segunda-feira, 31 de outubro de 2011

ElectricTwist

Escrevi um post todo sobre meu passado e antigos fotologs que estava fuçando, mas não tive moral de postar, lol. O post estava tão ridiculamente patético quanto meus antigos posts!
gostaria de recomendar-lhes uma outra cantora que encontrei e gostei bastante.
A fine frenzy é o nome da 'banda' eu acho, mas a banda é uma moçoila com músicas muito boas, desde You picked me, até Almost lover e Ashes and Wine. A que trouxe, porém, é um pouco mais divertida que essas que são mais pianinho: Electric Twist. Clipe engraçado, letra mais engraçada e aqui está!

 






domingo, 30 de outubro de 2011

lemniscate


Christianity, if false, is of no importance, and if true, of infinite importance. The only thing it cannot be is moderately important.

[C.S.Lewis]

sábado, 29 de outubro de 2011

Mine, mine, mine.

É bastante comum as pessoas me perguntarem qual o significado do meu anel, usualmente o confundem com aliança de namoro. Confesso que nem sempre sou plenamente clara em explicar sua função simplesmente porque se digo qual é o versículo nele escrito, é entendido como sendo aliança de namoro e, bem, evita certos incômodos e stalkeamentos. Ou não.
Primeiramente, para os que nunca o viram, repararam, perceberam, questionaram, refiro-me a um anel em aço que tenho que tem escrito em hebraico o versículo de Cantares "Eu sou para o meu amado, meu amado é para mim".
Mas decidi listar aqui a importância deste simpatissíssimo companheiro de meu dedo direito anelar.

Primeiramente: Quem é o amado? Estranho? Talvez, mas eu vejo como Deus sendo o meu amado. Bem, como um filho que ama o pai ou a obra de arte que vive em função do artista, é assim que vejo o relacionamento. Dinâmico, com altos e baixos.
Me lembra que eu sou para ele assim como ele é pra mim, uma certa questão de mordomia entra aí:
"Os humanos sempre fazem reinvindicações quanto às suas posses que soam igualmente engraçadas aos ouvidos tanto do Céu quanto do Inferno, (...). E durante muito tempo a piada é que a palavra 'meu', no sentido puramente possessivo, não pode ser pronunciada por um ser humano sobre coisa alguma. A longo prazo, tanto [o diabo] quanto o [Deus] dirão "Meu" de todas as coisas existentes, e especialmente de cada homem. No fim, os humanos saberão, esteja certo, a quem seu tempo, suas almas e seus corpos realmente pertencem - e com certeze não pertencem a eles, independentemente do que aconteça. Por agora [Deus] diz "Meu" de todas as coisas com base no fundamento legalista e pedante de que foi Ele quem as criou; [o diabo] espera no fim dizer "Meu" de todas as coisas com base no fundamento mais realista e dinâmico da conquista."


e dentro desse pensamento que eu penso... o meu tempo, meu corpo, meu dinheiro, meus relacionamentos... são precisamente não meus. São de Deus, então ter um pequeno lembrete colocado todas as manhãs no meu dedo talvez me ajude a perceber quão absurdo é dizer 'meu' de qualquer coisa. E se é emprestado, é bom fazer bom uso de tudo o que me foi concedido!
Para entender esse conceito de mordomia, o que sempre vem na minha cabeça com a palavra Mordomia: Alfred. O bom senhorzinho que ajuda o Bruce Wayne, que administra os seus bens em sua ausência.
Acho que Deus nos confiou o ambiente, o planeta, os animais, todo o mundo físico e temporal que nos cerca em uma atitude de confiança; muita gente diz que Deus não existe ou não nos ama porque acontecem desastres naturais, e pessoas sofrem e morrem e tudo o mais... mas se você for descuidado com um CD que um amigo seu lhe emprestar e ele acabar riscado, é apenas lógico supor que ele não irá tocar a música como inicialmente foi planejado pelo artista ou gravadora. É o mesmo que pegar um livro emprestado, fazer um buraco enorme no meio dele nele que crime! e ainda ter a audácia de reclamar com quem te emprestou que o livro não fazia sentido ou era um livro ruim.
Já, se utilizarmos o que nos foi concedido de acordo com o intuito primário de sua criação, administrarmos adequadamente nosso tempo, preservarmos nosso corpo, cuidar do ambiente, administrar sabiamente nossos bens e talvez assim poderemos começar a compreender o projeto original do universo que nos cerca - e compreendermos quão estúpido soa cada vez que dizemos que algo que nem entendemos nos pertence.


Foi daí que fui parar pra pensar que tudo isso saiu de um anel. Realmente, escrever depois das 11 é pedir devaneios e viagens randômicas!




quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Hand.in.Hand


Um dia desses na faculdade, não sei por que cargas d'água começamos a falar a respeito de namoro, e percebi o quanto minhas opiniões diferem da maioria massante da sociedade que me cerca.
Houve um comentário em particular que me deixou muito pensativa, mas como minha opinião diferia demasiadamente da opinião daqueles comigo, permaneci calada e permiti os devaneios de uma mente indignada.
O comentário em questão foi "Namoro?? É no mínimo beijar! Segurar mão?! Isso é coisa de criança de prézinho, que ridículo!".
Ouvi. Ponderei. Me segurei para não fazer um discurso que seria desprezado por todos aqueles presentes.

O dar as mãos é algo que, hoje, não é particularmente valorizado, assim como muitas coisas profundas e complexas de relacionamentos foram banalizadas e a atração psicológico-intelectual foi banida para dar lugar à atração física. Vejo muitas vezes casais andando e um deles segura a mão do outro com tanta vontade que parece que têm medo de perder o outro, e a atitude muitas vezes não é recíproca. É só uma mão.
Acontece que dar as mãos é um ato muitíssimo mais relevante no que se refere ao relacionamento do que as pessoas têm valorizado.
Primeiramente, o ato de dar as mãos não é só coisa de namorados apaixonados - é coisa de criança com os pais ou aqueles que ela ama e crê que possam protegê-la, é coisa de todas as idades, de irmãos, de familiares, de amigos... coisa de quem a gente ama.
Segurar a mão de alguém é dizer que você estará lá para segurar ela quando cair, e que, se necessário, você cairá junto com ela para auxiliá-la de alguma forma. É uma demonstração primária de companheirismo, além de uma demonstração de confiança e segurança. Os pequenos confiam em nós para segurarmos eles no caso de tropeçarem ou caírem.
Os pequenos também querem mostrar pra gente o mundo todo - "Vem ver o que descobri!"; as pessoas grandes também não diferem em nada nesse aspecto e querem nos levar para ver o seu mundo, assim como estão dispostos a conhecer o nosso mundo. É uma marca de cumplicidade de ambas as partes, a presença do outro é algo agradável e que você quer aproveitar cada instante.
Dar as mãos também é sincronia. Tente andar de mãos dadas com alguém por bastante tempo e andar a uma velocidade diferente. Em outro ritmo. É dificílimo! Os passos acabam se sincronizando e, as pessoas, se adaptando umas às outras; isso também é perceptível no organismo fisiológico - ao abraçarmos alguém, por exemplo, a freqüência cardíaca de ambos tende a se sincronizar, o restante das funções biológicas também. Suspeito que segurar as mãos tenha um impacto semelhante no nosso corpo.
Também se dão as mãos em momentos em que dois indivíduos ou grupo destes queira se manter unido em situações que podem separá-los, como em uma multidão ou no escuro, por exemplo. É uma forma de se buscar certeza de que não estará sozinho.
É uma demonstração de afeto, tão difícil de compreender racionalmente quanto um beijo ou abraço, ativam nossa sensação de bem-estar (bem, dependendo da pessoa, é claro), e apesar de incompreensível, a maioria dos humanos tenho certeza de que diriam que pode ser agradabilíssimo.
Portanto, apesar de parecer algo simples e até mesmo bobo, é um pequeno ato que fala muito a respeito de como nos relacionamos, e são pequenos fatores que se amontoam e constituem o real valor que damos às pessoas e às 'banalidades' da convivência com elas. Desculpem-me os céticos, os 'velhos demais para essas coisas', os que cresceram e não precisam disso, os que 'conhecem o mundo real'. Dar as mãos não é coisa só de prézinho. E se for... realmente está na hora de aprendermos mais com os pequeninos.


