quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Womb + man

Um dia desses fiquei estonteada ao ler no facebook de uma menina "Se tivesse dito que queria dá pra alguém, teria uma fila aqui, mas como eu falei que quero sair pra uma balada ninguém quer ir comigo! Vou te contar viu!".
Pois é, meu queixo abriu uma cratera no chão.

Fiquei pensando... Será que antes dos anos 60 uma mulher diria isso? Será que seria aceitável ou até mesmo considerado normal esse tipo de afirmação como acontece hoje?
Ouço as histórias da minha vó, que só foi aprender que bebês não vinham do repolho aos 16 anos quando uma tia teve um bebê na casa dela, e sinto que falta um pouco disso nos dias de hoje, ainda que nunca tenha conhecido outra geração. A inocência se esvaireceu no momento em que mulheres decidiram ser tão iguais aos homens que acataram características, muitas vezes, despresíveis até neles.
Na história antiga, a teórica 'barbárie' a mulher era melhor vista do que hoje: era o ser que dava origem aos decendentes, tratada com reverência e respeito por sua incrível capacidade de geração dos decendentes. Até eles sabiam tratar com um mínimo de respeito. Diz-se até que a origem da palavra "Woman" em inglês provém da união dos termos "Womb" (útero) e "Man" (homem), tal era a importância dada a essa característica. Não estou dizendo que a mulher deva ser vista como uma fábrica de crianças, isso seria o oposto do intuito deste post. Leia adiante e talvez eu me faça compreender.
A imagem da mulher atual é de um objeto: nas propagandas vemos isso claramente, em que ela se apresenta ora como objeto sexual (leia-se aqui propagandas de cerveja, carros, bebidas alcoólicas em geral) ora como a 'babá' - aquele ser que cuida e cria os filhos, lava as roupas, cuida da casa (leia-se propagandas de sabonetes, pasta de dente, sabão em pó etc). É isso que as crianças aprendem como sendo mulher. É isso que as meninas crescem querendo virar, é isso que os meninos pensam que terão no futuro. Objetos. Serviçais.
As meninas, a uma idade irrisória querem se vestir de forma 'sexy', com saltos altos e maquiagem, porque dada a escolha da mulher bonita e teoricamente poderosa que manipula os homens com seu charme e beleza física ou ser a mãe de família (que em geral nas novelas se dá mal e é traída), ela escolhe a primeira. Os brinquedos mostram isso bastante - não brincam mais com bonecas que representariam filhos, mas as bonecas tonaram-se projeções daquilo que querem ser (aka.: barbie).
Daí essas meninas crescem com a mesma mentalidade e não conhecem uma alternativa de pureza, castidade, inocência e a beleza das mulheres de antigamente. A sociedade torna-se cada vez mais deturpada e isso contagia progressivamente, espalha-se com um R-0 muito maior que muitas pandemias.

Uma das metáforas que mais ou menos apropriadas para comparar as mulheres é compará-las com maçãs em uma árvore (não gosto da idéia de comparar pessoas a comida, mas aqui está a explicação) - algumas estão nos galhos mais baixos, fáceis de serem colhidas, mas como são as de maior acessibilidade as disponíveis são podres. Já, para o aventureiro que decidir tentar pegar uma maçã respeitável no topo da árvore... boa sorte escalando essa árvore, porque aquelas maçãs boas tornam-se cada vez mais escassas.

*  *  *  *  *
A seguir está um trecho do refrão da música que motivou a metáfora das maçãs!

"Like an apple on a tree
Hiding out behind the leaves
I was difficult to reach
(...)
Like a shell upon the beach
Just another pretty piece
I was difficulto to see"

[You picked me - afinefrenzy]

