sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Judas e João

Em se tratando de relacionamentos, já fui tanto vítima como vilã. Eu já machuquei e fui machucada, eu me regenerei e já orei pela regeneração do outro. Dizem que o fato de a gente se machucar em relacionamentos faz a vida ser injusta, mas creio que seja exatamente por isso que ela pode ser bem justa: nós estamos todos sob a possibilidade aleatória de ser qualquer uma das duas partes, a que sofre e a que fere. Muitas vezes, desempenhamos ambos os papeis simultaneamente. 

Não é necessariamente uma questão de escolher o outro bem ou não - apesar disso ter certa importância - mas, nós já fomos escolhidos um dia e todos já, de alguma forma, agimos mal, mas ainda assim não nos consideramos pessoas horríveis. Talvez a gente não goste de si mesmo o tempo todo, mas a gente ainda se ama de alguma maneira. Às vezes fazemos burradas, machucamos as pessoas que mais amamos, aprendemos com nossos erros, pedimos desculpas, e seguimos adiante. Às vezes o outro nos perdoa e a amizade, o relacionamento amoroso, seguem adiante, outras vezes não. 

É verdade, contudo, que algumas pessoas parecem ter uma maior afinidade por desempenhar um ou o outro papel com mais frequência. Tanto aquele que é vítima e vilão repetidamente o são por repetição de erros: o primeiro por escolher mal, o segundo por ser mau. Ambos provocam dor, o primeiro nele mesmo, o segundo nos outros. Pode ser proposital ou não, nunca saberemos. 

Porém, em relacionamentos com cristãos, isso é um fator diferenciado se comparamos com outros tipos de relacioanmentos: não somos perfeitos, mas sempre estamos trabalhando pra sermos melhores amanhã. Mesmo se não acertamos tudo com o outro, podemos acertar as coisas com o Criador do outro, e isso nos fazer melhorar e não ferir qualquer outra criatura da mesma maneira. É meio que a mesma lógica que você machucar um animal de estimação de alguém e, mesmo que o animal não entenda quando você pede desculpas, você pede pro dono de qualquer forma - às vezes as pessoas fogem assustadas, porque elas não entendem que podemos realmente estar nos sentindo mal pelo que fizemos, mas pelo menos Deus entende quando pedimos perdão. Mas, nós também somos criaturas, filhos na verdade, dele, então nós também experimentamos do cuidado dele quando somos machucados. 

Tanto erros como dor são fundamentais na formação do caráter cristão, são duas coisas que, por mais que não sejam agradáveis, nos ensinam muito. Os erros nos ensinam que somos humanos que precisam da Graça e do perdão do Pai, a dor nos ensina que somos frágeis e precisamos da graça de outro modo - pra nos curar, através do amor dele. Ou seja, ambos nos ensinam de maneiras completamente diferentes a exata mesma lição: Precisamos dele e da graça dele. Qualquer que seja o papel que desempenhamos, precisamos dele. 

Então, estar na vida de alguém de qualquer forma - como conhecido, colega, amigo, namorado, noivo, marido - é um grande conforto saber que o outro é cristão, porque sabemos que através de Deus, desempenhando qualquer um dos papéis, nós estamos ajudando na formação do caráter do outro, ajudando a torná-lo mais santo. 

Mas há uma grande diferença em como você ajuda a formar esse caráter mais santo. Há um abismo de diferença entre você estar ensinando a pessoa e juntos vocês estarem aprendendo através de amor e perdão de Deus e um para com ao outro, ou você estar ferindo a pessoa e forçando ela a se refugir em Deus e ter que exercitar o perdão ainda que a situação seja extremamente injusta. 

No fim das contas, estando em um relacionamento com alguém que você sabe que busca Deus em primeiro lugar, você pode ficar tranquilo porque essa pessoa está se tornando mais santa todos os dias, e você certamente está vivendo um propósito e desempenhando um papel nesse processo de transformação. O problema é que existe uma enorme diferença entre estar cumprindo a vontade de Deus como Judas ou como João.  


[Um pequeno texto elaborado um dia passeando no metrô de São Paulo a caminho da igreja, espero que tenha algo de bom!]

