terça-feira, 20 de novembro de 2012

Já tentei calcular o meu valor...


A lição da vez foi um tema abordado na igreja a respeito das bases de valor que temos. Começamos aprendendo desde cedo que o nosso valor está estabelecido na nossa capacidade de fazer alguma coisa ou capacidade intelectual, na aparência física e no status. Crianças se veem assim, nós nos vemos assim. Enquanto tivermos ao menos uma dessas características, achamos que valemos alguma coisa. Posso não ser bonito, mas se for inteligente tenho alguma coisa... Posso não ser inteligente mas sou super talentoso em outra área. Posso não ser nada especial, mas enquanto tiver coisas que denotam algum tipo de poder, tudo bem. Não, não está tudo bem.
Porque a beleza vai definhar com os anos, a inteligência... nunca parece ser suficiente. O que você tem, não dura muito. E não só o que você tem no sentido material, mas todas essas coisas citadas são coisas que você tem: beleza, inteligencia, dinheiro, status. E o que você tem começa a definir o que você é, e tudo acaba em um pensamento viciado em valores totalmente errados.
Grande parte do tempo vivemos a base disso, contudo fazemos isso como compensação da instabilidade das nossas bases internas – aquilo que somos – que são nosso sentimento de valor, amor e aceitação. Quando temos essas bases frágeis, buscamos mecanismos de aceitação alternativos – se não nos sentimos 'bons o suficiente' pela própria natureza, tentamos pelo esforço.
Esses problemas decorrem normalmente de uma má criação e disciplina, são conceitos estabelecidos nos primeiros anos de vida e se sua infância inteira você nunca era bom o suficiente, era sempre burro ou atrapalhado ou inconveniente, você vai passar a sua vida inteira acreditando nessas coisas. Será? Errado!
É claro que esse seria o cenário mais conveniente: “coitado de mim, fui criado de maneira inadequada, meus pais não souberam mostrar amor e aceitação, então não sirvo pra esse mundo.” Mas tanto quanto é conveniente, também é equivocado e infantil esse pensamento viciado em conquista de amor ou de respeito a partir de bases externas.
O nosso valor não está no que temos, mas no que somos. Como diz C.S.Lewis: Nós não somos um corpo. Nós temos um corpo, nós somos uma alma.
Não, não somos perfeitos. Sempre há alguém mais inteligente, com mais status e mais bonito que a gente, então tentar ranquear nosso valor nisso de fato só vai nos deixar em um estado psicológico pior que o previamente estabelecido – de fato, se nos basearmos nisso, nunca seremos bons o suficiente.
Mas... mesmo assim, Deus estabeleceu nosso valor, uns dois mil anos atrás quando disse que a nossa vida tinha valor suficiente para que outra pessoa morresse pra que tivéssemos um relacionamento com Deus. E não foi qualquer pessoa, foi a pessoa, a única pessoa que não mereceria morrer, muito menos de forma tão brutal e humilhante.
A auto-estima baixa simplesmente deixa de fazer sentido quando alguém acredita em você, não é mesmo? Às vezes só o que precisamos é que alguém acredite em nós pra sairmos desse pensamento viciado de insuficiência e sentimento de não pertencer, quanto mais significa que quem criou tudo diga que você vale à pena – que investiu a vida do próprio filho na sua liberdade pra você largar todas essas ideias e começar a trabalhar pra mostrar pra outras pessoas o valor que elas tem também.
E por mais que mudar esses conceitos, essa conformação (que se mostra mais uma deformação) que temos, em sintonia com o coração de Deus através do relacionamento com ele, ele trabalha nos reformando pra nos deixar melhores. Ele reforma de dentro pra fora – porque o seu lado de dentro reflete no lado de fora. E, antes que você perceba, aquilo que parecia horrível, você parecia insuficiente... Deus vai trabalhando em você aos poucos, você fica mais feliz, isso se reflete no seu físico. E mesmo se você não conseguir acertar tudo, Deus ainda vai te amar. Você se torna uma pessoa mais agradável para si e para o restante do mundo porque você está se tornando uma nova criatura: não uma criatura daqui, terrena. Uma criatura do Reino, uma criatura conforme o coração de Deus – conforme o plano inicial que ele tinha pra você antes de todos aqueles traumas e revoltas que aconteceram ao longo dos anos.

Então o próximo dia em que você não quiser sair da cama porque não faz diferença no mundo ou porque não é bom o suficiente, pense no seu valor traduzido na cruz e me diz... você realmente ainda acha que a vida de Jesus não valia nada?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Unsustainable

Hoje estava aproveitando as férias pintando enquanto ouvia algumas pregações do Paul Washer enquanto estava aqui no Brasil. Ouvi uma série a respeito de namoro, e, apesar de não concordar com bastante coisa que ele diz (opiniões extremistas e que só poderiam ser aplicadas em situações utópicas), houve coisas que me fizeram pensar bastante.

Uma das frases que mais me fez pensar foi "We are raping our children's minds" (Estamos estuprando as mentes de nossas crianças). É uma frase muito forte, mas é a realidade.
Fazia muito tempo que não assistia televisão, e hoje, procurando algo pra assistir percebi quão forte é isso na nossa cultura. A maioria dos programas tinham de forma explícita ou não referências sexuais aos quais crianças não deveriam ser expostas. Claro, tinha idades indicativas - 10, 12 anos no máximo. Enquanto que um excelente documentário da segunda guerra mundial no Nat geo era indicação 14 anos.
Então as crianças estão preparadas para sexo mas não para a morte? Para a crueldade dos seres humanos que os cercam? Para o mundo real?

Parece que desde cedo a sociedade introduz as crianças a muitas coisas do mundo adulto - quiçá, poderíamos colocar como os 'privilégios' do mundo adulto sem a responsabilidade do mundo adulto; e chamam essa fase intermediária de adolescência. Isso é, você tem a licença para se comportar como uma criança, ser irresponsável como uma criança e viver em uma bolha ideal de conforto com uma criança mas com elementos da vida adulta que necessariamente envolvem responsabilidade.

O resultado dessa loucura? Adolescentes de 30, 40 anos que dependem dos pais, têm relacionamentos instáveis e a curto prazo, que desconhecem o mundo real. Crianças se chamando de adolescentes, crianças que não sabem lidar emocionalmente com relacionamentos e não entendem a profundidade desses. Uma sociedade totalmente desajustada por ser formada de famílias desajustadas - mães solteiras, pais que fogem da responsabilidade, crianças querendo apressar seu amadurecimento e os pais dessa geração que estão colhendo os frutos da criação pela mídia, que lhes parecia tão mais fácil e conveniente antes. Uma sociedade com um excesso de pessoas irresponsáveis, 50% das pessoas ainda no estado psicológico da adolescência. Uma sociedade de caos, despreparada em uma cultura de morte autodestrutiva. Uma geração inteira emocionalmente e psicologicamente desequilibrada, uma geração insustentável.