"Dar a mão a alguém foi o que eu sempre esperei da alegria."
C.S.Lewis

*  *  *  *  *

Two Hands - jarsofclay

I've been living out of sanity
Eu estive vivendo às custas da sanidade
I've been splitting hairs and blurring lines
Eu ando dividindo cabelos e embassando as linhas
I am a house that is divided
Eu sou uma casa que é dividida
In my heart and in my mind
Em meu coração e em minha mente


I use one hand to pull closer
Eu uso uma mão pra te trazer pra perto
The other to push you away
A outra pra te afastar
If I had two hands doing the same thing
Se eu tivesse duas mãos fazendo a mesma coisa
Lifted high, lifted high
Erguidas ao alto, erguidas ao alto


I have a broken disposition
Eu tenho uma disposição falha
I'm a liar who thirsts for the truth
Eu sou um mentiroso que anseia pela verdade
And while I ache for faith to hold me
E enquanto eu anseio para que a fé me segure
I need to feel the scars and see the proof
Eu preciso sentir as cicatrizes e ver a prova


And if we just keep digging we can reach the foundation
Se só continuarmos cavando poderemos alcançar a fundação
Of our souls
de nossas almas
And if we just keep cutting all the chains from our hearts
E se só ficarmos cortando todas as correntes de nossos corações
We'll lose control
Perderemos o controle


And it feels like giving in
E parece que vai ceder
It feels like starting over
E parece que vai recomeçar
It feels like waking up, and you know it's coming
E parece que vai acordar, e você sabe que está vindo
It feels like a brand new day
E parece ser um dia novo
Open your eyes
Abra seus olhos


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mutant X

Hoje tivemos na Unifesp a UPA (Unifesp de portas abertas), evento no qual recebemos alunos de segundo e terceiro ano de escolas públicas e mostramos o campus, laboratórios e promovemos algumas palestras. Pediram que alguns alunos se voluntariassem para servir de monitores e lá vai mel pegar mais coisas para fazer além de estudar, ABU, troca de saberes, movimento de recepção de calouros e ainda tentando manter hobbies de desenho e escrita em andamento. Muito bem, Melissa.
Mas acabou sendo bem interessante, primeiro porque os professores conseguiram tornar os laboratórios muito mais interessantes que na realidade são, segundo porque foi uma oportunidade para que eu exercesse minhas observações metidas à antropologia e filosofia.
Fiquei olhando todos os aluninhos do colegial, com seus cabelos tingidos e mochilas pixadas com recadinhos dos BFFs, chamando os 'prófs' e se achando o máximo. Deriva e vê o que acontece, meu bem.
Houveram conceitos que precisamos repetir duas a três vezes: POR LABORATÓRIO. Céus, o BCT não é um conceito tão complexo!
Era facílimo identificar os machos e fêmeas alfa, os populares, os nerds, as meninas azedinhas que fofocam a respeito dos colegas, a menina que fica com todos, o menino galinha, os posers... Céus, meu passado me encarava em cada um daqueles adolescentes.
Toda aquela sociedade de castas do colégio que parecia tão vil e cruel na época, tão bobo e irrelevante hoje. Um sistema que despiu-se do mistério e tornou-se tão óbvio e bastante patético.
Fiquei pensando em como a galera que pensa que o tênis de X marca, como as ficadas na festinha de fulano e aquele eletronico que está na mora é o mais importante vai apanhar muito da vida.
Fiquei pensando o quanto cresci e amadureci desde o dia em que estava vivendo aquele dia a dia de colégio. Como é bom viver fora dessas coisas estúpidas e inválidas, efêmeras.
Fico pensando quão dolorosa essa mudança será para muitos lá, e muitos tenho certeza que desistirão para fazer cursos mais fáceis, cursos tecnólogos ou ir direto ao mercado de trabalho - mas ainda vão ter que crescer.
A vida ainda lhes aguarda, amores. Espera só que você vai ver que mais que o DNA, quem sofre mutações é você.


*  *  *  *  *

O mais legal mesmo foi quando um dos aluninhos [que mais se achava o nerdão porque o pai fez ITA] me disse: "Você tem cara de que é do Mato Grosso do Sul!"
Melissa pensa: random mode on??!
Melissa diz: "Não, não, SP. "
Aluninho diz: "é que você tem sotaque, e tem cara de que vem do sul, sabe, loirinha e cara de estrangeira!"
Melissa pensa: HAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHHAHAAH, #EPICFAIL!
Melissa diz: nada. Apenas sorri e acena.

Vai estudar Geografia, mané!

*  *  *  *  *

Curti muito um poema do exímio senhor amigo do CSLewis, Tolkien, de seu livro O Senhor dos Anéis. Aqui está para vocês!

All that is gold does not glitter,

Not all those who wander are lost;
The old that is strong does not wither,
Deep roots are not reached by the frost.

From the ashes a fire shall be woken,
A light from the shadows shall spring;
Renewed shall be blade that was broken,
The crownless again shall be king

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cosmovisão

Como mencionado no post anterior, no sábado participei de uma oficina que tratava do tema Cosmovisões.
Queria muito participar dessa oficina desde Julho desse ano, quando ela ocorreu no CF mas estava tão disputada que não consegui assistí-la. Mas o que realmente me surpreendeu quando eu disse toda animada "Vou na oficina de Cosmovisão!" "Legal, o que é cosmovisão?" e... eu não soube responder.
Portanto como início deste post trataremos o que é cosmovisão. Cosmovisão são as premissas básicas que cada indivíduo tem em sua vida, os parâmetros e leis morais mais essenciais que se manifestam nos pensamentos, opiniões e ações de cada pessoa. É essencialmente a sua visão do universo, do cosmos.
O que achei ainda mais curioso que o episódio supracitado, foi que uma das coisas menos mencionadas na oficina foram as cosmovisões mais populares (Teísta, Ateísta, Panteísta, etc etc), mas como construir sua cosmovisão, conhecê-la e a partir disso saber lidar com as diferentes cosmovisões que nos cercam de forma respeitosa e humana.

Teísmo - Crença em Deus, que ele criou nosso mundo, procura se envolver conosco e define os padrões de moralidade e bondade. Exemplos: Amor - podemos amar porque fomos criados na imagem de um Deus amoroso

Deísmo - É a ponte filosófica entre teísmo e naturalismo, pois considera a existência de Deus mas em geral é uma existência irrelevante. Veio depois da revolução científica, e por causa das explicações científicas dos eventos naturais, o relacionamento Deus/Universo seria menos significativo. Exemplos: Amor - Como no teísmo.

Naturalismo - A partir do século XIX, o naturalismo ganhou força entre intelectuais ao dizer que todas as coisas poderiam ser explicadas pelo cientificismo, e Deus passou a ser considerado inexistente devido a isso. A euforia inicial passou ao perceber-se que o naturalismo não explicava conceitos abstratos como amor, mal e moralidade. Exemplos: Amor - Instinto humano para propagação da espécie.

Niilismo - É a conclusão 'lógica' do naturalismo: Se Deus não existe e todas as coisas são produtos de forças naturais, então somos tão relevantes quanto uma lesma ou pedra - só nosso arranjo molecular é diferente por acaso. Nesse caso, a vida não tem propósito; conceitos como moralidade, justiça e amor são sem sentido. Exemplo: Amor - fica sem sentido como um termo descrevendo qualquer coisa a mais que fazer sexo para propagar a espécie.

Existencialismo - É a tentativa de restituir ao ser humano seu caráter único e dar algum sentido à vida. Diz que seres humanos são ímpares em sua capacidade de criar sentido por si mesmos. Um contraste sutil com o teísmo: Os dois identificam significado, valor, moralidade, etc, mas enquanto o teísta vê Deus como o padrão, o existencialista olha para si mesmo. E se cada um tem um padrão? Daí não nos perdemos no relativismo desses conceitos? Exemplo: Amor - Um conceito criado por cada indivíduo na sua tentativa de acrescentar alguma significação a uma existência sem sentido.

Monismo/Nova era - é um movimento de cosmovisão oriental adaptada ao pensar ocidental. Entre outras coisas, essa cosmovisão elevaria a natureza e negaria as afirmações teístas de um Deus pessoal que nos criou, ao invés asseverando que todos nós somos 'divinos'. (puxa, se nós somos a divindade, o universo realmente está perdido!)
Os proponentes desse ponto de vista alegam que seus conceitos estão acima de compreenão e devem ser experimentados ao invés de entendidos, se esquivam, assim, das inconvenientes contradições e incongruências da cosmovisão. Bem apropriado.


Eu comecei a pensar alguns fatos importantes que tratem de cosmovisão, e comecei a listá-los.

Fato #1: Conheça a sua cosmovisão.
Ter uma cosmovisão imponderada, que não passa de um ctrl+c, ctrl+v daquilo que outras pessoas lhe falam não te leva a lugar nenhum. É o mesmo que andar sem ter direção ou ser um barquinho sem leme, você vai acabar perdido e em crise.
É um tanto difícil conhecer sua cosmovisão, a maioria das pessoas nem pensam muito nessas coisas, preferem viver a ponderar, mas de uma forma ou outra é provável que você tenha alguma visão de mundo ou no mínimo uma lei moral que siga, e é interessante conhecer suas opiniões e ponderá-las para que você não seja manipulado ou enganado com facilidade.

