Lembro-me de quando cursava a terceira e quarta série, quando tive uma das professoras de que mais lembro em meus vastos anos escolares. (Talvez não tão vastos, mas certamente tive muitíssimos professores)
Ela sempre lia algum livro para nós, e um dos que mais gostava de ler era O pequeno príncipe. Apesar de eu desde cedo gostar de ler (inclusive meus albuns de fotos quando era uma coisa fofa, bochechuda e grande parte do tempo séria têm diversas fotos de mim com livros nas mãos ou no colo, e há uma das minhas fotos favoritas em que estava com cerca de 1 ano de idade digitando em uma máquina de escrever olhando para o homem estranho com a câmera com uma carinha de 'tá olhando o que, bocó?'), achava essas aulas bastante chatas. Não gostava do livro. Não entendia nada.
Bem, pensando bem, eu não era grande fã que lessem para mim, cedo já pedia para que pudesse fazer as minhas leituras de toda noite sozinha - ainda não sei se era porque eu não queria que meu pai lesse pra mim, então o fazia sozinha para não criar aquele mal estar de "Eu quero a mamãe e não você" ou se de fato gostava de ler sozinha. Uma incógnita.
Mas enfim, muitos anos depois, já no terceiro colegial, um coleguinha sempre falava que era muito bom o livro, e finalmente o pedi emprestado para que entendesse aquele raio de livro que todos insistem em comentar. Antes disso até havia pego o livro em francês em uma livraria, mas a única coisa que entendi era que o Pequeno Príncipe era um menino de seis anos.
Bem, li o livro e devo dizer que a sua simplicidade e profundidade me encantaram, e gosto bastante do livro hoje em dia.
Um dos conceitos de que o livro fala bastante é o aspecto de cativar as pessoas, algo que nunca tinha entendido até ler por mim mesma. Então, a fim de que vocês entendam por si mesmos... aí está. Trech furtado descaradamente do blog da Sarah porque não tenho o livro para digitar tudo isso.
"A raposa retomou seu raciocínio.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo (...)
- Que é preciso fazer? -- perguntou o pequeno príncipe.
- É preciso ser paciente -- respondeu a raposa. - Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor se voltasse à mesma hora - disse a raposa - Se tu vens, por exemplo, às quatro, desde às três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Mas, se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração."
[O Pequeno Príncipe - Antoine De Saint-Exupéry]
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