sábado, 17 de agosto de 2013

#mastátudobem

No curso de férias desse ano tiveram muitas 'frases de efeito' que guardamos e ainda temos usado depois de passar a semana fria em Bauru. Dentre muitas outras, uma que eu só fui aprender depois, voltando pra casa, foi a #mastátudobem, mas é uma das que está me fazendo pensar mais. Por mais que tenha intuito de humor a maior parte do tempo, é uma das que tenho visto mais gente usando porque, na verdade, faz todo o sentido do mundo dizer que tá tudo bem. 
Não, não digo isso por causa da convenção social de dizer que está tudo bem mesmo que não esteja, mas como uma forma de consolo ao final de uma afirmação aparentemente negativa. O uso dela acaba sendo após uma afirmação ruim, a exemplo: "Estou com saudades de todos, mas tá tudo bem" ou "Estou em crise, mas tá tudo bem" ou, ainda, "Estou doente, mas tá tudo bem". 
Não que signifique que a informação original deixe de ser ruim ou deixe de ser verdade, você continua com saudades, você continua doente, você continua em crise, mas tá tudo bem porque isso não é o mais importante. 
Isso, na verdade, tem tudo a ver com a temática "Pranto, denúncia e esperança" porque isso revela muito da nossa esperança frente ao pranto e à denúncia: Mesmo que sejam fatos tristes ou ruins, temos a esperança que isso não é o mais importante, o melhor ainda há de vir. 
Desde que voltei do curso de férias, muita coisa não andou conforme o esperado, mas não foi contra a minha esperança, porque a minha Esperança de verdade não estava nessas coisas. Muita gente tem me perguntado se estou bem, andam preocupados com meu bem estar por causa de diversos eventos recentes, confusões mentais, dúvidas e crises. Sim, tudo isso tem acontecido em diversos níveis, mas tá tudo bem. De verdade. 
Tenho certeza cada dia mais que algumas coisas não são maravilhosas e lindas, que o mundo não é perfeito, e a vontade de Deus, por mais que seja boa, perfeita e agradável, nem sempre é fácil, trivial e indolor, mas estou em paz, mesmo que nada aqui, perto de mim nesse intervalo temporal mínimo (vulgo presente), faça sentido. Mas estou em paz, não preciso de reafirmações de que preciso relaxar, ficar tranquila ou confiar em Deus. Eu estou confiando, estou em paz, por mais que muitas vezes não pareça. Eu não tenho nada, quando falamos de maneira puramente terrena - portanto, isso implica que não tenha nada a perder. Então... mesmo se um dia eu disser "Perdi tudo, tudo está um caos" poderei completar com "#mastátudobem". Porque minha esperança está no Reino que há de vir, que já começa atuando no que somos hoje, não no que está aqui. 

"Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. De modo que em nós atua a morte; mas em vocês, a vida."

2 Coríntios 4:7-12

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A prosa virou poesia

Um poema baseado nos eventos do CF (finalmente, a prosa virou poesia!), em textos de Jeremias, Oseias, e algumas coisas mais.

Empty Hands

I thought I had the answers
What is there to say?
I thought I'd get what I wanted
As long as I prayed

My goal was to be happy
What's wrong with that?
"That's not what I made
you for as a matter of fact..."

I pleaded for long lists
Things I needed, like that
I fought with my own fists
Trying to get them back

But you took them away,
far beyond the sea
"You'll not have it your way,
just look at me"


In the pieces of my broken life
I sat, I pleaded and cried
I don't understand why!
Give me back what's mine!

I was that old clay jar
You just couldn't fix
I walked way too far
So you crushed me to bits

"I tried to speak low,
but you just wouldn't listen!
So I stopped speaking slow,
spoke how you couldn't miss it

"You put your self-value
in all the wrong things
In titles, and knowledge,
science and rings

"You thought you were only
as good as they say
Since you wouldn't let go,
Then I took them away

"Those things aren't all bad,
but it's not all there is
Don't believe the first lad
filled with empty promises.

