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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O amor é outra coisa.

Uma vez que tive no cursinho a aula com a Mércia a respeito de poesia barroca, passei a gostar bastante de alguns poemas. Um deles era o soneto de Camões sobre amor, precisamente devido às antíteses (se você não lembra qual é, já já vai lembrar), inclusive sei parte dele de cor (algo totalmente inútil de se saber, mas tudo bem).
Enfim, nestes últimos dias minha prima me mostrou o twitter "oamornaoeh" ou algo assim que tem frases legais com um final bem anti-climático do tipo: "O amor não é aquela coisa bonita, colorida e que se encaixa perfeitamente. O nome disso é lego. O amor, é outra coisa."
E, bem, unindo as duas coisas consegui produzir uma versão comentada do soneto camoniano que achei bastante divertida. Lá vai.

Amor é fogo que arde sem se ver (O nome disso é Metano. O amor é outra coisa.)
É ferida que dói e não se sente (O nome disso é calo. O amor é outra coisa.)
É um contentamento descontente (O nome disso é emo. O amor é outra coisa.)
É dor que desatina sem doer (O nome disso é lepra. O amor é outra coisa.)

É um não querer mais que bem querer (O nome disso é TPM. O amor é outra coisa.)
É solitário andar por entre a gente (O nome disso é sociopata. O amor é outra coisa.)
É nunca contentar-se de contente (O nome disso é criança mimada. O amor é outra coisa.)
 É cuidar que se ganha em se perder (O nome disso é peso. O amor é outra coisa.)

É querer estar preso por vontade (O nome disso é Síndrome de Stockholme. O amor é outra coisa.)
É servir a quem vence, o vencedor (O nome disso é humildade. O amor é outra coisa.)
É ter com quem nos mata lealdade (O nome disso é mulher de malandro. O amor é outra coisa.)

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade, (O nome disso é doença de chagas. O amor é outra coisa.)
Se tão contrário a si é o mesmo Amor? (O nome disso é baixa auto-estima. O amor é outra coisa.)

Outro dia posto a respeito do que é o amor, mas como discutimos hoje no lab de Bio, às vezes é mais importante saber o que não é do que o que é.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

The Imaginarium of Mel

No post passado falei sobre os nossos amigos imaginarios, e eu fiquei ponderando sobre os respectivos amigos imaginarios que eu gostaria que fossem reais. Dai fiquei pensando. E a lista vai longe.




Elizabeth Bennet


A unica personagem feminina nessa lista, agora sei quanto mais complexidade atribuem aos personagens masculinos. A personagem da Jane Austen é acida, cinica, ironica e divertidissima. Porque, apesar de eu geralmente me dar melhor com meninos... ninguem é de ferro e precisa falar do horrivel vestido que a noiva escolheu e do cabelo da madrinha que parecia um ninho.




Mr. Darcy


O eximio personagem de Orgulho e Preconceito, sim, ele é orgulhoso, sim ele pode ser mala... mas ele tem todos os motivos para ser orgulhoso, e ele é o cara. Ele cutuca com pose, e se recusa a se apaixonar, e 90% do livro sao divertidissimas discussoes e brigas entre ele e Elizabeth sobre a sociedade e casamentos arranjados e pose. Mr. Darcy é o cara.






Mr Tumnus


Ele é, além de tudo uma criatura mitologica, o que seria muito bacana para... enriquecer meu circulo social culturalmente (como se um alienigena nao bastasse para isso), ele é meigo, simpatississimo e sera sempre uma figura na minha cabeca do fauno com um guarda chuva, cachecol vermelho e embalagens sob os bracos sob um poste de luz em uma floresta. Ah, tambem toca flauta.



Sheldon Cooper


Eu sei, Sheldon é tenso, Sheldon pode ser chato... mas ele nao se ofende, ele é honesto, e pode ser uma boa pessoa, alem do fantastico fato que voce nao tem que pensar se ele esta te falando algo nas entrelinhas, afinal, ele nao sabe que existem as entrelinhas. E tem um QI mais alto que 180. E indicios de Asperger`s syndrome. And once again you have fallen for one of my classic pranks. Bazinga!

Fato curioso: Assim como nos quadrinhos do lanterna verde cada cor tem um significado, normalmente Sheldon esta vestido em cada cena a cor referente aquele sentimento. Vermelho - raiva, Laranja - ambicao/egoismo, Amarelo - medo, Verde - forca de vontade/coragem, Azul - esperanca, Indigo - compaixao e Roxo - amor


Sherlock Holmes


Elementar, caros leitores. Deixar o personagem de Arthur Conan Doyle fora desta lista seria uma atrocidade. Ecentrico, obcecado, por vezes drogado, é curioso e interessante. Uma das minhas passagens que mais gosto é em Um estudo em Escarlate quando o Watson o conhece pela primeira vez, e ele esta no necroterio batendo em um cadaver para saber quanto tempo pos mortum o corpo ainda fica com hematomas.







