Eu sei que sou uma pessoa incrivelmente insuportável quando estou empolgada com anatomia e/ou fisiologia. Eu sei disso, e eu tento não ser, mas é mais forte que é. É meio que nem uma garota apaixonada pela primeira vez que não consegue parar de falar sobre o menino, como ele é lindo, inteligente, e etc etc. É uma paixão meio adolescente que tenho por essa área, mas é difícil, eu não consigo resistir, e deixo sem ressalvas ela me encantar de novo e de novo, todos os meses, semanas e até dias.
Minha reflexão dessa vez foi ao assistir uma professora gesticulando com as mãos, eu conseguia ver os tendões por baixo da pele por causa da mão magra. E quando vi alguém andando e vi a insercão do músculo e a parte ressaltada do final da tíbia. Isso não custou muito pra desencadear uma série de pensamentos, de imagens. Das mãos e das pernas dissecadas, dos tendões, cada tipo de músculo. As inserções dos músculos, e eu comecei a viajar nisso.
Porque conversando com uma pessoa, ou vendo ou qualquer coisa assim, eu dificilmente ligo o laboratório com as pessoas vivas e saudáveis, mas pela primeira vez fiz isso, e creio que tenha sido algo bom. Eu comecei a pensar como todas as pessoas que estão vivas por aí são daquele jeito por baixo: com músculos, tendões, ligamentos. tecidos lisos, tecidos conjuntivos. Na verdade, nós somos todos iguais.
Salvo uma pigmentação mais escura aqui ou ali, ou uma pele com mais ou menos rugas, não somos diferentes.
Isso me fez bem, pensar que mesmo as pessoas que parecem mais extraordinárias nos seus feitos e habilidades, seja por ser pós-doc em sei lá o que, ou mesmo tendo toda a habilidade no mundo em dançar ou cantar, somos iguais. Somos inteiramente capazes de sermos tão extraordinários quando estamos dispostos a nos esforçar, podemos ser competitivos, querer ser os melhores, os incríveis, os mais notáveis, mas não somos nada. Não podemos querer ser nada. Tudo o que realmente somos que difere de todo o resto é o nosso caráter, é a nossa alma - se é bonita ou não.
Isso vai embora e continua vivendo. Os nossos diplomas, títulos, reconhecimentos, físico... Tudo isso fica aqui. Debaixo da terra ou em um tanque de formol, pra um dia, outros alunos descobrirem como nada disso faz sentido. Como somos todos iguais e o que vale à pena - o que realmente vale à pena investir - é tudo aquilo que não vai estar impresso nos nossos tecidos ou músculos. É aquilo que é eterno.
* * * * *
Jack, Joe and Nancy in the mall - Resgate
(...)
Achord a hot are you
See league a man as sound
Tone town, throw shown
Tap pass undo mall?
Tag guest undo to do nancy pop?
Jesus is life, Jesus is real, Jesus for you
Jesus can do everything new
It's true
Via Joe name eye honest
Key pod here yes sir an ghost ozone?
Than soul!
Tap hand sand do kid hills none TV you?
Tax ash undo he more tall? Low cool.
(O peculiar dessa música, falando rápido em inglês, ó só que é que sai:
Acorda otário, se liga manezão! Tontão, frouxão! Tá passando mal? Tá gastando tudo nesse pó? Jesus is life, Jesus is real, Jesus for you. Jesus can do everything new, it's true.
Viajou na maionese que poderia ser um gostosão? Dançou! Tá pensando que Deus não te viu? Tá se achando imortal? Louco! )
quarta-feira, 13 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Wake up call
O meu único desejo quando morrer é que tudo o que puder ser aproveitado pra prolongar a vida de outra pessoa ou melhorar a qualidade da vida desta, que seja aproveitado. Depois, com a carcaça, podem cremar, podem botar plantinhas pra crescerem, podem levar pra um laboratório pra ciência, não importa. Não serei mais eu. E, aliás, quem velar meu corpo, eu volto pra puxar o pé de noite - não sou mais eu.
