Creio não ser o único ser humano no universo que tem preguiça de melodrama. Qualquer indivíduo com um mínimo de funcionamento cerebral do seu hemisfério esquerdo, sabe do que estou falando. Mas o fato que me intriga é o da existência do melodrama.
Quando somos crianças, em geral expressamos muito mais os sentimentos, se estamos felizes, sorrimos, se está doendo gritamos, (se queremos atenção, choramos...), somos muito mais impulsivos e realmente vivemos com uma intensidade absurda cada momento. Nos apegamos com facilidade às coisas e pessoas ("como assim você jogou fora o senhor feijão, mãe??! Como conseguirei dormir de agora em diante sem ele pra abraçar?").
No entanto, com a idade e maiores experiências sociais, percebemos que deixar de expressar seus sentimentos ou pensamentos é uma opção, muitas vezes, favorável. Aprendemos como lidar com nossos próprios problemas, aprendemos como lidar com nós mesmos de forma interna e um pouco mais discreta. Aprendemos a não ser sempre impulsivos, aprendemos a pensar e daí tomarmos uma decisão, porque, afinal, não temos mais a mamãe e o papai para nos salvar quando as coisas vão mal.
Todavia, há os indivíduos que parecem não passar nunca por esse processo de filtragem de pensamentos e sentimentos. São indivíduos que tornam todo evento algo grandioso, tanto para coisas boas como para coisas ruins. Expansivos... demais. Altos... demais. Irracionais... demais.
O que realmente complica para os racionais de plantão que presenciam tudo isso é que o ser humano tem a tendência natural a tornar as coisas ruins maiores que as coisas boas; você pode ter tido um dia inteiro bom, uma notícia ruim basta para que seus espíritos se desanimem e você fique introspectivo e chateado. Somando-se isso ao exagero dos supracitados, apresenta-se o tipo melodramático.
Ele é o cara que vê coisas pequenas e antecipáveis como um desastre, como um "no meio do caminho tinha um meteoro gigantesco ardendo em chamas de enxofre infernal" ao invés de um "no meio do caminho tinha uma pedra". Ela é a moça que passa por 11 apocalipses. Diariamente. Ele é o cara que se vê como o centro do mundo, afinal, como mencionado mais cedo, é uma pessoa que ainda não amadureceu, portanto com a tendência ao egocentrismo; são aquelas pessoas que queremos apertar um botãozinho de "pause" (ou 'desliga', ou 'autodestruction mode', dependendo do caso...), que queremos sentar e explicar o processo natural das coisas terrenas: têm um começo, um meio e um fim. Isso significa que teremos muitos fins nas nossas vidas, mas apenas um é realmente o fim das nossas vidas. Simples. Mas sabemos que os melodramáticos devem ter algum tipo de deficiência auditiva ou déficit de atenção, porque nada mais explicaria o fato de não absorverem novas informações.
Somos seres humanos, fomos e somos muito mais adaptáveis do que imaginamos, nos adaptamos a climas, alimentação, habitats, espécies das mais variadas. Não precisa fazer alarde, usem seus sensores sociais de que há outras pessoas no mundo, cresçam, pensem. Não precisa pensar que tudo é o fim do mundo.
Ai, que preguiçinha das pessoas...
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