Não sei como é pra outras pessoas, mas sei que meu curso universitário já foi um grande problema pra mim. Talvez seja assim pra todo mundo, mas uma sensação de incapacidade não-pertencer aquele ambiente, aquele curso, muita frustração, lágrimas e noites de insônia estiveram presentes principalmente nos dois primeiros anos. Já quis desistir, já quis fugir, já quis qualquer coisa menos a engenharia (qualquer coisa mesmo, desde arte e arquitetura até medicina). Mas eis que, dois anos e meio depois, percebi que as disciplinas nas quais estou me matriculando tem agora turmas únicas, não mais turmas de 100 ou 120 alunos. Muitos alunos se perderam no meio do caminho, outros muitos fugiram da engenharia biomédica pra biotecnologia porque a elétrica e eletrônica os assustou.
Percebi que cheguei à metade do curso um pouco cansada, mas viva e não desisti. Fico feliz que não desisti, consegui fazer muito mais do que sou capaz, consegui ir muito mais longe do que algum dia sequer sonhei em ir. É uma boa sensação.
Elementarmente, não estou no final do curso, então, em muitos sentidos, a brincadeira acaba de começar. Já passei pelos cálculos e físicas, mas agora vem a eletricidade aplicada e a mecânica geral, e isso assusta, mas vou persistir, mesmo que consiga fazer tudo em dois anos e meio ou leve três, ou mais.
Mas minha preocupação e minhas dúvidas não se resumem mais a essa ou aquela disciplina. Minha confusão é com onde eu estou no momento e a velocidade com que cheguei aqui.
Estou agora há mais de dois anos morando sozinha, já "trabalhei", saí do "emprego", já paguei algumas das minhas próprias contas, já consigo fazer decisões sozinha, e não percebi quando tudo isso aconteceu, quando cresci.
Estou feliz que cheguei à metade do curso, mas isso assusta. A próxima metade vai passar nessa velocidade? Certamente não me sinto remotamente preparada. Meu trabalho e meu emprego vão perder aspas, minhas algumas contas vão virar todas as contas. E eu não sei pra onde ir daqui. Me perguntam o que quero pro futuro, e eu, que já tive planos e sonhos extravagantes, não tenho resposta.
Eu, que já tive listas e listas de objetivos com reconhecimento e premiações, descobertas e ajuda a milhões de pessoas pela pesquisa, ou eu que já pensei em futuro com uma família.. percebi que meus sonhos se perderam dentro da realidade que insistente se apresenta e diz que extravagâncias não são o mais importante. Ter uma família ou não também não é o mais importante. Ter o que eu quero não é o que é mais importante. Ter o que preciso é mais importante. Mas o que eu preciso?
Pensando nisso lembrei que certa vez, conversando com um amigo sobre meu curso universitário, disse que não acreditava que conseguiria sobreviver até o diploma, e ele disse "Se você entra numa maratona pensando nos 42km que vai correr, certamente não vai conseguir correr. Mas se você pensar nos 5 km, e daí nos próximos 5, e nos próximos... logo percebe que já está vendo a linha de chegada."
Eu, que já tive listas e listas de objetivos com reconhecimento e premiações, descobertas e ajuda a milhões de pessoas pela pesquisa, ou eu que já pensei em futuro com uma família.. percebi que meus sonhos se perderam dentro da realidade que insistente se apresenta e diz que extravagâncias não são o mais importante. Ter uma família ou não também não é o mais importante. Ter o que eu quero não é o que é mais importante. Ter o que preciso é mais importante. Mas o que eu preciso?
Pensando nisso lembrei que certa vez, conversando com um amigo sobre meu curso universitário, disse que não acreditava que conseguiria sobreviver até o diploma, e ele disse "Se você entra numa maratona pensando nos 42km que vai correr, certamente não vai conseguir correr. Mas se você pensar nos 5 km, e daí nos próximos 5, e nos próximos... logo percebe que já está vendo a linha de chegada."
Acho que aos poucos (bem aos poucos) estou aprendendo a pensar nos 5 km, trabalhar o máximo que posso (como já descrevi, dando o sangue pelo objetivo mais próximo), porque fazer o meu melhor nunca será ruim. Se meu melhor é suficiente é outra história, mas preciso tentar. E fazer meu melhor nos meus próximos 5km e só perceber que... às vezes o caminho é mais importante do que a linha de chegada. E, quando você para pra ver, já passou a linha de chegada e nem percebeu.
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