Hoje fui a um laboratório de anatomia e museu, estudei, analisei, desenhei, fiz de tudo, mas é agora que - banho tomado, formol lavado - estou tendo uma chance de ponderar e digerir tudo. Não foi a primeira vez que vi pessoas mortas nem creio que tenha sido a última, mas isso sempre mexe comigo. Eu fico pensando no enorme número de indigentes lá. Pessoas que o mundo não sentiu falta.
Eu fico pensando porque eu penso no que aquelas pessoas já foram - vivas, amadas. Quando seguro um cérebro, penso que aquilo já conteve a personalidade, cognição, inteligência, sonhos de alguém. Alguém já usou um desses para fazer uma oração, para se emocionar, para se enraivescer, pensar - exatamente como eu tenho o privilégio de estar fazendo pra escrever esse texto. E eu passo aqueles breves instantes pensando.
É inevitável pensar - e eu? O que eu estou fazendo? E as outras pessoas, o que estavam fazendo pra esse sujetio acabar assim? Será que se eu falar sobre Jesus essa pessoa vai sair das ruas, não vai mais fugir da polícia e acabar assim? Será que se eu der uma ponta de esperança ela vai voltar pra família?
Praqueles, não posso fazer muito. Mas tem outras 7 bilhões de pessoas mundo a fora, e grande parte do tempo vivo tudo pra satisfazer a mim mesma, com o foco nos meus sonhos, nas minhas emoções. Mas e os outros? Do que eles precisam? Como vão lembrar de mim? O que eu estou fazendo com o tempo precioso que Deus me deu, meus poucos anos vagando em um planeta, quiçá de milhões de anos? Não está na hora de fazer algo mais útil, algo que possa salvar uma alma humana em vez de só ficar focando nos probleminhas e bobagens cotidianos que consomem a maior parte da minha energia?
Está na hora de acordar, ou posso morrer de outro jeito - morrer por dentro. E isso é infinitamente pior que só morrer por fora.
"Pois de que vale ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder sua própria alma?"
Hoje fui a um laboratório de anatomia e museu, estudei, analisei, desenhei, fiz de tudo, mas é agora que - banho tomado, formol lavado - estou tendo uma chance de ponderar e digerir tudo. Não foi a primeira vez que vi pessoas mortas nem creio que tenha sido a última, mas isso sempre mexe comigo. Eu fico pensando no enorme número de indigentes lá. Pessoas que o mundo não sentiu falta.
Eu fico pensando porque eu penso no que aquelas pessoas já foram - vivas, amadas. Quando seguro um cérebro, penso que aquilo já conteve a personalidade, cognição, inteligência, sonhos de alguém. Alguém já usou um desses para fazer uma oração, para se emocionar, para se enraivescer, pensar - exatamente como eu tenho o privilégio de estar fazendo pra escrever esse texto. E eu passo aqueles breves instantes pensando.
É inevitável pensar - e eu? O que eu estou fazendo? E as outras pessoas, o que estavam fazendo pra esse sujetio acabar assim? Será que se eu falar sobre Jesus essa pessoa vai sair das ruas, não vai mais fugir da polícia e acabar assim? Será que se eu der uma ponta de esperança ela vai voltar pra família?
Praqueles, não posso fazer muito. Mas tem outras 7 bilhões de pessoas mundo a fora, e grande parte do tempo vivo tudo pra satisfazer a mim mesma, com o foco nos meus sonhos, nas minhas emoções. Mas e os outros? Do que eles precisam? Como vão lembrar de mim? O que eu estou fazendo com o tempo precioso que Deus me deu, meus poucos anos vagando em um planeta, quiçá de milhões de anos? Não está na hora de fazer algo mais útil, algo que possa salvar uma alma humana em vez de só ficar focando nos probleminhas e bobagens cotidianos que consomem a maior parte da minha energia?
Está na hora de acordar, ou posso morrer de outro jeito - morrer por dentro. E isso é infinitamente pior que só morrer por fora.
"Pois de que vale ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder sua própria alma?"
