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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Eu às vezes olho no espelho e acho difícil identificar tudo o que se passa sob a caixa craniana coberta por músculos e pele. Eu tenho dificuldade em traçar precisamente quem é esse ser que olha pra mim todas as manhãs, ou aquela sombra que me segue pra lá e pra cá.
A grande dicotomia interna que separa o que é do que deveria ser (what is and what should neever be...) causa um conflito enorme.
Eu me pergunto se devo estar em um curso de exatas quando minha nota mais baixa em todos os vestibulares foi matemática. 
Mas daí eu penso nos cursos de humanas... e a minha forma de raciocínio, minha pagmaticidade, minha razão, me fazem desistir de todas essas possibilidades humanas e subjetivas.
E eu penso em biológicas. Medicina. Bem, adoro fisiologia... mas não conseguiria trabalhar como médica, em parte devido às longas horas, assim como pela falta de pesquisa na área.
Eu penso 'e se eu sair do meu atual curso'? Mas por mais que não seja a aluna numero 1 da sala, eu ainda gosto dele. Gosto das áreas com as quais poderei trabalhar. Estou gostando do meio científico, da idéia de conhecer muitas áreas diferentes simultaneamente.
E eu olho para o espelho e vejo todas as minhas contradições, e eu penso: Parabéns, Melissa. Você é humana.

*  *  *  *  *
Seguindo a temática dos outros dias a respeito da fragilidade humana, eu encontrei a música a seguir e a achei bastante pertinente ao tema. O que me chamou a atenção foi o clipe, mas já que tenho postado demasiados clipes aqui deixarei que apenas os interessados busquem-no - mas certamente é recomendadíssimo!


"Have you ever thought about what protects our hearts?

Você já pensou no que proteje nossos corações?
Just a cage of rib bones and other various parts.
Só uma gaiola de costelas e outras diversas partes.
So it's fairly simple to cut right through the mess,
Então é bastante simples cortar por toda a confusão
And to stop the muscle that makes us confess.
E pararmos o músculo que nos faz confessar.


And we are so fragile,
E nós somos tão frágeis
And our cracking bones make noise,
E nossos ossos rachando fazem barulho
And we are just,
E nós só somos,
Breakable, breakable, breakable girls and boys."
Quebráveis, quebráveis, meninos e meninas quebráveis.
[Breakable - Ingrid Michaelson]

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Cansei.

Bon soir, mon amis... Commet ça va?
É quase meia noite e tenho uma lista interminável de tarefas a realizar, sei que preciso descansar porque amanhã será um dia extenuante (como todas as outras sextas-feiras), mas estava com vontade de escrever, mesmo que signifique perder algum tempo de sono. Talvez eu me arrependa dessa decisão amanhã quando for fazer a lista de exercícios de física, mas tudo bem.

