domingo, 13 de outubro de 2013

Julgando um livro pela capa

Nunca julgue um livro pela capa. Aprendi bem essa lição esses dias, tanto no sentido figurado de que não se deve julgar uma pessoa por sua aparência ou avaliá-la pelos padrões que nossa sociedade impõe, como no sentido literal em se tratando de livros. O fato curioso? Aprendi as duas coisas com um mesmo livro. Eu o julguei, e julguei mal. Julguei pelo título cliché e pela capa piegas. Mas errei.

Na igreja me recomendaram o livro 'O significado do casamento' (por Timothy e Kathy Keller) há uns 6 meses, e eu não estava nem um pouco em clima de ler essas coisas, mas recomendaram fortemente 'pra casados, pós casados, descasados e pré casados', disseram que mesmo pra solteiros seria um bom livro. Não li.
Acabei dando o livro de presente de dia das mães pra minha mãe porque ela queria ler, mas me mantive firme na convicção de que não o leria tão cedo. Acabou que teve um seminário sobre o livro e muitos dos meus amigos decidiram ir, então fui pra receber eles no seminário.
Até que o que foi falado era interessante mas... ainda assim. Não. Depois de um tempo mais duas pessoas me recomendaram o livro, duas pessoas que estavam em situação amorosa similar à minha - solteiras, jovens, sem perspectivas de relacionamentos.

Decidi acatar a recomendação um dia que vi o livro na sala porque minha mãe tinha interrompido a leitura e deixado por lá. Apesar da persistência necessária pra começar o livro, a leitura fácil e agradável bastaram pra que terminasse rapidamente o livro.
Acabou que o livro não trata só de casamento. Ele fala sobre o casamento na nossa sociedade, das expectativas da nossa sociedade ocidental dos casamentos, como ele se expressou ao longo da história e o que a Bíblia tem a falar a respeito disso.
Contudo, o que eu realmente não esperava era que o casamento é na verdade uma metáfora viva do relacionamento de Cristo com a igreja e reflete também o relacionamento do Ser divino (Pai, Filho e Espírito Santo).
Não consigo tirar trechos isolados do livro porque ele faz uma construção que jamais conseguiria tirar de contexto porque todos os capítulos são extremamente interdependentes, mas posso dizer os efeitos do livro sobre mim. Posso dizer que agora entendo um pouco mais do que significa o Amor.
Não em sentido meramente humano. De maneira incrivelmente inusitada, entendi muito mais do Evangelho através do livro do que do casamento em si. Entendi o amor que Cristo tem por mim, a maneira que ele me vê - não pelo que sou, mas pelo que posso ser. Entendi que tudo o que Ele fez (e faz) por mim é pra me levar ao potencial completo que ele vê em mim.
Eu dificilmente faço isso, mas eu chorei muito de plena felicidade ao entender a dimensão, a extravagância, desse amor. Então, em vez de o livro sobre casamento me fazer querer mais que qualquer coisa casar, o livro me ajudou a entender quão gloriosa também é a situação de estar solteiro e poder ter em Cristo todas as minhas necessidades emocionais satisfeitas, porque além dele ter sido o grande exemplo de amor, esse amor também é direcionado a mim. Que amor há que é maior que dar a vida em favor de outro? E alguém fez isso por mim. Isso é amor além do que qualquer história ou conto de fadas poderia sequer considerar! Ele não escalou a montanha mais alta por amor, mas ele subiu no Calvário. Ele não nadou todos os oceanos por amor, mas ele acalmou a tempestade - e acalma todas as tempestades em mim. Ele não fez promessas vazias. Ele foi a confirmação de uma promessa.
 Eu jamais conseguiria expressar por meio de palavras o quanto aprendi ou o quanto cresci com a leitura desse livro, mas o que posso fazer é deixar um poema citado no livro. Porque às vezes chega um ponto em que a felicidade não pode mais ser expressa por meio de palavras. Talvez eu precisasse ser o escritor ou poeta mais eloquente ou músico mais habilidoso pra conseguir expressar tudo. Só o que posso dizer é: Se puderem, leiam o livro. Não façam como eu. Não julguem-no pela capa.


LOVE (III)
by George Herbert


Love bade me welcome, yet my soul drew back,
        Guilty of dust and sin.
But quick-ey'd Love, observing me grow slack
        From my first entrance in,
Drew nearer to me, sweetly questioning
        If I lack'd anything.

"A guest," I answer'd, "worthy to be here";
        Love said, "You shall be he."
"I, the unkind, the ungrateful? ah my dear,
        I cannot look on thee."
Love took my hand and smiling did reply,
        "Who made the eyes but I?"

"Truth, Lord, but I have marr'd them; let my shame
        Go where it doth deserve."
"And know you not," says Love, "who bore the blame?"
        "My dear, then I will serve."
"You must sit down," says Love, "and taste my meat."
        So I did sit and eat.

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