quinta-feira, 27 de setembro de 2012

The good, the bad and the ugly

Minha orientadora vive me falando que sentimentos bonitos não levam a nada. Que são os sentimentos feios que nem frustração, raiva, ódio que nos estimulam o suficiente pra mudar o nosso estado pra melhor. Primeiro, eu comecei a pensar em todas as vezes que esses sentimentos classificados como feios me fizeram mudar minha situação - provas que estudei e passei, conquistas... Comecei a pensar que talvez fosse de fato assim.
Mas daí percebi que são os sentimentos bonitos que subsistem as coisas boas. Às vezes é necessária uma frustração ou outra pra nos estimular a mudar a situação, mas dificilmente essas coisas duram ou são abrangentes - são coisas intensas, momentâneas e isoladas. O sentimentos bonitos - amor, alegria, paciência, humildade - são os que nos fazem querer mudar pra melhor e continuar assim, melhores. 
São sentimentos que perduram e que nos fazem querer sermos pessoas melhores em todos os aspectos, de forma mais harmoniosa, ponderada e generalizada. Quando você quer felicidade, você vai atrás daquilo que precisa pra isso, mas a coexistência disso com amor te faz fazer isso de maneira correta e que não faça mal àqueles que te cercam - o que te fará ter paciência com eles, mesmo que você ainda esteja naquela busca inicial de felicidade. Daí você fica mais humilde, e tem domínio próprio e... e... eu percebi que as coisas bonitas que eu listava já estavam listadas como o Fruto do Espírito, em Gálatas.
E, diferentemente do pensamento geral, de fato é no singular que é descrito - o - fruto do Espírito, não - os. E eu percebi que cada um desses sentimentos bonitos se completa formando no final algo delicioso para quem produz e para quem está por perto - ele precisa de todas essas coisas funcionando juntas pra ser ele, e a partir disso conseguimos muito mais do que com aqueles sentimentos feios e humanos. 

Posso não ter um pós-doc, mas ainda prefiro a minha teoria.

sábado, 22 de setembro de 2012

Teorias de tempo

Tenho uma teoria de que o tempo é um cara muito maldoso ou muito traumatizado. Vai ver ele sofreu alguma desilusão familiar por sempre esquecerem que ele é a quarta dimensão e só consideram as três dimensões do espaço.
Porque só assim consigo ter base para a teoria de que quando nós estamos felizes, naqueles momentos 'eupoderiamorrerdefelicidadeagora', ele vai embora mais rápido - como se estivesse fugindo da gente. E daí, quando estamos cansados, sobrecarregados, desanimados... ele passa em uma lentidão incrível.

Tempo, por que você gosta de ser tão cruel?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sobre gregos e troianos

Esse final de semana assisti pela primeira vez o filme 'Troia', aquela superprodução hollywoodiana com Brad Pitt e Orlando Bloom. Sei que a história foi mudada (a característica 'superprodução hollywoodiana' já implica nisso), mas no geral achei um filme bastante interessante pelo aspecto cultural da época.
Há diversas características da sociedade da época retratadas de forma bastante convincente no filme e que me fizeram pensar bastante.
Mais do que o aspecto religioso, ou de relacionamentos interpessoais (até porque isso provavelmente foi uma das coisas menos fiéis, já que 1. os espartanos em sua grande maioria eram homossexuais e só casavam pra ter filhos, casando com meninas com metade da idade deles 2. os casamentos dificilmente eram por amor, sentimentos ou coisas fofinhas - queriam filhos e pontoacabou), o aspecto da guerra me fez pensar bastante na nossa humanidade.
Via algumas cenas de batalha e ficava pensando nos séculos e séculos de guerras que assolam a humanidade, tudo por causa de glória, poder, egos. Pessoas morrendo, esposas se despedindo dos seus maridos e filhos com idade suficiente para serem guerreiros - ou assistindo eles batalharem à morte - dentro de sociedades machistas (salvo a espartana) sem saber o que seria delas.
Daí isso levou meus pensamentos às cruzadas, promovidas pela própria igreja. Lembrei da cruzada das crianças - em que o exército era todo de crianças porque acharam que Deus os ajudaria se fossem pessoas de coração puro batalhando.
Daí a partir desse pensamento de Deus, eu comecei a pensar no contexto dos israelitas no antigo testamento - era esse contexto de guerra que eles viviam, foram levados cativos diversas vezes, batalharam contra povos de incrível crueldade que quando dominavam uma cidade cortavam as mãos e pés dos homens aptos a batalhar e jogavam seus troncos no meio da cidade, de forma que não poderiam se salvar e morreriam diante de todos de hemorragia. Ou que cortavam as cabeças dos opositores e colocavam em pedaços de madeira ao redor da cidade. Ou abriam as barrigas das grávidas. Devo dizer que se reclamamos hoje da sociedade, eu não sei se gostaria de viver com medo do meu marido ou filho ir à guerra e morrer sem braços e pernas ou decaptado.
Mas de certa forma ainda havia um fairplay nas batalhas da antiguidade, um determinado código de conduta pra determinadas culturas que acho que pareciam mais razoáveis do que a incrível crutalidade, falta de ética e respeito que é tão comum hoje em dia. E pensando novalmente nos israelitas, eu percebi que eles eram um povo à parte - enquanto que a maioria dos outros povos lutava pela glória, honra, poder, pelo próprio ego, e recorriam aos deuses pra ter ajuda, os israelitas lutavam por Deus. E mesmo tendo sido levados cativos tantas vezes e indo à guerra tantas vezes (até hoje, inclusive), ainda assim são super bem sucedidos. Incrível.
Em nome de quem temos lutado as nossas batalhas? Será que a gente não só chama o nome de Deus como os gregos chamavam seus deuses, como os troianos chamavam Apolo?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Equacionando.

