"Qualquer pessoa que não seja santa ou
arrogante demais, tem de saber "viver mantendo as aparências: ela sabe muito bem
que há coisas dentro de si que se encontram bem aquém do seu comportamento
público mais desprezível, até mesmo da sua conversa mais livre. Em algum
momento, enquanto o seu amigo hesita em pronunciar uma palavra, o que você acha
que passa pela cabeça dele? Nunca dizemos a verdade toda. Podemos até confessar
fatos lamentáveis - um ato de covardia mesquinha ou uma impureza injusta
prosaica - mas em tom de falsidade. O próprio ato de confessar - em uma olhada
infinitesimamente hipócrita, com um toque de humor - contribui para você
dissociar os fatos do seu próprio "eu".
Ninguém suspeitaria quão familiares e, em certo sentido, apropriadas essas
coisas são para nossa alma, e como formam um todo com o resto: bem no fundo, no
calor do seu íntimo sonhador, não seria tão destoante, não soaria tão estranho e
longe do resto, quanto parecem quando são traduzidas em palavras. Nós contumamos
inferir, e muitas vezes acreditamos mesmo, que os vícios habituais sejam atos
individuais e excepcionais, e cometemos o erro oposto em relação às nossas
virtudes - da mesma forma que o mau jogador de tênis se refere à sua forma
normal como a dos seus "maus dias" e confunde os seus sucessos raros com os
normais. Não acho que seja erro supor que não possamos dizer a verdade sobre nós
mesmos; o murmúrio persistente e íntimo, em todo o decorrer da nossa vida,
causado pelo despeito, pela inveja, pela lascívia, pela cobiça e pela
autocomplacência, simplesmente não é traduzido em palabras. Mas o que importa é
que devemos tomar os nossos discursos como inevitavelmente limitados e como uma
explicação para o pior que temos dentro de nós."C.S.Lewis
terça-feira, 7 de junho de 2011
Verdade, falsidade, humanidade
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