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

boys & girl

Hoje pela primeira vez saí em SJC para fazer um programa não obrigatório ou relacionado à universidade, fui ao cinema!
Fui com a ilustríssima companhia do Bruno, Nicholas e Renan assistir Contágio - nos divertimos horrores. Durante o filme, ficamos comentando coisas de laboratório de bio segurança nível 4, Pymol, autópsias, vírus... tudo o que conhecíamos! E, elementarmente, saímos paranóicos limpando as mãos com álcool gel enchendo um ao outro com 'contágio', encostar e xiliques e bobeiras que há muito tempo não fazia.
Ao final da noite sentamos para jantar e começamos a debater a respeito de relacionamentos (e devido a essa conversa cheguei agora há pouco, 21:15 mais ou menos), e eles começaram a me perguntar sobre o que as mulheres esperam dos homens e perguntei-lhes o mesmo - e eu descobri que expliquei mais o lado fisiológico e instintivo da coisa do que a 'prática', ou seja, como conquistar uma mulher. Descobri quão mais fácil é ter uma análise pragmática e puramente biológica da coisa. Compatibilidade genética, intelectual, ferormônios, reino animal, competitividade - aquela história toda que já falei em extensos posts passados.
Foi muito interessante ouvir as opiniões dos meninos, e não sei se eles acharam as minhas interessantes, mas foi muito divertido. Situações como a de hoje me fazem compreender porque amizades com meninos são tão mais simples - eles falam tudo na lata, sem adornos ou arabescos, nada de frescuras ou ofensas caladas. São plenamente honestos. Eu gosto disso, você sempre sabe em que pé está com eles.
Mas no que se referia aos relacionamentos... descobrimos que é mais fácil entender a biologia, os vírus de morcegos e porcos, as moléculas e mutações do que homens, mulheres e tudo o que há entre eles!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Bolha de sabão

Não sei quanto a vocês, mas quando criança, eu me divertia muito com bolhas de sabão. Fosse com aqueles biriquitelhos que eram vendidos com esse inuito, fosse misturando água e detergente e usando um canudo pra fazer as bolhas - eram horas de diversão. Lembro-me até hoje das broncas "Vai brincar com isso lá fora senão vai sujar o chão!". Era fabuloso.
Ia à varanda e assistia minhas bolhas flutuarem ao vento até que... pop! Se desfaziam em gotículas de detergente e água.
Lembrei-me disso hoje quando lavava minhas louças e uma bolha furtivamente escapou de dentro do detergente, e desencadeou todo um raciocínio a respeito delas. Em seguida lembrei de uma música do Jars of Clay (que está na minha cabeça desde que acordei), Weighed Down:

"Our hearts, a bubble makers dream
Moved on by winds of anything"
E me pus a ponderar quão similares somos às bolhas de sabão. São bonitas, são únicas, livres para fazerem o que quiserem... mas tendem a obedecer ao fluxo que as cerca - e com facilidade incrível mudam de rumo. Sussetíveis a mudanças do contexto.
Também refletimos, de forma um pouco deformada, aquilo que nos cerca. Se ficamos em meios iluminados, refletiremos esta luminosidade, se ficamos em meios coloridos e alegres refletiremos isso, ou podemos refletir melancolia e tristeza, tudo depende do caminho que decidimos seguir.
Também são frágeis, que nem a gente. Flutuamos mostrando nossa beleza... mas uma hora ou outra. Pop. E não somos nem mais gotículas de sabão e água.

*  *  *  *  *

Light of the world
luz do mundo
Are you still here?
você ainda está aqui?
And are we illuminating?
e nós, estamos iluminando?
When love becomes a delicate display
quando amor se torna uma vitrine delicada
So weak, dissolved by anything
tão fraca, dissolvida por qualquer coisa

Love lies here waiting all alone
o amor está deitado esperando sozinho
Can a king be a king
pode um Rei ser um Rei
Weighed down?
subjugado?

Our hearts, a bubble maker's dream
nossos corações, sonho de um fazedor de bolhas
Moved on by winds of everything
levados por ventos de qualquer coisa
As we deny that love is still the king
ao negarmos que amor ainda é rei
Not as weak as we make him out to be
não tão fraco quanto pensamos que ele é

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

ElectricTwist

Escrevi um post todo sobre meu passado e antigos fotologs que estava fuçando, mas não tive moral de postar, lol. O post estava tão ridiculamente patético quanto meus antigos posts!
gostaria de recomendar-lhes uma outra cantora que encontrei e gostei bastante.
A fine frenzy é o nome da 'banda' eu acho, mas a banda é uma moçoila com músicas muito boas, desde You picked me, até Almost lover e Ashes and Wine. A que trouxe, porém, é um pouco mais divertida que essas que são mais pianinho: Electric Twist. Clipe engraçado, letra mais engraçada e aqui está!

 






domingo, 30 de outubro de 2011

lemniscate


Christianity, if false, is of no importance, and if true, of infinite importance. The only thing it cannot be is moderately important.

[C.S.Lewis]

sábado, 29 de outubro de 2011

Mine, mine, mine.