Bem, esses dias estou em uma pequena crise devido ao enorme número de responsabilidades me cutucando constantemente, e não bastasse as minhas 9 matérias e minha potencial IC, hoje fui convidada para ser representante discente no programa troca de saberes (pelo jeito participar da congregação fez bem à minha imagem!), e bem, sendo as reuniões usualmente uma vez por mês aceitei. Além do mais, é uma forma de comunicar o que se passa para os estudantes (particularmente do BCT, já que nossa representatividade é praticamente nula).
Juntando tudo isso, além das responsabilidades normais de manter uma casa, me alimentar, manter minhas roupas em ordem a bagunça aqui em casa já deixa claro que ela deixou de ser uma prioridade nos últimos dias..., é muita coisa pra uma cabeça só e é fácil se perder nisso tudo.
Os cuidados de cada dia crescem arbitrariamente e o tempo escorrega rapidamente por entre os meus dedos, que nem quando somos criança e pegamos um punhado de areia - e até chegar ao nosso destino, temos apenas alguns grãos grudados entre os dedos. Nos resta pouco.
Porém minhas prioridades têm mudado um pouco em relação ao semestre passado.
Semestre passado me dediquei quase que exclusivamente à faculdade, e devo dizer que foi praticamente um semestre perdido da minha vida - não me lembro de 1/3 do que estudei tanto, perdi contato com muitas pessoas e não fiz absolutamente nada de útil.
Tenho tentado encontrar um equilíbrio entre vivência e obrigações. Como diz um dos meus textos bíblicos favoritos: De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder minha própria alma?
E daí se eu estudar um monte, tirar 10 em tudo, me formar primeira da turma... e só? As conquistas acadêmicas... não são tudo. ao contrário do que pensei grande parte de minha vida.
Recentemente, mesmo que eu tenha uma prova para estudar... se minha vó está em casa e começamos a ter uma de nossas conversas a respeito da vida, seres humanos, Deus e decisões... eu não corto a conversa para ir estudar. Prefiro ficar até mais tarde estudando, e saber que o tempo que tive com minha vó foi bem aproveitado.
Cansei desse capitalismo de terrível infelicidade, de objetivos irreais e esúpidos. Cansei de ficar correndo atrás do vento.
Os livros estarão sempre nos esperando, o conhecimento constantemente se renovando - mas o valor que encontramos nas pessoas é infinitamente maior que isso, e definitivamente é um valor incomparável e insubstituível. É elementar que quero fazer o meu curso, que quero dar o melhor de mim nele, que quero conquistar certo espaço no âmbito científico ganhar um Nobel, usar minha massa encefálica para alguma coisa além dos cuidados de cada dia. Mas quero fazer de outro jeito... Eu quero também, não .
Tornei-me uma pessoa menos ambiciosa quanto a dinheiro, salário e um emprego com status - quero aquelas coisas simples: casa, família, cachorro, biblioteca, tempo com as pessoas que amo, uma vida razoavelmente confortável sem grandes extravagâncias, a certeza de que usei o tempo da melhor forma possível - e a certeza que dei valor às coisas certas.


*  *  *  *  * 
Furtando do facebook da Sarah...
"As pessoas ligam cada vez mais para o que tem preço e cada vez menos para o que tem valor."
"Don't you worry, there my honey
We may not have any money
But we've got our love to pay the bills."
[Ingrid Michaelson]

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Acervo científico reunido.

Austera, a metodologia impunha ordem a todos os convocados. “Atenção! Estamos aqui reunidos com o objetivo de resolver uma questão que vem se chegando cada vez mais à nossa cobaia. O problema, no caso, é a confusão mental e distração desta, além de tendência à absoluta e completa loucura. Alguma hipótese para o fato apresentado?”
Impulsivamente, EDS foi a primeira a falar, sem cerimônias e sem dar chance aos outros presentes, e disse “é uma questão do contexto social... da educação e da família do ser. O estado mental do indivíduo é influenciado diretamente por aquilo que o cerca devido à malha social, detalhadamente entrelaçada!”. Halliday então a interrompeu dizendo “Sim, este fator deve ser considerado… porém mais especificamente, a tensão e a pressão a que o corpo está submetido estão desgastando-o, mesmo se desconsiderarmos o atrito interpessoal e a resistência social.”
“Tolice!” Exclamou Guyton, e Hall e van de Graaff o apoiaram. “É meramente uma questão patológica, suas sinapses são demasiadas para a capacidade encefálica e o consciente tem dificuldade em reorganizá-las. Quem sabe a comunicação neural esteja afetada, por algum motivo.” A introdução à Engenharia Biomédica concordou e adicionou “Devemos investigar isto mais a fundo através de exames neurológicos, quiçá com uma ressonância magnética com contraste para avaliar o seu funcionamento.”
Stryer analizou a situação: “Um fármaco que agisse como competidor nas sinapses químicas, bloqueando alguns receptores permitiria uma melhor aceitação de todas as informações recebidas…” Thomas e Stewart, encabulados porém indignados com tanta tolice finalmente decidiram export sua opinião. “Nossa cobaia está arbitrariamente próxima de seu limite físico, social e intelectual… praticamente tende ao infinito a possibilidade de que consiga se manter assim por muito tempo! A grande dificuldade deriva do tempo integral em situações que exigem ponderações, filtros sociais, reflexão, análise e compreensão. É estúpido pensar que isso sera resolvido por um fármaco!”
“Ela está em um loop infinito em uma mesma função, é simples resolver isso. Basta verificar o erro na programação e corrigí-lo, ou então reiniciá-la.”, disse Ritchie. “CÉUS, vocês que mexem com máquinas são todos iguais!” exclamou Alberts “Isto se trata de um ser vivo, realizando suas funções básicas celulares… Reprogramar um ser inteiro seria absolutamente inviável, além de antiético! Manipulamos a programação de primers e cadeias de DNA, não pessoas inteiras. Esse seu pensamento apenas replicará o erro!” Van de graaf, Guyton e Hall aplaudiram a esta reação, e a discussão tornava-se cada vez mais caótica quanto a uma solução para o problema.
Foi então que Atkins e Russel, que apenas relatavam tudo até agora e confabulavam entre si, silenciaram todos com a sua participação e um fato fundamental: “Podemos saber o momento de nossa cobaia ou podemos saber onde está sua sanidade… Mas é impossível saber ambos ao mesmo tempo! É elementar, caros tolos, que o princípio que rege este ser humano é o da incerteza!”