Spock



Metade Vulcan, metade humano, ele é um adoravel genio, logico, racional, contido. Live long and prosper.









Quem sabe eu lembre de mais personagens depois, mas achei esses muito divertidos. Quem diria que Mr Tumnus, Mr Darcy e Spock estariam juntos em alguma coisa. Uau.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

L'art pour l'art

A arte me fascina, encanta, surpreende. Não por um artista ser melhor ou pior, ter um estilo mais próximo da estética que prefiro ou não, mas a arte per si é fantástica.
Muitos dizem que não a entendem, ou pouco lhes importa, mas acontece que a arte é a melhor forma de análise psicológica de um indivíduo, um alcance direto ao seu subconsciente ou mesmo ao consciente acidentalmente exposto.
A arte não exige que você aprenda, ou que faça certo ou errado, ela não te força a ser quem você não é, você não precisa se adaptar a ela... a arte é ser. É pensar, comunicar, transmitir.
Por mais que uns digam que a arte é a reprodução da realidade, por exemplo, o desenho de uma maçã reproduz a realidade material de um fruto, na verdade a arte é a expressão de um indivíduo e a sua impressão da realidade.
Se você é daltônico e ao invés de ver a maçã como vermelha a vê como marrom e quando desenhar uma maçã pintá-la de marrom, não está errado aquilo que você retratou - aquilo é a sua realidade, a sua verdade absoluta.
O que eu acho particularmente encantador na arte é que você precisa despir-se de seus adornos intelectuais e daquilo que você sabe racionalmente, você precisa aprender a (com perdão do trocadilho) confiar cegamente nos seus olhos, ouvidos, instintos e sentimentos para produzir a sua realidade. Não adianta você, por saber que uma mesa é redonda, quando for desenhá-la mesmo que em perspectiva fazer um círculo como a sua superfície. você precisa confiar nos seus olhos que dizem que a mesa é oval daquele ponto de vista.
E por mais egoísta que soe o fato que contanto que esteja certo para você e para a sua realidade isso o torna certo... a arte é na verdade uma forma de comunicação que pode vir por meio de música, desenho, pintura, filmes, enfim... é você justamente não guardar seus pensamentos consigo, é estar disposto a dividí-los com o mundo, ou aqueles do mundo que souberem aceitar, não como a realidade, como o certo, o errado, mas sim como uma realidade. A sua.

* * * * *
Já ouvi algumas pessoas falando sobre a "sétima arte", o cinema, mas é raro ouvirmos da primeira, segunda, terceira...Para efeito de curiosidade dos meus caros leitores, aqui está a lista das artes.
Tive um pouco de dificuldade, cada site apresenta uma ordem. Tem uns até que apresentam arquitetura como uma das artes, mas creio que ela faça parte de Escultura.
A seguinte lista foi a mais plausível que encontrei, que parece uma ordem cronológica da arte de acordo com o desenvolvimento da humanidade.
Um dia farei um estudo antropológico de cada uma, mas por hoje... aqui estamos.

obs.: pela internet é possível achar oitava, nona, décima arte que envolvem formas tecnológicas desta, mas me aterei às sete primeiras.

Primeira arte - Música
Segunda arte - Dança
Terceira arte - Pintura
Quarta arte - Escultura
Quinta arte - Literatura
Sexta arte - Teatro
Sétima arte - Cinema

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Acrobata da dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado,
De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
Nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.

[Augusto dos Anjos]

* * * * *
Eis aí um soneto de Augusto dos Anjos que li na revisão esta semana... gostei bastante dele. Aliás, gosto muito do movimento simbolista, então sou suspeita pra começar a argumentar dessas coisas, mas enfim... achei as imagens interessantes, me lembraram bastante de um poeminha tosco que escrevi certa vez, "Circo de um só".
Bom, as coisas circenses sempre foram interessantes para a criação de paradoxo, então o que posso dizer?

* * * * *

Começo amanhã a maratona... inspira, expira, tente pensar. E let's go, here we go, here we go, here we go again...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ao (des)Concerto do Mundo

Hoje algo muito legal aconteceu... Recebemos um pacote da Irlanda. Hum. Em meu nome. Ahn?


Abri, vi uma embalagem para a minha prima, ok. Encontrei uma com meu nome. Abri esperando alguma camista de turistas da Irlanda, havia suspeitado que aquela minha tia teria me enviado uma camiseta da Irlanda que eu queria há tempo. Abri e encontrei algo verde.
Irish Football Association, dizia na etiqueta. Camisa Oficial da seleção da Irlanda do Norte!

Uoah, pirei! Pronta para quando o jogo da Irlanda não for roubado e os irlandeses vierem para o Brasil \o

* * * * *

Tenho me indignado muito com o mundo, acho que até demais. O que expressa perfeitamente minha indignação são esses versos de Camões: Ao desconcerto do mundo.

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.