Fato #2: Esteja aberto a outros pontos de vista.
Para você poder ter uma conversa racional a respeito de cosmovisões sem barbárie e ignorância, feche a boca e ouça mais. Você pode se surpreender com o que pode aprender de visões diferentes do mundo, e pode até alterar sua própria cosmovisão, ao adicionar a ela ou substituí-la por completo. A cosmovisão é, em geral, uma busca por verdades - e nossas opiniões podem variar um pouco quanto a elas, e ainda que permaneçamos com as mesmas raízes, nossas folhas podem trocar.
Com tempo, conhecimento e ponderação podemos ir moldando nosso ponto de vista de acordo com nossa vivência. Isso se chama crescimento. Ficar achando que você sabe tudo vai tirar de você muitas oportunidades de crescimento. Pondere, pergunte, ouça.

Fato #3: Respeite a cosmovisão alheia.Brigar e discutir não vai levar a nada, cada um fez a sua própria ponderação e tem a sua cosmovisão. Ainda que você não concorde, isso não faz do outro pior do que você. É tão humano quanto você, tem o mesmo direito que você de ter uma opinião a respeito do cosmos.
Não há nada de mau em expor suas idéias, e se outro quiser concordar com elas - ótimo! Mas sempre faça isso de forma adequada.

domingo, 23 de outubro de 2011

Féquepensa,razãoquecrê

De volta do CR! Foi muitíssimo bem como esperava, e até superou minhas expectativas. Farei um post diarinho relatando a visão geral e nos próximos dias focarei nas coisas que mais me fizeram pensar durante esse tempo 'longe do mundo real'.

Sábado meu dia começou antes mesmo do sol começar a exercer suas tarefas luminosas pelo planetinha azul. Acordei, banhei-me, alimentei-me, encontrei ao André e ao Davi (constituindo o verdadeiro Peregrino da Alvorada) , fomos ao CTA onde encontramos o restante da galera de SJC/Taubaté, entramos na van e viemos.
Bati papo a respeito de música e nerdices com o Davi o caminho inteiro enquanto o restante recuperava o tempo de sono perdido (quiçá devesse ter feito o mesmo, mas a conversa tava boa). Chegamos a SP e fomos diretamente a uma reuniãozinha, e me surpreendo ao ver a porta da sala em que estávamos se abrir e ver duas figuras familiares, uma esperada, a outra uma total surpresa. A Estela e o Thiago do acampamento (hein??).
Saindo da reunião, mais pessoas já haviam chegado, e encontrei muitos rostos familiares, amigos, gente que eu vinha alimentando saudades desde o CF (ou no caso do Thiago e da Salsinha, há muito mais tempo já que não acampam há mais de 1 ano).
O dia se caracterizou por cantar, assistir duas Oficinas (Mordomia e Cosmovisão, pretendo comentá-las logo mais em outros posts individuais), participar da reunião de organização do CF 2012, ouvir uma palestra do Ziel, bater papo com quem fazia tempo que não encontrava, conhecer gente nova, me divertir horrores, contar piadas nerds infinitas*, e pela noite fui à casa da Estela já que não queria mais atrapalhar a logística, considerando-se os problemas gigantescos e inúmeros que surgiram para o pessoal que estava organizando.
Falamos bobagens, dormimos, e voltamos pela manhã ao local do CR. Cantamos, fizemos um estudo e vimos os videos de relatórios dos grupos ali representados (orgulhinho na hora de ver o video da ABU-SJC! especialmente da unifesp preferida <3), almoçamos e retornamos cantando na van - até que o cansaço silenciou a todos -  conversando até os guardinhas do CTA implicaram com a nossa entrada e acabaram com a nossa graça. O pessoal me trouxe até meu larzinho, onde capotei durante a ultima hora e meia - e então vim para cá fazer o relatório.

Um bom final de semana, muito agitado, e um pouco difícil conciliar família/acampantes/ABUenses/unifespianos (sim, todos os meus mundos em um final de semana só, em um mesmo lugar! ABU faz milagres!); por muitas vezes queria fazer meiose e participar de tudo com todos... mas, fazer o que se somos indivisíveis por qualquer n?


*Piadas nerds: Uma das minhas favoritas foi da Ju: quando um menino se gabava de algum feito: "Tu tá se achando o máximo, hein? Deriva de novo e vê o que acontece!"
Uma minha: "Três pontos conspiravam entre si: 'Muahaha, acho que temos um plano!'"
Dentre muitíssimas outras!

*  *  *  *  *

Uma música que foi cantada que achei bem legal a letra foi Casa, da banda palavrantiga. Aqui está pra vocês, amores =)

Casa - Palavrantiga

Deus preferiu essa carne

Não quis os templos que eu posso construir
Com minhas mãos

Me fez casa
Eu sou morada
Lugar de Deus
Que não está lá fora
Mas sim mora
dentro de mim

Abri a porta e Ele entrou em casa.
Estou em obras.
Essa morada um dia será perfeição

Deus preferiu essa carne
Não quis os templos que eu posso construir
Com minhas mãos, não!

A minha janela são estes olhos que brilham
Uma coisa ela mostra
Quem a ilumina é o meu Amado
Mudando as coisas de lugar
Dentro de mim, dentro de mim
Lá fora é frio
Lá fora é medo
É alto de monte
Deserto, vazio

Morando em mim, Tu me aqueces
Me ensina a ser livre
Santo Espírito me enche de alegria



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Better together.

Creio que este será meu último post antes de ir ao CR (Conselho Regional) da ABU, passarei o final de semana com amigos da ABU, da faculdade, da família, do acampamento e espero que sejam bons dois dias. Curiosamente, o texto que trouxe hoje foi o que lemos e discutimos hoje na nossa reunião de ABU, agradecimentos ao Davi pelo ótimo texto! Aqui está na Nova Versão Internacional (NVI):

"Descobri ainda outra situação absurda debaixo do sol: Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Trabalhava sem parar! Contudo, os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele sequer perguntava: "Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me divertir? " Isso também é absurdo. É um trabalho muito ingrato!
É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se.
Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade."
Eclesiastes 4:7-12
 
Não é nenhum texto inovador, um tema nunca antes mencionado, mas às vezes num mundinho tão bobo, egoísta e competitivo é bom lembrar que a união é necessária.
É incrivelmente difícil conseguir ajudar, e ainda fazer isso em humildade sem acariciar o próprio ombro e dizer que você está ajudando porque é melhor que a pessoa, ou porque está fazendo uma boa ação - nossas intenções e impressões muitas vezes traem nossas ações. Muitas vezes o agir está correto mas o pensar, nem tanto - e bem, quando o agira está correto, que é bastante raro em nossa sociedade.
É aquela questão de servirmos aos outros em humildade, esperando que o mínimo que conseguimos fazer seja o suficiente para tornar as circunstâncias terríveis como estiverem, um pouco mais amenas. É torcer pra fazer uma diferença, pequena que seja, mas não sermos passivos às quedas, às lutas, ao frio do outro. É amar sem esperar nada em troca.
 
*  *  *  *  *
 
Estou há algum tempo querendo fazer um post apenas sobre covers, diferentes versões de uma mesma música, mais especificamente covers que superaram as originais ou ficaram tão boas quanto, ao menos em minha humilde opinião.
Decidi comentar apenas uma música e duas versões além da original que mudaram minha opinião a respeito da original.
Lembra aquela música chatíssima, repetitiva de clipe ridículo que fez a senhorita bêbada no rock in rio Rihana ficar famosa? Umbrella-ella-ella-ella-eh-eh-eh. Isso mesmo meus caros, ela pode não ser horrível.
Encontrei duas versões que gostei muitíssimo.
Uma delas é a versão daquele seriado musical um tanto bobo glee, no qual uniram essa música com a Singin' in the rain.
 

 
A seguir uma versão da Sara Bareilles que me agradou particularmente. Vozes, violões e pianos sempre me agradam, fazer o que?
 

 
Até depois do CR, mon amours!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Travelling through

Hoje no lab de Bio (eu sei, sempre comento aqui as conversas de lá) estávamos discutindo viagens, países e culturas. Senti que foi um pouco mais similar a um monólogo por minha parte que de fato uma conversa, mas como diziam os psicólogos da USP da orientação profissional, ao conversarmos temos um contato mais direto com nosso subconsciente que meramente ponderando sozinhos.
Enfim, comecei a pensar em todos os países para os quais quero ir e, rapaz... vou ter que estudar muito pra ganhar muito e assim viajar muuuuito mesmo! Tá aqui o top 10:

Irlanda
Eu sei que já conheço esse pedaço de grama, ovelhas, muros de pedra e batatas, mas lembro muito pouco então gostaria de retornar um pouco mais crescida para conhecer mais das minhas origens genéticas.
Obs.: Dentro de "Irlanda" lê-se tanto a Irlanda do Norte como Éire (Irlanda do sul).

Inglaterra
Ok, retornamos à mesma questão supracitada de que já conheço, mas quero conhecer de verdade agora! Passear muito, tirar zilhões de fotos e lembrar de tu-di-nho. Além do mais, quero aproveitar e rodar o restante das ilhas britânicastambém: Stone henge!
França
Eu sei, um tanto cliché, não é? Mas francês, vilas, Louvre, moda pra eu ficar sonhando e não comprar nada, é coisa demais pra não querer conhecer. Além, é claro da arquitetura. Art nouveau. Notre Dame. **suspiros** c'est ça que j'adore!

