Ontem fui ajudar a aplicar o vestibulinho do CasD. Precisavam de ajuda, entao fui meio de feliz - sem saber exatamente o que deveria fazer, mas fui. Foi interessante, ver os alunos tremendo, uns meio receosos, outros meio querendo te desafiar... Mas foi tudo bem tranquilo. Um tom baixo, educado e firme bastava.
Tive 4 horas pra observar eles e refletir, fiquei pensando na minha epoca de vestibulanda e eu comecei a pensar muito a respeito de muitas coisas.
Cheguei a conclusao que relacionamentos e estudos talvez tenham mais a ver um com o outro do que aparentam.
O vestibular, por exemplo, e' invejado por uns universitarios. "Foi a ultima prova facil que fiz na minha vida!" Mas, dada a escolha, raros seriam os que de fato voltariam aquilo. A dificuldade da vida universitaria, noites varadas, notas bizarras e professores doidos nao tira o valor daquilo, de estar vivendo (e estudando) aquilo que voce um dia escolheu - a nao ser que tenha feito uma ma' escolha.
Da mesma forma, muitos falam bem da paixao inicial dos casais, do primeiro amor, que essa e' a melhor parte... mas viver isso de novo e de novo seria como viver um eterno vestibular - cansativo, emocionalmente insustentavel. O relacionamento duradouro (o casamento, por exemplo) tambem tem suas dificuldades, mas, contanto que voce tenha feito a escolha certa, provavelmente nao trocaria isso pelas novidades da incerteza e paixao.
Ficar procurando um novo amor toda hora e' como ficar resolvendo equacoes de primeiro grau repetidamente; e' necessario passar adiante pra proxima licao, equacoes de segundo grau, derivadas, limites e integrais - pra voce poder tirar o maximo de proveito daquilo que voce tem drenando todas as informacoes possiveis.
Mas dai, e' so' uma impressao de quem ainda nao viveu o suficiente pra falar se e' assim mesmo. Fale comigo em alguns anos e falo se acertei ou nao, ou se so' era o calor da sala de aula que comecou a desnaturar minhas enzimas e proteinas e afetou minhas funcoes cognitivas.
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