"I have died for your life
I have hurt for your sin
But I love and forgive you
as though you never did

"You can be holy, my child
rather than just happy
But soon the pain will be mild
When I have you beside me

"So I plead you to listen
I want you to come back
My child, you are forgiven
I have all that you lack"


I have sold my soul
to all these pretty things
that surround me and take me
away from your wings

Now my hands are empty
As they always have been
Only I was too blinded
To ever have seen

I hate what I see
and I dread all I've done
Still you say you loved me
and sent me your Son

So I kneel at you feet
and give the bits of me to you
That is, if you take me
though I'm battered and used

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Às vezes é melhor um SMS

Eu gosto de escrever cartas. Tudo bem, eu realmente gosto de escrever qualquer coisa, mas cartas são uma das coisas que mais gosto de escrever. 
Por mais que goste do contato pessoal com as pessoas, sinto que através das palavras escritas consigo me expressar com muito mais eloquência, de maneira ponderada, racional e de maneira a transmitir meus pensamentos de maneira muito mais eficiente do que através da conversa presencial. Minha mente parece ficar meio abafada e confusa quando tento ouvir o que a pessoa está falando e responder corretamente o que minha mente está pensando. 
O problema de escrever cartas hoje em dia, é a dificuldade em receber respostas. Se você manda um email, é muito mais provável receber uma resposta do que uma carta. As pessoas acabam esquecendo ou dão pouca importância, ou respondem de maneira bem xula sem dar atenção ao tempo que você dedicou para pôr no papel páginas e páginas de palavras, pensamentos e sentimentos. 

Enviei duas cartas recentemente, e, surpreendentemente, recebi respostas para ambas. Uma, uma resposta longa, cheia de palavras bonitas, considerações fantásticas. A outra um sms simples. De maneira contrária às expectativas, a primeira me fez chorar, e me chateou muito. Por mais que as palavras fossem bonitas, elas eram vazias. Tinha promessas que nunca poderiam ser cumpridas, tinha fatos alegados que eram contrários a muitas evidências. 

A mensagem de sms, por outro lado, não fez promessas. Não disse nada de aparentemente extraordinário, mas foi sincera. As palavras que escrevi foram levadas tão a sério, que não foram feitas promessas sem antes ter as palavras consideradas, ponderadas e serem relidas. 


Isso me fez perceber muito a respeito das palavras: elas só são tão boas quanto nosso coração ao emití-las. Isso me fez perceber o sentido do texto de I Coríntios 13: 

"Se eu falar com eloquência humana e com êxtase própria dos anjos e não tiver amor, não passarei do rangido de uma porta enferrujada."

Isso me fez pensar nas palavras que gosto de expor com tanta eloquência. Será que estou sendo o ranger de uma porta enferrujada, ou um sino batendo alto mas falando pouca coisa? Talvez, na próxima vez que for escrever uma carta, seja melhor eu passar mais tempo pensando sobre o por quê de escrevê-la - se é por amor, ou pra me colocar acima de alguém, ou pra me mostrar - do que de fato pensando no léxico mais apropriado e pomposo, cheio de mesóclises e aliterações, mas completamente vazias de sentimento ou conteúdo. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Date a girl who reads

- texto por Rosemarie Urquico


Date a girl who reads. Date a girl who spends her money on books instead of clothes. She has problems with closet space because she has too many books. Date a girl who has a list of books she wants to read, who has had a library card since she was twelve.

Find a girl who reads. You’ll know that she does because she will always have an unread book in her bag.She’s the one lovingly looking over the shelves in the bookstore, the one who quietly cries out when she finds the book she wants. You see the weird chick sniffing the pages of an old book in a second hand book shop? That’s the reader. They can never resist smelling the pages, especially when they are yellow.

She’s the girl reading while waiting in that coffee shop down the street. If you take a peek at her mug, the non-dairy creamer is floating on top because she’s kind of engrossed already. Lost in a world of the author’s making. Sit down. She might give you a glare, as most girls who read do not like to be interrupted. Ask her if she likes the book.

