A lição da vez foi
um tema abordado na igreja a respeito das bases de valor que temos.
Começamos aprendendo desde cedo que o nosso valor está estabelecido
na nossa capacidade de fazer alguma coisa ou capacidade intelectual,
na aparência física e no status. Crianças se veem assim, nós nos
vemos assim. Enquanto tivermos ao menos uma dessas características,
achamos que valemos alguma coisa. Posso não ser bonito, mas se for
inteligente tenho alguma coisa... Posso não ser inteligente mas sou
super talentoso em outra área. Posso não ser nada especial, mas
enquanto tiver coisas que denotam algum tipo de poder, tudo bem. Não,
não está tudo bem.
Porque a beleza vai
definhar com os anos, a inteligência... nunca parece ser suficiente.
O que você tem, não dura muito. E não só o que você tem no
sentido material, mas todas essas coisas citadas são coisas que você
tem: beleza, inteligencia, dinheiro, status. E o que você tem
começa a definir o que você é, e tudo acaba em um
pensamento viciado em valores totalmente errados.
Grande parte do tempo
vivemos a base disso, contudo fazemos isso como compensação da
instabilidade das nossas bases internas – aquilo que somos – que
são nosso sentimento de valor, amor e aceitação. Quando temos
essas bases frágeis, buscamos mecanismos de aceitação alternativos
– se não nos sentimos 'bons o suficiente' pela própria natureza,
tentamos pelo esforço.
Esses problemas
decorrem normalmente de uma má criação e disciplina, são
conceitos estabelecidos nos primeiros anos de vida e se sua infância
inteira você nunca era bom o suficiente, era sempre burro ou
atrapalhado ou inconveniente, você vai passar a sua vida inteira
acreditando nessas coisas. Será? Errado!
É claro que esse
seria o cenário mais conveniente: “coitado de mim, fui criado de
maneira inadequada, meus pais não souberam mostrar amor e aceitação,
então não sirvo pra esse mundo.” Mas tanto quanto é conveniente,
também é equivocado e infantil esse pensamento viciado em conquista
de amor ou de respeito a partir de bases externas.
O nosso valor não
está no que temos, mas no que somos. Como diz C.S.Lewis: Nós não
somos um corpo. Nós temos um corpo, nós somos uma alma.
Não, não somos
perfeitos. Sempre há alguém mais inteligente, com mais status e
mais bonito que a gente, então tentar ranquear nosso valor nisso de
fato só vai nos deixar em um estado psicológico pior que o
previamente estabelecido – de fato, se nos basearmos nisso, nunca
seremos bons o suficiente.
Mas... mesmo assim,
Deus estabeleceu nosso valor, uns dois mil anos atrás quando disse
que a nossa vida tinha valor suficiente para que outra pessoa
morresse pra que tivéssemos um relacionamento com Deus. E não foi
qualquer pessoa, foi a pessoa, a única pessoa que não mereceria
morrer, muito menos de forma tão brutal e humilhante.
A auto-estima baixa
simplesmente deixa de fazer sentido quando alguém acredita em você,
não é mesmo? Às vezes só o que precisamos é que alguém acredite
em nós pra sairmos desse pensamento viciado de insuficiência e
sentimento de não pertencer, quanto mais significa que quem criou
tudo diga que você vale à pena – que investiu a vida do
próprio filho na sua liberdade pra você largar todas essas ideias e
começar a trabalhar pra mostrar pra outras pessoas o valor que elas
tem também.
E por mais que mudar
esses conceitos, essa conformação (que se mostra mais uma
deformação) que temos, em sintonia com o coração de Deus através
do relacionamento com ele, ele trabalha nos reformando pra nos deixar
melhores. Ele reforma de dentro pra fora – porque o seu lado de
dentro reflete no lado de fora. E, antes que você perceba, aquilo
que parecia horrível, você parecia insuficiente... Deus vai
trabalhando em você aos poucos, você fica mais feliz, isso se
reflete no seu físico. E mesmo se você não conseguir acertar tudo,
Deus ainda vai te amar. Você se torna uma pessoa mais agradável
para si e para o restante do mundo porque você está se tornando uma
nova criatura: não uma criatura daqui, terrena. Uma criatura do
Reino, uma criatura conforme o coração de Deus – conforme o plano
inicial que ele tinha pra você antes de todos aqueles traumas e
revoltas que aconteceram ao longo dos anos.
Então o próximo dia
em que você não quiser sair da cama porque não faz diferença no
mundo ou porque não é bom o suficiente, pense no seu valor
traduzido na cruz e me diz... você realmente ainda acha que a vida
de Jesus não valia nada?
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