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Nas prateleiras
Essas últimas semanas tem sido interessantes por muitos motivos. Um deles é que meu conto Coração de Lata foi 'publicado' (não sei como classificar), fizeram um livro que estão espalhando por todos os campi da unifesp. Até aí, não é grande novidade, eu sabia que isso ia acontecer. Mas o que é novidade é que estranhamente - mesmo o conto sendo um conto de robô romântico, meio bobo pra falar a verdade - ele está sendo bem aceito. As pessoas estão se interessando pelo meu trabalho. Pediram pra eu escrever uma dedicatória no livro. Me perguntaram com que frequencia escrevo e se compartilharia mais do meu trabalho.
Quando disse que estava escrevendo um projeto de livro, perguntaram quando seria publicado. Eu sei que pode ter sido só alguém sendo gentil, ou educação, mas isso me deu um sentimento peculiar. Um sentimento que eu não deixei ele se fazer em casa por muito tempo. Um sentimento que dizia que tudo bem sonhar, mesmo se não der certo. Tudo bem imaginar como seria se as pessoas te abordassem na rua pra perguntar sobre seus livros ou como seria pessoas escrevendo fan fics do meu livro. Um sentimento que diz que talvez, somente talvez, não seja total loucura pensar que um dia meu nome pode estar não só em umas 4 bibliotecas universitárias - que meu nome e histórias insanas que saem da minha cabeça que nem sonhos lúcidos poderiam estar nas prateleiras pra alguém pegar e entrar no meu mundo.
Mas só talvez, e somente talvez.
Quando disse que estava escrevendo um projeto de livro, perguntaram quando seria publicado. Eu sei que pode ter sido só alguém sendo gentil, ou educação, mas isso me deu um sentimento peculiar. Um sentimento que eu não deixei ele se fazer em casa por muito tempo. Um sentimento que dizia que tudo bem sonhar, mesmo se não der certo. Tudo bem imaginar como seria se as pessoas te abordassem na rua pra perguntar sobre seus livros ou como seria pessoas escrevendo fan fics do meu livro. Um sentimento que diz que talvez, somente talvez, não seja total loucura pensar que um dia meu nome pode estar não só em umas 4 bibliotecas universitárias - que meu nome e histórias insanas que saem da minha cabeça que nem sonhos lúcidos poderiam estar nas prateleiras pra alguém pegar e entrar no meu mundo.
Mas só talvez, e somente talvez.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Is it safe to say?
Passei os últimos dias pensando muito a respeito de... bem, muitas coisas. Mas algo que promoveu esses pensamentos bastante foi um álbum do Heath McNease baseado nas obras de C.S.Lewis. Tem músicas que se referem a livros desde Screptape letters, A grief observed, The problem with pain até Perelandra e As crônicas de Nárnia.
A música sobre The problem of pain refletiu muito do que se passava em mim, então decidi trazê-la pra cá. Recomendo o álbum, ele é de graça no site oficial do artista, então corre lá!
Is it safe to say, is it safe to say,
that only the pure of heart will ever see God?
But if Heaven's a lie, if Heaven's a bribe,
then purity's lost and i am a fraud.
The problem of pain: it insists that you watch it quietly spread
and attack your insides.
I lost my faith in everyone I know,
they're always out for something more,
there's nothing more of mine to take away except my name.
No answers for the problem of this pain.
Is it safe, is it safe to say
that the pure ones are lost and we keep the same?
If heavens a lie if heavens a bribe,
then mine is a desperate plea to a powerless name.
Is it safe to say, is it safe to say
that if I wrote "darkness"over the walls of my cell
the sun would still shine, your glory would blind
as much as it always did and all would be well?
A música sobre The problem of pain refletiu muito do que se passava em mim, então decidi trazê-la pra cá. Recomendo o álbum, ele é de graça no site oficial do artista, então corre lá!
Is it safe to say, is it safe to say,
that only the pure of heart will ever see God?
But if Heaven's a lie, if Heaven's a bribe,
then purity's lost and i am a fraud.
The problem of pain: it insists that you watch it quietly spread
and attack your insides.
I lost my faith in everyone I know,
they're always out for something more,
there's nothing more of mine to take away except my name.
No answers for the problem of this pain.
