sexta-feira, 29 de junho de 2012

bits and pieces

Encontrei algumas coisas soltas que escrevi, algumas que nem publiquei e decidi divulgá-las aqui. Enjoy!

"Te penso e te despeço
Despedaço peças que não cabem na dispensa.
Então eu te despenso sem que você espere,
e me despeço.
Me desprendo e me apresso
antes que me desespere. "


"Passamos, às vezes, nossa vida inteira em uma louca busca frenética por algo que nem sabemos o que é, só sabemos que é algo que nos completa.
Por causa disso, o coração não pode ser partido se nunca foi, na realidade, completo pra começo de história. Mas, às vezes ainda choramos de frustração porque tivemos a breve ilusão de que havíamos encontrado aquilo, e então descobrimos que aquela peça valiosa e brilhante que temos em mãos simplesmente não se encaixa com a parte que já temos. "

"Tudo em um estranhíssimo momento
Em um súbito turbilhão confuso
De um breve sentimento recluso...
E encantou-se assim meu pensamento

A instigância deste encantamento
Reclinava em ser friamente escuso
Cordialmente rude, tolo, iluso
Um inquieto pensar de tormento

Este singular momento brilhante
Eventualmente encontrou seu fim
Mas antes que sua mente o engane

Pensando que segui caminho errante
E uma tal finitude emane,
Isso foi, de fato, um estopim"

terça-feira, 26 de junho de 2012

one.by.one

Esses dias estava ouvindo a música Mushaboom da cantora Leslie Feist e atentando para a letra. Ela fala sobre um casal de newlyweds e ela, no caso, confunde as coisas do futuro e as de agora, então por exemplo ela diz "taking the kids out of their coats but, wait, the babies haven't been born" (tirando os casacos das crianças mas, espera, os bebês ainda não nasceram) "Unpacking the bags and setting up, planting lilacs and buttercups but in the meantime we've got it hard, second-floor living without a yard" (Desfazendo as malas e arrumando as coisas, plantando lírios e copos-de-leite mas por enquanto está difícil, vivendo no segundo andar sem um jardim).

Achei engraçado isso, pelo fato de às vezes começarmos a confundir o novo com o futuro, passarmos tanto tempo idealizando uma coisa que começamos a de fato acreditar naquilo, é engraçado de se pensar. Mas a parte mais legal foi a seguinte: "And we'll collect the moments one by one I guess that's how the future's done". Ao final de todos os sonhos, idealizações de como será o futuro, não adianta de muita coisa. As longas reflexões e hipóteses complexas pouco importam ante à realidade: A gente imagina um ensaio, mas no final é sempre o improviso. E sabe o melhor? O improviso sempre é mais legal, engraçado e inusitado.

Então vamos lá, coletando nossos grãos de felicidade, juntando nossos momentos em um enredo complexo e multifacetado.


*  *  *  *  *

Helping the kids out of their coats
But wait the babies haven't been born
Unpacking the bags and setting up
And planting lilacs and buttercups

But in the meantime I've got it hard
Second floor living without a yard
It may be years until the day
My dreams will match up with my pay

Old dirt road
Knee deep snow
Watching the fire as we grow old

I got a man to stick it out
And make a home from a rented house
And we'll collect the moments one by one
I guess that's how the future's done

How many acres how much light
Tucked in the woods and out of sight
Talk to the neighbors and tip my cap
On a little road barely on the map

Old dirt road
Knee deep snow
Watching the fire as we grow old
Old dirt road
Rambling rose
Watching the fire as we grow well I'm sold

