quinta-feira, 31 de março de 2011

I'm just me

Acho que esqueci como se faz prova - fui hoje para minha primeira prova do curso universitário como se estivesse indo para o vestibular. Foi até bem engraçado, porque não queria ir fazer prova nenhuma, estava nervosa, relutante... Cheguei na faculdade, sentei, relaxei ao conversar com o pessoal, relaxei mais ainda quando olhei a prova de Cálculo. Tranquilíssima. Uau, isso foi inesperado.

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Sabe, com toda essa historia do meu pé, meu querido pé que eu aguento o dia inteiro, tenho usado os métodos dos mais variados para o transporte: pular em um pé só, andar de joelhos, enfim, fiquei criativa - mas quando eu saio, não existe muito espaço para criatividade: Muletas e cadeira de roda (quando disponível). O que tenho achado muito interessante (ou irritante) desse processo é o tanto que as pessoas olham pra você, olham como se você fosse um brinquedo quebrado ou a bolacha sem recheio do pacote. Uma coisa estranha e nunca vista antes. Qualquer que seja o ambiente que me cerca, shopping, faculdade, ou mesmo no hospital ou clínicas ortopédicas (que tenho frequentado... bom, com bastante frequencia) sou observada, analisada. Me sinto invadida e desrespeitada, e eu só preferiria ser invisível. Nunca fui alguém que saltasse de uma multidão quando me vêem, sou apenas uma figura de jeans, camiseta e all star com cabelo bagunçado e um par de óculos. Só eu. E de repente, sou essa espécie alienígena descendo da nave que acaba de chegar de Betelgueuse, alguém que não some na multidão, e é bastante desagradável. É claro que me alivia muito o fato que eu eventualmente voltarei a andar normalmente, talvez daqui a um mês, dois, ou seis (ok, sem exageros), e não precisarei mais desses aparatos. Mas eu penso nas outras pessoas que precisam disso diariamente, como essas pessoas se sentem estranhas à sociedade, como deve ser horrível. Se tudo isso serviu pra alguma coisa, serviu para eu respeitar muito mais essas pessoas com dificuldades, sejam físicas, sejam psicológicas, enfim - qualquer um que é o que dizem ser "diferente". Quero saber quando que finalmente vão descobrir que o que nos faz diferentes (um braço a menos ou a mais, mais ou menos altura, QI) é insignificante ao lado daquilo que nos torna iguais - somos todos humanos.

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