Let's desert this day of hurt, tomorrow we'll be free.
Por um instante, pensei ter encontrado a esperança de que tudo estaria bem. Me agarrei à ilusão de que encontrara onde pertencia, mas o momento se esvaireceu como um soco na boca do estômago me dizendo "a desilusão é o melhor presente que posso lhe dar...". Muitíssimo obrigada pela gentileza, realidade, mas prefiro a ficção.
às vezes me pergunto: que diabos estou fazendo aqui?
e daí eu lhes pergunto: alguém me aceita como fugitiva da realidade até meados de dezembro?
Francamente, ter uma passarela e tantas ruas movimentadas para atravessar no dia em que você recebe a nota de cálculo é uma péssima ideia.
* * * * *
Postarei um texto que havia escrito pela manhã antes de ir à faculdade e ter meu mundo e autoestima destruídos logo antes de vir embora , então para mostrar que o dia não foi de todo ruim, aí está. Pena que o dia não é feito de momentos brilhantes de esperança em que temos epifanias a respeito do nosso lugar no mundo.
Não sei de vocês, mas eu adoro escrever cartas. Sabe? Carta? Aquele negócio que você escreve com uma caneta em papel, dobra, coloca em um envelope com o endereço da pessoa, lambe a borda, fecha, cola um selo e coloca na caixinha amarela (ou vermelha… *suspiros*) do correio.
Sei que parece arcaico algo assim, especialmente com o correio constantemente em greve, mas acho as cartas muito mais simpáticas do que os e-mails. São mais pessoais.
Mas, curiosamente, pessoas não são fundamentais para escrever cartas… a não ser que seu intuito seja passar a mensagem para alguém específico.
Eu particularmente gosto de fazer minhas orações em forma de cartas porque me concentro melhor, sai uma coisa mais coesiva, racional e ponderada do que só fechar os olhos e dizer “amém”.
Mas essa carta não é colocada em envolopes ou selada, meramente escrita em um caderno que fica ao lado da minha cama. Acaba sendo uma espécie de diário espiritual – registro pensamentos, epifanias, experiências, preocupações.
Ou também escrevo cartas para ninguém. Uma coisa similar à música “See you” do Foo Fighters, que estava escutando ontem (e me deu a ideia deste post). “These notes are marked return to sender / I’ll save this letter for myself/ I wish you only knew/ how good it is to see you, see you...” Sem destinatário, cartas que nunca sairão das minhas mãos, a não ser que seja para serem queimadas ou picotadas milimetricamente. É uma agradabilíssima forma de expressão simplesmente porque você sabe que nunca ninguém as lerá, mas você a escreve de qualquer forma para botar alguma coisa pra fora.
Não sei, tente algum dia. Se não quiser que seja comprometedor, escreva em terceira pessoa e assim as pessoa pensam que você está escrevendo uma história.
Senão simplesmente escreva. Mergulhe a caneta na sua alma e permita que ela deslize livremente pelo papel.
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