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

He said, she said

Eu tenho pensado bastante no valor das palavras, no poder que elas tem, de ser uma arma letal ou um remédio. Em parte, isso se deve ao novo fenômeno da internet: Spotted. O spotted é uma páginas, que só conheço via facebook, em que pessoas de determinado grupo (universidade, pessoas que pegam metrô, ABU...) podem postar anonimamente quando encontram (do inglês, to spot) alguém interessante nesse grupo e quer se manifestar mas sem se revelar. Acabam saindo versinhos, poemas, coisas muito bonitas que eu não imaginava que as pessoas ainda escreviam. Pensei que as palavras bonitas tivessem morrido junto com a esperança de finais felizes e ilusões amorosas, mas aparentemente estava bastante enganada. 
Estou achando uma dinâmica interessante observar tudo, o que tenho achado mais peculiar é que através do anonimato que estou conhecendo as pessoas e suas intenções, ou pelo menos as de um seleto grupo que com grande audácia postam no spotted confiando que quem cuida da página não vai contar quem foi. 
Foi pensando nisso que eu comecei a formular uma hipótese. E se as pessoas falassem suas intenções desde o começo? E se elas não ficassem se escondendo? Tudo de uma maneira ponderada, claro mas... e se?


"Olá, menina! Eu sei que pela convenção social você vai responder que 'Sim' de qualquer jeito, mas devo perguntar, Tudo bem?" Ele pergunta, acanhado e um pouco nervoso.
A menina observa a situação surpresa:
"Oi! Obrigada pela gentileza de perguntar, menino, tudo sim; vou retribuir o favor apesar de não ver muito sentido nisso, e contigo?" 
"Tudo certo." Ele coça a cabeça e brinca com os pés olhando para o chão. Isso deveria ser mais fácil que parece ser. "Eu sei que a gente conversa pouco, é por isso que estou sem assunto, desculpas. Talvez não devesse ter vindo falar com você afinal." 


"É, eu tava pensando nisso. A gente dificilmente conversa, estava pensando o por quê de você decidir vir falar comigo particularmente hoje." 
"Ah, é que a gente conversou um pouco o outro dia e te achei legal. E estava pensando... Eu queria te conhecer melhor. Mesmo que não saiba como começar." Ele dá um sorriso tímido e fita a menina. Qual será a reação dela?
"Me conhecer melhor? Com que intenções?", ela parece um pouco apreensiva, mas ainda assim pergunta. 
"Ah, não sei. Confesso que pensei na possibilidade de um dia talvez algo acontecer entre a gente, mas isso foi só algo passageiro na minha cabeça. Talvez só pra gente ser amigo, você tem várias características e uma conduta que acho admirável, queria conhecer um pouco mais." 
Ela mastiga as palavras e pondera até finalmente responder com mais uma pergunta:
"Mesmo a gente nunca tendo tido um relacionamento ou conhecimento muito longo sobre um ao outro?" 
"É. Mas fica tranquila, não quero nada demais. Só conversar. A gente se conhecer." 
"Ah, eu nunca tinha pensado em nós como uma possibilidade mas, ei, porque não? O máximo que acontece é a gente não ter assunto ou nada em comum." 
Os dois riem nervosamente. Isso é diferente. Mas isso é confortável. Não ficar escondendo atrás de indiretas ou segredos. 
"Precisamente. Sem ressentimentos?" 
"Sem ressentimentos. Ah, e... obrigada por falar que sou... uh... interessante. É legal ouvir isso! Deixou meu dia mais feliz! Apesar de estar um pouco apreensiva sobre esse negócio de a gente se conhecer... Não quero que você crie expectativas, não quero te machucar." 
"De nada! É só um fato. Ah e quanto a expectativas... Uma vez vi uma excelente frase: Não crie expectativas, crie porcos. Assim, mesmo se tudo der errado, você ainda tem bacon." 
Ambos riem e olham um pro outro, ainda confusos com a situação inusitada. Confusão povoa a mente de ambos, mas eles se atêem aos fatos. 
"Muito bom!" ela ri, isso faz ele rir mais, "Eu gosto de bacon." 
"Eu também..." Ele diz. 
Ele deve tornar isso uma piada? Ou só deixar estar? Ela pega a deixa. 
"Viu? Já temos algo em comum!" 
"Mas isso boa parte da população tem em comum. Exceto os vegetarianos. Os vegetarianos não gostam de bacon." 


