O fato é que isso tudo acontece por causa dos relacionamentos superficiais facilmente afetados pelo intemperismo de uma discordância ou coisa do tipo, e isso está desencadeando toda uma geração morna e indecisa que não sabe bem o que é ou em que acreditam.
Aquilo em que acreditam, não sabem porque acreditam; aquilo que não tem opinião, é porque não sabem em que a maioria acredita. Mais gente com a 'minha' opinião, mais potenciais 'amigos'. Isso está construindo uma geração de camaleões, pessoas tão incapazes de acreditar - ou tão solitários -, que clamam acreditar como um meio de ser aceito nos grupos.
É quase como se a nossa sociedade estivesse em um momento em que tudo é tolerável, menos a intolerância - qualquer mentira tosca pode se passar por verdade, qualquer ilusão estúpida pode ser tratada como fato, simplesmente para nos mostrarmos mais tolerantes com tudo.
Acho que geralmente elas querem respeitar todas as opiniões, mas confundem isso com apoiar todas as opiniões, quando sabemos bem que há um abismo de diferença entre ambas as coisas. Posso muito bem respeitar um ladrão pelo fato dele ser um ser humano assim como eu e não violar seus direitos humanos sem em momento algum apoiar sua escolha em viver uma vida de crime.
Algo que explicita esses fatos bem é uma frase de Fernando Pessoa:
"A geração atual não acredita em Deus pelo mesmo motivo que a de seus pais acreditava: sem saber o por quê."
A fé, as opiniões, a crença, não são coisas que deveriam ser construídas baseadas no senso comum, mas na formação como indivíduo daquilo que você é. Tudo bem acreditar em outra coisa, tudo bem defender outra opinião. Com amor e respeito de todas as partes, tudo bem acreditar em outra coisa. Não há problema em concordar em discordar.
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