domingo, 31 de março de 2013

estado "laico"

Política e religião andam discutindo bastante no Brasil, o limite entre o que é um, outro e intersecção de ambos está difícil de definir.
Fique triste ao ver notícias sobre evangélicos quererem que o Brasil deixe de ser um país laico - e eu sei que posso ser impopular com o que vou escrever aqui, e eu posso estar errada, mas vamos lá.

Eu não sei bem aonde querem chegar com isso tudo nem extensão dessas mudanças, mas considerando um cenário hipotético em que o Brasil se tornasse oficialmente um país evangélico com leis baseadas nisso, não creio que isso seria o ideal como muitos evangélicos talvez diriam.
Minah motivação pra isso é simples: Quando Jesus se encontrava com algum potencial discípulo alguma vez ele impôs alguma coisa? Pelo que me lembro, Jesus sempre diz "Siga-me", e os que quisessem seguí-lo receberiam ensinamentos que poderiam aplicar ou não na vida prática. Também poderiam dar meia volta e continuar na vida que levavam antes (como é o caso do jovem rico).
Jesus nunca veio com uma proposta ativista - apesar de revolucionária - a grande revolução dele era que não era imposta, era que essa nova proposta de maneira de vida de amor a Deus e ao próximo fosse tão contagiante que acabaria por si só revolucionando indivíduos e, um por um, chegaríamos à harmonia com Deus e com nós mesmos.
Ele nunca jogou ninguém na fogueira nem apedrejou, apenas ensinou. Querer apontar o dedo e ordenar a todos como seguirem suas vidas seria como um insulto ao livre arbítrio que o próprio Deus fez!

A partir disso, eu fico pensando: então quem somos nós, como cristãos (isto é, da tradução literal, os ''pequenos Cristos"), para querer apontar o dedo e basear toda a nossa legislação em coisas que nem todos concordam? Não somos Deus, nem Jesus, nem nada assim. Nós estamos todos na mesma situação miserável e pecadora que todos os outros, só porque acreditamos que Jesus pode nos salvar da nossa situação e em gratidão a isso queremos mudar a nossa conduta, isso não quer dizer que precisamos impor absolutamente tudo à sociedade como nós cremos.
Queremos ser agentes exteriores para uma transformação, mas o nosso papel é justamente instigar os outros para que se interessem e talvez, como nós, decidam seguir a Jesus. Não arrastar contra a própria vontade, isso seria o contrário da proposta do cristianismo. Isso seria o contrário do que viemos aqui pra fazer.

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