quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Weak wishes

"Se você perguntasse a vinte pessoas de boa índole qual elas consideram ser a maior das cirtudes, dezenove diriam que é o desprendimento. Mas se perguntassem a qualquer um dos grandes cristãos da Antiguidade, a resposta seria: o amor.
Viu só o que aconteceu? Uma palavra que parte da negação de outra (prendimento) foi substituída por outra afirmativa, e isso é de importância mais que filológica. A ideia negativa de desprendimento carrega em si não a sugestão básica de se reservar as coisas boas da vida para os outros, mas sim de abdicar delas como se a nossa abstinência e, não a alegria dos outros, fosse o ponto importante. Não acredito que essa seja a verdadeira virtude cristã do amor. O Novo Testamento tem muito a dizer sobre auto-negação, mas nada sobre a auto-negação como um dim em si mesma. Ele diz que devemos nos negar a nós mesmos e assumir nossa cruz, para que possamos seguir a Cristo. E praticamente toda a descrição do que acabaremos descobrindo se agirmos assim contém um apelo ao desejo. A grande maioria das mentes modernas tem embutida em si a ideia de que desejar o nosso proprio bem e desfrutar dele com sinceridade é errado. Eu presumo que essa ideia tenha sido insinuada por Kant e os estóicos, e não faça parte da fé cristã. De fato, se considerarmos as promessas inapagáveis de recompensa e a naureza admirável das recompensas prometidas nos Evangelhos, poderíamos até achar que o nosso Senhor não considera os nossos desejos muito fortes, e sim fracos demais. Somos criaturas de coração partido, tentando se divertir com drinques, sexo e ambições enquanto nos é oferecida uma alegria infinita; somos como uma criança ignorante, desejosa de continuar a fazer bolos de barro na favela, porque não consegue imaginar o significado do presente de umas férias na praia. Nós nos contentamos muito fácil."

- The Weight of Glory

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