Nova Zelândia
Dentro de minha missão 'conhecer um país de cada continente' (no mínimo), vamos sair um pouco da Europa. Sabe o que eu sei da Nova Zelândia? Que lá foram filmados Senhor dos Anéis e As crônicas de Narnia. Nada mais. Agora, me diz se isso não significa que preciso conhecer?

Peru
Você poderia dizer: "Peru? Mas que diabos!" e eu respondo com duas palavrinhas só eu aprendi de coor... MACHU PICCHU!

Egito
Rapaz, desde antes de eu me conhecer por gente lembro de sorrateiramente furtar o livro "Como seria sua vida no antigo Egito?" da minha irmã (eu levava bronca, mas paciência) e ficar lendo sobre roupas, cultura e mumificação dessa galerinha aí. Museus, múmias, Quéops, Quéfren, Miquerinos, toda a egiptologia me encanta há tempo demais para eu nunca conhecer esse país - que aliás, teve a primeira prótese para seres humanos de que se tem conhecimento, conhecer as origens da engenharia biomédica!

Itália
Rapaz, para quem estudou em uma escola ítalo-brasileira durante 7 anos de sua vida e não passou de como você se chama em italiano, queria conhecer alguma coisa do mediterrâneo por alguns motivos: históricos - Roma, meu bem! Coliseu, aquedutos e construções fabulosas!; gastronômicos - azeite, pizza e macarrão. O que mais precisamos para sermos felizes?; arquitetônicos - vinculado ao aspecto histórico, conhecer catedrais, uma sidade sendo submergida diariamente e torres na iminência de cair parecem bem atraentes.


Alemanha e Suíça
Que atrocidade nem dar um espaço individual a estes países, mas tenho algumas coisas pessoais contra ambos (Suíços são os caras que enriqueceram à custa dos judeus com fachada de bonzinhos e Alemães... bem, eles que executaram e torturaram judeus, homossexuais, hispânicos e negros), mas ainda gostaria de conhecer os dois países. A Alemanha tem alguns castelos bem legais (o que inspirou a história da Bela Adormecida, inclusive), todo os aspecto cultural da segunda guerra mundial, além do aspecto de desenvolvimento tecnológico.
Suíça tem chocolate, relógios, queijos e edelweiss, mas também tem neve, muita neve - algo que ainda quero ver, brincar e congelar na diversão nela.
Mas lembrem-se da simples relação: Alemães são os portugueses que aprenderam matemática, e suíços são os alemães com mania de precisão. Portanto, watch out!

Japão
Tecnologia, pessoas, movimento, luzes, cidades... o que há para não gostar  além de tsunamis terremotos e acidentes nucleares ?

Ainda há muitos países que não estão listados tais quais Rússia, Canadá, Chile, Vaticano, mas quando comecei a lista pretendia colocar 5, e já fui pra dez. Tem que limitar um pouco, né?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

the "who"

It takes courage to grow up and become who you really are.
e.e.cummings





terça-feira, 18 de outubro de 2011

cincoporcento

Estive meio sem tempo de escrever muito aqui, a semana tem coisas marcadas pra ela todos os dias, estava dormindo pouco e muito mal.... até que meu próprio organismo decidiu me dar um time-out. Acordei pela manhã com muita dificuldade, tomei meu banho e não estava me sentindo muito bem, comi pouco, tomei um plasil pra conseguir assistir à aula (já estava com algumas faltas nessa disciplina devido à ausência de comunicação de meus queridos professores) e fui. E tive de voltar. E desde então estou movida a gatorade e água. (Nerd doente é uma tristeza, toma gatorade porque é isotônico e faz uma reidratação mais rápida, repõe sais e tem açúcares para eu não desfalecer com minha hipoglicemia). Incrível, consegui ficar ainda mais branca que usualmente sou. Um feito notável. 
Voltei e dormi... ainda não tentei comer, mas usarei o tempo para finalizar o trabalho de Metodologia (bem, o que posso fazer com o que meus colegas enviaram) e para estudar cálculo. Felizmente por ser algo simples, acho que é uma virose, posso continuar fazendo isso. Mas eu fiquei pensando.

5%

Essa é a probabilidade estatística de algo dar errado no seu organismo, a qualquer instante. Se você tiver outros problemas, essa probabilidade aumenta, mas se está aí saudável e bonitão, esses 5% perduram sobre você.
Não adianta quantos argumentos racionais você usar, ou quantos tratamentos de prevenção - isso simplesmente foge do nosso controle. Não podemos fazer nada.
Não adianta você ser super inteligente, ou ser famoso, ou ter muito dinheiro. Os problemas não olham para sua conta poupança, suas roupas, número de prêmios que você ganhou ou pro seu QI. Eles se apresentam, e cabe a nós saber lidar com eles da forma de tirar o melhor proveito possível e curtir cada instante dos nossos 95% sem problemas.

*  *  *  *  *

Particularmente, estou meio cheia dessas correntes do facebook (aliás, eu em breve vou ter que usar menos o facebook porque ele me revolta profundamente), mas li essa e achei particularmente válida. Escrito por Regina Brett, com 90 anos de idade, assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio.

Estão marcadas em negrito as lições que mais gostei. =)

“Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.

6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.

8. Pode ficar bravo com Deus. Ele suporta isso.

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.

11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.

16. Respire fundo. Isso acalma a mente.

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.

18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.

20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.

21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.

23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.

26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?'

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todo mundo.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..

31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.

32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.

33. Acredite em milagres.

34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.

36. Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem.

37. Suas crianças têm apenas uma infância.

38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.

39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.

41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor ainda está por vir.

43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.

44. Produza!

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.”

domingo, 16 de outubro de 2011

Ainda bem que nada sei

"A incerteza é o habitat natural da vida humana - ainda que a esperança de escapar da inceteza seja o motor das atividades humanas."
Zygmuntt Bauman

A frase acima me fez passar grande parte do dia pensando. A vi pela manhã na palestra na igreja, e desde então ela ficou imersa em minhas sinapses e passeando por entre elas, simplesmente porque é uma verdade tão óbvia e ainda tão cabulosa.
É a tentativa de fuga da incerteza que faz o maquinário social inteiro movimentar-se, desde nossas atividades profissionais até as interpessoais.
Você poderia argumentar dizendo que, já que estamos imersos em um sistema capitalista, é o dinheiro que move nossa sociedade - Douglas Adams já disse isso quando disse que a alegria humana provinha principalmente da movimentação de pequenos pedaços de papel coloridos (além, é claro, dos relógios digitais). Mas a nossa busca desenfreada pelo dinheiro por sua vez, pode ser definida pela busca de segurança de que poderemos nos sustentar e termos todos os bens materiais que quisermos. Queremos ter certeza de que teremo tudo o que precisamos e queremos no futuro.
Você poderia dizer que é a ciência e a tecnologia* que nos movem, porque a sociedade atual vive dependente dos avanços provenientes delas (eu sei, puxei sardinha pro meu lado), mas elas existem porque queremos saber tudo a respeito do mundo e ter certeza a respeito de seu funcionamento e das nossas previsões dele - além de querermos poder consertar o mundo em seus eventuais rearranjos. Um grande exemplo disso são os avanços em medicina, que são a busca para termos certeza de que teremos uma vida longa e não importunada por problemas de saúde.
Ou você, caro apaixonado, poderia dizer que somos movidos pela busca de alguém para amarmos e nos casarmos e vivermos para sempre (até que o divórcio a morte os separe, amém.) com essas pessoas. Mas é precisamente porque queremos saber que não estaremos sozinhos no futuro que buscamos alguém que compartilhe dos nossos ideais e linha de pensamento para nos acompanhar nas nossas outras incertezas. Queremos ter certeza que temos alguém que dê a mínima a respeito de nós.
Também poderíamos dizer que somos movidos por causar um impacto positivo no mundo e de alguma forma melhorar o ambiente em que estamos, ajudar as pessoas próximas de nós...mas nós queremos isso de forma egoísta para sabermos que estamos no mundo por algum motivo. Senão ficamos vagando, incertos a respeito de nossa existência.
Então sinto muito, mas o fato é que somos movidos pelo não saber, e não pelo saber. Somos movidos pelas dúvidas, pelas incertezas, pelas coisas complexas e incompreensíveis... e não pelo que é simples e fácil. O mundo é movido por sua complexidade desconhecida.
Mesmo porque se soubéssemos tudo, a vida seria extremamente entediante, monótona e patética. Então contente-se com começar com dúvidas. Quem sabe que respostas você vai encontrar, e que outras dúvidas vão surgir.

"Quando o homem começa com certezas, termina com dúvidas; mas se ele se contenta em começar com dúvidas, terminará com a certeza."
[Francis Bacon]




*Feliz dia da ciência e tecnologia!

