cos when you have more than you think
you need more space
Society, you're a crazy breed
I hope you're not lonely without me
Society, crazy and deep
I hope you're not lonely without me
There's those thinking more or less less is more
but if less is more how you're keeping score
Means for every point you make
your level drops
kinda like it's starting from the top
you can't do that...
Society, you're a crazy breed
I hope you're not lonely without me
Society, crazy and deep
I hope you're not lonely without me
Society, have mercy on me
I hope you're not angry if I disagree
Society, crazy and deep
I hope you're not lonely without me
we have a greed
with which we have agreed
You think you have to want
more than you need
until you have it all you won't be free
Society, you're a crazy breed
I hope you're not lonely without me
When you want more than you have
you think you need
and when you think more than you want
your thoughts begin to bleed
I think I need to find a bigger place
'cos when you have more than you think
you need more space
Society, you're a crazy breed
I hope you're not lonely without me
Society, crazy and deep
I hope you're not lonely without me
There's those thinking more or less less is more
but if less is more how you're keeping score
Means for every point you make
your level drops
kinda like it's starting from the top
you can't do that...
Society, you're a crazy breed
I hope you're not lonely without me
Society, crazy and deep
I hope you're not lonely without me
Society, have mercy on me
I hope you're not angry if I disagree
Society, crazy and deep
I hope you're not lonely without me
Wet
Resolvi milhões de pendências hoje, desde a máquina de lavar, até passaporte e ir no oftalmo (pois é, estou um pouquinho mais cegueta!), e é um grande alívio ir liquidando as coisas que nos preocupam ou que ficamos tentando resolver.
Um bom dia ao final de uma semana oscilatória, mas no final, o saldo final de tudo é sempre mais positivo que mil divãs....
Eu estou falando, metrô de São Paulo é mega inspirador! Abaixo está minha tosca produção do dia!
Um bom dia ao final de uma semana oscilatória, mas no final, o saldo final de tudo é sempre mais positivo que mil divãs....
Eu estou falando, metrô de São Paulo é mega inspirador! Abaixo está minha tosca produção do dia!
terça-feira, 10 de abril de 2012
Rust
Dearest readers,
I am very sorry for this inconvenience, however since my IELTS exam is approaching rappidly, I absolutely must practice my english, so for the next few days, my posts shall be in English. Please try imagining a british accent, or and irish accent so that this will be remotely more interesting than all that american nonsense.
Yours,
Mel
* * * * *
I am very sorry for this inconvenience, however since my IELTS exam is approaching rappidly, I absolutely must practice my english, so for the next few days, my posts shall be in English. Please try imagining a british accent, or and irish accent so that this will be remotely more interesting than all that american nonsense.
Yours,
Mel
* * * * *
Sometimes I wonder about doing some crazy, a little nonsensical things. One of these is something that is mentioned in a Jars of Clay song, "to fake your death and only tell your closest friends".
I have often wondered how people would react to this event, it would almost be an actual test as to who really are the closest friends. Who would be affected, who would coldly carry on indifferently, who would actualy give enough of a damn to even go to a funeral.
However, the best part in this - although watching this would be rather amusing - would be the absolute and utter freedom. The not having people telling me what to do, to be able to backpack through Europe, to live with no tomorrow to worry about - after all, no one else knows you are here today, why worry about tomorrow.
But then, when I came to think of it, not telling anyone would be simply...stupid. Foolish. For the true moments of happiness and being purely content are with those I love, not running the whole world around me. It is still that I feel complete, when I am at peace in those moments, not in movement, desperately chasing the wind.
So, to fake your death and only tell your closest friends, you must identify your closest friends before the whole event takes place, not while doing it... so the whole thing loses its point. If you must know your friends before, and you will not find happiness living as a free spirit, just live as you are and let life take care of death.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
The L word
Duas tarefas muito importantes na ciência são a análise e interpretação de dados. Involuntariamente, eu pareço estar fazendo isso, criando alguns padrões malucos na minha cabeça na tentativa de separar o mundo em categorias, classes, cada grupo com suas características.