segunda-feira, 25 de junho de 2012

a boneca e o palhaço

Certo dia uma boneca de pano chorava. O soldadinho de chumbo veio falar com ela "porque olhos tão lindos estão tão salinos?" perguntou com delicadeza. "Não sou feliz, e por isso nenhuma criança me quer - quem quer uma boneca triste pra brincar? Toda molhada e pesada... Então fico mais triste e choro mais!" O soldadinho ficou pensativo um instante. "Também não sirvo muito bem de soldado..." andou pela brinquedoteca, "sou tão atrapalhado que quando vou à batalha riem de mim em vez de me temerem... um homem de guerra desengonçado..." mas antes que terminasse a frase, caiu de cara na tampa de tinta guache aberta no chão. Levantou o rosto todo pintado, apenas os olhos de fora. "...assim."
Sentou-se no chão em silêncio. Foi então que a boneca começou a rir da situação, da expressão estampada no rosto do soldado. Isso deu-lhe uma idéia.
Com algum esforço abriu a tinta vermelha e pintou o próprio nariz e um sorriso exagerado na boca. Virou-se e a boneca ria. Veio com a tinta no dedo e pintou-lhe um sorriso também. Ela gargalhava, e a água das lágrimas que lhe pesava saía aos poucos com os risos, secou-se toda!
"Agora nenhuma criança vai te achar triste demais pra brincar!" e sentou-se ao seu lado. "Então, você não devia ser soldado, mas palhaço!" "O que me chamam não vai mudar, mas posso mudar o que sou de verdade!" disse com certo orgulho da própria frase "Além do mais, o que é o palhaço senão um homem todo pintado de piada?" "É você", disse ela com um sorriso.
"E você, quando for chorar, lembra que sempre tem alguém que pode pintar um sorriso em você, daí  não precisa ser a boneca triste do jeito que te fizeram, pode ser quem você é de verdade!"

* * * * *
Folia no quarto ~oteatromagico

Se água nos olhos do palhaço molha
Menina dos olhos abandonada

Boneca de pano, de pena, chora quando
Água nos olhos da gente escorre

Corre beirando boca, ribeirão
Dorme junto ao coração
Faz do peito cachoeira

Leva, lavando, me deixando leve
Que a certeza não escorregue
Feito pedra de sabão

Bola, vidro, janela, bronca, tapa
Dias e dias sem televisão
Fecho porta pra não escutar briga
E, também, pra briga não escutar minha canção

Que faço distraindo a vida
Vou traindo minha sina
Distraindo decisão
Falo coisas que as vezes não faço
Sou boneca, sou palhaço, ponto de interrogação

Todo ser seria
Todo rio riria
Toda flor folia
Abajour pra escuridão

Toda brincadeira começa com alegria
Mas o sino do almoço troca o riso por feijão

Todo ser seria
Todo rio riria
Toda flor folia
Abajour pra escuridão

Quero mais careta no retrato
Quero mais folia no meu quarto
Quero mais careta no retrato
Quero mais folia no meu quarto

sábado, 23 de junho de 2012

O que se encontra quando os olhos piscam



Às vezes a gente muda. As raízes do jeito que estão não servem mais pra nos nutrir - precisamos expandir, crescer, procurar no solo que nos cerca novas formas de nos mantermos. As raízes velhas não secam ou morrem, mas crescem e mudam a conformação. Não deixam de ser o que eram, viram versões melhores daquilo que antes rascunhavam ser.
Com o tempo vivemos em cheio nossos potenciais: tornamo-nos caricaturas, exageros do que um dia fomos. Às vezes aquilo que nos nutria, nos fazia querer crescer, ficam pra trás pra dar lugar a regiões frescas, novas e cheias de vida pra dar. Um esforço aqui e acolá, esticamos e encontramos o que precisamos.
Redescobrimos e redefinimos os valores que atribuímos a tudo, com mais sol nossas folhas ficam mais verdes, florimos, colorimos o mundo.
Mas nada disso adianta se você continuar vivendo naquele seu mesmo vasinho de 5 cm de diâmetro. Nada disso adianta se você continua no mundinho pequeno, não tem mais espaço. Às vezes a gente percebe que só o que precisamos para ser mais do que éramos é de um vaso maior. O sol, os nutrientes, a água, nada disso importa se não temos espaço pra crescer.

Acho que mudei de vaso e nem percebi.


* * * * *

"Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá

Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Hum... E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito."

[Sonho de uma flauta ~oteatromagico]

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Faz de conta

Era uma vez a escuridão, ela andava presa em si mesma, triste. Chateada com o que era, não via o que a cercava, apenas ouvia vozes indistintas e vagas. Ela estava em todos os lugares, mas ao mesmo tempo não participava, não sentia que a queriam. 

Um dia, ouvindo uma conversa ouviu a montanha dizer “Psiu, você já ouviu a novidade?” “Não...” “Apareceu alguém novo aí, parece ser o que você anda procurando. É um novato, chamam ele de dia. Dizem que ele trouxe luz, e até vida – olha só pra mim, estou cheia de vida em mim agora! Plantas, animais, árvores.” O Rio ouviu a conversa e adicionou “É isso mesmo, também sinto algo diferente nadando em mim! Você precisa conhecê-lo!”

