Grande parte do tempo as escondemos com aquelas mentirinhas escusáveis - em inglês chamadas de little white lies, ou seja, mentirinhas brancas - aquela resposta à pergunta 'tudo bem?' independentemente das circunstâncias que com um sorriso falso diz 'sim, tudo ótimo' 'tudo bem sim, e você?' ou quando algo ruim acontece e alguém tentando nos consolar diz 'fica tranquilo que passa...' 'o tempo cura todas as coisas' - mesmo que saiba que não é necessariamente assim que funciona. É aquele falso otimismo que usamos para afugentar o desespero; uma ilusão que comumente usam é essa de que o tempo cura tudo, mas vi uma frase que me parece absolutamente plausível:
"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções."
E eu não poderia achar isso mais verdade. Um grande exemplo disso é a perda de alguém querido: não é porque a pessoa faleceu há cinco, dez ou trinta anos que após muito tempo você não vá sentir saudades dessa pessoa. Você simplesmente aprendeu a lidar com a dor e a saudade de uma forma mais adequada e menos desesperadora, aprendeu que não foi o fim do mundo.
Por isso, creio que ainda que o tempo não cure nada mesmo, mas ele certamente ensina muita coisa - a análise e estudo das experiências combinados com o tempo podem mudar a gente muito mais que qualquer cura milagrosa, é o tempo de absorção das coisas que a vida apresenta e nos prepara para aquilo que há de vir.
Então, ao invés de nos escondermos nos mantos de mentirinhas brancas caridosas e gentis que nos isolam do mundo, porque não despimo-nos dela, vestimo-nos com a verdade e partimos pra luta, prontos pra aprender?
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