Sei que este post poderá ser um tanto polêmico porque trata de um assunto que não tem um acordo geral de todo mundo quanto a definir e compreender o tema, mas foi uma reflexão súbita que me atingiu que achei digna de ser expressa aqui.
Sempre tive uma tremenda dificuldade de entender o conceito "eternidade", pelo simples fato de eu ser uma ser humana como você (eu espero) e nosso mundo estar rodeado de começos, meios e fins. O mais próximo que chegamos de eternidade é no final dos contos de fadas "e viveram felizes para sempre".
Já ouvi todo tipo de teorias quanto ao nosso 'post mortum', de que no céu lembraríamos de tudo aqui na terra sem tristeza, de que esqueceríamos de tudo, de que esqueceriamos dos acontecimentos mas lembraríamos das pessoas. Nunca soube me posicionar quanto a esse assunto.
A simples ideia de Deus nos dar uma vida para sempre, mas tirar de nós qualquer memória ou resquício o início da vida aqui no planetinha azul sempre me pareceu estranha, nunca consegui entender o por quê dessa teoria; se não lembrasse de nada, seria como se a Melissa terrena de fato morresse para todo o sempre, porque sem as memórias, pessoas, aprendizado daqui seria o mesmo que começar tudo da estaca zero. Seria outra pessoa.
Daí um dia desses estava refletindo sobre minhas mudanças mais recentes, assim como algumas um tanto quanto longínquas, e pensado quão mais frequentes e intensos têm sido os 'estirões de crescimento'. Se um ano atrás me dissessem que estava morando sozinha, eu não levaria a sério o sujeito e diria "Morar fora de casa pra fazer um curso que não fosse medicina??! Tá doido!". Ou se me dissessem que estava fazendo um curso de exatas, eu diria "rapaz, não sei por quem, mas você foi trollado!".
Daí se me dissessem seis meses atrás que de fato teria contato com meus colegas além do "Bom dia" e da observação de sempre, eu realmente começaria a duvidar da sanidade do indivíduo que me dissesse isso.
Ou então se dois meses atrás me dissessem que eu seria aquela aluna que faz os relatórios com antecedência e gasta ao menos 8 horas por dia estudando (viva o método pomodoro!), eu tentaria arranjar o telefone de um hospício para mandar o emissor destas palavras.
Mas no presente momento, após esses eventos tomarem seus respectivos lugares; prioridades se ajustaram, ideias foram lapidadas, e ainda o são, e a figura vai se construindo cada dia. Tudo faz sentido.
E eu olho para trás algumas semanas, meses, anos atrás - é engraçado pensar que de alguma estranha forma eu sou a mesma pessoa. Sou a mesma pessoa, mas nem por isso deixei de crescer e mudar.
Acho que do mesmo jeito em nosso futuro eterno e perfeito, podemos até lembrar de toda a nossa jornada terrena rumo àquilo, olharemos para nossos eus imperfeitos do passado sabendo que, por mais que distantes e precários aqueles anos pareçam, foram fundamentais à nossa formação como indivíduos para a perfeição.
Compreenderemos plenamente 'grandes mistérios' das vidinhas aqui, descobriremos que muitos deles nem eram grandes mistérios e nem faziam tanta diferença, descobriremos que pequenos detalhes foram necessários para que chegássemos àquele momento.
Compreenderemos nossa imperfeição assim como compreendemos hoje nossa infância, nosso passado.
Daí eu lembrei que I Coríntios 13 fala tudo isso de um jeito bem mais bonito e conciso, e senti que minha epifania na verdade só foi... reinterpretação daquilo que passei minha vida inteira lendo.
"Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido."
- I Coríntios 13:10-12
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