sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Esquizofrenia

A escrita e a esquizofrenia são duas coisas desesperadoramente similares. Essa foi a conclusão à qual cheguei.
O que classifica um indivíduo como tendo a condição psicológica classificada como esquizofrenia é quando sobre de múltiplas personalidades, podendo ser até 15 a 20 personalidades simultaneamente coexistindo em um cérebro. O tempo que a pessoa passa em determinada personalidade pode variar, ela pode dialogar com ela mesma, ou passar dias sendo x ou y pessoa.
Escrever ficção não é muito diferente.
Quando você escreve, é claro que não há um personagem só - são vários. Personagens sábios e inteligentes, crianças, pessoas irritantes, pessoas corajosas, covardes, criativos e completamente sem graça - tudo isso povoa um mesmo universo fictício. A grande sacada é que esse universo fica na sua cabeça.
Quando escrevo, imagino as personagens dialogando, imagino as salas, os talheres, as roupas e situações, mas tudo isso está na minha cabeça. Posso passar horas pensando, viajando dentro do universo, andando dentro de salas que nunca existiram, pensando qual pode ser o próximo grande evento pra surpreender os leitores.
Percebi, então, como isso parece loucura, como um mesmo cérebro cria tudo isso, e percebi que talvez seja loucura, seja uma esquizofrenia. Acontece, que quando você escreve e divide com o mundo a sua esquizofrenia, passa a ser um escritor. O rótulo muda, mas a condição é a mesma: muitos dos seus amigos estão dentro da sua cabeça. Pelo menos eu posso passar eles pro papel.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Ficção distópica, dor e suas reflexões

Tenho passado uma quantidade de tempo considerável lendo ficção distópica, estou terminando o quinto livro no tema. Não são livros muito relevantes no tema como, por exemplo, 1984;são livros que eu não esperava que fosse me interessar, mas me fizeram pensar muito. Li a série "Jogos Vorazes" e estou lendo a série "Divergent" (que não vou terminar tão cedo, já que o último livro ainda vai demorar um pouco antes de ser publicado). Mas entre isso e o que estou eu mesma escrevendo, tenho percebido que, até na ficção, não pode estar tudo errado. Precisamos de algo para sobreviver.
Em geral acaba sendo romance o que a ficção usa pra sobrevivermos - aquele momento de pausa entre tiros e sangue e morte. A própria leitura fica cansativa se não temos isso. Mas tenho pensado em quão vazio é esse refúgio, se formos parar pra pensar. Nas histórias, isso que mantém a sanidade das personagens quando todos parecem estar morrendo, em dor ou mortos, e adotam um ao outro como seus escudos de salvação, isso realmente é sábio? Não é uma coisa passageira demais pra personagens se prenderem?
E, curiosamente, minha resposta final é: não, não é. E isso se aplica pra vida, não só pra ficção. Porque se considerarmos períodos de instabilidade, guerra e revoluções, tudo o que todos querem é um alívio para aquilo, um fim para a dor, e a dor acaba unindo mais do que o amor em primeiro lugar.
Um pensamento em defesa da minha teoria - em que situação é mais provável que as pessoas sejam solidárias e gentis umas com as outras: quando todos estão felizes, de barrigas cheias e com as pessoas que amam ao lado delas pra ajudarem-nas caso tudo vá mal ou quando estão em crise?
A solidariedade acaba sendo um tipo de expressão que precisa de problemas pra se manifestar, a dor é necessária para que ela seja expressa, e acaba sendo uma das formas mais intensas de relacionamento interpessoal e menos racional - ter um 'parasita' no seu grupo que não pode te dar nada em troca, que você está ajudando meramente por ser um ser humano. Não, isso não é lógico aos nossos instintos. Não, isso não faz sentido no reino animal.
Acaba sendo uma forma de amor muito diferente das outras - não é porque queremos ter prole, não é porque vamos ganhar algo em troca, é porque um lado de nós, um lado menos animalesco e, ouso dizer, mais divino que permite que haja esse amor.
Não temos nada a perder, perdemos tudo o que tínhamos, então nos arriscamos em empreitadas completamente insanas do ponto de vista do nosso funcionamento tradicional. É como se aquilo fosse o nosso último suspiro de esperança - alcançar pessoas que evitávamos em busca de ter alguma coisa, qualquer coisa na verdade para sobreviver a esse mundo.
Percebi que, por pior que seja a dor, ela traz consigo algo divino, algo acima da nossa compreensão lógica. A dor nos une quando o amor falha em fazer isso por si só. A dor é necessária. A dor nos faz mais do que animais.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

see you laters

Suponho que eu poderia fazer uma postagem pensando sobre esse ano inteiro, as coisas que mudaram, mas isso não seria mais do que um eco do restante do ano - já que as escassas postagens refletiram sobre essas coisas, sobre as pessoas próximas, sobre as pessoas distantes, ou poderia ainda refletir sobre o natal ou sobre as promessas de ano novo, mas não consigo ver particularmente nenhuma relevância em nenhuma dessas coisas no momento, já que todo ano é a mesma coisa - Natal é uma data comercial, ano novo é quando as pessoas acham que tudo vai ser novo, fazem promessas vazias, mas rodam os dias e tudo volta ao normal.

Algo que tem me feito pensar mais, entretanto, são despedidas. Amigos que voltam cada um ao seu estado ou cidade, pessoas que viajam, ficamos lançados cada qual à sua distância, e tudo isso está me fazendo matutar sobre esses momentos da vida.
Provavelmente por causa de eu ficar por aqui a maior parte das férias (estudando pra minha prova...), estou sentindo um pouco mais os 'até logos' um pouco mais do que o usual. Amigos longe, namorado mais ainda, família indo pra longe também, e só terei os livros pra me acompanhar durante o próximo mês. Por mais que eu queira pensar que é uma bobagem, um mês ou três meses nem é tanto assim, isso tudo me fez perceber o quão apegada me tornei às pessoas.
Considerando o quanto eu queria viver minha vida independentemente delas porque ela nos chateiam, mimimi, bla blá blá, um discurso solitário, vazio e de melosidade excessiva, descobri que não são feitos extraordinários que nos fazem sentir falta das pessoas. Não são os grandes eventos escassos, são as coisas mais cotidianas, mais simples que fazem falta. Uma palavra, um abraço, um gesto, uma conversa boba ao final de um dia cansativo, um suco de morango e maracujá no Caju, são essas coisas que fazem falta.

Fazer o que? Quando a gente menos espera, percebe que suas raízes não ficaram na terra, ficaram nos outros, e quando eles saem você só fica esperando ansiosamente a volta pra você se sentir em casa de novo.