terça-feira, 4 de outubro de 2011

Não fui eu, foi meu eu-lírico.

Há algo a respeito do leve tilintar da caneta contra o papel, do bater das teclas de uma máquina de escrever, ou até mesmo do bater das teclas de um teclado de computador que os torna incrivelmente confortantes.
Escrever é particularmente confortante porque ele lhe permite viver todos os mundos que você tem em si, todas as possiblidades, todos os sonhos (ou pesadelos). Permite colocar um pouco de si para fora, se deixar passear pelo mendo, se deixar entrar nas mentes alheias e passear entre sinapses.
Li recentemente uma frase brilhante, porém não me recordo o autor: "Para produzir alguma coisa, o artista deve mergulhar seu pincel em sua alma" - ou mergulhar a pena em sua alma. Algo que de alguma forma insiste em escapar de seu controle e sair desvairadamente pelo mundo a fora a expressar-se nas intermináveis e incontíveis folhas de papel.
Talvez seja por tirarmos de nós e colocar no papel ou no computador é que sentimo-nos aliviados, como se aquilo não mais fosse um peso, como se aquilo não fizesse mais parte de nós - podemos ser quem quisermos e dizer o que quisermos, porque as palavras nos deixam essa liberdade. Mas usualmente, nos apegamos àquela imagem que temos de nós mesmos.
Agora, o problema em escrever é que o caminho de nossas cabeças até nossos dedos é demasiado longo, a jornada dos pensamentos e sentimentos às palavras é nebuloso e entrecortado, então algo de nossa alma se dissipa antes de ser inteiramente exteriorizado, às vezes por nós filtrarmos o que escrevemos, às vezes pelas limitações que as palavras nos impõem, mas a realidade é que a linguagem ainda é falha e terrivelmente confusa. Vai ver é por isso que C.S.Lewis diz que as coisas que realmente valem à pena são aquelas que não são ditas.
Bem, independentemente disso, gosto da liberdade ou da falsa impressão desta que as palavras me dão. Uma ótima frase da música Make it Work do Kevin Max é: "If I could make it work in life like it works on paper... Then I would wipe my eyes, I'd dry this ink and trade my pen in on a pair of wings and I would, I would fly".
Mas acho que a vida e a ficção têm mais a ver do que pensamos - é só ver, nunca a literatura foi inteiramente inédita. Sua inspiração sempre foi a realidade. Afinal... na literatura, nada se cria - tudo se transforma. Ela nunca foi criada propriamente, apenas se baseou na vida que já existia.

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Vagando pelo youtube ouvindo Ingrid Michaelson pra variar, me deparei com o videoclipe de uma música, e achei particularmente divertido esse. É o clipe da música "The Way I Am", simples e... bem, agradável de se assistir. A música, nem preciso comentar que me encanta.
Tentei 'embedar' (nossa, aportuguesar termos em inglês é terrível), mas deu erro... então deixarei apenas o link ali em cima. Enjoy!

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