sábado, 12 de março de 2011

Happiness is a warm gun

Refletindo sobre a felicidade, achei engraçado perceber como às vezes quanto mais buscamos e ansiamos pela felicidade, menos a atingimos. Achamos que nossa felicidade traduz-se em independência econômica, uma casa confortável, estudos, inteligência, reconhecimento, relacionamentos, mas facilmente qualquer uma dessas coisas pode nos sabotar seguindo o ditado inglês "the higher the climb, the harder the fall".
Realmente, se basearmos nossa felicidade em qualquer uma das coisas, quase definitivamente em algum ponto de nossa existência seremos desapontados e nos sentiremos infelizes. Ilusoriamente cremos que de alguma forma as coisas efêmeras podem ser "diferentes para nós": casais brigam mas eu não serei um desses, eu não ficarei desempregado, não perderei todo meu dinheiro, meus filhos serão boas pessoas, são mentirinhas que contamos a nós mesmos diariamente na tentativa de continuarmos vivendo com algum rascunho de felicidade esboçado no nosso futuro, mas de natureza praticamente newtoniana, para cada ilusão existe uma desilusão igual e oposta. Pois é, a realidade eventualmente bate à porta.
A maior parte do tempo, quando perdemos nossas esperanças em relação a coisas materiais, depositamos nossa esperança nas pessoas porque, afinal, elas não podem ser generalizadas e classificadas como qualquer coisa material - cada pessoa é diferente e pensamos que talvez em meio a 6,7 bilhões haja uma pessoa decente que pode nos trazer felicidade e realização plena através de um relacionamento amoroso. Errado. A realidade bate à porta.

"Já que o amor nos deu a experiência mais intensa de uma sensação de prazer, fornecendo-nos assim, um padrão para a busca da felicidade, as pessoas tendem a buscar a sua felicidade primariamente nos seus relacionamentos de amor. Mas Freud nos avisa que quando alguém consegue encontrar a sua principal fonte de felicidade no relacionamento de amor, ele se coloca a si mesmo numa das mais perigosas formas de dependência de uma parte do mundo exterior, qual seja, o seu objeto de amor escolhido e se expõe a sofrimento extremo se for rejeitado por esse objeto, ou acaba por perdê-lo por falta de fidelidade ou morte. Como qualquer poeta concordaria, "nunca estamos tão indefesos contra o sofrimento, quanto quando estamos amando; nunca estamos tão desesperadamente infelizes, quanto quando nos desfazemos do nosso objeto amado ou do seu amor”."

[Sigmund Freud]

A verdade é que por mais que concorde com C.S.Lewis quando diz que "Affection is responsible for nine-tenths of whatever solid and durable happiness there is in our lives.", grande parte do desespero e infelicidade decorre também das pessoas, mas de formas diferentes. Talvez só precisamos entender que seremos feridos e nos sentiremos infelizes, mas isso não pode ser um apocalipse ou coisa assim porque senão passaremos por 14 apocalipses diariamente porque seres humanos são... bom, seres humanos.

Nossa esperança e vontade de viver não deve ser depositada em coisas terrenas e efêmeras, simples assim - porque se o fizermos, certamente acabaremos de coração arrebentado. Mais que o normal.










"Trust in the Lord with all your heart; do not rely upon your own understanding" (Pv. 3:5)

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