A vida
definitivamente é extremamente dinâmica - se não fosse, a morte já a teria
vencido em todas as formas. Contudo, o fato de ela ser adaptável normalmente
implica que haverá mudanças que exigirão essa adaptação, desde o rápido
desenvolvimento de um bebê que em 10 meses passa de uma bolinha cor de rosa que
dorme 16 horas por dia para uma pequena criatura que aprende a se locomover e
falar, até as mudanças que acontecem ao longo das nossas vidas – pessoas que
ficam pra trás, etapas que terminam, outras etapas começam.
Contudo, as
mudanças só exprimem sua total capacidade maléfica ou benéfica de nos moldar uma
vez que as compreendemos. Um bebê aprende a andar porque é isso que ele faz,
ele imita. Ele não quer ficar eternamente deitado quando ele pode explorar um
mundo mais explêndido que seu berço. Mas quanto mais crescemos, aprendemos e
observamos, mais queremos ficar presos aos nossos berços – aos nossos estados
confortáveis onde nossas necessidades estão sendo satisfeitas. Não queremos
aquilo que desconhecemos.
Quanto mais
velha vou ficando, percebo que ao final de cada etapa um novo sentimento se
instala, diferente daquele que se instalava antes. Antes, quando terminei a
pré-escola, a quarta série, a oitava série, eu lembro da sensação de euforia e
de expectativa pelo futuro, ansiedade por seguir em frente – mesmo que eu não
pensasse muito sobre o que estava ‘em frente’.
Mas percebi
ao observar alguns colegas se formando, ao ver novas oportunidades se
manifestando de repente, que em vez de a euforia estar com a ansiedade, a
euforia está de mãos dadas com a saudade. Me encontro antecipando com medo o futuro, me
prendendo com amor ao passado e ainda tentando viver o presente nas horas
vagas. Quero prender o que tenho com o que posso ter nas minhas mãos e segurar
tudo com toda a minha força pra que não precise soltar de nada e possa levar tudo
adiante. Mas posso? Acontece que a vida não nos permite levar malas, nela só
cabe a bagagem de mão, e preferencialmente nem isso.
A vida não espera pra você fazer as malas, se despedir ou se decidir. Ela vai. Você pensou que fizesse parte dela, que fosse uma peça fundamental nela... mas não é. É por isso que ela existe e persiste, porque ela segue adiante no seu próprio compasso, e quem quiser que acompanhe. Se ela sente saudade? Gosto de acreditar que sim. Gosto de acreditar que ela vê as coisas de um jeito diferente, que com a experiência ela aprendeu a ver as coisas entendendo mais que a gente. Entendendo que aquilo que importa não é um fardo, aquilo que deve ser guardado não precisa ser empacotado ou despedido. Aquilo que vale à pena a gente carrega na gente, e não tem como prender nas mãos aquilo que só cabe no coração.