Um desses padrões que tenho observado é via compartilhamentos no facebook, e até percebi e comentei disso antes de, de fato, ponderar a respeito. Então cá estou eu, ponderando.
Por causa de trabalhar com crianças no acampamento, tenho elas no meu facebook e, portanto, recebo seus compartilhamentos na minha página inicial. Os meninos dificilmente compartilham muita coisa, geralmente são piadas ou referências ao futebol, pequenas bobagens, enquanto as meninas enchem - lotam mesmo - minha página de imagens românticas, fofas com frases sobre amor eterno, sobre provar amor todos os dias, sobre fidelidade, sobre 'esperar pelo que Deus tem preparado pra você', etc e tal. São umas frasesinhas de efeito bobocas sobre príncipes encantados e coisas que elas nem começam a compreender, a única coisa que, de fato, compreendem é os efeitos das inundações de hormônios precoce, e pensam que qualquer bobagem é aquele tal 'amor' que as suas histórias de princesas contam. Histórias de dependência, histórias de finais felizes, e, a maior parte do tempo, histórias de mentiras, ilusões.
Bem, daí chegamos ao grupo das meninas com seus dezesseis anos, seus posts em geral (repito, em geral, não necessariamente) começam a mudar. São sobre como o sofrimento as tornou mais fortes, mais frias, mas inteligentes e espertas. Sobre como não vão mais correr atrás, sobre como cansaram de amar, sobre como 'é melhor dormir porque amar é f*da e comer engorda'. Parece ser uma série de anos de ceticismo quanto ao amor, e atêm-se quase exclusivamente ao aspecto físico do gostar, quando atêm-se a isso.
Daí, chegamos aos vinte e poucos anos, em que ainda há umas esperançosas com imagens fofas, outras conformadas compartilhando imagens e piadas de forever alone, outras mandando a sociedade para o inferno e outras aceitando qualquer coisa, seja príncipe, seja vilão. E assim reduzem-se aos poucos os posts no facebook de acordo com que elas se encontram na vida: seja em um marido, seja no trabalho, nos estudos, seja onde for.
É peculiar esse processo cíclico, principalmente porque tenho minhas dúvidas se as pessoas que falam tanto de amor já o sentiram. Com o mesmo suspiro que você diz 'eu te amo' pra alguém, você diz 'eu amo aqueles sapatos' ou 'eu amo o meu carro'. Parece que o 'amo' que grande parte do tempo usamos, é o da coisificação do ser humano, não que personificamos as coisas.
Todos tornam-se coisas, substituíveis. As palavras tornam-se vazias, e ficamos a nos perguntar: aquele amor de que falam nossos avós, aciãos, ou até tios e talvez pais, será que está em extinção? Será que o conceito social que nos é ensinado do que é o amor não mudou ao longo dos anos? Não estamos confundindo as coisas e as pessoas?
É quase que como se estivéssemos perdendo nossa capacidade de identificar exatamente o que sentimos, naquela ansiedade toda de 'isso é bom, se é bom, deve ser amor', pode até ser, mas não necessariamente esse tipo de amor. O amor que vejo nos olhos da minha vó quando ela fala de quando meu vô andou de bicicleta atrás do ônibus em que ela estava porque ele não tinha dinheiro para duas passagens. O amor que a gente ouve tanto falar, que escreve histórias bonitas e de finais felizes. O amor que nunca desiste, altruísta, que não quer o que não tem, que não é esnobe, que não tem mente soberba, que não se impõe, não perde as estribeiras, não julga, não festeja quando os outros rastejam, tem prazer na verdade, tolerante. Confia em Deus, sempre procura o melhor, nunca olha para trás, mas prossegue até o fim.
O sentimento mais comentado no mundo, mas menos sentido também.
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