Só uma grande bobagem de um cérebro cansado de provas tentando relaxar um pouco. Já que estamos na onda de sinceridade, detestei o texto. Mas, paciência, é o que tem pra hoje. Talvez assim outras pessoas comecem a pensar: E se fossemos mais abertos e sinceros? É uma boa coisa a se imaginar. Histórias muito engraçadas surgem na sua cabeça em quaisquer atividades do dia a dia. 


sábado, 17 de agosto de 2013

#mastátudobem

No curso de férias desse ano tiveram muitas 'frases de efeito' que guardamos e ainda temos usado depois de passar a semana fria em Bauru. Dentre muitas outras, uma que eu só fui aprender depois, voltando pra casa, foi a #mastátudobem, mas é uma das que está me fazendo pensar mais. Por mais que tenha intuito de humor a maior parte do tempo, é uma das que tenho visto mais gente usando porque, na verdade, faz todo o sentido do mundo dizer que tá tudo bem. 
Não, não digo isso por causa da convenção social de dizer que está tudo bem mesmo que não esteja, mas como uma forma de consolo ao final de uma afirmação aparentemente negativa. O uso dela acaba sendo após uma afirmação ruim, a exemplo: "Estou com saudades de todos, mas tá tudo bem" ou "Estou em crise, mas tá tudo bem" ou, ainda, "Estou doente, mas tá tudo bem". 
Não que signifique que a informação original deixe de ser ruim ou deixe de ser verdade, você continua com saudades, você continua doente, você continua em crise, mas tá tudo bem porque isso não é o mais importante. 
Isso, na verdade, tem tudo a ver com a temática "Pranto, denúncia e esperança" porque isso revela muito da nossa esperança frente ao pranto e à denúncia: Mesmo que sejam fatos tristes ou ruins, temos a esperança que isso não é o mais importante, o melhor ainda há de vir. 
Desde que voltei do curso de férias, muita coisa não andou conforme o esperado, mas não foi contra a minha esperança, porque a minha Esperança de verdade não estava nessas coisas. Muita gente tem me perguntado se estou bem, andam preocupados com meu bem estar por causa de diversos eventos recentes, confusões mentais, dúvidas e crises. Sim, tudo isso tem acontecido em diversos níveis, mas tá tudo bem. De verdade. 
Tenho certeza cada dia mais que algumas coisas não são maravilhosas e lindas, que o mundo não é perfeito, e a vontade de Deus, por mais que seja boa, perfeita e agradável, nem sempre é fácil, trivial e indolor, mas estou em paz, mesmo que nada aqui, perto de mim nesse intervalo temporal mínimo (vulgo presente), faça sentido. Mas estou em paz, não preciso de reafirmações de que preciso relaxar, ficar tranquila ou confiar em Deus. Eu estou confiando, estou em paz, por mais que muitas vezes não pareça. Eu não tenho nada, quando falamos de maneira puramente terrena - portanto, isso implica que não tenha nada a perder. Então... mesmo se um dia eu disser "Perdi tudo, tudo está um caos" poderei completar com "#mastátudobem". Porque minha esperança está no Reino que há de vir, que já começa atuando no que somos hoje, não no que está aqui. 

"Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. De modo que em nós atua a morte; mas em vocês, a vida."

2 Coríntios 4:7-12

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A prosa virou poesia

Um poema baseado nos eventos do CF (finalmente, a prosa virou poesia!), em textos de Jeremias, Oseias, e algumas coisas mais.

Empty Hands

I thought I had the answers
What is there to say?
I thought I'd get what I wanted
As long as I prayed

My goal was to be happy
What's wrong with that?
"That's not what I made
you for as a matter of fact..."

I pleaded for long lists
Things I needed, like that
I fought with my own fists
Trying to get them back

But you took them away,
far beyond the sea
"You'll not have it your way,
just look at me"


In the pieces of my broken life
I sat, I pleaded and cried
I don't understand why!
Give me back what's mine!

