Às vezes a gente muda. As raízes do jeito que estão não servem mais pra nos nutrir - precisamos expandir, crescer, procurar no solo que nos cerca novas formas de nos mantermos. As raízes velhas não secam ou morrem, mas crescem e mudam a conformação. Não deixam de ser o que eram, viram versões melhores daquilo que antes rascunhavam ser.
Com o tempo vivemos em cheio nossos potenciais: tornamo-nos caricaturas, exageros do que um dia fomos. Às vezes aquilo que nos nutria, nos fazia querer crescer, ficam pra trás pra dar lugar a regiões frescas, novas e cheias de vida pra dar. Um esforço aqui e acolá, esticamos e encontramos o que precisamos.
Redescobrimos e redefinimos os valores que atribuímos a tudo, com mais sol nossas folhas ficam mais verdes, florimos, colorimos o mundo.
Mas nada disso adianta se você continuar vivendo naquele seu mesmo vasinho de 5 cm de diâmetro. Nada disso adianta se você continua no mundinho pequeno, não tem mais espaço. Às vezes a gente percebe que só o que precisamos para ser mais do que éramos é de um vaso maior. O sol, os nutrientes, a água, nada disso importa se não temos espaço pra crescer.
Acho que mudei de vaso e nem percebi.
"Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Hum... E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito."
[Sonho de uma flauta ~oteatromagico]
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