*  *  *  *  *

No dia da ciência e tecnologia, achei que seria particularmente apropriado postar um trecho da música The Scientist do Coldplay. O restante da música também é bem legal, mas se começar a colocar trechos demasiadamente grandes retornarei ao meu velho hábito de postar músicas inteiras. Quem quiser, google está aí!
"I was just guessing at numbers and figures
Eu estava apenas adivinhando números e figuras
Pulling the puzzles apart
Desmontando os quebra-cabeças
Questions of science, science and progress
Perguntas de ciência, ciência e progresso
Don't speak as loud as my heart
Não falam tão alto quanto meu coração
And tell me you love me, Come back and haunt me
E diga-me que me ama, volte e me assombre
Oh when I rush to the start
Quando corro de volta pro começo
Running in circles, Chasing tails

Correndo em círculos, perseguindo os próprios rabos
Coming back as we are"
e voltando como estamos



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Eu às vezes olho no espelho e acho difícil identificar tudo o que se passa sob a caixa craniana coberta por músculos e pele. Eu tenho dificuldade em traçar precisamente quem é esse ser que olha pra mim todas as manhãs, ou aquela sombra que me segue pra lá e pra cá.
A grande dicotomia interna que separa o que é do que deveria ser (what is and what should neever be...) causa um conflito enorme.
Eu me pergunto se devo estar em um curso de exatas quando minha nota mais baixa em todos os vestibulares foi matemática. 
Mas daí eu penso nos cursos de humanas... e a minha forma de raciocínio, minha pagmaticidade, minha razão, me fazem desistir de todas essas possibilidades humanas e subjetivas.
E eu penso em biológicas. Medicina. Bem, adoro fisiologia... mas não conseguiria trabalhar como médica, em parte devido às longas horas, assim como pela falta de pesquisa na área.
Eu penso 'e se eu sair do meu atual curso'? Mas por mais que não seja a aluna numero 1 da sala, eu ainda gosto dele. Gosto das áreas com as quais poderei trabalhar. Estou gostando do meio científico, da idéia de conhecer muitas áreas diferentes simultaneamente.
E eu olho para o espelho e vejo todas as minhas contradições, e eu penso: Parabéns, Melissa. Você é humana.

*  *  *  *  *
Seguindo a temática dos outros dias a respeito da fragilidade humana, eu encontrei a música a seguir e a achei bastante pertinente ao tema. O que me chamou a atenção foi o clipe, mas já que tenho postado demasiados clipes aqui deixarei que apenas os interessados busquem-no - mas certamente é recomendadíssimo!


"Have you ever thought about what protects our hearts?

Você já pensou no que proteje nossos corações?
Just a cage of rib bones and other various parts.
Só uma gaiola de costelas e outras diversas partes.
So it's fairly simple to cut right through the mess,
Então é bastante simples cortar por toda a confusão
And to stop the muscle that makes us confess.
E pararmos o músculo que nos faz confessar.


And we are so fragile,
E nós somos tão frágeis
And our cracking bones make noise,
E nossos ossos rachando fazem barulho
And we are just,
E nós só somos,
Breakable, breakable, breakable girls and boys."
Quebráveis, quebráveis, meninos e meninas quebráveis.
[Breakable - Ingrid Michaelson]

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

arms and dreams

No último mês e meio, meus episódios de insônia tem sido bastante esporádicos e isso tem sido bastante agradável. Creio que o cansaço de dias agitados me permite colocar o descanso físico acima de preocupações.
Uma coisa que tenho sentido falta, porém, é de lembrar os meus sonhos - antes eu me lembrava nos mínimos detalhes todas as nuances e loucuras da minha criatividade inconsciente, histórias mirabolantes e cheias de aventura. No meio disso é claro que não faltavam pesadelos, acordar gritando, com o coração palpitando e não protesto nem um pouco contra o fato de não ter sonhos assim.
Hoje, porém, eu me lembro de cenas, pessoas, mas não muito do contexto.
Mas mais uma vez estive vendo o real e a ficção, e vi que muitas vezes sonhar é como ler um livro ou ler uma história, há a fuga da realidade para um outro universo inexistente por um breve período de tempo, com a diferença que é o seu inconsciente que te conta essa história.
Muitas vezes é até assustador ver quão pouco conhecemos nosso inconsciente e quão bem ele nos conhece, mas no final do dia... é o jeito que nosso cérebro encontra de processar as informações diárias, e pode ser um jeito de nos conhecermos um pouco mais. Pena que geralmente quando a gente acorda, esquece o que é!

Gostei bastante desse clipe de Christina Perri que brinca um pouco com essa ideia de onirismos, apesar da qualidade do CG não ser das melhores, tem algumas imagens e idéias muito criativas e divertidas. Enjoy!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

iminência de desistência.

Let's desert this day of hurt, tomorrow we'll be free.

Por um instante, pensei ter encontrado a esperança de que tudo estaria bem. Me agarrei à ilusão de que encontrara onde pertencia, mas o momento se esvaireceu como um soco na boca do estômago me dizendo "a desilusão é o melhor presente que posso lhe dar...". Muitíssimo obrigada pela gentileza, realidade, mas prefiro a ficção.

às vezes me pergunto: que diabos estou fazendo aqui?
e daí eu lhes pergunto: alguém me aceita como fugitiva da realidade até meados de dezembro?


Francamente, ter uma passarela e tantas ruas movimentadas para atravessar no dia em que você recebe a nota de cálculo é uma péssima ideia.

*  *  *  *  *

Postarei um texto que havia escrito pela manhã antes de ir à faculdade e ter meu mundo e autoestima destruídos logo antes de vir embora , então para mostrar que o dia não foi de todo ruim, aí está. Pena que o dia não é feito de momentos brilhantes de esperança em que temos epifanias a respeito do nosso lugar no mundo.

Não sei de vocês, mas eu adoro escrever cartas. Sabe? Carta? Aquele negócio que você escreve com uma caneta em papel, dobra, coloca em um envelope com o endereço da pessoa, lambe a borda, fecha, cola um selo e coloca na caixinha amarela (ou vermelha… *suspiros*) do correio.
Sei que parece arcaico algo assim, especialmente com o correio constantemente em greve, mas acho as cartas muito mais simpáticas do que os e-mails. São mais pessoais.
Mas, curiosamente, pessoas não são fundamentais para escrever cartas… a não ser que seu intuito seja passar a mensagem para alguém específico.
Eu particularmente gosto de fazer minhas orações em forma de cartas porque me concentro melhor, sai uma coisa mais coesiva, racional e ponderada do que só fechar os olhos e dizer “amém”.
Mas essa carta não é colocada em envolopes ou selada, meramente escrita em um caderno que fica ao lado da minha cama. Acaba sendo uma espécie de diário espiritual – registro pensamentos, epifanias, experiências, preocupações.
Ou também escrevo cartas para ninguém. Uma coisa similar à música “See you” do Foo Fighters, que estava escutando ontem (e me deu a ideia deste post). “These notes are marked return to sender / I’ll save this letter for myself/ I wish you only knew/ how good it is to see you, see you...” Sem destinatário, cartas que nunca sairão das minhas mãos, a não ser que seja para serem queimadas ou picotadas milimetricamente. É uma agradabilíssima forma de expressão simplesmente porque você sabe que nunca ninguém as lerá, mas você a escreve de qualquer forma para botar alguma coisa pra fora.
Não sei, tente algum dia. Se não quiser que seja comprometedor, escreva em terceira pessoa e assim as pessoa pensam que você está escrevendo uma história.
Senão simplesmente escreva. Mergulhe a caneta na sua alma e permita que ela deslize livremente pelo papel.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

I'm here.

Estava tentando escrever alguma coisa, mas minhas funções cognitivas estão bastante afetadas essa noite... então apenas vou deixar de recomendação um curta do Spike Jones que me foi recomendado pelo namorado da minha prima quando contei que estava escrevendo um conto de robô. Eu sei que é um pouco longo, mas tirem 27 minutos do seu dia (ou durante 3 dias, tirem 9 minutos...) porque é bem interessante.