É bastante comum as pessoas me perguntarem qual o significado do meu anel, usualmente o confundem com aliança de namoro. Confesso que nem sempre sou plenamente clara em explicar sua função simplesmente porque se digo qual é o versículo nele escrito, é entendido como sendo aliança de namoro e, bem, evita certos incômodos e stalkeamentos. Ou não.
Primeiramente, para os que nunca o viram, repararam, perceberam, questionaram, refiro-me a um anel em aço que tenho que tem escrito em hebraico o versículo de Cantares "Eu sou para o meu amado, meu amado é para mim".
Mas decidi listar aqui a importância deste simpatissíssimo companheiro de meu dedo direito anelar.

Primeiramente: Quem é o amado? Estranho? Talvez, mas eu vejo como Deus sendo o meu amado. Bem, como um filho que ama o pai ou a obra de arte que vive em função do artista, é assim que vejo o relacionamento. Dinâmico, com altos e baixos.
Me lembra que eu sou para ele assim como ele é pra mim, uma certa questão de mordomia entra aí:
"Os humanos sempre fazem reinvindicações quanto às suas posses que soam igualmente engraçadas aos ouvidos tanto do Céu quanto do Inferno, (...). E durante muito tempo a piada é que a palavra 'meu', no sentido puramente possessivo, não pode ser pronunciada por um ser humano sobre coisa alguma. A longo prazo, tanto [o diabo] quanto o [Deus] dirão "Meu" de todas as coisas existentes, e especialmente de cada homem. No fim, os humanos saberão, esteja certo, a quem seu tempo, suas almas e seus corpos realmente pertencem - e com certeze não pertencem a eles, independentemente do que aconteça. Por agora [Deus] diz "Meu" de todas as coisas com base no fundamento legalista e pedante de que foi Ele quem as criou; [o diabo] espera no fim dizer "Meu" de todas as coisas com base no fundamento mais realista e dinâmico da conquista."


e dentro desse pensamento que eu penso... o meu tempo, meu corpo, meu dinheiro, meus relacionamentos... são precisamente não meus. São de Deus, então ter um pequeno lembrete colocado todas as manhãs no meu dedo talvez me ajude a perceber quão absurdo é dizer 'meu' de qualquer coisa. E se é emprestado, é bom fazer bom uso de tudo o que me foi concedido!
Para entender esse conceito de mordomia, o que sempre vem na minha cabeça com a palavra Mordomia: Alfred. O bom senhorzinho que ajuda o Bruce Wayne, que administra os seus bens em sua ausência.
Acho que Deus nos confiou o ambiente, o planeta, os animais, todo o mundo físico e temporal que nos cerca em uma atitude de confiança; muita gente diz que Deus não existe ou não nos ama porque acontecem desastres naturais, e pessoas sofrem e morrem e tudo o mais... mas se você for descuidado com um CD que um amigo seu lhe emprestar e ele acabar riscado, é apenas lógico supor que ele não irá tocar a música como inicialmente foi planejado pelo artista ou gravadora. É o mesmo que pegar um livro emprestado, fazer um buraco enorme no meio dele nele que crime! e ainda ter a audácia de reclamar com quem te emprestou que o livro não fazia sentido ou era um livro ruim.
Já, se utilizarmos o que nos foi concedido de acordo com o intuito primário de sua criação, administrarmos adequadamente nosso tempo, preservarmos nosso corpo, cuidar do ambiente, administrar sabiamente nossos bens e talvez assim poderemos começar a compreender o projeto original do universo que nos cerca - e compreendermos quão estúpido soa cada vez que dizemos que algo que nem entendemos nos pertence.


Foi daí que fui parar pra pensar que tudo isso saiu de um anel. Realmente, escrever depois das 11 é pedir devaneios e viagens randômicas!




quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Hand.in.Hand


Um dia desses na faculdade, não sei por que cargas d'água começamos a falar a respeito de namoro, e percebi o quanto minhas opiniões diferem da maioria massante da sociedade que me cerca.
Houve um comentário em particular que me deixou muito pensativa, mas como minha opinião diferia demasiadamente da opinião daqueles comigo, permaneci calada e permiti os devaneios de uma mente indignada.
O comentário em questão foi "Namoro?? É no mínimo beijar! Segurar mão?! Isso é coisa de criança de prézinho, que ridículo!".
Ouvi. Ponderei. Me segurei para não fazer um discurso que seria desprezado por todos aqueles presentes.