Ontem fui ajudar a aplicar o vestibulinho do CasD. Precisavam de ajuda, entao fui meio de feliz - sem saber exatamente o que deveria fazer, mas fui. Foi interessante, ver os alunos tremendo, uns meio receosos, outros meio querendo te desafiar... Mas foi tudo bem tranquilo. Um tom baixo, educado e firme bastava. 
Tive 4 horas pra observar eles e refletir, fiquei pensando na minha epoca de vestibulanda e eu comecei a pensar muito a respeito de muitas coisas. 

Cheguei a conclusao que relacionamentos e estudos talvez tenham mais a ver um com o outro do que aparentam. 
O vestibular, por exemplo, e' invejado por uns universitarios. "Foi a ultima prova facil que fiz na minha vida!"  Mas, dada a escolha, raros seriam os que de fato voltariam aquilo. A dificuldade da vida universitaria, noites varadas, notas bizarras e professores doidos nao tira o valor daquilo, de estar vivendo (e estudando) aquilo que voce um dia escolheu - a nao ser que tenha feito uma ma' escolha.

Da mesma forma, muitos falam bem da paixao inicial dos casais, do primeiro amor, que essa e' a melhor parte... mas viver isso de novo e de novo seria como viver um eterno vestibular - cansativo, emocionalmente insustentavel. O relacionamento duradouro (o casamento, por exemplo) tambem tem suas dificuldades, mas, contanto que voce tenha feito a escolha certa, provavelmente nao trocaria isso pelas novidades da incerteza e paixao.

Ficar procurando um novo amor toda hora e' como ficar resolvendo equacoes de primeiro grau repetidamente; e' necessario passar adiante pra proxima licao, equacoes de segundo grau, derivadas, limites e integrais - pra voce poder tirar o maximo de proveito daquilo que voce tem drenando todas as informacoes possiveis. 

Mas dai, e' so' uma impressao de quem ainda nao viveu o suficiente pra falar se e' assim mesmo. Fale comigo em alguns anos e falo se acertei ou nao, ou se so' era o calor da sala de aula que comecou a desnaturar minhas enzimas e proteinas e afetou minhas funcoes cognitivas. 

sábado, 8 de setembro de 2012

Bucket list.

Às vezes precisamos de um reboot, mudar o nosso modo de funcionamento. Normalmente isso se dá após um período de transição - por exemplo, espiritualmente, às vezes precisamos de um acampamento pra parar focar naquilo e recuperar as forças, ou um feriado pra dar um reboot de trabalho e estudos pra reestabelecer o foco nos objetivos quando voltamos. Similarmente, às vezes precisamos nos desligar do mundo com as pessoas certas pra nos fazer reavaliar tudo - e daí você percebe que todas aquelas coisas que parecem sugar seu tempo e que você tem prioridade não passam de pequenas distrações que atrapalham brutalmente a vida.
Deus, trabalho duro (seja trabalhando mesmo ou estudando) e pessoas que você ama te dando total apoio - isso é só o que precisamos. O resto a gente dá um jeito.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sugou infinito!

Acabou a greve, mas os experimentos estão a mil no laboratório, sem contar ABU, vida pessoal e propostas de participar do CA do bct.

"V, is this the anarchy you have been talking about?"
"No, Evey. This is chaos."