"And I could write a book the one they said that shook
the world, and then it took
it took it back from me
And I could write it down
or spread it all around
Get lost and then get found (...)
Oh what good is it to live
with nothing left to give?
Forget but not forgive
Not loving all you see?"
Gostei muito desse trecho da música Swallowed in the sea, especialmente do último pedacinho.
Apresenta um pequeno lembrete de algo tão simples que as pessoas esquecem de fazer, que é dar, ceder, não pensar em si mesmo em primeiro lugar. Estamos ficando pessoas tão terrivelmente solitárias, que esquecemos como é que funciona o meio social - ou talvez por estarmos esquecendo o meio social que estamos nos tornando cada vez mais solitários.
Até quando há uma gentileza, prontamente partimos para o ponto de vista cético de 'e o que você tem a ganhar com isso?' - e muitas vezes é com razão, porque algo que parece uma gentileza é na verdade um meio da pessoa buscar o benefício próprio, e a gente se lasca. É horrível percebermos nossa inocência frente ao mundo, muitas vezes. Sem dó nem piedade, as pessoas exploram umas às outras, enganam, mentem.
Se lembrássemos que o que faz valer à pena viver é para o bem do outro, seria uma via em ambos os sentidos e acabaria sendo melhor para todos. Você pode não cuidar das suas próprias necessidades ou interesses e fazê-lo por outros, porque sabe que outro o fará por você. Não seria essa competição ridícula em que vivemos em nosso próprio nome.
Daí o terceiro verso menciona um tema pouco mencionado no nosso cotidiano - o perdão. Vivemos alimentando nossa vingança, e tentamos tomar a justiça nas nossas mãos, nos achamos bons o suficiente para julgarmos as atitudes das pessoas como erradas e por isso desprezá-las... Quando, não sabemos qual a realidade e vivência dos outros. Que espécie de juíz tem uma visão parcial, nem conhece todos os fatos para fazer uma decisão?
Se fôssemos julgar a nós mesmos com a mesma imparcialidade que o fazemos com os outros, nos condenaríamos.
Não estou falando que o perdão é algo fácil de se conseguir, longe (muito longe) disso, mas se ele não existe, ocorre um evento de autodestruição no qual começamos a agredir nós mesmos devido aos erros de fora, alimentamos amargura, raiva, tristeza, tudo de forma desnecessária e que poderia ser dissolvida com o amor mesmo àqueles que nos ferem. Com a mesma misericórdia com a qual somos tratados todos os dias por Deus.
Bem, se aprendemos a nos doar aos outros, aprendemos a perdoá-los... é apenas lógico supor que tudo se tornará mais agradável, o mundo nos parecerá um tanto menos hostil, e teremos a oportunidade de ver o mundo com outros olhos e amar tudo o que vemos. Amar e com carinho querer cuidar de tudo o que vemos, os lugares, as pessoas, os animais, e o mundo todo fica mais bonito, e para o que não é bonito, há esperança.
O problema é que entre os versos e os verbos, existe a realidade.
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