quarta-feira, 20 de junho de 2012

Faz de conta

Era uma vez a escuridão, ela andava presa em si mesma, triste. Chateada com o que era, não via o que a cercava, apenas ouvia vozes indistintas e vagas. Ela estava em todos os lugares, mas ao mesmo tempo não participava, não sentia que a queriam. 

Um dia, ouvindo uma conversa ouviu a montanha dizer “Psiu, você já ouviu a novidade?” “Não...” “Apareceu alguém novo aí, parece ser o que você anda procurando. É um novato, chamam ele de dia. Dizem que ele trouxe luz, e até vida – olha só pra mim, estou cheia de vida em mim agora! Plantas, animais, árvores.” O Rio ouviu a conversa e adicionou “É isso mesmo, também sinto algo diferente nadando em mim! Você precisa conhecê-lo!”

A noite ficou admirada “luz? Não sei o que é... mas parece interessante... acho que é disso que preciso!” foi então que ela decidiu que precisava mudar, vestiu-se de estrelas, vestiu-se com a lua e mudou seu nome para noite.

Sempre que o dia aparecia, ela vinha logo atrás, mas ele só conseguia voltar quando ela ia embora, e assim nasceram o crepúsculo e a alvorada, fruto de ambos para mantê-los unidos na distância temporal. Estavam, portanto, eles, por discrepância do destino, condenados a viver eternamente próximos mas igualmente separados.

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