Minha orientadora vive me falando que sentimentos bonitos não levam a nada. Que são os sentimentos feios que nem frustração, raiva, ódio que nos estimulam o suficiente pra mudar o nosso estado pra melhor. Primeiro, eu comecei a pensar em todas as vezes que esses sentimentos classificados como feios me fizeram mudar minha situação - provas que estudei e passei, conquistas... Comecei a pensar que talvez fosse de fato assim.
Mas daí percebi que são os sentimentos bonitos que subsistem as coisas boas. Às vezes é necessária uma frustração ou outra pra nos estimular a mudar a situação, mas dificilmente essas coisas duram ou são abrangentes - são coisas intensas, momentâneas e isoladas. O sentimentos bonitos - amor, alegria, paciência, humildade - são os que nos fazem querer mudar pra melhor e continuar assim, melhores.
São sentimentos que perduram e que nos fazem querer sermos pessoas melhores em todos os aspectos, de forma mais harmoniosa, ponderada e generalizada. Quando você quer felicidade, você vai atrás daquilo que precisa pra isso, mas a coexistência disso com amor te faz fazer isso de maneira correta e que não faça mal àqueles que te cercam - o que te fará ter paciência com eles, mesmo que você ainda esteja naquela busca inicial de felicidade. Daí você fica mais humilde, e tem domínio próprio e... e... eu percebi que as coisas bonitas que eu listava já estavam listadas como o Fruto do Espírito, em Gálatas.
E, diferentemente do pensamento geral, de fato é no singular que é descrito - o - fruto do Espírito, não - os. E eu percebi que cada um desses sentimentos bonitos se completa formando no final algo delicioso para quem produz e para quem está por perto - ele precisa de todas essas coisas funcionando juntas pra ser ele, e a partir disso conseguimos muito mais do que com aqueles sentimentos feios e humanos.
Posso não ter um pós-doc, mas ainda prefiro a minha teoria.
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