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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

calafrios

A empatia é uma característica de que falamos relativamente pouco, se formos considerar a sua importância socio-emocional.
Para os navegantes, empatia tem por origem etimológica um significado próximo a "estar dentro da emoção" "junto com a emoção"; já, psicologicamente é a capacidade natural que temos de identificar o que outra pessoa está pensando ou sentindo e responder com emoção apropriada.
Mas, e na prática, ela afeta nossa vida diária? E como, meus caros!
Sempre que uma menina reclama dizendo "Ai, ele não é sensível..." quando quer dizer que queria que o respectivo fosse mais compreensivo quanto à sua TPM ou à sua chapinha que se desfez na chuva, na verdade ela não gostaria que ele fosse mais 'sensível' eu acho, porque senão um cutucão e ele diria que está com hemorragia e um puxão de cabelo e perdeu o escalpo (apesar de que a maioria dos homens é meio chorão assim). Na verdade o que a nossa cara tola quer dizer é "Ah, seus níveis de empatia são extremamente baixos...", mas, como vivemos no mundo real, todo ignoram isso.
Um exemplo onde a empatia demonstra ainda mais a sua importância ainda é em sua ausência - caracterizando pessoas más, cruéis e às vezes até psicopatas.
A psicopatia se caracteriza precisamente pela ausência de empatia, devido ao pequeno fato que psicopatas são incapazes de sentir a dor física ou emocional alheia, e por isso não lhe importa se provoca essa dor ou não - não sentem remorso absolutamente nenhum.
Há ainda os indivíduos que temporariamente bloqueiam qualquer tipo de empatia ou freio social, que acabam sendo indivíduos violentos, mas que depois são capazes de sentir remorso pelas ações. No entanto, não são só  eles que bloqueiam a empatia - cansaço e stress (físico e psicológico) podem bloquear a nossa empatia, tornando-nos por alguns instantes em algum grau levíssimo psicopatas (calma, não é pra exagerar, só pra ilustrar!), e daí saem os insultos e acidez das palavras que acompanham o cansaço ao final de um dia estressante de provas, no trabalho, etc.
Também há os momentos em que a preocupação própria sobrepõe nossa preocupação alheia; por exemplo, se sua esposa está no banco de trás tendo o seu filho, você não vai se preocupar em parar o carro para ajudar aquele idoso a atravessar a rua (ou eu espero que não, pelo menos!).
Outro fato curioso da empatia: além de toda a rede neural responsável por ela (envolvendo regiões próximas do globo ocular, região temporal, entre outras 6 regiões do cérebro que cooperam para essa capacidade), há ainda o hormônio da empatia - a ocitocina (ou oxitocina), e curiosamente é um hormônio predominantemente feminino que é liberado estimulando a lactação e instiga os instintos maternos e preocupação com o bebê (inclusive sua liberação é estimulada ao ver, ouvir ou cheirar o bebê). Então aquela história do amor de mãe, que elas são mais solidárias, preocupadas e amáveis, não só com os seus filhos mas com todos? Cientificamente explicado, meu bem.
Isso explica precisamente porque mulheres tendem ter um Quociente de Empatia mais alto (por volta de 47, o máximo sendo 80) enquanto que os homens um QE ligeiramente mais baixo, de 42. Um QE normal é entre 33 e 52 pontos, e pessoas com síndrome de Asperger ou autismo é de aproximadamente 20, enquanto de um psicopata hardcore é nulo.
O mais assustador? Existem milhões de psicopatas vivendo entre nós que nunca vão fazer alguma atrocidade moral do tipo torturar ou cometer homicídio, mas simplesmente são insensíveis aos outros e não se importam em ferí-los, o seu único objetivo é se dar bem na vida - acabam sendo rotulados como malas, canalhas, egoístas etc. Daí você começa a pensar, e o próprio sistema capitalista em grande parte estimula esse tipo de comportamento... e você pára e pensa... meu Deus, aonde esse mundo foi parar?
Seu vizinho, amigos, namorado, marido, esposa, colega de trabalho, professor - vai ver, até mesmo seus pais. São todos potenciais psicopatas.
Ugh, esse pensamento dá calafrios!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Travelling through

