Caros, estive ponderando um pouco recentemente sobre conceitos de relacionamentos, amor, namoro, etc, e eu cheguei a algumas conclusões que listei aqui. Podem estar completamente errados? Plenamente possível. Daqui a dez anos eu vou ler isso e me achar uma idiota escrevendo bobagens na internet? Provavelmente. Mas ainda assim, aqui vai um insight pra minha cabeça, espero que tirem algum proveito disso!
O conceito comum de relacionamentos e amor é, quando a gente para pra pensar, bem estranho. Primeiro porque é muito vago, cada um tem um conceito diferente do outro, mas o que existe de padrão na nossa cultura é o que eu tenho estranhado muito.
Não é por acaso que Nicholas Sparks tem tantos best sellers: os livros dele contam histórias sobre amor, paixão, como isso muda as pessoas pra melhor, sobre finais felizes... porque quando o leitor está lendo aquilo - se consegue ler sem ter um surto psicótico de revolta contra tanta bobagem - está sentindo como se aquilo estivesse acontecendo com ele, fica emocionalmente apegado e daí - tcharan! Final feliz!
E assim a nossa construção sobre o que é um relacionamento é baseado em Nicholas Sparks, Disney, todas histórias de grandes gestos, declarações de amor e palavras bonitas, mas isso não é um relacionamento feliz. Nem saudável, por sinal.
Esse padrão de concepção de relacionamentos parte de um pressuposto: o meu futuro namorado(a)/marido(a)/amor da minha vida é perfeito(a). E, bem, começar uma teoria com fatos que necessariamente estão incorretos já tira toda e qualquer fundamentação da sua afirmação. Segundo: eu sou perfeito(a). Pior ainda!
Como consequência disso, seremos um casal perfeito, sem problemas, ele vai me dar flores, chocolates, escrever poesias e viveremos eternamente apaixonados. Espera, o relacionamento se baseia em grandes gestos e sentimentos assim? E quando as flores morrerem? Um dos dois ficar com diabetes? E quando - pasmem - o sentimento se esvairar?
Um relacionamento a dois é muito mais que qualquer uma dessas coisas. Se a pessoa fosse perfeita e se nós fossemos perfeitos seria fácil demais amar, perderia o seu valor! A partir da compreensão de que primeiro - eu não sou perfeito(a) e nem nunca serei, você começa bem o relacionamento - esquece toda aquela bobagem de sempre ser o certo em qualquer argumento.
Segundo - seu bem amado também não é perfeito. Mas mesmo assim você quer estar com ele(a). Você ama tanto, mas tanto, que até as coisas negativas você passa a amar entendendo que aquilo também constrói o caráter do outro que você ama.
Então, começando do 'ninguém é perfeito' (que em outra situação pareceria uma afirmação bastante trivial) nós vemos quanto amor deve existir pra que a coisa funcione - porque é por esse amor que você faz promessas que, a certo ponto, podem ser difíceis de guardar, e que você decide que você quer ser uma pessoa melhor, que você vai ser paciente quando o outro não estiver em um de seus melhores dias também.
Agora, quando eu falo de amor, eu não estou falando do sentimento fofinho e adorável da ativação do sistema nervoso simpático ao se deparar com a sétima beleza natural (ou não?) do universo. O sentimento existe sim, mas sentimentos são coisas custosas pro seu organismo manter. Dá trabalho ficar produzindo todos aqueles neurotransmissores de bem estar, e hora ou outra, seu sistema dopamínico não vai mais acender como uma árvore de natal em uma ressonancia magnética funcional. Mas, mesmo assim, o amor - o amor de verdade - que é aprendido, e não sentido, entra em ação e faz a coisa funcionar.
C.S.Lewis coloca uma metáfora bem interessante nesse sentido: O amor é o que mantém um motor funcionando, a paixão foi a faísca inicial para ignir esse motor no começo da história. É esse amor que não te deixa ir embora quando as coisas ficam feias e complicadas, é esse amor que te fala: você está se tornando uma pessoa melhor. Você está aprendendo. Essa pessoa faz parte de você agora, mas de uma maneira sobrenaturalmente mais racional e dosada, algo que não seja tão custoso de ser mantido.
Então, temos até agora: pessoas imperfeitas e muito amor. Mas não pára por aí. Não adianta nada ter isso se você não sabe o que fazer com isso. Lembra do motor? Então, não basta ter o combustível e as peças. Tem que ter algo mais pra produzir movimento: trabalho. Muito, muito trabalho duro. A decisão empírica de trabalhar pra isso funcionar porque você sabe que aquilo está te levando pra frente e sempre mantendo o foco em onde você quer chegar.
Ah, daí temos outros fator - estamos indo pra algum lugar, mas isso não basta. Se cada um quiser ir pra um lugar, não faz mais sentido. A partir da união de duas pessoas formando um casal, podemos dizer que de certa forma eles começam - em um processo lento e demorado - a ser um organismo só. Mas, 'a house divided in itself cannot stand' ou algo assim.
Por isso eu não entendo quando as pessoas dizem 'ah, mas nós só temos religiões diferentes', ou seja, vocês só estão rumando para direções opostas. Isso não seria muito prático, se formos parar pra pensar no exemplo do motor se considerarmos o restante do carro. Se duas rodas querem ir pra um lado e duas pro outro, ele vai se partir no meio.
Isso não é contado nas histórias bonitinhas, elas sempre acabam no 'felizes para sempre', e o saldo final de tudo pode até ser positivo e muito, muito feliz. Mas felicidade não é sinônimo de facilidade: dá trabalho. Mas... acho que deve valer à pena.
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