I was that old clay jar
You just couldn't fix
I walked way too far
So you crushed me to bits

"I tried to speak low,
but you just wouldn't listen!
So I stopped speaking slow,
spoke how you couldn't miss it

"You put your self-value
in all the wrong things
In titles, and knowledge,
science and rings

"You thought you were only
as good as they say
Since you wouldn't let go,
Then I took them away

"Those things aren't all bad,
but it's not all there is
Don't believe the first lad
filled with empty promises.

"I have died for your life
I have hurt for your sin
But I love and forgive you
as though you never did

"You can be holy, my child
rather than just happy
But soon the pain will be mild
When I have you beside me

"So I plead you to listen
I want you to come back
My child, you are forgiven
I have all that you lack"


I have sold my soul
to all these pretty things
that surround me and take me
away from your wings

Now my hands are empty
As they always have been
Only I was too blinded
To ever have seen

I hate what I see
and I dread all I've done
Still you say you loved me
and sent me your Son

So I kneel at you feet
and give the bits of me to you
That is, if you take me
though I'm battered and used

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Às vezes é melhor um SMS

Eu gosto de escrever cartas. Tudo bem, eu realmente gosto de escrever qualquer coisa, mas cartas são uma das coisas que mais gosto de escrever. 
Por mais que goste do contato pessoal com as pessoas, sinto que através das palavras escritas consigo me expressar com muito mais eloquência, de maneira ponderada, racional e de maneira a transmitir meus pensamentos de maneira muito mais eficiente do que através da conversa presencial. Minha mente parece ficar meio abafada e confusa quando tento ouvir o que a pessoa está falando e responder corretamente o que minha mente está pensando. 
O problema de escrever cartas hoje em dia, é a dificuldade em receber respostas. Se você manda um email, é muito mais provável receber uma resposta do que uma carta. As pessoas acabam esquecendo ou dão pouca importância, ou respondem de maneira bem xula sem dar atenção ao tempo que você dedicou para pôr no papel páginas e páginas de palavras, pensamentos e sentimentos. 

Enviei duas cartas recentemente, e, surpreendentemente, recebi respostas para ambas. Uma, uma resposta longa, cheia de palavras bonitas, considerações fantásticas. A outra um sms simples. De maneira contrária às expectativas, a primeira me fez chorar, e me chateou muito. Por mais que as palavras fossem bonitas, elas eram vazias. Tinha promessas que nunca poderiam ser cumpridas, tinha fatos alegados que eram contrários a muitas evidências. 

A mensagem de sms, por outro lado, não fez promessas. Não disse nada de aparentemente extraordinário, mas foi sincera. As palavras que escrevi foram levadas tão a sério, que não foram feitas promessas sem antes ter as palavras consideradas, ponderadas e serem relidas. 


Isso me fez perceber muito a respeito das palavras: elas só são tão boas quanto nosso coração ao emití-las. Isso me fez perceber o sentido do texto de I Coríntios 13: 

"Se eu falar com eloquência humana e com êxtase própria dos anjos e não tiver amor, não passarei do rangido de uma porta enferrujada."

Isso me fez pensar nas palavras que gosto de expor com tanta eloquência. Será que estou sendo o ranger de uma porta enferrujada, ou um sino batendo alto mas falando pouca coisa? Talvez, na próxima vez que for escrever uma carta, seja melhor eu passar mais tempo pensando sobre o por quê de escrevê-la - se é por amor, ou pra me colocar acima de alguém, ou pra me mostrar - do que de fato pensando no léxico mais apropriado e pomposo, cheio de mesóclises e aliterações, mas completamente vazias de sentimento ou conteúdo. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Date a girl who reads

- texto por Rosemarie Urquico


Date a girl who reads. Date a girl who spends her money on books instead of clothes. She has problems with closet space because she has too many books. Date a girl who has a list of books she wants to read, who has had a library card since she was twelve.

Find a girl who reads. You’ll know that she does because she will always have an unread book in her bag.She’s the one lovingly looking over the shelves in the bookstore, the one who quietly cries out when she finds the book she wants. You see the weird chick sniffing the pages of an old book in a second hand book shop? That’s the reader. They can never resist smelling the pages, especially when they are yellow.

She’s the girl reading while waiting in that coffee shop down the street. If you take a peek at her mug, the non-dairy creamer is floating on top because she’s kind of engrossed already. Lost in a world of the author’s making. Sit down. She might give you a glare, as most girls who read do not like to be interrupted. Ask her if she likes the book.