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mon amour

Quando digo que estudo "Engenharia Biomédica" há automaticamente uma mesma resposta para 90% da população "Nossa, que legal! O que é isso?". Eu sempre tento explicar com exemplos, mas hoje eu vou explicar exatamente o que é a Engenharia Biomédica.

Começemos por definir Engenharia. Diferentemente do que o Sheldon Cooper pensa, nós não somos os oompa loompas da ciência, certo? A definição básica de engenheiro é aquele que busca soluções eficientes, que consomem pouca matéria prima e de custo mínimo.

Bem, junte isso com Biologia e Medicina, e começamos a supor o que é a sub-espécie em questão.

Ao contrário do pensamento geral, a Engenharia Biomédica não é uma grande novidade no mundo, apesar de a SBEB (Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica) só existir desde 1975, muito antes disso a Engenharia biomédica estava entre os humanos, simplesmente não sabíamos como denominá-la. Não acredita, meu bem?






Isso daí na imagem é sim um pézinho humano... ou melhor, o que sobrou dele. Isso daí foi uma foto tirada de uma múmia egípcia com a primeira prótese conhecida na história humana, uma prótese de dedão do pé. Achei bastante surpreendente isso, e incrivelmente bem feito, se considerarmos o conhecimento e tecnologia da época.

Seguindo adiante...

Pulando alguns mil anos, encontramos órteses que começaram a ser usadas na sociedade ocidental (nao saberia dizer quanto à oriental) no período da idade média. Talvez você esteja com um desses nesse instante, ou só use de vez em quando... ou seus pais ou avós usem. O bom e velho par de óculos.

Sim! É considerada uma órtese e, apesar de no início ser considerado algo do demônio, do Iêêê, do coisa ruim... É graças a ele que muita gente (tipo eu) ainda está viva e não foi atropelada por um caminhão de cimento.

Vamos lá. Você as usa todos os dias. em casa, fora dela, no serviço, na faculdade. Ela não tem muita classe, nem é delicada ou discreta, mas você sente saudades dela com certa frequência. Sim. É a nossa amiga, privada.





Não sabe a quem agradecer por ela? Agradeça a um engenheiro biomédico! Foi uma solução sanitária para a higienização e evitar a propagação de doenças. Até Roma que tinha os master banheiros para todos evacuarem evoluiu MUITO, e em parte devido aos esgotos.


Viu? Toda vez que você for no banheiro vai lembrar que deve agradecer a nós que não tem que cavar um buraco no jardim cada vez que quer atender um chamado da natureza.

Anos 60! Muito mais recente, hein? Pra ser mais exata, 1969 é implantado o primeiro coração artificial.

(sim! é essa coisa fofa aí do lado é um coração artificial!)
Os de hoje em dia são muito menores e mais sofisticados, enquanto esse aí durou 64 horas, os novos duram até 90 dias.
Fora esses, existem muito mais aparelhos médicos que nós que inventamos - desde bisturis e sugadores até aparelhos de Raio X, ressonância magnética, muletas e estetoscópios.
Agora, uma área muito mais recente da engenharia Biomédica é a de engenharia tecidual - isto é, fabricação de órgãos em laboratórios. Mas eles feitos com células formando tecidos, tudo com o proprio material genetico da pessoa - ou seja, sem rejeição!
Já tem um laboratorio na Alemanha que fabrica e vende pele artificial, inclusive!

Badabim, badabem, badabum, aí está meu amor pra vocês conhecerem... e amarem se quiserem. Senão, eu tenho amor de sobra pelo curso e posso compensar x)