Buy her another cup of coffee.

Let her know what you really think of Murakami. See if she got through the first chapter of Fellowship. Understand that if she says she understood James Joyce’s Ulysses she’s just saying that to sound intelligent. Ask her if she loves Alice or she would like to be Alice.

It’s easy to date a girl who reads. Give her books for her birthday, for Christmas and for anniversaries. Give her the gift of words, in poetry, in song. Give her Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Let her know that you understand that words are love. Understand that she knows the difference between books and reality but by god, she’s going to try to make her life a little like her favorite book. It will never be your fault if she does.

She has to give it a shot somehow.

Lie to her. If she understands syntax, she will understand your need to lie. Behind words are other things: motivation, value, nuance, dialogue. It will not be the end of the world.

Fail her. Because a girl who reads knows that failure always leads up to the climax. Because girls who understand that all things will come to end. That you can always write a sequel. That you can begin again and again and still be the hero. That life is meant to have a villain or two.

Why be frightened of everything that you are not? Girls who read understand that people, like characters, develop. Except in the Twilightseries.

If you find a girl who reads, keep her close. When you find her up at 2 AM clutching a book to her chest and weeping, make her a cup of tea and hold her. You may lose her for a couple of hours but she will always come back to you. She’ll talk as if the characters in the book are real, because for a while, they always are.

You will propose on a hot air balloon. Or during a rock concert. Or very casually next time she’s sick. Over Skype.

You will smile so hard you will wonder why your heart hasn’t burst and bled out all over your chest yet. You will write the story of your lives, have kids with strange names and even stranger tastes. She will introduce your children to the Cat in the Hat and Aslan, maybe in the same day. You will walk the winters of your old age together and she will recite Keats under her breath while you shake the snow off your boots.

Date a girl who reads because you deserve it. You deserve a girl who can give you the most colorful life imaginable. If you can only give her monotony, and stale hours and half-baked proposals, then you’re better off alone. If you want the world and the worlds beyond it, date a girl who reads.

Or better yet, date a girl who writes.


[Aguardem a minha respota que virá em breve: Date a girl who writes.]

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

MáTemática

Detesto não ter resoluções e respostas para problemas. Desde criança, lembro de sentar com meu livro de matemática e meu caderno e passar horas tentando encontrar a resolução pra um problema, tentar fazer, comparar o resultado com a resposta no final do livro, ver que estava errado e com grande frustração apagar tudo e começar de novo. Lembro de em uma véspera de prova de química no ensino médio ficar por horas e horas tentando entender a lógica do cálculo de molaridade e que raios era aquele 6x10^23. Minha mãe teve de me mandar dormir aquele dia e simplesmente deixar estar. Tirei 10 na prova. 

Mesmo quando o livro estava fechado, eu continuava matutando e tentando encontrar sentido naquilo. Quantas vezes não fui dormir com o problema na cabeça - minha irmã reclamava que eu fazia contas enquanto dormia - e quando acordava, tinha o resultado. 

Eu não consigo deixar as coisas estar. Esperar e deixar as coisas se resolverem, enquanto eu não tenho a resposta eu continuo pensando, repensando, remoendo e ponderando sobre possíveis maneiras de resolver. O grande problema, é que isso não só se transportou desde minha infância, através da adolescência e tenho agora na juventude - mas essa característica transcende as diversas áreas da minha vida. Não fico só remoendo e ponderando os problemas de matemática, cálculo ou física. Isso se expandiu pra todas as áreas da minha vida. 

A molaridade não é um problema tão grande quanto a moralidade. A integração não é tão importante quando a missão integral. A teoria da relatividade não é tão intrigante quanto a relativização moral da sociedade atual. As reações químicas que produzem sentimentos não são nem um pouco tão confusas e difíceis de determinar como os sentimentos produzidos.