Buy her another cup of coffee.

Let her know what you really think of Murakami. See if she got through the first chapter of Fellowship. Understand that if she says she understood James Joyce’s Ulysses she’s just saying that to sound intelligent. Ask her if she loves Alice or she would like to be Alice.

It’s easy to date a girl who reads. Give her books for her birthday, for Christmas and for anniversaries. Give her the gift of words, in poetry, in song. Give her Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Let her know that you understand that words are love. Understand that she knows the difference between books and reality but by god, she’s going to try to make her life a little like her favorite book. It will never be your fault if she does.

She has to give it a shot somehow.

Lie to her. If she understands syntax, she will understand your need to lie. Behind words are other things: motivation, value, nuance, dialogue. It will not be the end of the world.

Fail her. Because a girl who reads knows that failure always leads up to the climax. Because girls who understand that all things will come to end. That you can always write a sequel. That you can begin again and again and still be the hero. That life is meant to have a villain or two.

Why be frightened of everything that you are not? Girls who read understand that people, like characters, develop. Except in the Twilightseries.

If you find a girl who reads, keep her close. When you find her up at 2 AM clutching a book to her chest and weeping, make her a cup of tea and hold her. You may lose her for a couple of hours but she will always come back to you. She’ll talk as if the characters in the book are real, because for a while, they always are.

You will propose on a hot air balloon. Or during a rock concert. Or very casually next time she’s sick. Over Skype.

You will smile so hard you will wonder why your heart hasn’t burst and bled out all over your chest yet. You will write the story of your lives, have kids with strange names and even stranger tastes. She will introduce your children to the Cat in the Hat and Aslan, maybe in the same day. You will walk the winters of your old age together and she will recite Keats under her breath while you shake the snow off your boots.

Date a girl who reads because you deserve it. You deserve a girl who can give you the most colorful life imaginable. If you can only give her monotony, and stale hours and half-baked proposals, then you’re better off alone. If you want the world and the worlds beyond it, date a girl who reads.

Or better yet, date a girl who writes.


[Aguardem a minha respota que virá em breve: Date a girl who writes.]

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

MáTemática

Detesto não ter resoluções e respostas para problemas. Desde criança, lembro de sentar com meu livro de matemática e meu caderno e passar horas tentando encontrar a resolução pra um problema, tentar fazer, comparar o resultado com a resposta no final do livro, ver que estava errado e com grande frustração apagar tudo e começar de novo. Lembro de em uma véspera de prova de química no ensino médio ficar por horas e horas tentando entender a lógica do cálculo de molaridade e que raios era aquele 6x10^23. Minha mãe teve de me mandar dormir aquele dia e simplesmente deixar estar. Tirei 10 na prova. 

Mesmo quando o livro estava fechado, eu continuava matutando e tentando encontrar sentido naquilo. Quantas vezes não fui dormir com o problema na cabeça - minha irmã reclamava que eu fazia contas enquanto dormia - e quando acordava, tinha o resultado. 

Eu não consigo deixar as coisas estar. Esperar e deixar as coisas se resolverem, enquanto eu não tenho a resposta eu continuo pensando, repensando, remoendo e ponderando sobre possíveis maneiras de resolver. O grande problema, é que isso não só se transportou desde minha infância, através da adolescência e tenho agora na juventude - mas essa característica transcende as diversas áreas da minha vida. Não fico só remoendo e ponderando os problemas de matemática, cálculo ou física. Isso se expandiu pra todas as áreas da minha vida. 

A molaridade não é um problema tão grande quanto a moralidade. A integração não é tão importante quando a missão integral. A teoria da relatividade não é tão intrigante quanto a relativização moral da sociedade atual. As reações químicas que produzem sentimentos não são nem um pouco tão confusas e difíceis de determinar como os sentimentos produzidos.

Por que isso está acontecendo? Por que isso acontece no mundo? Por que estou sentindo isso? Aliás, o que estou sentindo exatamente? Qual a melhor resposta pra essa proposta? Qual a melhor escolha? Por que isso parece um problema muito maior que de fato é? Tudo fica rodando na minha cabeça. Perco noites - como a noite passada passada - pensando em tudo, tentando encontrar sentido nos fatos soltos da sociedade, das pessoas, da minha vida, da minha cabeça. Até quando sonho não tenho paz. Fico inquieta, ansiosa, frustrada. 

