Sempre tem uma peça de roupa pra lavar, outra pra passar e aquela pra guardar. Sempre tem aquela matéria que falta estudar. Aquele trabalho que você ainda não digitou. Aquele estudo que você sabe que vai ter que dar mas não terminou de preparar ainda.
Sempre tem um copo na pia, um prato no escorredor. Sempre tem o pó de borracha na mesa que você limpa, e daí apaga, e daí limpa de novo. Sempre tem aquele grampo que você tirou e esqueceu de guardar e ficou do lado da cama.
Sempre tem aquele experimento que faltou você repetir pra estabelecer um padrão, pra corrigir aquele resultado, pra você verificar em outras circunstâncias.
Sempre tem aquele livro que você não terminou de ler, ou aquele desenho que você nunca fez a arte final. Sempre tem alguém que diz que você está sumido, e você tem que ir visitar. Sempre tem alguém que faltou você contentar.
Sempre tem alguém pra dizer que tudo o que você faz não é o suficiente, sempre tem aquela parte de você que diz 'poderia ter feito melhor'. Sempre. Sempre. Sempre tem alguma coisa.
Às vezes eu queria poder esquecer tudo isso, me enrolar debaixo das cobertas com uma bebida quente e assistir alguma coisa, ler um livro, ou só ficar olhando pro teto. Talvez com um cafuné... apesar de cafuné ser covardia.
Cafuné sempre funciona.
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