quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sobre gregos e troianos

Esse final de semana assisti pela primeira vez o filme 'Troia', aquela superprodução hollywoodiana com Brad Pitt e Orlando Bloom. Sei que a história foi mudada (a característica 'superprodução hollywoodiana' já implica nisso), mas no geral achei um filme bastante interessante pelo aspecto cultural da época.
Há diversas características da sociedade da época retratadas de forma bastante convincente no filme e que me fizeram pensar bastante.
Mais do que o aspecto religioso, ou de relacionamentos interpessoais (até porque isso provavelmente foi uma das coisas menos fiéis, já que 1. os espartanos em sua grande maioria eram homossexuais e só casavam pra ter filhos, casando com meninas com metade da idade deles 2. os casamentos dificilmente eram por amor, sentimentos ou coisas fofinhas - queriam filhos e pontoacabou), o aspecto da guerra me fez pensar bastante na nossa humanidade.
Via algumas cenas de batalha e ficava pensando nos séculos e séculos de guerras que assolam a humanidade, tudo por causa de glória, poder, egos. Pessoas morrendo, esposas se despedindo dos seus maridos e filhos com idade suficiente para serem guerreiros - ou assistindo eles batalharem à morte - dentro de sociedades machistas (salvo a espartana) sem saber o que seria delas.
Daí isso levou meus pensamentos às cruzadas, promovidas pela própria igreja. Lembrei da cruzada das crianças - em que o exército era todo de crianças porque acharam que Deus os ajudaria se fossem pessoas de coração puro batalhando.
Daí a partir desse pensamento de Deus, eu comecei a pensar no contexto dos israelitas no antigo testamento - era esse contexto de guerra que eles viviam, foram levados cativos diversas vezes, batalharam contra povos de incrível crueldade que quando dominavam uma cidade cortavam as mãos e pés dos homens aptos a batalhar e jogavam seus troncos no meio da cidade, de forma que não poderiam se salvar e morreriam diante de todos de hemorragia. Ou que cortavam as cabeças dos opositores e colocavam em pedaços de madeira ao redor da cidade. Ou abriam as barrigas das grávidas. Devo dizer que se reclamamos hoje da sociedade, eu não sei se gostaria de viver com medo do meu marido ou filho ir à guerra e morrer sem braços e pernas ou decaptado.
Mas de certa forma ainda havia um fairplay nas batalhas da antiguidade, um determinado código de conduta pra determinadas culturas que acho que pareciam mais razoáveis do que a incrível crutalidade, falta de ética e respeito que é tão comum hoje em dia. E pensando novalmente nos israelitas, eu percebi que eles eram um povo à parte - enquanto que a maioria dos outros povos lutava pela glória, honra, poder, pelo próprio ego, e recorriam aos deuses pra ter ajuda, os israelitas lutavam por Deus. E mesmo tendo sido levados cativos tantas vezes e indo à guerra tantas vezes (até hoje, inclusive), ainda assim são super bem sucedidos. Incrível.
Em nome de quem temos lutado as nossas batalhas? Será que a gente não só chama o nome de Deus como os gregos chamavam seus deuses, como os troianos chamavam Apolo?

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