Creio que o grande problema esteja no fato de a vida não ser cálculo ou física, que você pode ir pras últimas páginas e pegar a resposta dos exercícios. Ou seja, mesmo se chego a uma conclusão brilhante, eu não sei se essa conclusão ou resposta está certa. Acabo sentindo a necessidade de processar os mesmos problemas de novo e de novo, tentando em condições diferentes, pressuposições diferentes, ver se consigo chegar ao mesmo resultado. Como todo bom cientista, eu verifico se meu resultado pode ser reproduzido. 

Seria muito bom se tivéssemos as respostas, mesmo se não tivéssemos a resolução. Saber que rumo você quer que sua solução tenha, isso ajuda bastante. Seria até didático só ter os resultados: Lembro-me do meu primeiro curso de cálculo, quando o exercício propunha algumas equações para encontrar a derivada pela definição. Bem, eu tinha um problema, e sabia que podia encontrar a solução com a minha munição do ensino médio para derivar. Então fiz assim. Apresentei pro professor. Errado. 

Não que a solução estivesse errada, mas eu cortei caminhos, resolvi o problema sem saber o que era derivar. Alguém me disse um dia em uma aula de física no ensino médio que podia usar a regra, usei a regra, mas sem saber o por quê. Ele me explicou de maneira bem simplificada "Resolver assim sem saber a definição seria como ensinar uma criança a usar uma calculadora sem ensinar as operações matemáticas básicas primeiro." 

Talvez, na minha vida eu esteja tentando fazer a mesma coisa. Estou tentando encontrar resoluções sem saber as definições, meramente apresentando uma solução de acordo com padrões previamente definidos. O processo de compreender e buscar a solução que pode ser a lição mais importante no momento, não saber a resposta. Talvez sejam necessárias essas noitas mal dormidas e dias de ansiedade e frustração pra, um dia, eu acordar e saber: agora sei o por quê. 

Se formos considerar a didática da vida como a didática das ciências, o resultado acaba sendo um tanto quanto menos importante. Mesmo que a gente passe horas e horas conseguindo resultados errados, se ao final de todos esses erros e frustrações aprendemos a lição, o tempo não foi perdido. Estudando cálculo, meus resultados errados me ensinaram muito mais do que a derivada de resultado correto que não sabia porquê fazia.

A grande diferença é que a vida, ao contrário da matemática, física ou cálculo, não tem conceitos e definições bem determinados. Tudo está sujeito à sua cosmovisão, ao conjunto de pressuposições que determinam como você vai enxergar o mundo. Ou seja, as definições são muito pessoais, mutáveis e subjetivas. Portanto, quando um problema se apresenta, dificilmente a sua resolução vai ser igual à de todas as outras pessoas. 

Pensando na vida como livro novamente, não creio que meu erro esteja em desejar que a vida seja como um livro - acredito que de fato haja muita similaridade na vida e nos livros. Porém, meu erro reside no desejo que seja um livro explicativo de ciências exatas, quando na verdade é algo mais próximo de uma obra literária. Uma obra em que o início e o fim não são tão importantes quanto o que acontece entre os dois. 

Similarmente ao que o livro Grandes esperanças diz, o início da vida (ou o início de um grande dia que opera grandes mudanças em nós, que nos faz apagar muito do que fizemos e começar de novo) é meramente um elo inicial para uma corrente de ferro, ouro ou flores que se conduz ao longo da história. O processo é mais importante que os pontos de início e de chegada. 

Até porque, de certa forma, como seres humanos, sabemos que a nossa jornada terrena terá um mesmo início e fim: nascimento e morte. Mas nem por isso nossas histórias sejam todas iguais, nem por isso chegamos todos às mesmas resoluções. Nem por isso nossas histórias não devem ser contadas. Nem por isso devemos nos considerar desastres naturais por não termos todas as respostas certas. O que aprendemos no meio do caminho, em que nos transformamos com cada resultado, podem fazer muito mais diferença na nossa construção como pessoas, como almas, do que ter uma resposta sequer.