quinta-feira, 22 de agosto de 2013

He said, she said

Eu tenho pensado bastante no valor das palavras, no poder que elas tem, de ser uma arma letal ou um remédio. Em parte, isso se deve ao novo fenômeno da internet: Spotted. O spotted é uma páginas, que só conheço via facebook, em que pessoas de determinado grupo (universidade, pessoas que pegam metrô, ABU...) podem postar anonimamente quando encontram (do inglês, to spot) alguém interessante nesse grupo e quer se manifestar mas sem se revelar. Acabam saindo versinhos, poemas, coisas muito bonitas que eu não imaginava que as pessoas ainda escreviam. Pensei que as palavras bonitas tivessem morrido junto com a esperança de finais felizes e ilusões amorosas, mas aparentemente estava bastante enganada. 
Estou achando uma dinâmica interessante observar tudo, o que tenho achado mais peculiar é que através do anonimato que estou conhecendo as pessoas e suas intenções, ou pelo menos as de um seleto grupo que com grande audácia postam no spotted confiando que quem cuida da página não vai contar quem foi. 
Foi pensando nisso que eu comecei a formular uma hipótese. E se as pessoas falassem suas intenções desde o começo? E se elas não ficassem se escondendo? Tudo de uma maneira ponderada, claro mas... e se?


"Olá, menina! Eu sei que pela convenção social você vai responder que 'Sim' de qualquer jeito, mas devo perguntar, Tudo bem?" Ele pergunta, acanhado e um pouco nervoso.
A menina observa a situação surpresa:
"Oi! Obrigada pela gentileza de perguntar, menino, tudo sim; vou retribuir o favor apesar de não ver muito sentido nisso, e contigo?" 
"Tudo certo." Ele coça a cabeça e brinca com os pés olhando para o chão. Isso deveria ser mais fácil que parece ser. "Eu sei que a gente conversa pouco, é por isso que estou sem assunto, desculpas. Talvez não devesse ter vindo falar com você afinal." 


"É, eu tava pensando nisso. A gente dificilmente conversa, estava pensando o por quê de você decidir vir falar comigo particularmente hoje." 
"Ah, é que a gente conversou um pouco o outro dia e te achei legal. E estava pensando... Eu queria te conhecer melhor. Mesmo que não saiba como começar." Ele dá um sorriso tímido e fita a menina. Qual será a reação dela?
"Me conhecer melhor? Com que intenções?", ela parece um pouco apreensiva, mas ainda assim pergunta. 
"Ah, não sei. Confesso que pensei na possibilidade de um dia talvez algo acontecer entre a gente, mas isso foi só algo passageiro na minha cabeça. Talvez só pra gente ser amigo, você tem várias características e uma conduta que acho admirável, queria conhecer um pouco mais." 
Ela mastiga as palavras e pondera até finalmente responder com mais uma pergunta:
"Mesmo a gente nunca tendo tido um relacionamento ou conhecimento muito longo sobre um ao outro?" 
"É. Mas fica tranquila, não quero nada demais. Só conversar. A gente se conhecer." 
"Ah, eu nunca tinha pensado em nós como uma possibilidade mas, ei, porque não? O máximo que acontece é a gente não ter assunto ou nada em comum." 
Os dois riem nervosamente. Isso é diferente. Mas isso é confortável. Não ficar escondendo atrás de indiretas ou segredos. 
"Precisamente. Sem ressentimentos?" 
"Sem ressentimentos. Ah, e... obrigada por falar que sou... uh... interessante. É legal ouvir isso! Deixou meu dia mais feliz! Apesar de estar um pouco apreensiva sobre esse negócio de a gente se conhecer... Não quero que você crie expectativas, não quero te machucar." 
"De nada! É só um fato. Ah e quanto a expectativas... Uma vez vi uma excelente frase: Não crie expectativas, crie porcos. Assim, mesmo se tudo der errado, você ainda tem bacon." 
Ambos riem e olham um pro outro, ainda confusos com a situação inusitada. Confusão povoa a mente de ambos, mas eles se atêem aos fatos. 
"Muito bom!" ela ri, isso faz ele rir mais, "Eu gosto de bacon." 
"Eu também..." Ele diz. 
Ele deve tornar isso uma piada? Ou só deixar estar? Ela pega a deixa. 
"Viu? Já temos algo em comum!" 
"Mas isso boa parte da população tem em comum. Exceto os vegetarianos. Os vegetarianos não gostam de bacon." 


Só uma grande bobagem de um cérebro cansado de provas tentando relaxar um pouco. Já que estamos na onda de sinceridade, detestei o texto. Mas, paciência, é o que tem pra hoje. Talvez assim outras pessoas comecem a pensar: E se fossemos mais abertos e sinceros? É uma boa coisa a se imaginar. Histórias muito engraçadas surgem na sua cabeça em quaisquer atividades do dia a dia. 


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