Enjoy!

domingo, 9 de outubro de 2011

Roses are red, violets are blue

O final de semana, não sei bem como colocar... não foi particularmente dos melhores. Frustrações comigo mesma, más notícias, notícias que ainda não sei como classificar, coisas assim, pequenas, que se amontoam e pesaram meu coração.
Vim no ônibus lendo o volume dois do Contos de Robôs (curiosamente só li os do Asimov) e em seguida dormi... dormi para afogar qualquer pensamento com o sono.
Cheguei em casa para descobrir que minha geladeira estava em temperatura ambiente e meu congelador estava um pouco mais gelado, mas não era nem temperatura de geladeira. Toda a minha comida. Já era. Delícia.
Daí sentei aqui no computador... e curiosamente minha alegria não proveio dele. Veio das violetas, colocadas do lado dele. Sim, a única forma de vida com que divido o espaço aqui em casa (além dos ocasionais insetos, é claro).
Sexta feira ao vir embora lembrei que não as havia regado semana passada, esqueci entre trabalhos, estudos, e posts e tive certeza que elas estariam terrivelmente infelizes quando chegasse, e fiquei triste porque terça feira tinha visto um botão nela.
Para minha total surpresa, mesmo sem água, o botão floresceu e outros dois botões estão se formando. Sem água, mesmo em circunstâncias contrárias, a beleza se manifestou aqui e me fez sorrir

A gente também não deveria precisar das circunstâncias perfeitas pra fazer do mundo mais bonito... e, quem sabe, não fazer alguém sorrir.

sábado, 8 de outubro de 2011

Extinção

Ontem, o retorno para casa foi cheio de reflexões e epifanias (salvo a parte em que um cara muito estranho sentou ao meu lado no ônibus e, como sempre, enfiei meu nariz em um livro, meu cobertor de segurança). Uma que foi particularmente interessante, foi quando antes de entrar no onibus vi uma mulher carregando um bebê, não devia ter mais que algumas semanas porque era extremamente pequeno.
O bebê estava dormindo, aquele sono gostoso de criança que faz você sentir falta de quando conseguia sonhar sem preocupações, e a insônia ainda não se instalara permanentemente como sua amiga. Ele estava confortavelmente arranjado e despejado no colo da mãe, dormindo profundamente.
Com a idade e a convivência social, perdemos muitas coisas - desde a criatividade, a curiosidade, a crença (acreditamos até nas brincadeiras mais bobas do tipo 'roubei o seu nariz!' quando somos crianças), mas acima de tudo aprendemos a desconfiar. A confiança que depositávamos nos braços de nossos pais, no colo de nossos familiares, na companhia de nossos amigos... se esvairesce, e aprendemos cada vez mais a dependermos de nós mesmos e a não dependermos ou confiarmos nos outros.
Isso se deve principalmente à experimentação - somos pequenos cientistas desde sempre. Nosso organismo está inteiramente programado a evitar as situações que no passado nos causaram dor, tristeza ou qualquer reação ruim; inclusive, é muitíssimo mais fácil nos lembrarmos das coisas ruins do passado porque são fatores alarmantes que devem ser evitados, é a programação de defesa do nosso organismo.
Assim, com o tempo descobrimos que nossos amiguinhos podem nos chatear, que nossos pais não mantém todas as promessas que fazem, que muitas vezes nos encontramos sozinhos no mundo. Todas as figuras e adornos platônicos que construímos ao redor das pessoas, com o tempo se dissipam no ar e vemos que as pessoas mentem, são egoístas, traem, e que não são dignas de nossa confiança.
O grande fator complicante disso é que afastamos de nós mesmos as pessoas e então descobrimos que ainda que seja ruim com elas... é pior sem elas.
Certa época estava convencida de que um mundo sem seres humanos seria ideal. A mim, parecia ilógica sequer a existência de um Deus simplesmente porque uma figura de amor e benevolente não poderia criar algo tão terrível quanto a humanidade, seria contraditório. E mesmo, até hoje, as pessoas em quem realmente confio cabem em menos que uma mão - se confio em mais de três pessoas, já é muito e certamente eu mesma não sou uma dessas pessoas. Tenho certeza que isto se deve ao enorme repertório que tenho no que se trata de frustrações e decepções, mas isso nunca deveria se tornar um motivo para viver menos como fiz até agora.
Mas... apesar da vulnerabilidade a que estamos expostos com o convívio social, a reconquista da confiança perdida passa a ter um valor exorbitante; cada vez que encontramos motivos para confiar em alguém, é um evento sobrenatural e extraordinário e deve ser tido como notável.
O difícil é descobrirmos com exatidão quem são aquelas pessoas dignas dessa confiança... porque se falharmos nessa identificação, a dor consequente deste mau julgamento pode superar qualquer dor registrada por nossa memória de sobrevivência.

*  *  *  *  *

"I woke up this morning with a funny taste in my head.

Acordei hoje de manhã com um gosto engraçado na minha cabeça
Spackled some butter over my whole grain bread.
passei um pouco de manteiga no meu pão integral
Something tastes different, maybe it's my tongue.
algo tem um gosto diferente, talvez seja minha língua
Something tastes different, suddenly I'm not so young.
algo tem um gosto diferente, de repente não sou tão nova.


I'm just a stranger, even to myself.
eu sou apenas uma desconhecida, até para mim mesma
A re-arranger of the proverbial bookshelf.
uma re arranjadora das estantes de livros proverbiais
(...)


What have I become?
o que me tornei?
Something soft and really quite dumb.
algo fofo e, na verdade, bastante estúpido
Because I've fallen,
porque eu caí
So far away from the place where I started from."
tão longe do lugar aonde comecei

[Die Alone - Ingrid Michaelson]



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Cansei.

Bon soir, mon amis... Commet ça va?
É quase meia noite e tenho uma lista interminável de tarefas a realizar, sei que preciso descansar porque amanhã será um dia extenuante (como todas as outras sextas-feiras), mas estava com vontade de escrever, mesmo que signifique perder algum tempo de sono. Talvez eu me arrependa dessa decisão amanhã quando for fazer a lista de exercícios de física, mas tudo bem.

Bem, esses dias estou em uma pequena crise devido ao enorme número de responsabilidades me cutucando constantemente, e não bastasse as minhas 9 matérias e minha potencial IC, hoje fui convidada para ser representante discente no programa troca de saberes (pelo jeito participar da congregação fez bem à minha imagem!), e bem, sendo as reuniões usualmente uma vez por mês aceitei. Além do mais, é uma forma de comunicar o que se passa para os estudantes (particularmente do BCT, já que nossa representatividade é praticamente nula).
Juntando tudo isso, além das responsabilidades normais de manter uma casa, me alimentar, manter minhas roupas em ordem a bagunça aqui em casa já deixa claro que ela deixou de ser uma prioridade nos últimos dias..., é muita coisa pra uma cabeça só e é fácil se perder nisso tudo.
Os cuidados de cada dia crescem arbitrariamente e o tempo escorrega rapidamente por entre os meus dedos, que nem quando somos criança e pegamos um punhado de areia - e até chegar ao nosso destino, temos apenas alguns grãos grudados entre os dedos. Nos resta pouco.
Porém minhas prioridades têm mudado um pouco em relação ao semestre passado.
Semestre passado me dediquei quase que exclusivamente à faculdade, e devo dizer que foi praticamente um semestre perdido da minha vida - não me lembro de 1/3 do que estudei tanto, perdi contato com muitas pessoas e não fiz absolutamente nada de útil.
Tenho tentado encontrar um equilíbrio entre vivência e obrigações. Como diz um dos meus textos bíblicos favoritos: De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder minha própria alma?
E daí se eu estudar um monte, tirar 10 em tudo, me formar primeira da turma... e só? As conquistas acadêmicas... não são tudo. ao contrário do que pensei grande parte de minha vida.
Recentemente, mesmo que eu tenha uma prova para estudar... se minha vó está em casa e começamos a ter uma de nossas conversas a respeito da vida, seres humanos, Deus e decisões... eu não corto a conversa para ir estudar. Prefiro ficar até mais tarde estudando, e saber que o tempo que tive com minha vó foi bem aproveitado.
Cansei desse capitalismo de terrível infelicidade, de objetivos irreais e esúpidos. Cansei de ficar correndo atrás do vento.
Os livros estarão sempre nos esperando, o conhecimento constantemente se renovando - mas o valor que encontramos nas pessoas é infinitamente maior que isso, e definitivamente é um valor incomparável e insubstituível. É elementar que quero fazer o meu curso, que quero dar o melhor de mim nele, que quero conquistar certo espaço no âmbito científico ganhar um Nobel, usar minha massa encefálica para alguma coisa além dos cuidados de cada dia. Mas quero fazer de outro jeito... Eu quero também, não .
Tornei-me uma pessoa menos ambiciosa quanto a dinheiro, salário e um emprego com status - quero aquelas coisas simples: casa, família, cachorro, biblioteca, tempo com as pessoas que amo, uma vida razoavelmente confortável sem grandes extravagâncias, a certeza de que usei o tempo da melhor forma possível - e a certeza que dei valor às coisas certas.


*  *  *  *  * 
Furtando do facebook da Sarah...
"As pessoas ligam cada vez mais para o que tem preço e cada vez menos para o que tem valor."
"Don't you worry, there my honey
We may not have any money
But we've got our love to pay the bills."
[Ingrid Michaelson]

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

rest my bones

Caraca, estou com medo. Mais uma vez, alguns eventos descritos em meu conto para o concurso (que por sinal foi entregue hoje!) vieram a tomar parte na realidade. A vida copiou a ficção. Ou fiz a personagem muito parecida comigo - boba ao ponto de ficar trancada no banheiro da unifesp e cansada ao ponto de adormecer assim que chega da faculdade e nem ver a tarde passar.

