quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Anphi + Bios = Humanos

"Será que ninguém nunca lhe falou sobre a lei da Ondulação?
Os humanos são anfíbios - metade hanimais, metade espíritos. (...) Como espíritos, eles pertencem à humanidade, mas, como animais, habitam a temporalidade. Isso significa que, enquanto seus espíritos podem ser direcionados para um objeto eterno, seus corpos, suas paixões e sua imaginação estão em constante mudança - pois estar ligados à temporalidade significa passar por mudanças. Aquilo que mais se aproximam da constância, portanto, é a ondulação - a recorrente volta a um nível do qual caem repetidamente, uma série de altos e baixos."
[-Cartas de um diabo ao seu aprendiz]



terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ponto de contato

Estou sofrendo de uma súbita falta de inspiração hoje... Sei que, por um lado, aguardo ansiosamente pelas férias, mas quanto mais rápido elas se aproximarem, menos tempo terei para estudar.
No final o tempo passará - com perdão do trocadilho - a seu próprio tempo, e eu posso esperar ou reesperar ou desesperar como quiser... Os fatos serão os mesmos.
Minha receptividade a eles que é outra história.

*  *  *  *  *

"Nunca devemos supor que o orgulho seja algo que Deus proíbe por se sentir ofendido ou que a humildade seja algo que ele exige, em função da sua própria dignidade (como se Deus tivesse qualquer orgulho). Ele não está nem um pouco preocupado com a sua própria dignidade. O fato é que ele quer que você o conheça; quer se dar para você. E Deus e você são de um tipo tal, que, se você quiser realmente manter qualquer contato com ele, terá de ser humilde de fato - agradavelmente humilde, sentido o alívio infinito de ter se livrado de uma vez por todas de toda a bobagem tola sobre a sua própria dignidade, que o tornou tão ansioso e infeliz por toda a vida. Ele está tentando facê-lo humilde a fim de tornar possível esse momento: despir você de um monte de roupas ridículas, feias e fora de moda com as quais todos nós nos vestimos e ficamos andando de narizes empinados, sentindo orgulho de sermos os verdadeiros idiotas que somos. 
eu gostaria de estar um pouco mais adiante em relação à minha própria humildade; se assim fosse, provavelmente eu poderia falar-lhe mais sobre o alívio, o conforto de livrar-me da fantasia, do falso eu, com todos os seus "Olhem para mim!" e "Não acham que sou uma boa pessoa?", com toda a sua pompa e circunstância. Chegar perto disso, nem que seja só por um instante, é como dar um copo de água gelada a um homem perdido no deserto."
- Mere Christianity [Cristianismo puro e simples]

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Bomb in a Birdcage

Sábado, após terminar meu épico relatório de Biologia, (10 páginas, espero que a nota apresente os mesmos números na mesma ordem!) liguei a televisão. Não pensei que fosse encontrar nada muito legal, então até levei meu exemplar de Cartas de um diabo ao seu aprendiz (o qual estou relendo), mas o livro ficou pacientemente me esperando, porque encontrei algo muito legal na televisão, mais especificamente no Discovery Channel.
Encontrei um documetário que a Salsinha (animands, com um blog ali nos links embaixo!) havia me recomendado a respeito da atração entre homens e mulheres no sentido puramente biológico.
Tudo aquilo que atrai ou repele homens e mulheres, sistemas de dopamina, hormônios de monogamia (eu sei, bizarro! 'Amor, você quer casar comigo?' 'Só se você fizer um exame de vasopressina, querido'), um tom de voz que muda de acordo com o ciclo menstrual, os carros, a conta bancária, a inteligência, a perspectiva de estabilidade, a idade.... tudo o que procuramos em um parceiro, listado em 2 horas interessantíssimas de programa. 
Não esperava nada além do aspecto puramente biológico e todo aquele ceticismo a respeito de como apenas buscamos parceiros para passar adiante a genética e de que todos os relacionamentos estão fadados a acabar ou ficarem deploráveis e horríveis. Para a minha surpresa, não. 
Fizeram uma ressonância magnética funcional em um cara casado há 30 anos... e ele ainda tinha o sistema de dopamina ativado ao ver uma foto de sua esposa! Outro casal, a mulher dizia que após 24 anos casados, ela ainda sentia-se mais feliz e confortável e aquecida quando via o carro do marido chegar e estacionar na garagem. Conversei com a minha vó, ela falou do buraco no estômago que ficava quando meu avô ia em suas viagens malucas missionárias para abrir igrejas no meio do nada e pregar para as lhamas no peru. 
Achei particularmente interessante, porque isso cientificamente desarmou meu ceticismo. Até os fatos racionais e pragmáticos são mais sentimentais que eu!

*  *  *  *  * 

Dentro desta temática de diversas idades, encontrei uma música divertidíssima de A Fine Frenzy, e trouxe um trechinho para vocês! A música é "What i wouldn't do".