Hoje no lab de Bio (eu sei, sempre comento aqui as conversas de lá) estávamos discutindo viagens, países e culturas. Senti que foi um pouco mais similar a um monólogo por minha parte que de fato uma conversa, mas como diziam os psicólogos da USP da orientação profissional, ao conversarmos temos um contato mais direto com nosso subconsciente que meramente ponderando sozinhos.
Enfim, comecei a pensar em todos os países para os quais quero ir e, rapaz... vou ter que estudar muito pra ganhar muito e assim viajar muuuuito mesmo! Tá aqui o top 10:

Irlanda
Eu sei que já conheço esse pedaço de grama, ovelhas, muros de pedra e batatas, mas lembro muito pouco então gostaria de retornar um pouco mais crescida para conhecer mais das minhas origens genéticas.
Obs.: Dentro de "Irlanda" lê-se tanto a Irlanda do Norte como Éire (Irlanda do sul).

Inglaterra
Ok, retornamos à mesma questão supracitada de que já conheço, mas quero conhecer de verdade agora! Passear muito, tirar zilhões de fotos e lembrar de tu-di-nho. Além do mais, quero aproveitar e rodar o restante das ilhas britânicastambém: Stone henge!
França
Eu sei, um tanto cliché, não é? Mas francês, vilas, Louvre, moda pra eu ficar sonhando e não comprar nada, é coisa demais pra não querer conhecer. Além, é claro da arquitetura. Art nouveau. Notre Dame. **suspiros** c'est ça que j'adore!

Nova Zelândia
Dentro de minha missão 'conhecer um país de cada continente' (no mínimo), vamos sair um pouco da Europa. Sabe o que eu sei da Nova Zelândia? Que lá foram filmados Senhor dos Anéis e As crônicas de Narnia. Nada mais. Agora, me diz se isso não significa que preciso conhecer?

Peru
Você poderia dizer: "Peru? Mas que diabos!" e eu respondo com duas palavrinhas só eu aprendi de coor... MACHU PICCHU!

Egito
Rapaz, desde antes de eu me conhecer por gente lembro de sorrateiramente furtar o livro "Como seria sua vida no antigo Egito?" da minha irmã (eu levava bronca, mas paciência) e ficar lendo sobre roupas, cultura e mumificação dessa galerinha aí. Museus, múmias, Quéops, Quéfren, Miquerinos, toda a egiptologia me encanta há tempo demais para eu nunca conhecer esse país - que aliás, teve a primeira prótese para seres humanos de que se tem conhecimento, conhecer as origens da engenharia biomédica!

Itália
Rapaz, para quem estudou em uma escola ítalo-brasileira durante 7 anos de sua vida e não passou de como você se chama em italiano, queria conhecer alguma coisa do mediterrâneo por alguns motivos: históricos - Roma, meu bem! Coliseu, aquedutos e construções fabulosas!; gastronômicos - azeite, pizza e macarrão. O que mais precisamos para sermos felizes?; arquitetônicos - vinculado ao aspecto histórico, conhecer catedrais, uma sidade sendo submergida diariamente e torres na iminência de cair parecem bem atraentes.


Alemanha e Suíça
Que atrocidade nem dar um espaço individual a estes países, mas tenho algumas coisas pessoais contra ambos (Suíços são os caras que enriqueceram à custa dos judeus com fachada de bonzinhos e Alemães... bem, eles que executaram e torturaram judeus, homossexuais, hispânicos e negros), mas ainda gostaria de conhecer os dois países. A Alemanha tem alguns castelos bem legais (o que inspirou a história da Bela Adormecida, inclusive), todo os aspecto cultural da segunda guerra mundial, além do aspecto de desenvolvimento tecnológico.
Suíça tem chocolate, relógios, queijos e edelweiss, mas também tem neve, muita neve - algo que ainda quero ver, brincar e congelar na diversão nela.
Mas lembrem-se da simples relação: Alemães são os portugueses que aprenderam matemática, e suíços são os alemães com mania de precisão. Portanto, watch out!

