quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ilusionistas

Em minha insônia pré prova ontem à noite, eu tive uma epifania muito absurda e que não sei de onde veio. Bem, talvez sim.
Eu tinha lido um quadrinho do 9gag que diz "That awkward moment in which you realise you were never in love with your crush. You were in love with what you imagined him/her to be, you were in love with an imaginary crush." ou algo assim.
Eu ri um pouco com isso, mas ignorei, nem compartilhei nem nada.
Mas daí estava conversando com a Bárbara por msn a respeito de stalkers, e fiquei pensando... porque eles se aproximam das pessoas mais... X? As pessoas mais quietas, felizes em seus respectivos mundos, não são grandes centros de atenção...?
E foi daí que em um súbito momento de iluminação eu me dei conta de que: essas pessoas quietas e mais solitárias são as pessoas mais difícieis de se conhecer de verdade; toda palavra, pensamento, frase ou ação são milimetricamente calculadas, seus filtros sociais estão em pleno funcionamento o tempo todo, então a pessoa transmite para os outros muito pouco do que ela realmente é.
Isso, por sua vez, dá lugar à criatividade dos eventuais interessados - que pintam, bordam e imaginam a pessoa como quiserem , porque a realidade lhe apresenta poucos fatos palpáveis, então a imaginação dá conta do recado e em pouco tempo a pessoa se diz 'apaixonada' ou 'gostando de alguém', enfim. Doce ilusão.
Suspeito que seja isso que aquele lance de 'mistério' e 'segredos' e 'desconhecido' entram nos relacionamentos amorosos, é fácil amar um amigo imaginário - até mesmo nos contos de fadas, grande parte das histórias as 'princesas' ora estão em sono profundo - ou seja, não apresentam personalidade ou características reais, cabe ao espectador e às outras personagens imaginarem como ela é, uma descrição que tenderá à perfeição, ora como no caso de 'A Pequena Sereia', a mocinha não consegue nem se comunicar porque não tem voz. Todo o 'amor' se baseia nas impressões de ambas as partes, não necessariamente na realidade.
Agora, tente desvendar uma pessoa real, viva e andando por aí e ainda amá-la, torna-se uma tarefa muito mais difícil e que exige um trabalho muito mais árduo, mas ao mesmo tempo os resultados não são efêmeros como outrora seriam em uma situação de completa ilusão.
Não haverá aquele momento de rompimento com o platonismo, 'that awkward moment' em que você se dá conta das grandes e mirabolantes mentiras que você contou para si mesmo, isso não existirá a partir do momento em que você analisar e interpretar a pessoa baseado em fatos, não esperanças ou ilusões.

Não é o amor que é cego, somos nós que cegamos o amor com farsas, mentiras e ilusões ao tentar criar uma perfeição que simplesmente... não existe. Vamos parar de manipular o mundo e as pessoas ao nosso próprio gosto, vamos começar a dar mais valor à realidade - certamente, a realidade é muito mais interessante, complexa e instigante do que aqueles 'e viveram felizes para sempre'.

Como diz Dan Millan em um quote que me fascina:

"You're a prisoner of your own illusions - about yourself and about the world. To cut yourself free, you're going to need more courage and strength than any movie hero.(...) You don't see your prison because its bars are invisible. Part of my task is to point out your predicament, and I hope it is the most disillusioning experience of your life."
"Well, thans a lot, friend," I said, surprised by his ill wishes.
"I don't think you understand. (...) Disillusion is the greatest gift I can give you. But, because of your fondness for illusion, you consider the term negative. You commiserate with a firend by saying 'Oh, what a disillusioning experience that must have been', when you ought to be celebrating with him. The word 'dis illusion' is litteraly a freeing from illusion, but you cling to your illusions."

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