Por que isso está acontecendo? Por que isso acontece no mundo? Por que estou sentindo isso? Aliás, o que estou sentindo exatamente? Qual a melhor resposta pra essa proposta? Qual a melhor escolha? Por que isso parece um problema muito maior que de fato é? Tudo fica rodando na minha cabeça. Perco noites - como a noite passada passada - pensando em tudo, tentando encontrar sentido nos fatos soltos da sociedade, das pessoas, da minha vida, da minha cabeça. Até quando sonho não tenho paz. Fico inquieta, ansiosa, frustrada. 

Creio que o grande problema esteja no fato de a vida não ser cálculo ou física, que você pode ir pras últimas páginas e pegar a resposta dos exercícios. Ou seja, mesmo se chego a uma conclusão brilhante, eu não sei se essa conclusão ou resposta está certa. Acabo sentindo a necessidade de processar os mesmos problemas de novo e de novo, tentando em condições diferentes, pressuposições diferentes, ver se consigo chegar ao mesmo resultado. Como todo bom cientista, eu verifico se meu resultado pode ser reproduzido. 

Seria muito bom se tivéssemos as respostas, mesmo se não tivéssemos a resolução. Saber que rumo você quer que sua solução tenha, isso ajuda bastante. Seria até didático só ter os resultados: Lembro-me do meu primeiro curso de cálculo, quando o exercício propunha algumas equações para encontrar a derivada pela definição. Bem, eu tinha um problema, e sabia que podia encontrar a solução com a minha munição do ensino médio para derivar. Então fiz assim. Apresentei pro professor. Errado. 

Não que a solução estivesse errada, mas eu cortei caminhos, resolvi o problema sem saber o que era derivar. Alguém me disse um dia em uma aula de física no ensino médio que podia usar a regra, usei a regra, mas sem saber o por quê. Ele me explicou de maneira bem simplificada "Resolver assim sem saber a definição seria como ensinar uma criança a usar uma calculadora sem ensinar as operações matemáticas básicas primeiro." 

Talvez, na minha vida eu esteja tentando fazer a mesma coisa. Estou tentando encontrar resoluções sem saber as definições, meramente apresentando uma solução de acordo com padrões previamente definidos. O processo de compreender e buscar a solução que pode ser a lição mais importante no momento, não saber a resposta. Talvez sejam necessárias essas noitas mal dormidas e dias de ansiedade e frustração pra, um dia, eu acordar e saber: agora sei o por quê. 

Se formos considerar a didática da vida como a didática das ciências, o resultado acaba sendo um tanto quanto menos importante. Mesmo que a gente passe horas e horas conseguindo resultados errados, se ao final de todos esses erros e frustrações aprendemos a lição, o tempo não foi perdido. Estudando cálculo, meus resultados errados me ensinaram muito mais do que a derivada de resultado correto que não sabia porquê fazia.

A grande diferença é que a vida, ao contrário da matemática, física ou cálculo, não tem conceitos e definições bem determinados. Tudo está sujeito à sua cosmovisão, ao conjunto de pressuposições que determinam como você vai enxergar o mundo. Ou seja, as definições são muito pessoais, mutáveis e subjetivas. Portanto, quando um problema se apresenta, dificilmente a sua resolução vai ser igual à de todas as outras pessoas. 

Pensando na vida como livro novamente, não creio que meu erro esteja em desejar que a vida seja como um livro - acredito que de fato haja muita similaridade na vida e nos livros. Porém, meu erro reside no desejo que seja um livro explicativo de ciências exatas, quando na verdade é algo mais próximo de uma obra literária. Uma obra em que o início e o fim não são tão importantes quanto o que acontece entre os dois. 

Similarmente ao que o livro Grandes esperanças diz, o início da vida (ou o início de um grande dia que opera grandes mudanças em nós, que nos faz apagar muito do que fizemos e começar de novo) é meramente um elo inicial para uma corrente de ferro, ouro ou flores que se conduz ao longo da história. O processo é mais importante que os pontos de início e de chegada. 

