domingo, 30 de maio de 2010

sétima arte

Hoje revi Léon - O profissional, e notei como, céus! Adoro esse filme!
Estava pensando porque da primeira vez que o vi (por recomendação do Sam) eu não gostei, especialmente do começo. Realmente não gostei mas fui vendo o resto... assistindo... assistindo... e ei, não é tão ruim. E eu vi trechos outro dia "bem legal esse filme" e hoje o vi pela terceira vez e "caraca, esse filme é muito bom!"
É o tipo de filme que cresce em você, e cada vez que assiste nota que não viu um detalhe ou outro, ou vê uma peculiar beleza no enredo que não havia visto. Ilustre, definitivamente em meu top 10 de melhores filmes.

* * * * *

Outra coisa que notei assistindo Léon, foi que Robert McKee fez uma observação em sua palestra Story absolutamente real, mas não tão óbvia.
Para quem não sabe, ele é roteirista e ministra esse curso meio "como escrever um roteiro 101", só não é storywriting for dummies porque ele só o ministra para atores, roteiristas, diretores e etc, passou pelo Brasil recentemente e tem uma reportagem sobre na Época.
A tal observação é que para que um roteiro seja bom, deve haver transformação da personagem, ou senão não haveria motivo para contar a história.
Comecei a perceber isso em séries, filmes, e tudo o mais.
No caso do Léon, ele passa a ter um objetivo na vida que é a Mathilda, passa a amar alguém (fora a planta). Percebi isso em House, Monk, Bones, Across the universe, Na natureza selvagem, enfim, muitas histórias dignas de serem contadas.
Curioso, né?
Fiquei feliz com isso - na história que estou escrevendo o objetivo é contar as situações que mudaram uma personagem ao longo da vida, e escrevi isso sem nem saber do mandamento do Robert McKee. Acertei em alguma coisa!
Quer saber se está acertando? Aqui estão os dez mandamentos do mestre que ajudou diversos ex-alunos a ganharem 33 oscars e 168 emmys:

1 - Respeitarás tua audiência
Jamais subestime a inteligência de seus espectadores. Supere suas expectativas e apresente algo a mais. (Ou seja, se você for escrever uma história estúpida, escreva-a para um público mais estúpido - oi, crepúsculo!)
2 - Pesquisarás
Estude o tema a ser abordado para tornar o filme atraente para leigos e especialistas. (nada de fazer vampiros brilharem como purpurina. Eles morrem. Não são patrocinados pela Swarovski)
3 - Dramatizarás tua apresentação
Torne atraente, dinâmica e bem amarrada a história que pretende contar
4 - Criarás camadas de seignificados sob teu texto
A superficialidade não é perdoada nem nos comerciais de margarina
5 - Criarás personagens complexos, não uma história complexa
Ninguém entende histórias difíceis, ninguém se identifica com persongens simplórios
6 - Não usarás falso mistério nem surpresas baratas
Truques como acordar de um sonho para resolver o problema do filme estão fora de cogitação.
7 - Não usarás deus ex machina para teus encerramentos
Se a solução vem de alguém que não estava na história, o espectador se sente ludibriado. (daí do momento de epifania em que um suposto mocinho se mostra vilão em uma cena clichê em que ele brinca de fazer cara de mau)
8 - Não facilitarás a vida de teu protagonista
Se não houver transformação, não há por que contar a história (será que comédias não fogem a isso? Não vi grandes transformações na maioria delas, como nos filmes MontyPython e não deixam de ser ótimos filmes!)
9 - Levarás tua história às profundezas e extensões da experiência humana
Apresente ao público o que ele espera (um bom rapaz órfão lutando a favor da galáxia X um homem-máquina tentando dominar a galáxia) - e ainda assim o surpreenda (Tipo com a frase "Eu sou o seu pai" : o)
10 - Não dormirás com ninguém que tenha mais problemas que ti (what? não entendi)
Licença poética. McKee quer dizer: você é que tem de ter as tramas. (aaaah!)

Ah sim, o tal mestre de roteiros usa sempre Casablanca como exemplo de um bom roteiro, bons atores, bom figurino, boa trilha sonora, ou seja, o filme dos filmes. Concordo! (como se minha opinião valesse de muita coisa...).


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