A noite ficou admirada “luz? Não sei o que é... mas parece interessante... acho que é disso que preciso!” foi então que ela decidiu que precisava mudar, vestiu-se de estrelas, vestiu-se com a lua e mudou seu nome para noite.

Sempre que o dia aparecia, ela vinha logo atrás, mas ele só conseguia voltar quando ela ia embora, e assim nasceram o crepúsculo e a alvorada, fruto de ambos para mantê-los unidos na distância temporal. Estavam, portanto, eles, por discrepância do destino, condenados a viver eternamente próximos mas igualmente separados.

terça-feira, 12 de junho de 2012

taming tongues

Dizem que poder sobre a palavra grande parte do tempo é traduzido como poder sobre as pessoas. De fato concordo com o incrível poder da palavra, apesar de também reconhecer quão falhas elas podem ser.
Se as palavras fossem assim tão específicas ao ouvir a palavra tristeza, a sentiríamos, ou o mesmo com alegria, amor, raiva. Porém, através da manipulação correta de um conjunto inteiro de palavras, podemos levar as pessoas a praticamente qualquer estado emocional que quisermos.
A exemplo disso estão livros que fazem as pessoas rirem, chorarem, ficarem bravas, tristes. O fato é, quanto maior o poder sobre a palavra, maior é o poder que você adquire - mas também junto com tudo isso vem grande (enorme, gigantesca!) responsabilidade.
Portanto, se você tem algo bom a falar, fale. Se você tem uma crítica que vai produzir algo bom, fale. Mas se as suas palavras só vão produzir destruição, guarde-as bem. Muito bem.

*  *  *  *  *

On and On...he goes
Now look who's playin' the fool
Criticizing, telling lies, putting down
ain't you got nothin' better to do?
If you can't say nothin' good, don't say nothin' at all

'Cause I know that there are times in life
When we just can't keep it to ourselves
but to want is not to make it rightWe've got to tame our tongue
If you can't say nothin' good, don't say nothin' at all
On and on...we go
playin the game that never ends
I think it's time that we all realize
a broken heart is hard to mend
If you can't say nothin' good don't say nothin' at all

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Silence of the lambs

Retornei ontem do congresso nacional da ABUB, retornei bastante feliz e animada com o movimento de evangelização universitária. Estudante alcançando estudante.
Quando fui à igreja ontem, a palavra foi sobre falar ou não do evangelho, usando a frase:

"Pregarei o evangelho e, se necessário, usarei palavras."

No caso a frase foi vista como negativa, porém eu a vejo como extremamente positiva. É, eu tenho essa tendência a ser do contra.
Motivos pelos quais a frase foi apontada como sendo negativa: a frase é, muitas vezes, utilizada como desculpa para as pessoas não evangelizarem, falar das suas crenças, fé, etc. De fato, isso ocorre. Segundo, foi usado como argumento que as pessoas não podem conhecer se nunca ouviram falar. Hum, não sei se posso concordar.

Compreendo 'palavras' como sendo aquela coisa meio forçada de você ficar pregando pras pessoas que elas vão pro inferno, sentar com a Bíblia e ficar insistentemente tentando mudar quem a pessoa é - mas o cristianismo é muito mais natural que isso. A conversão não é um momento, é um processo de crescimento, de compreensão do mundo e dos outros. Não é algo súbito, fácil e espontâneo, é algo que acontece a longo prazo e que exige muito esforço, fé e vontade.
Uma vez que esse processo se instala e começa a se desenvolver em nós, isso não vira só mais uma caixinha, uma categoria nova na nossa vida, antes, ela é a estante que contém e organiza todas as outras caixinhas - família, trabalho, estudos, amigos - e às vezes, as caixas que temos não se adequam a esse sistema de prateleiras e precisamos nos livrar delas. Então tudo se torna uma malha intrinsecamente construída em que não existe uma coisa sem a outra, o cristianismo se manifesta em todas as coisas, em tudo o que fazemos: nossos pensamentos, ações, e palavras mais cotidianas. Quando há crescimento, quando buscamos e estudamos, todo aquele esforço sobrenatural que as vezes pensamos ser o 'falar de Cristo' se torna algo naturalíssimo: aparece discretamente e a diferença se evidencia com grande facilidade.
Uma excelente frase que vi esses dias foi Spurgeon: "Eu não dou muito por sua religião a menos que possa ser vista. Os lampiões não falam; mas brilham." Uma lâmpada mostra a verdade: mostra a realidade como é sem esforço, faz parte de quem ela é. Nós não precisamo de longos discursos, frases ou sensacionalismos: se o cristianismo é de fato verdade, provar-se-á assim para toda pergunta que lançarmos a ele. Assim, deve fazer parte da nossa natureza mostrar a verdade, nas coisas cotidianas, nos gestos, em detalhes.
Nossa crença faz parte de nós e permeia tudo em nós e tudo o que sai de nós, então por mais que muitas vezes falaremos sobre coisas que remetem a ela, não precisamos fazer lavagem cerebral em ninguém ou ser um babaca chato gritando na praça e afastando as pessoas mais que atraindo: temos que fazer nossa parte, mas ter em mente, que a forma que fazemos isso pode construir ou destruir a imagem do cristianismo pra alguém.
Se falamos sem viver o cristianismo, nossas palavras não valem nada. Se o vivemos em todas as coisas - mesmo as mais simples - quaisquer palavras que emitirmos ganharão um valor muitíssimo maior.
*  *  *  *  *