Até porque, de certa forma, como seres humanos, sabemos que a nossa jornada terrena terá um mesmo início e fim: nascimento e morte. Mas nem por isso nossas histórias sejam todas iguais, nem por isso chegamos todos às mesmas resoluções. Nem por isso nossas histórias não devem ser contadas. Nem por isso devemos nos considerar desastres naturais por não termos todas as respostas certas. O que aprendemos no meio do caminho, em que nos transformamos com cada resultado, podem fazer muito mais diferença na nossa construção como pessoas, como almas, do que ter uma resposta sequer. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

"Eu só quero ser feliz"?

"Eu só quero ser feliz."

É difícil contar quantas pessoas já ouvi dizendo isso. Os assuntos aos quais se referiam eram diversos, assim como as pessoas que disseram e o que elas viam como sendo felicidade. Junto com o "eu só quero ser feliz", já ouvi muito o "siga o seu coração"- afinal, o seu coração que decide o que é a sua felicidade, então você tem que ouvir seus sonhos, suas paixões, desejos e vontades, relatados em longas listas de utopias baseadas em experiências passadas, pré-definições sociais e culturais que te falam 'o que é ser feliz', mas estou aos poucos aprendendo como corações e felicidade são uma grande bobagem. Calma. Eu sei que seu coração e seu conceito de felicidade estão tendo convulsões ao passo que você lê essas palavras mas, aguenta aí e ouve a argumentação.

A felicidade é um conceito bastante vago, mas em geral acho que pode ser definido em um conjunto de condições que proporcionam a sensação de bem estar devido à alta concentração de neurotransmissores de bem estar, que resultam de circunstâncias, alimentação e/ou um estado psicológico que favorecem isso. Essas circunstâncias que desencadeiam essa loucura química no cérebro que são a parte mais subjetiva, pra uma pessoa felicidade pode ser uma tarde assistindo um jogo de futebol e bebendo cerveja com os amigos, pra outra pode ser ser casado com "a sua alma gêmea", pra outra, ainda, pode ser o acúmulo de dinheiro ou posses, ou pode ser o resultado químico do uso de drogas. A felicidade pode ser muita coisa, pra muita gente. Isso tira bastante da validade de dizer que todos devem ser felizes. E se a minha felicidade depoende do fim da felicidade do outro? Eu ainda deveria ser feliz?

Daí toda essa explicação de felicidade é bem ligada ao 'coração' (o metafórico, fonte de todas as emoções), ele é o cara que define todas aquelas possibilidades do que pode ser a fonte da sua felicidade, é ele que diz o que você quer, o que você precisa, ele que fica pesado quando as coisas não vão do seu jeito. É ele, também, que bate mais forte e vira do avesso quando você vê aquela pessoa que facilmente caberia na capa de qualquer revista se aproximando de você.

O grande problema é quão pouco confiável ele é, quão inconstante, indeciso e confuso que ele é. Se você seguir ele, vai se perder, sem rumo, porque ele mesmo não sabe pra onde está indo ou o que quer. A felicidade, devido à subjetividade de dependência da pessoa que está definindo ela, muda de acordo com as mudanças da pessoa. Está sujeita ao que a pessoa pensa ou está passando em determinado instante, e por isso, você não pode esperar um dia ser sempre feliz, ser sempre apaixonado por uma pessoa, ser sempre qualquer coisa. Não somos constantes e inertes ao ambiente, mudamos, nos adaptamos, e esperar que nosso coração e nossa felicidade fosse assim é loucura.

Por isso mudei muito a minha forma de pensar recentemente. Eu pensei que precisava fazer o curso que amava pra ser feliz, eu pensei que precisava encontrar a pessoa certa pra namorar e casar - e como uma boa cristã, pedia pra que Deus preparasse essa 'pessoa certa' pra que fosse feliz- eu pensava também que precisava de dinheiro, casa, comida, dinheiro, roupas pra ser feliz, e pedia pra que Deus provesse tudo isso também.

