É bastante comum as pessoas me perguntarem qual o significado do meu anel, usualmente o confundem com aliança de namoro. Confesso que nem sempre sou plenamente clara em explicar sua função simplesmente porque se digo qual é o versículo nele escrito, é entendido como sendo aliança de namoro e, bem, evita certos incômodos e stalkeamentos. Ou não.
Primeiramente, para os que nunca o viram, repararam, perceberam, questionaram, refiro-me a um anel em aço que tenho que tem escrito em hebraico o versículo de Cantares "Eu sou para o meu amado, meu amado é para mim".
Mas decidi listar aqui a importância deste simpatissíssimo companheiro de meu dedo direito anelar.
Primeiramente: Quem é o amado? Estranho? Talvez, mas eu vejo como Deus sendo o meu amado. Bem, como um filho que ama o pai ou a obra de arte que vive em função do artista, é assim que vejo o relacionamento. Dinâmico, com altos e baixos.
Me lembra que eu sou para ele assim como ele é pra mim, uma certa questão de mordomia entra aí:
"Os humanos sempre fazem reinvindicações quanto às suas posses que soam igualmente engraçadas aos ouvidos tanto do Céu quanto do Inferno, (...). E durante muito tempo a piada é que a palavra 'meu', no sentido puramente possessivo, não pode ser pronunciada por um ser humano sobre coisa alguma. A longo prazo, tanto [o diabo] quanto o [Deus] dirão "Meu" de todas as coisas existentes, e especialmente de cada homem. No fim, os humanos saberão, esteja certo, a quem seu tempo, suas almas e seus corpos realmente pertencem - e com certeze não pertencem a eles, independentemente do que aconteça. Por agora [Deus] diz "Meu" de todas as coisas com base no fundamento legalista e pedante de que foi Ele quem as criou; [o diabo] espera no fim dizer "Meu" de todas as coisas com base no fundamento mais realista e dinâmico da conquista."
e dentro desse pensamento que eu penso... o meu tempo, meu corpo, meu dinheiro, meus relacionamentos... são precisamente não meus. São de Deus, então ter um pequeno lembrete colocado todas as manhãs no meu dedo talvez me ajude a perceber quão absurdo é dizer 'meu' de qualquer coisa. E se é emprestado, é bom fazer bom uso de tudo o que me foi concedido!
Para entender esse conceito de mordomia, o que sempre vem na minha cabeça com a palavra Mordomia: Alfred. O bom senhorzinho que ajuda o Bruce Wayne, que administra os seus bens em sua ausência.
Acho que Deus nos confiou o ambiente, o planeta, os animais, todo o mundo físico e temporal que nos cerca em uma atitude de confiança; muita gente diz que Deus não existe ou não nos ama porque acontecem desastres naturais, e pessoas sofrem e morrem e tudo o mais... mas se você for descuidado com um CD que um amigo seu lhe emprestar e ele acabar riscado, é apenas lógico supor que ele não irá tocar a música como inicialmente foi planejado pelo artista ou gravadora. É o mesmo que pegar um livro emprestado, fazer um buraco enorme no meio dele nele que crime! e ainda ter a audácia de reclamar com quem te emprestou que o livro não fazia sentido ou era um livro ruim.
Já, se utilizarmos o que nos foi concedido de acordo com o intuito primário de sua criação, administrarmos adequadamente nosso tempo, preservarmos nosso corpo, cuidar do ambiente, administrar sabiamente nossos bens e talvez assim poderemos começar a compreender o projeto original do universo que nos cerca - e compreendermos quão estúpido soa cada vez que dizemos que algo que nem entendemos nos pertence.
Foi daí que fui parar pra pensar que tudo isso saiu de um anel. Realmente, escrever depois das 11 é pedir devaneios e viagens randômicas!
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