Is it safe, is it safe to say
that the pure ones are lost and we keep the same?
If heavens a lie if heavens a bribe,
then mine is a desperate plea to a powerless name.
Is it safe to say, is it safe to say
that if I wrote "darkness"over the walls of my cell
the sun would still shine, your glory would blind
as much as it always did and all would be well?
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Esquizofrenia
A escrita e a esquizofrenia são duas coisas desesperadoramente similares. Essa foi a conclusão à qual cheguei.
O que classifica um indivíduo como tendo a condição psicológica classificada como esquizofrenia é quando sobre de múltiplas personalidades, podendo ser até 15 a 20 personalidades simultaneamente coexistindo em um cérebro. O tempo que a pessoa passa em determinada personalidade pode variar, ela pode dialogar com ela mesma, ou passar dias sendo x ou y pessoa.
Escrever ficção não é muito diferente.
Quando você escreve, é claro que não há um personagem só - são vários. Personagens sábios e inteligentes, crianças, pessoas irritantes, pessoas corajosas, covardes, criativos e completamente sem graça - tudo isso povoa um mesmo universo fictício. A grande sacada é que esse universo fica na sua cabeça.
Quando escrevo, imagino as personagens dialogando, imagino as salas, os talheres, as roupas e situações, mas tudo isso está na minha cabeça. Posso passar horas pensando, viajando dentro do universo, andando dentro de salas que nunca existiram, pensando qual pode ser o próximo grande evento pra surpreender os leitores.
Percebi, então, como isso parece loucura, como um mesmo cérebro cria tudo isso, e percebi que talvez seja loucura, seja uma esquizofrenia. Acontece, que quando você escreve e divide com o mundo a sua esquizofrenia, passa a ser um escritor. O rótulo muda, mas a condição é a mesma: muitos dos seus amigos estão dentro da sua cabeça. Pelo menos eu posso passar eles pro papel.
O que classifica um indivíduo como tendo a condição psicológica classificada como esquizofrenia é quando sobre de múltiplas personalidades, podendo ser até 15 a 20 personalidades simultaneamente coexistindo em um cérebro. O tempo que a pessoa passa em determinada personalidade pode variar, ela pode dialogar com ela mesma, ou passar dias sendo x ou y pessoa.
Escrever ficção não é muito diferente.
Quando você escreve, é claro que não há um personagem só - são vários. Personagens sábios e inteligentes, crianças, pessoas irritantes, pessoas corajosas, covardes, criativos e completamente sem graça - tudo isso povoa um mesmo universo fictício. A grande sacada é que esse universo fica na sua cabeça.
Quando escrevo, imagino as personagens dialogando, imagino as salas, os talheres, as roupas e situações, mas tudo isso está na minha cabeça. Posso passar horas pensando, viajando dentro do universo, andando dentro de salas que nunca existiram, pensando qual pode ser o próximo grande evento pra surpreender os leitores.
Percebi, então, como isso parece loucura, como um mesmo cérebro cria tudo isso, e percebi que talvez seja loucura, seja uma esquizofrenia. Acontece, que quando você escreve e divide com o mundo a sua esquizofrenia, passa a ser um escritor. O rótulo muda, mas a condição é a mesma: muitos dos seus amigos estão dentro da sua cabeça. Pelo menos eu posso passar eles pro papel.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Ficção distópica, dor e suas reflexões
Tenho passado uma quantidade de tempo considerável lendo ficção distópica, estou terminando o quinto livro no tema. Não são livros muito relevantes no tema como, por exemplo, 1984;são livros que eu não esperava que fosse me interessar, mas me fizeram pensar muito. Li a série "Jogos Vorazes" e estou lendo a série "Divergent" (que não vou terminar tão cedo, já que o último livro ainda vai demorar um pouco antes de ser publicado). Mas entre isso e o que estou eu mesma escrevendo, tenho percebido que, até na ficção, não pode estar tudo errado. Precisamos de algo para sobreviver.
