sexta-feira, 9 de julho de 2010

Instincts

Hoje fui à exposição Corpos na Oca do Ibirapuera!
Adorei; absolutamente fascinante mas não sei o que mais gostei: dos mortos ou dos vivos.
Me diverti muito com a aula de biologia vendo especialmente os ossos e tudo o mais, mas achei hilário ouvir as outras pessoas comentando, assistindo, reagindo.
Na época do Renascimento, tinha uns doidos que abriam os cadáveres nas ruas e praças públicas pra que o povo saísse da ignorância quando se tratava de seus próprios corpos, há até uma pintura que retrata isso (procurei, mas não encontrei), e vemos as diferentes reações das pessoas aos cadáveres. Uma meia dúzia de doidos fascinados e outros com nojo, passando mal, saindo de perto. A exposição não foi diferente.
Mas mais engraçado que isso, vi aquela coisa de que tenho discutido essas semanas - o ego.
Havia diversos casais de namorados e os homens tentando impressionar as namoradas:
"Essas formações nos ossos se formam por causa disso disso e daquilo..." "Essa pélvis deve ser masculina" eram alguns dos comentários que ouvi (sim, a pélvis era masculina, pelo menos ele acertou). Mas o fato de tentar ensinar para os outros não achei engraçado, mas a forma como era feito que era hilária.
Eles estufavam os peitos e falavam como se fossem donos da verdade, enquanto as meninas reagiam com comentários de surpresa e suspiros como "oh, como ele é inteligente", mas ai delas se tentassem fazer algum comentário, eles fingiam que eles que estavam certos e ignoravam seus comentários, uma coisa pateticamente machista.
Parecia uma coisa tão primitiva, os machos tentando provar às fêmeas que eram os mais aptos para contribuir geneticamente com sua descendência por causa de sua superioridade, intelectual no caso, e tentando mostrar que eles eram superiores a elas mesmas e que sem eles as fêmeas não teriam um futuro promissor.
Quando paramos pra pensar na verdade, quando se trata de amor, romance, a escolha de um parceiro, podemos notar traços tão instintivos acima dos racionais em nós mesmos. Quando conhecemos uma pessoa do sexo oposto nosso subconsciente está processando se este seria um bom potencial pai ou mãe para a sua decendência do ponto de vista intelectual, físico, se haveria variabilidade genética, avaliamos os ferormônios da pessoa, tudo isso sem nem sabermos.
Foi feito um teste se não me engano pelo Discovery Chanel, em que deram a uma menina três camisas usadas com suor e ferormônios para cheirar - uma de seu pai, uma de seu irmão, uma de um desconhecido. Não lhe falaram a quem pertenciam, simplesmente pediram que escolhesse a que mais lhe agradasse. Ela automaticamente escolheu a do desconhecido, aumentando a variabilidade genética da espécie. Pois é. Aliás, o cheiro de uma pessoa é o sentido mais instintivo nos seres humanos, pelo que me foi ensinado (já estou imaginando todos os encalhados se afogando em perfume próxima vez que forem sair com alguém 'interessante'.
Aliás, o que faz de alguém interessante? Mulheres ainda procuram homens com traços masculinos (presentes em sua maioria por causa da testosterona) como uma angulação quadrada na mandíbula, ossos das sobrancelhas mais protuberantes, voz mais grossa, ombros mais largos. Homens ainda procuram mulheres com características femininas relacionadas à fertilidade (presentes devido às taxas mais altas de estrógeno) como quando há gordura depositada nas coxas e quadris ao invés de abdômen, seios maiores, pele e cabelo mais brilhantes. (É elementar que assim como em sociedades há os indivíduos dispostos a quebrar os tabus mais básicos, há também os indivíduos que tenham uma preferência diferente da acima descrita, mas não nos apeguemos às exceções)
Por mais que sejamos animais racionais, pensamos, somos criativos, produzimos, ainda temos traços instintivos, por mais bizarro que isso soe. Há fatos na nossa sociedade que ainda nos surpreendem pela semelhança com fatos da antiguidade ou de outras espécies, mas quando não tem como reclamar de algo automático do nosso subconsciente, só o que podemos fazer é rir e saber dizer não aos instintos quando necessário.

* * * * *
The Scientist ~coldplay

Come up to meet you, tell you I'm sorry.
Venho te encontrar, te dizer desculpas
You don't know how lovely you are
Você não sabe quão linda você é
I had to find you, tell you I need you
Eu tive que te encontrar, te dizer que preciso de você
And tell you I set you apart
E te dizer que te separo do resto
Tell me your secrets, and ask me your questions
Conte-me seus segredos, e me faça suas perguntas
Oh let's go back to the start
Oh, vamos voltar ao começo
Running in circles, coming up tails
Correndo em circulos, conseguindo coroas
Heads on a silence apart
Caras em um silêncio à parte

Nobody said it was easy
Ninguém disse que era fácil
It's such a shame for us to part
É tão triste que tenhamos que nos separar
Nobody said it was easy
Ninguém disse que era fácil
No one ever said it would be this hard
Ninguém nunca disse que seria difícil assim
Oh take me back to the start
Ah, leve-me de volta ao começo

I was just guessing at numbers and figures
Eu estava apenas adivinhando números e imagens
Pulling the puzzles apart.
Desmanchando quebra-cabeças
Questions of science, science and progress
Perguntas de ciência, ciência e progresso
Don't speak as loud as my heart.
Não falam tão alto quanto meu coração
So tell me you love me, come back and haunt me,
Então me diga que me ama, volte e me assombre
Oh, when I rush to the start
Oh, quando eu corro para o começo
Running in circles, chasing in tails
Correndo em círculos e perseguindo o próprio rabo
coming back as we are.
Voltando aonde começamos

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