Foi bastante curioso isso, porque creio que tenha sido a primeira vez em muitas noites que de fato dormi, descansei, sonhei. E nem foi uma noite inteira, foi por algumas míseras horas. Acho que estou agora começando a pagar o preço por cursar 9 matérias.
Estou terrivelmente desanimada com uma das notas que recebi, estou pessimista quanto às que hão de vir, estou bastante desesperançosa pela humanidade com tanto que tenho visto acontecendo dentro da faculdade (tanto no âmbito da politicagem, na qual estou de alguma forma começando a me envolver, como no âmbito social), e o mundo simplesmente me parece um lugar hostil e desanimador.
Talvez seja só a dor de cabeça, ou o cansaço que na última semana me atingiu com uma tremenda e súbita intensidade, só sei que quero achar um lugar para reclinar meus ossos cansados e não me preocupar.

Quem mandou querer fazer tudo de uma vez, meu bem?


*  *  *  *  *
"Slow down, you crazy child
You're so ambitious for a juvenile
But then, if you're so smart,
tell me: why are you still so afraid?
(...)

You've got your passion, you've got your pride
but don't you know that only fools are satisfied?
(...)
When will you realize? Vienna waits for you"
[Billy Joel - Vienna]

Quiçá fosse uma boa idéia ouvir o conselho de Billy Joel... saltar em um avião para Vienna, Paris, Belfast, Dublin, Londres, e sabe-se lá onde mais.
Espero que os próximos posts sejam um pouco melhores que este, sinto muito pelo texto precário, caros leitores!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Não fui eu, foi meu eu-lírico.

Há algo a respeito do leve tilintar da caneta contra o papel, do bater das teclas de uma máquina de escrever, ou até mesmo do bater das teclas de um teclado de computador que os torna incrivelmente confortantes.
Escrever é particularmente confortante porque ele lhe permite viver todos os mundos que você tem em si, todas as possiblidades, todos os sonhos (ou pesadelos). Permite colocar um pouco de si para fora, se deixar passear pelo mendo, se deixar entrar nas mentes alheias e passear entre sinapses.
Li recentemente uma frase brilhante, porém não me recordo o autor: "Para produzir alguma coisa, o artista deve mergulhar seu pincel em sua alma" - ou mergulhar a pena em sua alma. Algo que de alguma forma insiste em escapar de seu controle e sair desvairadamente pelo mundo a fora a expressar-se nas intermináveis e incontíveis folhas de papel.
Talvez seja por tirarmos de nós e colocar no papel ou no computador é que sentimo-nos aliviados, como se aquilo não mais fosse um peso, como se aquilo não fizesse mais parte de nós - podemos ser quem quisermos e dizer o que quisermos, porque as palavras nos deixam essa liberdade. Mas usualmente, nos apegamos àquela imagem que temos de nós mesmos.
Agora, o problema em escrever é que o caminho de nossas cabeças até nossos dedos é demasiado longo, a jornada dos pensamentos e sentimentos às palavras é nebuloso e entrecortado, então algo de nossa alma se dissipa antes de ser inteiramente exteriorizado, às vezes por nós filtrarmos o que escrevemos, às vezes pelas limitações que as palavras nos impõem, mas a realidade é que a linguagem ainda é falha e terrivelmente confusa. Vai ver é por isso que C.S.Lewis diz que as coisas que realmente valem à pena são aquelas que não são ditas.
Bem, independentemente disso, gosto da liberdade ou da falsa impressão desta que as palavras me dão. Uma ótima frase da música Make it Work do Kevin Max é: "If I could make it work in life like it works on paper... Then I would wipe my eyes, I'd dry this ink and trade my pen in on a pair of wings and I would, I would fly".
Mas acho que a vida e a ficção têm mais a ver do que pensamos - é só ver, nunca a literatura foi inteiramente inédita. Sua inspiração sempre foi a realidade. Afinal... na literatura, nada se cria - tudo se transforma. Ela nunca foi criada propriamente, apenas se baseou na vida que já existia.

*  *  *  *  *

Vagando pelo youtube ouvindo Ingrid Michaelson pra variar, me deparei com o videoclipe de uma música, e achei particularmente divertido esse. É o clipe da música "The Way I Am", simples e... bem, agradável de se assistir. A música, nem preciso comentar que me encanta.
Tentei 'embedar' (nossa, aportuguesar termos em inglês é terrível), mas deu erro... então deixarei apenas o link ali em cima. Enjoy!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

somebody to lean on

Hoje no retorno da faculdade, não sei se pelo cansaço, distração ou simplesmente pelo fato que meus pés são bobos, tropecei ao descer da ilha para atravessar a rua. Pensei que fosse conseguir me equilibrar, mas por amor à Fisiologia médica, não soltei o livro (eu sei, estúpida!) e caí; quando vi que não tinha jeito, ou era a cara ou era o livro, meu sistema em pânico soltou o livro e me apoiei em minhas mãos (raladas e doloridas, assim como meus joelhos). Foi tão rápido, estava no piloto automático. Pensei:
"Vix, não posso zuar o pé de novo!" mas quando vi que o pé estava bem, o pensamento mudou para "Os carros vão começar a sair e vão me atropelar, corre Melissa!", uma vez na calçada o pensamento foi "NO! Zuou a capa do livro!" (isso porque o livro nem é meu, é da biblioteca).
Bem, algo que facilitou muitíssimo para que esse processo corresse sem maiores desastres que mãos e joelhos ardendo e uma capa um pouco arrebentada, foi o fato que não estava sozinha - se estivesse sozinha teria tentado levantar, pegar o livro e sair correndo (não necessariamente nessa ordem), teria me atrapalhado, o resultado poderia ter sido pior que apenas um #epicfall. Alguém estava pensando logica e racionalmente, não instintivamente como meu sistema nervoso central (que deixou de funcionar por alguns isntantes) para me dizer: Calma, vamos pro outro lado.
Fiquei pensando no aspecto metafórico da coisa, o quanto é importante ter outras pessoas conosco nas situações de crise, que mesmo que não sintam sua dor, compreendam o contexto o suficiente para te estender a mão e dizer "Você não está sozinho".
Como diz o Maurão, é nos tempos de crise em que conhecemos nossos verdadeiros amigos, ele mesmo sentiu isso e creio que ainda sente.
Meu tio também sempre me diz algo a respeito de amizade: "Amigo é aquele que, se necessário, ele senta com você e come um saco de sal contigo." E acho que é verdade.
Tem muita gente que fala "Tenho 10 milhões de amigos no facebook!" "Sou pop, tenho mui-tos amigos!", mas me pergunto quantos desses comeriam sequer duas colheradas de sal contigo sem beber um copo d'água ou dizer que tem outra coisa pra fazer. Vivemos em tempos em que uma conversa a respeito de uma banda ou um filme fundamenta a amizade e um beijo é amor. Acabamos exagerando e imaginando aquilo que nos faz nos sentirmos melhores. Estamos tão superficiais (leia o port anterior!) que o mínimo sinal de compreensão e simpatia é um evento extraordinário.
Acho que é por isso que é tão difícil conhecer os amigos verdadeiros. Os desconhecemos, são demasiadamente raros. Nosso julgamento tornou-se falho e a realidade é subjugada por nossas expectativas.
Meus amigos verdadeiros constituem um pequeno punhado... mas é um punhado mais valioso que toneladas de ouro ou kgs de diamante. São além das medidas humanas.
E é um punhado que eu me esborracho no chão, mas não largo mão deles por nada - mesmo se for em uma segunda feira à tarde de um dia deplorável em que tudo parece que dá errado. Bem, suponho que pudesse ter sido pior. Poderia estar chovendo e minha calça jeans favorita poderia ter rasgado!

*  *  *  *  *
Dentre tantas músicas no tema de hoje (Bridge over troubled water, Time after time, You've got a friend, You`ve got a friend in me...) Escolhi "Lean on me", uma música que pipocou em minha mentezinha caótica e nem sei de onde tirei!