Em geral acaba sendo romance o que a ficção usa pra sobrevivermos - aquele momento de pausa entre tiros e sangue e morte. A própria leitura fica cansativa se não temos isso. Mas tenho pensado em quão vazio é esse refúgio, se formos parar pra pensar. Nas histórias, isso que mantém a sanidade das personagens quando todos parecem estar morrendo, em dor ou mortos, e adotam um ao outro como seus escudos de salvação, isso realmente é sábio? Não é uma coisa passageira demais pra personagens se prenderem?
E, curiosamente, minha resposta final é: não, não é. E isso se aplica pra vida, não só pra ficção. Porque se considerarmos períodos de instabilidade, guerra e revoluções, tudo o que todos querem é um alívio para aquilo, um fim para a dor, e a dor acaba unindo mais do que o amor em primeiro lugar.
Um pensamento em defesa da minha teoria - em que situação é mais provável que as pessoas sejam solidárias e gentis umas com as outras: quando todos estão felizes, de barrigas cheias e com as pessoas que amam ao lado delas pra ajudarem-nas caso tudo vá mal ou quando estão em crise?
A solidariedade acaba sendo um tipo de expressão que precisa de problemas pra se manifestar, a dor é necessária para que ela seja expressa, e acaba sendo uma das formas mais intensas de relacionamento interpessoal e menos racional - ter um 'parasita' no seu grupo que não pode te dar nada em troca, que você está ajudando meramente por ser um ser humano. Não, isso não é lógico aos nossos instintos. Não, isso não faz sentido no reino animal.
Acaba sendo uma forma de amor muito diferente das outras - não é porque queremos ter prole, não é porque vamos ganhar algo em troca, é porque um lado de nós, um lado menos animalesco e, ouso dizer, mais divino que permite que haja esse amor.
Não temos nada a perder, perdemos tudo o que tínhamos, então nos arriscamos em empreitadas completamente insanas do ponto de vista do nosso funcionamento tradicional. É como se aquilo fosse o nosso último suspiro de esperança - alcançar pessoas que evitávamos em busca de ter alguma coisa, qualquer coisa na verdade para sobreviver a esse mundo.
Percebi que, por pior que seja a dor, ela traz consigo algo divino, algo acima da nossa compreensão lógica. A dor nos une quando o amor falha em fazer isso por si só. A dor é necessária. A dor nos faz mais do que animais.
Em geral acaba sendo romance o que a ficção usa pra sobrevivermos - aquele momento de pausa entre tiros e sangue e morte. A própria leitura fica cansativa se não temos isso. Mas tenho pensado em quão vazio é esse refúgio, se formos parar pra pensar. Nas histórias, isso que mantém a sanidade das personagens quando todos parecem estar morrendo, em dor ou mortos, e adotam um ao outro como seus escudos de salvação, isso realmente é sábio? Não é uma coisa passageira demais pra personagens se prenderem?
E, curiosamente, minha resposta final é: não, não é. E isso se aplica pra vida, não só pra ficção. Porque se considerarmos períodos de instabilidade, guerra e revoluções, tudo o que todos querem é um alívio para aquilo, um fim para a dor, e a dor acaba unindo mais do que o amor em primeiro lugar.
Um pensamento em defesa da minha teoria - em que situação é mais provável que as pessoas sejam solidárias e gentis umas com as outras: quando todos estão felizes, de barrigas cheias e com as pessoas que amam ao lado delas pra ajudarem-nas caso tudo vá mal ou quando estão em crise?
A solidariedade acaba sendo um tipo de expressão que precisa de problemas pra se manifestar, a dor é necessária para que ela seja expressa, e acaba sendo uma das formas mais intensas de relacionamento interpessoal e menos racional - ter um 'parasita' no seu grupo que não pode te dar nada em troca, que você está ajudando meramente por ser um ser humano. Não, isso não é lógico aos nossos instintos. Não, isso não faz sentido no reino animal.
Acaba sendo uma forma de amor muito diferente das outras - não é porque queremos ter prole, não é porque vamos ganhar algo em troca, é porque um lado de nós, um lado menos animalesco e, ouso dizer, mais divino que permite que haja esse amor.
