"Não é verdade que todas as amizades duradouras nascem no momento em que você finalmente encontra outro ser humano que tem certa percepção (embora superficial e vaga) daquilo que você nasceu desejando, e que você continuou sempre buscando por baixo do fluxo daqueles outros desejos e em todos os silêncios momentâneos entre as paixões mais barulhentas, noite e dia, ano após ano, desde a infância até a idade adulta, você procurou, observou, ouviu?Acontece que você nunca teve isso.As coisas que jamais tomaram posse da sua alma não passaram de pistas para aquilo - piscadelas sedutoras, promessas nunca inteiramente cumpridas, ecos que se foram assim que caíram nos seus ouvidos. Mas se a coisa começar a se manifestar de verdade - se um dia você ouvir um eco que nunca morre, mas se transforma no próprio som - você o saberá. E você dirá para si mesmo acima de qualquer dúvida: "Foi para isso mesmo que eu fui feito". Não dá para contar essas coisas aos outros. Essa mensagem vem com a assinatura secreta de cada alma, e com o incomunicável desejo e desconsiderado. Trata-se do que desejávamos antes de conhecer as nossas esposas e os nossos amigos ou escolhido a nossa profissão, e que devemos continuar desejando até morrermos, quando a mente já não mais conhecerá esposa, nem amigo, nem trabalho. Isso será sempre assim, enquanto formos gente. Se deixarmos escapar isso, estaremos pondo tudo a perder."
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
aquilo
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