Japão
Tecnologia, pessoas, movimento, luzes, cidades... o que há para não gostar  além de tsunamis terremotos e acidentes nucleares ?

Ainda há muitos países que não estão listados tais quais Rússia, Canadá, Chile, Vaticano, mas quando comecei a lista pretendia colocar 5, e já fui pra dez. Tem que limitar um pouco, né?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Frail

Algo que há muito tem me intrigado e, de certa forma, até assombrado tem sido perceber a estonteante fragilidade humana, e particularmente quão cegos somos a isso.
Se fizermos um zoom out de nossas vidinhas toscas, e olharmos o mundo, a galáxia, o universo, percebemos quão absolutamente somos indispensáveis a este último. Veremos que somos como um grão de areia em uma praia que tende ao infinito.
Ainda assim, temos a terrível tendência de de alguma estranha forma achar que nós somos importantes e inclusive nos enganamos ao pensar que somos mais importantes do que os outros indivíduos, que o restante da natureza, que qualquer coisa - e fazemos atrocidades morais, ecológicas, sociais... e nos convencemos dessa suma importância de tal forma que acreditamos que ela seja normal.
Estamos tão acostumados a nos imaginarmos em um platô de superioridade, que não vemos que nós não somos independentes - pelo contrário, somos extremamente dependentes de um status quo, e uma mínima variação disso pode ocasionar sérias consequências, até mesmo a morte.
Tente ficar sem oxigênio por alguns minutos. Tente ficar sem água por alguns dias. Tente não se alimentar por alguns dias. Tente ficar em uma temperatura acima de 42 graus Celsius. Como disse hoje o professor Flávio, "enquanto nós nos achamos super resistentes, adaptáveis e fantásticos, em 45 graus nossas proteínas e enzimas se desfizeram e você não é nada. Já uma bactéria, você a coloca a 1500 graus e ela dá risada da sua cara!".
Talvez justamente a nossa inteligência tenha que existir para criarmos formas de nos proteger do mundo e tudo o que ele pode implicar, já que alguns metros de altura, um erro de divisão celular ou certo volume de água poderiam ser fatais a nós. Talvez, precisamente por sermos tão vulneráveis que precisamos construir e arquitetar ambientes para que mimiquemos aquilo que a natureza faz por si só em outras espécies.
Além disso temos uma fragilidade diferente da de outras espécies, a emocional - e não se engane pensando que isso não te afeta muito. A emoção e o fisiológico estão fortemente entrelaçados, e um depende do outro para o bem estar geral do indivíduo.
Intrigantemente, essa tal fragilidade emocional também é o que nos retira do contexto e nos torna únicos em meio a esse caos generalizado de átomos, moléculas, impulsos elétricos que constituem o mundo como o conhecemos. A consciência é tão complexa que sabemos tão bem que não a entendemos que a 'ciência' que busca entendê-la já sabe que não a compreende - e a psicologia, então, não é nem uma ciência, uma pseudociência.
Somos vulneráveis, não apenas ao contexto em que estamos, mas também uns aos outros; e essa é a beleza da raramente encontrada confiança (tão rara quanto a honestidade, como dizia Billy Joel...), de dar a alguém o poder de te ferir, mas confiar que ela não o fará. E assim em nossa fragilidade, em nossa pequenez, em nossa insignificância, podemos nos tornar algo além de insignificantes. Podemos deixar de ser algo e nos tornarmos alguém, alguém que faz coisas que parecem insignificantes mas que podem impactar outros 'alguéns'.

É tudo tão complexo, tão intrigante, tão instigante... Que é quase enlouquecedor.

"Como você pode ver com isso tudo, não há sentido em tentar enlouquecer para impedir-se de ficar louco. Você pode muito bem dar-se por vencido e guardar a sanidade para mais tarde."
[Douglas Adams]

*  *  *  *  *


"On and on the rain will fall
Like tears from a star, like tears from a star.
On and on the rain will say
How fragile we are, how fragile we are"
[Sting - Fragile]