Não temos nada a perder, perdemos tudo o que tínhamos, então nos arriscamos em empreitadas completamente insanas do ponto de vista do nosso funcionamento tradicional. É como se aquilo fosse o nosso último suspiro de esperança - alcançar pessoas que evitávamos em busca de ter alguma coisa, qualquer coisa na verdade para sobreviver a esse mundo.
Percebi que, por pior que seja a dor, ela traz consigo algo divino, algo acima da nossa compreensão lógica. A dor nos une quando o amor falha em fazer isso por si só. A dor é necessária. A dor nos faz mais do que animais.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
see you laters
Suponho que eu poderia fazer uma postagem pensando sobre esse ano inteiro, as coisas que mudaram, mas isso não seria mais do que um eco do restante do ano - já que as escassas postagens refletiram sobre essas coisas, sobre as pessoas próximas, sobre as pessoas distantes, ou poderia ainda refletir sobre o natal ou sobre as promessas de ano novo, mas não consigo ver particularmente nenhuma relevância em nenhuma dessas coisas no momento, já que todo ano é a mesma coisa - Natal é uma data comercial, ano novo é quando as pessoas acham que tudo vai ser novo, fazem promessas vazias, mas rodam os dias e tudo volta ao normal.
Algo que tem me feito pensar mais, entretanto, são despedidas. Amigos que voltam cada um ao seu estado ou cidade, pessoas que viajam, ficamos lançados cada qual à sua distância, e tudo isso está me fazendo matutar sobre esses momentos da vida.
Provavelmente por causa de eu ficar por aqui a maior parte das férias (estudando pra minha prova...), estou sentindo um pouco mais os 'até logos' um pouco mais do que o usual. Amigos longe, namorado mais ainda, família indo pra longe também, e só terei os livros pra me acompanhar durante o próximo mês. Por mais que eu queira pensar que é uma bobagem, um mês ou três meses nem é tanto assim, isso tudo me fez perceber o quão apegada me tornei às pessoas.
Considerando o quanto eu queria viver minha vida independentemente delas porque ela nos chateiam, mimimi, bla blá blá, um discurso solitário, vazio e de melosidade excessiva, descobri que não são feitos extraordinários que nos fazem sentir falta das pessoas. Não são os grandes eventos escassos, são as coisas mais cotidianas, mais simples que fazem falta. Uma palavra, um abraço, um gesto, uma conversa boba ao final de um dia cansativo, um suco de morango e maracujá no Caju, são essas coisas que fazem falta.
Fazer o que? Quando a gente menos espera, percebe que suas raízes não ficaram na terra, ficaram nos outros, e quando eles saem você só fica esperando ansiosamente a volta pra você se sentir em casa de novo.
Algo que tem me feito pensar mais, entretanto, são despedidas. Amigos que voltam cada um ao seu estado ou cidade, pessoas que viajam, ficamos lançados cada qual à sua distância, e tudo isso está me fazendo matutar sobre esses momentos da vida.
Provavelmente por causa de eu ficar por aqui a maior parte das férias (estudando pra minha prova...), estou sentindo um pouco mais os 'até logos' um pouco mais do que o usual. Amigos longe, namorado mais ainda, família indo pra longe também, e só terei os livros pra me acompanhar durante o próximo mês. Por mais que eu queira pensar que é uma bobagem, um mês ou três meses nem é tanto assim, isso tudo me fez perceber o quão apegada me tornei às pessoas.
Considerando o quanto eu queria viver minha vida independentemente delas porque ela nos chateiam, mimimi, bla blá blá, um discurso solitário, vazio e de melosidade excessiva, descobri que não são feitos extraordinários que nos fazem sentir falta das pessoas. Não são os grandes eventos escassos, são as coisas mais cotidianas, mais simples que fazem falta. Uma palavra, um abraço, um gesto, uma conversa boba ao final de um dia cansativo, um suco de morango e maracujá no Caju, são essas coisas que fazem falta.
Fazer o que? Quando a gente menos espera, percebe que suas raízes não ficaram na terra, ficaram nos outros, e quando eles saem você só fica esperando ansiosamente a volta pra você se sentir em casa de novo.
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