Hoje fui ao ABU radical, um evento da ABU que acontece todo ano fazendo alguma atividade 'radical' (não subestimem a radicalidade, de verdade). Esse ano, fomos fazer uma trilha 'bisu', como diriam os itaeanos, lá em ubatuba, a trilha de 7 praias - das quais apenas vimos 3, mas tudo bem.
Bem, as subidas começaram íngremes. Bem íngremes. Eu falei 'por favor que o resto não seja assim, ou não vou aguentar' - não só foi 'assim', como ainda piorou bastante. Escorreguei, me ralei, cortei (nada realmente significativo, o verdadeiro dano foi muscular e ao meu querido pé esquerdo fajuto café-com-leite que sobrecarrega o pé direito. Mas, no final, tudo deu certo. Primeiro: Eu cheguei viva, mas mais que tudo, consegui fazer uma trilha que nunca imaginaria que conseguiria fazer. Subestimei meu pobre organismo, mas nem por isso foi tudo fácil. Me separei dos grupos acidentalmente algumas vezes, fiquei um tanto quanto assustada com isso, mas os reencontrei, precisei de ajuda e estímulos para completar, e tudo isso, é claro, me rendeu muito o que pensar e - adivinhou! - escrever. Lá vai um texto que comecei a escrever na última praia.
"As pessoas tendem a achar que cometer um pecado é como marcar um gol contra, que rapidamente pode ser resolvido marcando-se um ou dois gols 'corretos' para compensar.
Acontece, que a vida não é um jogo de futebol, não estamos em uma competição futebolística contra o mundo - pelo contrário, grande parte do tempo, a briga é com nós mesmos, somos nossos próprios empecilhos.
Nossa vida é algo mais similar a uma trilha - temos obstáculos como rios, subidas íngrimes e descidas escorregadias com os quais podemos ou não lidar. Às vezes temos alguém nos guiando, mostrando o melhor caminho a seguir, mas de quando em vez perdemos nossos 'guias' de vista, e precisamos continuar caminhando da melhor forma que julgarmos. É elementar que sem alguém na sua frente, você não sabe onde pisar ou não pisar, vai cometer erros, ocasionalmente cair, mas com cautela, dificilmente o estrago é tão irreversível assim.
Tratando-se dos pecados, não é um pé em falso ou um escorregão, é como seguir o caminho errado, pra longe dos reais objetivos. Então, não é um passinho pra trás ou mil voltas que resolverão seu problema, é necessário perceber que está errado, recalcular a rota, dar meia volta e seguir adiante. Não adiantaficar pensando de novo em como foi bobo aquele erro, afinal, você precisa de total concentração no próximo passo, e qualquer hesitação ou desatenção podem ter efeitos desastrosos.
Também caminhando nessa trilha, podemos cruzar com pessoas que não sirvam de guias, estejam seguindo pioneiramente também contigo em direção ao mesmo objetivo. Essas pessoas podem não saber tudo, mas uma segunda cabeça pensando e um outro par de olhos te observando, podem apontar possíveis problemas ou complicações da sua rota ou método.
Mas, creio que talvez de mesma ou até maior importância, está o fato de que essas pessoas podem te ajudar. Segurar sua mão quando o barro desliza ou o vão é grande demais para pular sozinho. E até a própria pessoa pode estar se arriscando a cair junto contigo se não for tudo como planejado, mas é o preço que se paga por solidariedade, compreensão e amor.
Essas pessoas podem só cruzar o seu caminho, tangenciá-lo rapidamente assim como podem seguir a caminhada por mais longos trechos ou até acompanhar até o final; nunca podemos antecipar, mas podemos apenas esperar.
Algo que também acontece muitas vezes nas nossas 'trilhas' na vida, é que nossa atenção fica tão focado nos passos, piso e apoios, que esquecemos de ver tudo o que nos cerca. Ora será belo e encantador, ora intimidante e assustador. O jeito é admirar o belo, ignorar o medo e nunca estabelecer limites de 'não consigo fazer isso'. Podemos nos impressionar com nossos encontros no caminho, trechos planos que surgem, assim como podemos nos surpreender com a própria força e capacidade de seguir adiante mesmo que pareça que ninguém está por perto.
Com os objetivos estabelecidos, é quase impossível voltar atrás e desistir. É ignorar todo o trabalho feito até aquele instante e jogar a toalha antes de saber exatamente o que espera atrás daquele morro, árvore ou pedra."
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