sábado, 24 de setembro de 2011

coleção de retalhos

Estava com diversos posts escritos e ideias para escrever hoje, tudo veio se acumulando nos últimos três dias... mas um evento notável me fez colocar os outros temas de lado para fazer uma nova ou não. reflexão.
Um fato muitíssimo curioso veio se manifestar hoje a mim quando entrei para verificar as estatísticas do Blog. Em geral, tenho tido entre 15 e 20 acessos à página por dia, e diretamente aos links de cada post são cerca de 3 ou 5, quando muito, 7. Sim, tudo isso de gente mesmo com escassos comentários. 
Mas hoje fui surpreendida ao ver que houveram, apenas ontem,13 acessos ao post "O amor é outra coisa" (além de mais 15 diretamente pelo link principal do blog), e fiquei encafifada com isso por alguns instantes.
Mas rapidamente minhas sinapses acordaram de sua dormência e começaram a ponderar. Por quê? Percebi que o incomum em relação aos outros posts foi a temática - o amor.
É uma reação automática do ser humano se interessar por temas do tipo, e acho isso bastante peculiar porque tenho minhas dúvidas quanto a se algum ser humano saberia exprimir com exatidão o que é esse ímã às nossas atenções.
Comecei a perceber o quanto uma incógnita tal qual esta apresentada pode nos reger, como algo desconhecido, complexo e incompreensível pode nos mudar das formas mais extraordinárias. Parece até ser alguma coisa sobrenatural - ou seja, não natural - pois é algo que vai contra nossos instintos de sobrevivência.
Você poderia argumentar dizendo que o amor é na verdade o instinto de propagação da espécie, mas não é apenas esse amor romântico de que falo, mas daquele que nos faz admirar as pessoas, que nos faz nos aproximarmos de nossos familiares mesmo conhecendo os abismos de diferença entre nós e eles, que nos faz sentir uma alegria plena e inexplicável com certas pessoas, que despertam em nós um altruísmo inédito na natureza.
De acordo com as pessoas ou as coisas que amamos, nós nos moldamos de tal forma a nos adaptarmos a estas - tornamo-nos trapos reunidos, somos uma coleção de retalhos daquilo que admiramos e amamos, somos pequenos espelhos que refletem todas os indivíduos e coisas que constituem nosso estímulo para viver.
Como disse a banda Jars of clay na música "Good Monsters", "We are forms of all the things we love, do you know what you are?"
Para se conhecer, não é necessário olhar egoistamente para si mesmo. Olhe para o que te cerca, olhe para aquilo que você tem como prioridades, olhe para aquilo que você guarda próximo de si... Olhe para o que você ama e encontrará a si mesmo.

*  *  *  *  *
Ainda nessa mesma temática, tenho escutado diversas músicas da Sara Bareilles do álbum Careful Confessions, dentre elas Everyday stranger, In your eyes, Before I ever knew better e, no caso da que estou postando, My love.
Achei o álbum muito mais poético em relação aos outros mais recentes dela, e achei essa música incrível, tanto pela letra como pela deliciosa sonoridade do piano. Pelo nome mesmo da música e o fato de estar de certa forma relacionada ao tema, achei bastante apropriado trazê-la para cá.

He bends his breath around my name
ele torce seu suspiro ao redor de meu nome
And I am humbled I feel small and plain.
e eu fico humilde e me sinto pequena e simples
But his arms are angels by his side,
mas seus braços são anjos ao seu lado,
You need not ask if they're open, just how wide.
você não precisa perguntar se estão abertos, apenas quanto estão
(...)
His fingers are music to my soul
Seus dedos são música para minha alma
And I hear his song play anywhere I go
E eu ouço sua música tocar aonde quer que eu vá


(...)

He loves with rhythm, and paints with flame
ele ama com ritmo, e pinta com chamas
He comes in pieces with no name
ele vem em pedaços sem nome
I won't need answers I'll just know
eu não precisarei de respostas, eu simplesmente saberei
Cause I've read the sonnets about his soul
Porque eu li sonetos a respeito de sua alma
He can be ordinary in the best ways
ele pode ser simples nas melhores formas
And still dance like a poet through every word he says.
e ainda dançar como um poeta por toda palavra que diz

All that I never knew, can you see me now?
tudo o que eu nunca soube, você pode me ver agora? 
All that I never said, can you see me now?
tudo o que eu nunca disse, você pode me ver agora?

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