terça-feira, 20 de setembro de 2011

Acervo científico reunido.

Austera, a metodologia impunha ordem a todos os convocados. “Atenção! Estamos aqui reunidos com o objetivo de resolver uma questão que vem se chegando cada vez mais à nossa cobaia. O problema, no caso, é a confusão mental e distração desta, além de tendência à absoluta e completa loucura. Alguma hipótese para o fato apresentado?”
Impulsivamente, EDS foi a primeira a falar, sem cerimônias e sem dar chance aos outros presentes, e disse “é uma questão do contexto social... da educação e da família do ser. O estado mental do indivíduo é influenciado diretamente por aquilo que o cerca devido à malha social, detalhadamente entrelaçada!”. Halliday então a interrompeu dizendo “Sim, este fator deve ser considerado… porém mais especificamente, a tensão e a pressão a que o corpo está submetido estão desgastando-o, mesmo se desconsiderarmos o atrito interpessoal e a resistência social.”
“Tolice!” Exclamou Guyton, e Hall e van de Graaff o apoiaram. “É meramente uma questão patológica, suas sinapses são demasiadas para a capacidade encefálica e o consciente tem dificuldade em reorganizá-las. Quem sabe a comunicação neural esteja afetada, por algum motivo.” A introdução à Engenharia Biomédica concordou e adicionou “Devemos investigar isto mais a fundo através de exames neurológicos, quiçá com uma ressonância magnética com contraste para avaliar o seu funcionamento.”
Stryer analizou a situação: “Um fármaco que agisse como competidor nas sinapses químicas, bloqueando alguns receptores permitiria uma melhor aceitação de todas as informações recebidas…” Thomas e Stewart, encabulados porém indignados com tanta tolice finalmente decidiram export sua opinião. “Nossa cobaia está arbitrariamente próxima de seu limite físico, social e intelectual… praticamente tende ao infinito a possibilidade de que consiga se manter assim por muito tempo! A grande dificuldade deriva do tempo integral em situações que exigem ponderações, filtros sociais, reflexão, análise e compreensão. É estúpido pensar que isso sera resolvido por um fármaco!”
“Ela está em um loop infinito em uma mesma função, é simples resolver isso. Basta verificar o erro na programação e corrigí-lo, ou então reiniciá-la.”, disse Ritchie. “CÉUS, vocês que mexem com máquinas são todos iguais!” exclamou Alberts “Isto se trata de um ser vivo, realizando suas funções básicas celulares… Reprogramar um ser inteiro seria absolutamente inviável, além de antiético! Manipulamos a programação de primers e cadeias de DNA, não pessoas inteiras. Esse seu pensamento apenas replicará o erro!” Van de graaf, Guyton e Hall aplaudiram a esta reação, e a discussão tornava-se cada vez mais caótica quanto a uma solução para o problema.
Foi então que Atkins e Russel, que apenas relatavam tudo até agora e confabulavam entre si, silenciaram todos com a sua participação e um fato fundamental: “Podemos saber o momento de nossa cobaia ou podemos saber onde está sua sanidade… Mas é impossível saber ambos ao mesmo tempo! É elementar, caros tolos, que o princípio que rege este ser humano é o da incerteza!”

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