terça-feira, 29 de maio de 2012

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Daí a gente percebe, de repente que eles estão longe, todos. Todos aqueles do passado. As pessoas que víamos todos os dias, que comíamos o 'lanchinho' em grupos, os que observávamos atenta e silenciosamente. Ou aqueles próximos, que nos conheciam mais que nós mesmos. Que parecem sombras nas nossas memórias - aconteceu mesmo tudo aquilo? Às vezes parece que eles só vivem nas nossas cabeças.
Os insubstituíveis foram substituídos, os insuportáveis não precisam mais ser suportados. Existo pra eles? Ou sou uma memória perdida dentre tantas outras? Tanto faz, não importa mais.
Cada um seguiu seu caminho, vivem em cheio seus potenciais. Figuras caricatas do que eram, exageros plenos de detalhes e nuances do passado.
Tudo mudou, nada mudou. São eles, ainda os mesmos grupos - menos eu. Mudei tanto ou eles é que mudaram? Crescemos, cada qual em sua direção. Dificilmente conseguiríamos levar adiante uma conversa por mais de 10 minutos. Peculiar, interessante.
Ruim? Duvido. Não teria a vida de outro jeito. Não posso querer que fique assim, porque é viva: dinâmica, oscilatória. Mas do jeito que tá, tá bom. Não mudaria nada. Outra coisa simplesmente não faria sentido. Precisei encontrar as pessoas erradas pra saber hoje que encontrei as certas, precisei peregrinar sem rumo para encontrar meu lar. E se precisar mudar de novo, tudo bem. Mas do jeito que tá, tá bom. Era isso que eu procurava. Essa era a assinatura secreta da minha alma.

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