If we were children I would bake you a mud pie

se fôssemos crianças, eu te cozinharia uma torta de argila
Warm and brown beneath the sun
quente e marrom sob o sol
Never learned to climb a tree but I would try
nunca aprendi a escalar uma árvore, mas eu tentaria
Just to show you what I'd done
só pra te mostrar meu grande feito
If I were old, my dearest, you would be older
se eu fosse velha, meu querido, você seria ainda mais
But I would crawl upon your lap
mas eu engatinharia até o seu colo
Wrap a blanket 'round our frail little shoulders
enrolaria um cobertor em nossos pequenos e frágeis ombros
And I'd die happily like that
e morreria contente assim

It was now and we were both in the same place

era agora e estávamos ambos no mesmo lugar
Didn't know how to say the words
não sabia como dizer as palavras
With my heart ticking like a bomb in a birdcage
meu coração em contagem regressiva como uma bomba em uma gaiola de passarinho
I left before someone got hurt
eu fui embora antes de alguém se ferir

sábado, 5 de novembro de 2011

Rearrange

 É legal, de vez em quando, sentir que você está crescendo e que de alguma forma Deus está tirando algo de bom de sua humilde existência, tornando o 'eu' 'seu', tirando proveito do que às vezes sentimos ser tão pouco, escasso.
Eventos tão fantásticos e grandiosos tomam parte em sua vida de forma que você sabe que não poderá compreender plenamente racionalmente, só pode sorrir e dizer 'Thank you!'.

Who I am -thirdday

I need to be someone who's a lot like You

eu preciso ser alguém parecido com você
Easy to see that it sure means something new
fácil perceber que isso significa algo novo
Though I try to live life my way
apesar de eu tentar viver do meu jeito
I think it goes to prove
eu acho que isso prova
That I need to be someone who's like You
que eu tenho que ser alguém que nem você


And I know that You want to change me
e eu sei que você quer me mudar
Want to rearrange the way I feel inside
quer rearranjar como eu me sinto por dentro
Yes, I've heard that you take
sim, eu ouvi que você toma
The broken hearts of lonely souls
os corações quebrados das almas solitárias
And you make all things right
e você concerta todas as coisas


Do you know who I am?
você sabe quem eu sou?
Have you seen the things I've done?
você já viu as coisas que fiz?


Never before, no there's never been a time
nunca antes, não nunca houve nenhuma época
That I would implore You to take what's yours and mine
em que eu imploraria para você tomar o que é seu e meu
And to use it in the way You will
e usar como você quiser
In any way you find
da forma que achar apropriada
Never before did I realize
nunca antes eu havia percebido

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Womb + man

Um dia desses fiquei estonteada ao ler no facebook de uma menina "Se tivesse dito que queria dá pra alguém, teria uma fila aqui, mas como eu falei que quero sair pra uma balada ninguém quer ir comigo! Vou te contar viu!".
Pois é, meu queixo abriu uma cratera no chão.

Fiquei pensando... Será que antes dos anos 60 uma mulher diria isso? Será que seria aceitável ou até mesmo considerado normal esse tipo de afirmação como acontece hoje?
Ouço as histórias da minha vó, que só foi aprender que bebês não vinham do repolho aos 16 anos quando uma tia teve um bebê na casa dela, e sinto que falta um pouco disso nos dias de hoje, ainda que nunca tenha conhecido outra geração. A inocência se esvaireceu no momento em que mulheres decidiram ser tão iguais aos homens que acataram características, muitas vezes, despresíveis até neles.
Na história antiga, a teórica 'barbárie' a mulher era melhor vista do que hoje: era o ser que dava origem aos decendentes, tratada com reverência e respeito por sua incrível capacidade de geração dos decendentes. Até eles sabiam tratar com um mínimo de respeito. Diz-se até que a origem da palavra "Woman" em inglês provém da união dos termos "Womb" (útero) e "Man" (homem), tal era a importância dada a essa característica. Não estou dizendo que a mulher deva ser vista como uma fábrica de crianças, isso seria o oposto do intuito deste post. Leia adiante e talvez eu me faça compreender.
A imagem da mulher atual é de um objeto: nas propagandas vemos isso claramente, em que ela se apresenta ora como objeto sexual (leia-se aqui propagandas de cerveja, carros, bebidas alcoólicas em geral) ora como a 'babá' - aquele ser que cuida e cria os filhos, lava as roupas, cuida da casa (leia-se propagandas de sabonetes, pasta de dente, sabão em pó etc). É isso que as crianças aprendem como sendo mulher. É isso que as meninas crescem querendo virar, é isso que os meninos pensam que terão no futuro. Objetos. Serviçais.
As meninas, a uma idade irrisória querem se vestir de forma 'sexy', com saltos altos e maquiagem, porque dada a escolha da mulher bonita e teoricamente poderosa que manipula os homens com seu charme e beleza física ou ser a mãe de família (que em geral nas novelas se dá mal e é traída), ela escolhe a primeira. Os brinquedos mostram isso bastante - não brincam mais com bonecas que representariam filhos, mas as bonecas tonaram-se projeções daquilo que querem ser (aka.: barbie).
Daí essas meninas crescem com a mesma mentalidade e não conhecem uma alternativa de pureza, castidade, inocência e a beleza das mulheres de antigamente. A sociedade torna-se cada vez mais deturpada e isso contagia progressivamente, espalha-se com um R-0 muito maior que muitas pandemias.