Mas o fato é que... eu não preciso de tudo isso, da mesma maneira que eu não preciso ser feliz. Os períodos em que mais cresci e me tornei uma pessoa melhor não foram os momentos de felicidade, eu precisei estar infeliz, isso fez parte da minha formação como pessoa e como cristã. Eu precisei que as coisas não sempre dessem certo, então é um equívoco pensar que sempre precisarei estar feliz.

Antes que alguém se escandalize, eu não estou dizendo que a felicidade é algo ruim, mas eu estou dizendo que a felicidade pela felicidade é algo ruim. O que estou falando é que a felicidade como um fim que acaba sendo algo muito vago, e meio que nem um cachorro correndo atrás do próprio rabo, uma busca sem fim que exige constantemente a mudança de objetivo.

Observando textos bíblicos e histórias, pensando sobre Jeremias - que certamente não foi uma pessoa feliz - então isso tudo me levou a pensar que nosso objetivo primário não pode ter sido meramente pra sermos felizes e nada mais, ou senão Deus teria falhado miseravelmente com grande parte dos profetas e servos na Bíblia, então teria que ter algo maior, algo melhor, um objetivo muito além da felicidade meramente. Um objetivo que fosse bem sucedido nesses personagens, um objetivo em que Jesus tenha sido o mais bem sucedido - A Santidade.

A santidade, diferentemente da felicidade, não é introspectiva com efeito pessoal meramente. Não fomos feitos pra sermos individuais, mas sociais. Fomos feitos para relacionamentos, e a santidade afeta nosso relacionamento com Deus, que por sua vez afeta nosso relacionamento com as pessoas. Ao cultivarmos uma vida santa, uma vida com Deus, nos tornamos diariamente novas criaturas, cada vez melhores, e isso acaba sendo um fim positivo muito mais pertinente do que a mera felicidade, por afetar muito mais a alma do que o fisiológico, é algo muito maior que as reações químicas da chamada felicidade. É um efeito eterno. Um efeito que nem compreendemos enquanto estivermos aqui.

Na nossa vida é comum pedirmos pra Deus todos os itens relacionados à nossa felicidade, e pensamos estar sendo bons cristãos por pedir pra ele essas coisas, como se nós soubessemos que essas coisas fossem necessárias para a nossa formação no projeto de Nova Criatura que apresentamos pra ele, acontece que ele tem objetivos muito maiores pra nós e que não vão sempre de encontro com a nossa felicidade ou aquilo que o nosso coração quer. Precisamos aprender a pedir pra Deus mais de Deus, e não pedir pra Deus mais de nós mesmos. Até porque, grande parte do tempo nem a gente sabe o que quer.

Como disse o próprio profeta chorão e depressivo: "Enganoso é o coração do homem, desesperadamente corrupto. Quem o conhecerá?" (Je 17:9)

Além disso, somos uma máquina movida a Deus. Fomos feitos para o relacionamento com Ele, e pedir pra que ele nos dê felicidade à parte de si e à parte da santidade, não existe sentido nisso. É contraditório, é que nem tentar fazer um carro movido a gasolina funcionar abastecido com suco de laranja. Suco de laranja pode até ser bom, do mesmo jeito que amor, dinheiro, uma profissão da qual gostamos, tudo isso é bom, mas a partir do momento em que pensamos que podemos ser movidos exclusivamente por isso, a gente não vai conseguir sair do lugar.

domingo, 28 de julho de 2013

E, no final das contas, Camões estava certo.

Pisei na relva com minhas botas e observei os pedaços de terra ausentes de grama e ergui os olhos mais uma vez pra paisagem verde, com árvores, uns arbustos e animais pastando do outro lado de uma cerca. Eu pensei: "Será que tudo vai parecer um sonho? Algo lindo e tão perfeito que não vou lembrar direito quando acordar amanhã? E se eu não dormir? Daí lembro da minha vida a partir daquele momento de maneira contínua e permanente..."