Sometimes in our lives
às vezes nas nossas vidas
we all have pain
nós todos temos dor
we all have sorrow
nós todos temos amargura
but if we are wise
mas se nós somos sábios
we know that there's always tomorrow
nós sabemos que há sempre um amanhã

Lean on me
recline-se em mim
when you're not strong
quando você não for forte
and i'll be your friend
e eu serei seu amigo
i'll help you carry on
eu te ajudarei a seguir em frente
for it won't be long
porque não demorará muito
till i'm gonna need
até que eu precise
somebody to lean on
de alguém para reclinar-me

Please
por favor
swallow your pride
engula seu orgulho
if i have pain
se eu tiver dor
you need to borrow
que você precisar emprestada
for no one can heal
pois ninguém se cura
those of your needs
daquelas necessidades
that you wont let show
que você não mostra

ya just call on me brother
você só me chame, irmão
if you need a hand
se você precisar de uma mão
we all need somebody to lean on
todos nós precisamos de alguém para nos reclinarmos
i just might have a problem that you'll understand
eu talvez tenha um problema que você entenda
we all need somebody to lean on
nós todos precisamos de alguém para nos reclinarmos


[Lean on me - Bill Withers]


domingo, 2 de outubro de 2011

Os pequeninos

Fui à igreja hoje e fui surpreendida por um gesto muitíssimo simples, mas absolutamente grandioso para mim. Uma menina com provavelmente seus 6 ou 7 anos veio, ficou em pé na minha frente, olhou pra mim e me deu um abraço (ou melhor, abrçou minha barriga porque eu estava em pé), eu automaticamente abracei-a como faço com os pequeninos do acampamento.
Quando voltei para a minha cadeira, só falei pra minha mãe: "Que saudade das minhas crianças!"
Acho bastante peculiar minha trajetória até onde estou quanto aos pequenos: quanto há cerca de 4 anos comecei a trabalhar no acampamento do Maurão, eu fazia questão de ressaltar o fato que só gostava de crianças de um jeito, bem passado e com uma porção de batata frita. Mas, para trabalhar com os adolescentes precisaria trabalhar com as crianças. Eu fui. Cética, mas fui.
A primeira vez, elementarmente foi muitíssimo difícil, minha adaptação a elas e elas a mim foi um tanto truncada; me lembro até hoje quando uma menina estava no banho e chamou "Tia!" E eu disse: "Que foi?" a garota apenas respondeu "Não! Eu quero a tia Salsinha!" Foi um golpe brutal para quem mal começara a lidar com crianças.
Com o tempo, comecei a entender a cabecinha adorável delas e elas começaram a entender como eu funciono... e cada vez que preciso chegar tarde na semana de crianças, é um fato absolutamente deplorável de minhas férias.
Em julho deste ano, foi uma dessas vezes que precisei chegar tarde, e devo dizer que foi fantástico ter algumas meninas pedindo pra eu ficar no quarto delas, foi maravilhoso reencontrar os pequeninos, mas uma experiência em particular me deixou algum lugar entre estonteada e encantada. Foi ficar no quarto da Larissa, a macarrãozinho.
Quando cheguei, arrumei minha cama e sentei-me nela e só vi esta pequena figura loira descendo da beliche "Eu vou ler o texto com a tia Mel hoje!", aconchegou-se no meu colo e me abraçou pelo pescoço e disse "Que saudades de você tia... Você nunca mais vai lá em casa." "Ah Lari, você sabe como é, a gente começa a crescer, começa a ficar sem tempo... E esse semestre seu irmão até me chamou pro aniversário dele, e eu queria muito ir, mas o meu pé tava bem mal ainda..." "Entendi. Sabe. Quando eu crescer, quero ser que nem você e o meu irmão. Eu quero ser tia também." "Então você já tá começando bem, é só continuar sendo uma acampante exemplar, bem obediente e boazinha... daí quando você crescer, já fica mais fácil!"
Fizemos a leitura do texto, conversamos um pouco, e as meninas novas me bombardearam de perguntas como é de costume: "Tia, quantos anos você tem?" (até me deram 27 anos e pensaram que tinha filhos!) "Tia Mel, o que você tá estudando?" "Tia, você tem namorado?", aquelas coisas de criança.
De alguma forma ou outra, o assunto namoro e amor acabou se prolongando (sendo as meninas meninas, é elementar que esse tipo de assunto surja entre as mais velhas) e a Larissa virou pra mim e disse "Tia, eu nunca sei. Qual a diferença entre paixão e amor?"
Parei por um breve momento, e a inocência me cativou. Fiquei perplexa pensando, todos nós já fomos assim. Coisas que hoje parecem óbvias, nós não compreendíamos (ok, neste contexto talvez não fosse tão óbvio). Ela estava tentando compreender um mundo todo que ainda lhe é estranho.
Lembrei de uma frase da professora Mércia "paixão é estado, amor é essência", mas supus que isto lhe soaria ainda mais confuso. Tentei conversar com ela, explicar "Ahh.. Sei lá, eu acho que paixão é quando você fica quase obcecado por alguém, sabe? Não tem controle sobre si próprio, pensa que a pessoa é perfeita e que nunca vai viver um segundo sem ela, mas isso tudo dura muito pouco tempo, você descobre que suas idéias tavam erradas e você estava mentindo pra si o tempo todo. Já, acho que amor é algo mais racional, sabe, que nem a gente tem com nossos pais ou irmãos... A gente pode até brigar com a pessoa, se chatear com ela, a gente sabe que ela não é perfeita... mas mesmo assim quer estar junto, porque sabe que isso faz você uma pessoa melhor." "Ahhh... Entendi." Uma vez que minha plena consciência não-filosófica retornou a mim, só disse "Bem, a tia Mel não tem namorado nem nada assim pra saber muito dessas coisas, talvez seja melhor perguntar pra outra tia, ela já é até casada, acho que vai saber melhor que eu!".
Ponderei a respeito da tremenda confiança que as crianças têm, elas confiam em você que você vai segurá-las quando elas caírem, elas dizem a verdade sem as bobagens de convenções sociais, são curiosas quanto ao mundo, e inocentes quanto à sua realidade. Se nós todos fossemos mais inocentes e nos aproveitássemos menos das pessoas, fôssemos mais sinceros e menos hipócritas, se soubéssemos viver sem necessariamente compreender tudo nos mínimos detalhes... talvez o mundo não seria um lugar tão hostil.

Enquanto nossa vida nos bombardeia com motivos para não termos esperança na humanidade, são pequenos momentos como esse que me fazem pensar que... talvez a raça humana não esteja de todo perdida.
Talvez está na hora de sabermos que não somos donos da verdade e aprendermos um pouco com os pequeninos.

*  *  *  *  *

"Be careful little feet where you go,
For it's the little feet behind you that are sure to follow"
[Casting Crowns - Slow Fade]

sábado, 1 de outubro de 2011

Superando a tensão superficial.

Algo que tenho percebido em minhas conversas com muitas pessoas muito diferentes na faculdade é que quaisquer que sejam as opiniões, problemas, alegrias, um mesmo problema que assombra-nos como um todo é a superficialidade; nosso contexto socioeconômico inteiro contribui para isso e está acabando lentamente com cada um, de formas diferentes, é claro.
Há os que se importam menos, há os que se importam mais, mas ao final do dia, aqueles que se adaptam e vivem em função dessa superficialidade não encontram plena satisfação nela, recorrem a formas químicas ou físicas de sesentirem melhor quanto ao contexto em que estão inseridos já que não encontram felicidade deforma emocional, enquanto que os outros que não se adaptam a essas formas se encontram terrivelmente infelizes porque apenas encontram as pessoas supracitadas que desistiram de encontrar profundidade emocional nos relacionamentos.
Vivemos dias em que vivemos apenas em contato com a tensão superficial social, andamos sobre a água sem molhar nossos pés - convivemos com as pessoas sem realmente conhecê-las, quanto mais nos importarmos com elas.
De alguma forma nos convencemos de que quando o outro está sozinho, é porque ele quer estar sozinho; quando o outro sente dor, a dor não é tão ruim assim quanto quando é conosco; quando o outro chora,é por alguma bobagem irrelevante e em alguns minutos passará, diferentemente de nós que temos os 'problemas de verdade'. Nos convencemos de que outro é humano... mas não tanto quanto nós.
É difícil encontrar pessoas que realmente te aceitem assim como está, sem interesses próprios, que queiram conhecer suas qualidades e seus defeitos, e que não tenha por objetivo te mudar ou te convencer de alguma forma a ser mais como elas, viver como elas. Os relacionamentos são grande parte do tempo fúteis e a existência ou não deles é irrelevante para o outro (ou quem sabe para nós mesmos), são de curta duração e grande parte do tempo são irracionais e estúpidos.
Creio que grande parte desse pensamento provenha do nosso contexto econômico, em que se julga e avalia uma pessoa pelos seus pertences, assim como pelo fato que os produtos são sempre melhorados e os antigos, descartáveis. Rapidamente a tecnologia evolui e por mais que a tecnologia antiga funcione, ela fica obsoleta simplesmente porque tem algo de diferente e atraente na nova. Substitui-se sem necessidade, vive-se em função daquilo que há de vir. Da mesma forma substituimos as pessoas porque achamos que a próxima vez será melhor, a próxima pessoa terá menos defeitos, o próximo, o que há de vir, o que nunca encontramos. Tratamos as pessoas como descartáveis e sem importância, mas elas são tão humanas quanto nós.
A grande dificuldade nisso é que tanto econômica como socialmente o que nos move é a plena infelicidade e eterna insatisfação, esperamos tão ansiosamente o próximo lançamento que não vemos que o que temos em nossas mãos pode ser melhor.
Vivemos uma mentira, porque estamos tão constantemente vivendo num futuro hipotético que nos alimenta de ilusões, que não sabemos nos contentar com a realidade, simples, falha e fantástica como seja. Temos que parar de olhar para um horizonte que nunca vamos atingir e começar a ser a diferença que nosso contexto atual precisa.