Uma das metáforas que mais ou menos apropriadas para comparar as mulheres é compará-las com maçãs em uma árvore (não gosto da idéia de comparar pessoas a comida, mas aqui está a explicação) - algumas estão nos galhos mais baixos, fáceis de serem colhidas, mas como são as de maior acessibilidade as disponíveis são podres. Já, para o aventureiro que decidir tentar pegar uma maçã respeitável no topo da árvore... boa sorte escalando essa árvore, porque aquelas maçãs boas tornam-se cada vez mais escassas.

*  *  *  *  *
A seguir está um trecho do refrão da música que motivou a metáfora das maçãs!

"Like an apple on a tree
Hiding out behind the leaves
I was difficult to reach
(...)
Like a shell upon the beach
Just another pretty piece
I was difficulto to see"

[You picked me - afinefrenzy]

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

boys & girl

Hoje pela primeira vez saí em SJC para fazer um programa não obrigatório ou relacionado à universidade, fui ao cinema!
Fui com a ilustríssima companhia do Bruno, Nicholas e Renan assistir Contágio - nos divertimos horrores. Durante o filme, ficamos comentando coisas de laboratório de bio segurança nível 4, Pymol, autópsias, vírus... tudo o que conhecíamos! E, elementarmente, saímos paranóicos limpando as mãos com álcool gel enchendo um ao outro com 'contágio', encostar e xiliques e bobeiras que há muito tempo não fazia.
Ao final da noite sentamos para jantar e começamos a debater a respeito de relacionamentos (e devido a essa conversa cheguei agora há pouco, 21:15 mais ou menos), e eles começaram a me perguntar sobre o que as mulheres esperam dos homens e perguntei-lhes o mesmo - e eu descobri que expliquei mais o lado fisiológico e instintivo da coisa do que a 'prática', ou seja, como conquistar uma mulher. Descobri quão mais fácil é ter uma análise pragmática e puramente biológica da coisa. Compatibilidade genética, intelectual, ferormônios, reino animal, competitividade - aquela história toda que já falei em extensos posts passados.
Foi muito interessante ouvir as opiniões dos meninos, e não sei se eles acharam as minhas interessantes, mas foi muito divertido. Situações como a de hoje me fazem compreender porque amizades com meninos são tão mais simples - eles falam tudo na lata, sem adornos ou arabescos, nada de frescuras ou ofensas caladas. São plenamente honestos. Eu gosto disso, você sempre sabe em que pé está com eles.
Mas no que se referia aos relacionamentos... descobrimos que é mais fácil entender a biologia, os vírus de morcegos e porcos, as moléculas e mutações do que homens, mulheres e tudo o que há entre eles!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Bolha de sabão

Não sei quanto a vocês, mas quando criança, eu me divertia muito com bolhas de sabão. Fosse com aqueles biriquitelhos que eram vendidos com esse inuito, fosse misturando água e detergente e usando um canudo pra fazer as bolhas - eram horas de diversão. Lembro-me até hoje das broncas "Vai brincar com isso lá fora senão vai sujar o chão!". Era fabuloso.
Ia à varanda e assistia minhas bolhas flutuarem ao vento até que... pop! Se desfaziam em gotículas de detergente e água.
Lembrei-me disso hoje quando lavava minhas louças e uma bolha furtivamente escapou de dentro do detergente, e desencadeou todo um raciocínio a respeito delas. Em seguida lembrei de uma música do Jars of Clay (que está na minha cabeça desde que acordei), Weighed Down:

"Our hearts, a bubble makers dream
Moved on by winds of anything"
E me pus a ponderar quão similares somos às bolhas de sabão. São bonitas, são únicas, livres para fazerem o que quiserem... mas tendem a obedecer ao fluxo que as cerca - e com facilidade incrível mudam de rumo. Sussetíveis a mudanças do contexto.
Também refletimos, de forma um pouco deformada, aquilo que nos cerca. Se ficamos em meios iluminados, refletiremos esta luminosidade, se ficamos em meios coloridos e alegres refletiremos isso, ou podemos refletir melancolia e tristeza, tudo depende do caminho que decidimos seguir.
Também são frágeis, que nem a gente. Flutuamos mostrando nossa beleza... mas uma hora ou outra. Pop. E não somos nem mais gotículas de sabão e água.

*  *  *  *  *

Light of the world
luz do mundo
Are you still here?
você ainda está aqui?
And are we illuminating?
e nós, estamos iluminando?
When love becomes a delicate display
quando amor se torna uma vitrine delicada
So weak, dissolved by anything
tão fraca, dissolvida por qualquer coisa

Love lies here waiting all alone
o amor está deitado esperando sozinho
Can a king be a king
pode um Rei ser um Rei
Weighed down?
subjugado?

Our hearts, a bubble maker's dream
nossos corações, sonho de um fazedor de bolhas
Moved on by winds of everything
levados por ventos de qualquer coisa
As we deny that love is still the king
ao negarmos que amor ainda é rei
Not as weak as we make him out to be
não tão fraco quanto pensamos que ele é