"You think your faith is where you sit on sunday morning
You've got a front row seat where you can be seen snoring
Throughout the week you live your life inside a bubble
You find your happiness avoiding people's thoughts
Your life revolves around yourself,
You don't treat others very well
You say your faith will get you by and that you won't be left behind
You might be right, but that's not good enough


If you don't have deeds you have nothing at all
If you don't have faith your deeds will fall
They can't be true without each other
You can't have one without the other"

Deeds - Sanctus Real

terça-feira, 5 de junho de 2012

Roll with the punches

Minha comunicação via blog anda bastante defasada, em parte pela questão de tempo, pouca vontade/temas para escrever, mas nas últimas duas semanas estive impedida por motivos de força maior.
Talvez só quem tenha me visto (ou percebido minha ausência) que ficou sabendo, mas esses dias com toda a minha sorte fechei a porta do carro no dedo uns dias pra trás, e hoje foi meu primeiro dia sem analgésicos! A inflamação diminuiu, já estou com o movimento mais normal, mas isso custou pra ficar assim.
O que achei peculiar foi que na hora que bati e vi o enorme corte e meu dedo todo amassado, eu sabia. Sabia tudo o que estava acontecendo: queda de pressão arterial, acúmulo de linfócitos provocando inflamação e impedindo infecção, coagulação, e até pensei "Se fizer pressão mecânica o impulso de pressão chega antes do impulso da dor!", mas ainda assim doeu.
Foi terrivelmente frustrante, eu sabia.
Uns dias depois, percebi que a inflamação sempre piorava ao longo do dia e então lembrei: Elementar, minha cara burra! Cortisol é antiinflamatório e o pico é pela manhã!
Mas eu não podia dizer pras minhas glândulas suprarrenais: produzam cortisol! Não.

Isso me fez pensar muito nas coisas na vida que acontecem, a gente sabe que acontece, sabe porque acontecem mas ainda assim não podemos fazer nada, senão lidar com os eventos... Mas daí, chegamos a outra metáfora.
Conversando com meus amigos militares sobre eles terem que atirar e tudo o mais, falamos sobre o recuo da arma. Sempre pensei que o recuo fosse algo negativo, já que pode provocar inúmeros deslocamentos no ombro, cotovelo, ou pode até atingir o rosto do atirador dependendo da proximidade, acontece que dá pra usar isso que teoricamente seria negativo a seu favor: você usa essa energia transferida para preparar e dar o próximo tiro e assim sucessivamente.
Então, ainda que eu soubesse todos os efeitos negativos do evento, tive que aprovietar o recuo que a vida me apresentou e acumular energia descansando muito na última semana pro restante do semestre =)

Que venham os próximos recuos!

*  *  *  *  *

Roll with the punches ~lenka

That really hurt me
Like a fist to the face
I wasn't ready
To be knocked out of place
Suddenly everything I was sure of
Sinking below the depths of the surface
It's unexpected, it usually is
When you're rejected
Or you take a hit
Suddenly everything's thrown in a spin
No time to grow a thicker skin
What kind of situation am I in now?

When life tries to knock all the wind out of you
You've got to roll, roll, roll with the punches
If all life offers is black and blue
You've got to roll, roll, roll with the punches

Little weapons over the phone
They like to threaten the life that I know
They say get over here and get into the ring
But I'm not really much a fighter
My mechanisms of defense are down
My resistance is out on the town
I was alarmed by your attack
This isn't a boxing match
But I'll be damned if I ever let you win