Isso foi o último pensamento passando pela minha cabeça antes de pisar no ônibus que me traria de volta do Curso de Férias 2013. Foi uma semana tão cheia, tão carregada, tão pesada, mas ao mesmo tempo saí leve. Foi uma sobrecarga emocional, psicológica, física, que ainda vai levar bastante tempo pra sintetizar. 

Todas as reflexões e denúncias, todo o pranto, foi ligado a tantas áreas da minha vida, desde identidade, prioridades, vida acadêmica, família, perdão, passado, planos para o futuro, ponderei muito sobre tudo isso, chorei bastante também, mas ao mesmo tempo consolei e fui consolada. No final, cresci. Ou melhor, comecei a crescer. 


Foi na quinta-feira, quando estávamos orando pelos movimentos estudantis do mundo inteiro com uma tradição Norueguesa que eu estava lá com a minha vela branca na mão que me ocorreu que não eram todos itens soltos e rotulados individualmente esses que estavam sendo influenciados no curso. Tudo convergiu. 

Decidimos que pra todos acenderem suas velas seria mais simples passar adiante o fogo em vez de riscar fósforos, acendemos uma vela e dela fomos acendendo as outras. Eu estava indo passar adiante a chama quando alguém veio por trás: "Mel, me dá um pouco de fogo?" que naquele simples gesto de eu virar a vela pra cada um dos pavis se tocarem que eu percebi, que uma epifania me atingiu em cheio que nem um golpe de verdade. Camões estava certo o tempo todo. O amor é fogo que arde sem se ver. 

Eu acendi a vela de outra pessoa, eu dei fogo, mas a minha chama não diminuiu. Eu dei o que eu tinha, mas não fiquei com menos. Eu doei, mas todos ganharam. Eu percebi naquele instante que o amor de Deus é exatamente assim: Você dá, compartilha com todo mundo, mas não fica com menos. Você ama porque é amado, você pode dar amor, porque recebeu a faísca inicial diretamente de uma fonte interminável. Ele deu uma fonte tão interminável, que ela cresce quanto mais você dá espaço, ele consome tanto de nós pra nos encher de algo maior, melhor, quente, que junta pessoas, que ajuda pessoas, que dá luz pra alguém não se perder no escuro. 


Quando percebi, tudo fazia sentido. Tentei a minha vida inteira amar, perdoar, mas eu nunca consegui por mim só, porque eu não consigo produzir essa faísca. Foi porque Ele me deu que eu hoje posso dar, e de repente grande parte das ambições, das preocupações, simplesmente pareceram tão pequenas. Tantas ofensas e feridas que carreguei com raiva, vingança e ódio, perderam o sentido quando eu vi o tamanho do amor que ele me deu através da cruz. 



Quantas vezes eu não ofendi Ele ao pecar? Feri Seu coração ao pecar e nem percebi? Quantas vezes eu saí do plano inicial por achar que eu deveria ser isso ou aquilo, por achar que eu precisava fazer ou ter pra receber amor? Então, por que raios eu deveria me achar no direito de julgar outra pessoa, de ter raiva ou não perdoar? Seria que nem eu dever alguns milhões de reais a uma pessoa e essa pessoa me perdoar por não pagar, e eu sair e cobrar outra pessoa que me devia 50 centavos. Não faria sentido. Seria ridículo. Patético. Egoísta. E me tornaria ainda menos merecedora de um amor que eu já não mereço.

Então eu virei as costas pra paisagem com animais pastando e tive certeza: Eu tenho tanto, mas tanto, que qualquer perda vai parecer tão pouco ante todo o amor que Ele me deu. Eu tenho tanto, que, se eu mantiver essa chama viva e crescendo cada vez mais, eu não tenho nada a perder. E mesmo se perder a memória de tudo o que aconteceu lá em Bauru, eu ainda tenho o amor Dele. E isso é tudo o que eu preciso.