A escrita e a esquizofrenia são duas coisas desesperadoramente similares. Essa foi a conclusão à qual cheguei.
O que classifica um indivíduo como tendo a condição psicológica classificada como esquizofrenia é quando sobre de múltiplas personalidades, podendo ser até 15 a 20 personalidades simultaneamente coexistindo em um cérebro. O tempo que a pessoa passa em determinada personalidade pode variar, ela pode dialogar com ela mesma, ou passar dias sendo x ou y pessoa.
Escrever ficção não é muito diferente.
Quando você escreve, é claro que não há um personagem só - são vários. Personagens sábios e inteligentes, crianças, pessoas irritantes, pessoas corajosas, covardes, criativos e completamente sem graça - tudo isso povoa um mesmo universo fictício. A grande sacada é que esse universo fica na sua cabeça.
Quando escrevo, imagino as personagens dialogando, imagino as salas, os talheres, as roupas e situações, mas tudo isso está na minha cabeça. Posso passar horas pensando, viajando dentro do universo, andando dentro de salas que nunca existiram, pensando qual pode ser o próximo grande evento pra surpreender os leitores.
Percebi, então, como isso parece loucura, como um mesmo cérebro cria tudo isso, e percebi que talvez seja loucura, seja uma esquizofrenia. Acontece, que quando você escreve e divide com o mundo a sua esquizofrenia, passa a ser um escritor. O rótulo muda, mas a condição é a mesma: muitos dos seus amigos estão dentro da sua cabeça. Pelo menos eu posso passar eles pro papel.
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