O dar as mãos é algo que, hoje, não é particularmente valorizado, assim como muitas coisas profundas e complexas de relacionamentos foram banalizadas e a atração psicológico-intelectual foi banida para dar lugar à atração física. Vejo muitas vezes casais andando e um deles segura a mão do outro com tanta vontade que parece que têm medo de perder o outro, e a atitude muitas vezes não é recíproca. É só uma mão.
Acontece que dar as mãos é um ato muitíssimo mais relevante no que se refere ao relacionamento do que as pessoas têm valorizado.
Primeiramente, o ato de dar as mãos não é só coisa de namorados apaixonados - é coisa de criança com os pais ou aqueles que ela ama e crê que possam protegê-la, é coisa de todas as idades, de irmãos, de familiares, de amigos... coisa de quem a gente ama.
Segurar a mão de alguém é dizer que você estará lá para segurar ela quando cair, e que, se necessário, você cairá junto com ela para auxiliá-la de alguma forma. É uma demonstração primária de companheirismo, além de uma demonstração de confiança e segurança. Os pequenos confiam em nós para segurarmos eles no caso de tropeçarem ou caírem.
Os pequenos também querem mostrar pra gente o mundo todo - "Vem ver o que descobri!"; as pessoas grandes também não diferem em nada nesse aspecto e querem nos levar para ver o seu mundo, assim como estão dispostos a conhecer o nosso mundo. É uma marca de cumplicidade de ambas as partes, a presença do outro é algo agradável e que você quer aproveitar cada instante.
Dar as mãos também é sincronia. Tente andar de mãos dadas com alguém por bastante tempo e andar a uma velocidade diferente. Em outro ritmo. É dificílimo! Os passos acabam se sincronizando e, as pessoas, se adaptando umas às outras; isso também é perceptível no organismo fisiológico - ao abraçarmos alguém, por exemplo, a freqüência cardíaca de ambos tende a se sincronizar, o restante das funções biológicas também. Suspeito que segurar as mãos tenha um impacto semelhante no nosso corpo.
Também se dão as mãos em momentos em que dois indivíduos ou grupo destes queira se manter unido em situações que podem separá-los, como em uma multidão ou no escuro, por exemplo. É uma forma de se buscar certeza de que não estará sozinho.
É uma demonstração de afeto, tão difícil de compreender racionalmente quanto um beijo ou abraço, ativam nossa sensação de bem-estar (bem, dependendo da pessoa, é claro), e apesar de incompreensível, a maioria dos humanos tenho certeza de que diriam que pode ser agradabilíssimo.
Portanto, apesar de parecer algo simples e até mesmo bobo, é um pequeno ato que fala muito a respeito de como nos relacionamos, e são pequenos fatores que se amontoam e constituem o real valor que damos às pessoas e às 'banalidades' da convivência com elas. Desculpem-me os céticos, os 'velhos demais para essas coisas', os que cresceram e não precisam disso, os que 'conhecem o mundo real'. Dar as mãos não é coisa só de prézinho. E se for... realmente está na hora de aprendermos mais com os pequeninos.


"Dar a mão a alguém foi o que eu sempre esperei da alegria."
C.S.Lewis

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Two Hands - jarsofclay

I've been living out of sanity
Eu estive vivendo às custas da sanidade
I've been splitting hairs and blurring lines
Eu ando dividindo cabelos e embassando as linhas
I am a house that is divided
Eu sou uma casa que é dividida
In my heart and in my mind
Em meu coração e em minha mente


I use one hand to pull closer
Eu uso uma mão pra te trazer pra perto
The other to push you away
A outra pra te afastar
If I had two hands doing the same thing
Se eu tivesse duas mãos fazendo a mesma coisa
Lifted high, lifted high
Erguidas ao alto, erguidas ao alto


I have a broken disposition
Eu tenho uma disposição falha
I'm a liar who thirsts for the truth
Eu sou um mentiroso que anseia pela verdade
And while I ache for faith to hold me
E enquanto eu anseio para que a fé me segure
I need to feel the scars and see the proof
Eu preciso sentir as cicatrizes e ver a prova


And if we just keep digging we can reach the foundation
Se só continuarmos cavando poderemos alcançar a fundação
Of our souls
de nossas almas
And if we just keep cutting all the chains from our hearts
E se só ficarmos cortando todas as correntes de nossos corações
We'll lose control
Perderemos o controle


And it feels like giving in
E parece que vai ceder
It feels like starting over
E parece que vai recomeçar
It feels like waking up, and you know it's coming
E parece que vai acordar, e você sabe que está vindo
It feels like a brand new day
E parece ser um dia novo
Open your eyes
Abra seus olhos